Scary Deep Love
7 Não foi a mesma coisa
No carro Dean pôs o rádio a tocar, Dafne ia sentada a seu lado e olhava para a janela, calada. Ele sentia que nada estava bem.
- Então principiou… — ela olhou para ele mas nada disse. Normalmente, uma mulher depois de ter sexo com ele, não queria outra coisa. Ok, modéstia à parte – Fala…. Por favor?
- Queres que diga o quê? Que sai contigo e gostei? Que fiz amor com um desconhecido? – ela não olhava para ele, continuava fixada na estrada.
- Não sou um desconhecido… — pensou novamente – talvez até seja, mas….
- Mas nada Dean, sei o quê de ti? O teu primeiro nome, caças fantasmas… Saiste comigo porquê? Fiz o que fiz contigo, não me arrependo, mas é correcto? Não é! A minha irmã precisa de mim e eu venho dormir contigo para motéis?! – ela não olhava para ele, desta vez olhava para as mãos, enquanto tentava achar um nexo para tudo aquilo.
Ele encostou o carro.
- Olha para mim! — ela fez o que ele lhe disse – Eu compreendo que tenhas de tratar da tua irmã, ela é pequena e precisa de ti, eu não o nego! Mas tu não mereces alguém também? Tu não precisas de ser feliz? Diz-me que não me queres voltar a ver, diz-me e eu levo-te a casa e nunca mais me vês!
Ela pegou na mão dele e encostou-a a si.
- Bem, a verdade, é que por uma qualquer razão idiota, e que não sei, eu não consigo dizer-te isso! Eu quero ver-te não vás! – ela pôs a mao na cara dele, e sentiu a barba de um dia, e viu os olhos dele – Por favor… Vais embora?
Ele sorriu, e aquele sorriso aqueceu-a.
- Tu disseste para não ir não foi?
Ela largou-o e ele voltou à estrada.
Chegaram a casa, Dafne entrou sem fazer muito barulho, pois eram 8 da manhã, Sam dormia no sofá com Flora ao seu lado.
Dean entrou e beijou-a na cabeça.
Ela sussurrou.
- Dean, estás idiota? – puxou-o para a cozinha — Eles podiam ter acordado e visto, já pensaste nisso? Não ia ser nada bom!
Dean revirou os olhos. Mulher teimosa!
- Como se o Sam não soubesse o que aconteceu… — ele agarrou-a e ela deixou-se ficar.
- Claro, mas sempre podes tentar mentir ou não? – ela estava a dar-lhe dentadinhas no pescoço.
- És a única mulher que conheço que faz isso… — encostou-a mais a si.
- Isto é bastante giro, o meu pai ficava sempre com uma dentada no nariz, quando estava a dormir e eu não o conseguia acordar, para ir comigo ver o sol nascer… — ele conseguia ver o orgulho na voz dela, quando falava do pai.
Ela largou-o e começou a preparar qualquer coisa para comerem, ele sentou-se na cadeira, enquanto ela acabava de preparar.
- Às 10 tenho de estar a trabalhar, por isso tenho de me despachar, e de dar de comer a Flora e tudo… Não arranjo baby-sitter para ela… Mas a Bride não se importa…. Já agora, de onde conhecem a Bride?
Ela pôs as sandes na mesa, e ela começou a comer, enquanto ele falava.
- Ela era amiga do nosso pai… Ela veio para aqui para se afastar um pouco do que fazemos… Mas parece que não conseguiu — deu uma dentada na sandes.
- Estás-me a dizer que ela também saber matar essas coisas? — Ela estava muitíssimo espantada.
- Sim querida… Mas o marido e o filho não fazem a mínima ideia…. – Declarou.
- E porque não?
- Bem gostavas que a tua família não conseguisse dormir, pensando que um monstro os podia atacar? – Ela era demasiado curiosa.
- Bem, não, honestamente não gostava.
Acabaram de comer, Dafne despachou Flora, despediu-se deles e foi para o trabalho.
A caminho da loja Dafne voltou a ver Adam White, e sinceramente, ela já andava a ficar um bocado farta.
- Olá boneca! — ele sorriu-lhe.
- Olá, e não sou boneca… Que queres Adam? – ela continou a caminhar.
- É hoje que vamos sair?- lá teria de ser mais cedo ou mais tarde não era?
- Está bem… Mas a Flora vai connosco! – ele pareceu desanimado, na mente de Dafne, ela sorriu.
- Mana, mas o Dean ontem saiu contigo e eu não fui! – Meninas, nunca sabem quando devem estar caldas.
- Pois foi Flora, mas tinha alguém para ficar contigo não foi? – apertou-lhe um pouco o braço a ver se ela se percebia que era uma indirecta para se calar.
- Tu és o Adam não és? – perguntou Flora.
- Sim sou eu – sorriu um sorriso amarelo para a menina.
- Eu gosto mais do Dean, a Dafne faz outra cara quando o vê… Ele é mais simpático e é super forte, ele pegou em mim ao colo e na mana.
- Flora! Então é logo à noite não é? – Adam estava tão fulo…
- Sim é, vou-te buscar ás 7. Por isso está despachada a essa hora. Continuou a andar e ela chegou ao trabalho.
Mas chegou ao trabalho, Bride tirava uns cafés para uns camionistas que s encontravam de passagem, para abastecer e descansar um pouco.
- Bom dia Bride — disseram as irmãs.
- Bom dia meninas — sorriu esta, Flora sentou-se numa cadeira a pintar, e Dafne foi vestir a bata.
- Então Bride novidades? – Dafne começava limpar as vitrines dos expositores.
- Não me parece, minha menina, quem tem de ter novidades aqui és tu! – ela sorriu-lhe e pôs-se ao pé dela – Rapazes se quiserem alguma coisa, chamem, estou aqui! Vá diz lá!
Dafne corou.
- Bem nós saímos como sabe… Foi giro, o restaurante onde ele me levou era chique e tudo, depois rimo-nos do nosso empregado que parecia “dar para outro lado”. Ele foi sempre tão simpático, ele não pedia mais que a minha amizade entende?
Bride acenou, sentia-se feliz por ambos.
- Sim… Mas passou-se qualquer coisa mais, vê-se o brilho nos teus olhos rapariga!
- Ele beijou-me, nada de mais… E depois fomos para um motel…. Oh a Bride sabe o que vem a seguir! – Ficou ainda mais vermelha.
- Sei pois, mas aquele rapaz não tem juízo, num motel? Tu merecias algo mais não…? – Bride tinha as mãos nas ancas e abanava a cabeça de um modo a pensar que não deveria ter corrido daquela maneira.
- Mas não percebe, para mim foi especial, não me interessa, nem que fosse numa barraca. A verdade é que foi com ele, e não sei porquê, gostei… Ele é mesmo perfeito… Sim.
Bride parou de arrumar os jornais.
- Sim o quê, querida? – Disse muito admirada.
- Eu sei que não poderemos ficar juntos… O que ele faz… Bem não dá.
Bride suspirou.
- Bem querida, eu compreendo como tu vês tudo isto. E eu só não meti o meu marido e o meu filho nisto, porque eu não quis. E esta, é uma atitude, que parte unicamente de ti.
- Claro, nós já falamos mais ou menos sobre isto, e compreendemos, que é melhor só nos vermos algumas vezes… — Pestanejou rapidamente para afastar as lágrimas e continuou o que estava a fazer.
Passado uns minutos disse.
- Sabe, eu aceitei sair com o Adam…
Bride quase gritou. Quase.
- O quê? Porquê?
- Porque estou farta que ele me chateie, por isso, talvez se sairmos uma vez, ele depois pare — parou para respirar — e é aqui que a Bride entra.
- Ah não, não me metas nisso menina descuidada! Não me metas nas tuas trapalhadas!
- Oh Bride, por favor, o Dean não pode saber, ele não gosta mesmo nada dele… e depois pode ser que ele pare… Além disso, a Flora vai comigo.
Bride benzeu-se e olhou aos céus.
- Pronto está bem eu ajudo-te… — Dafne abraçou-a tão fortemente, que esta achou que ia ficar sem forças.
As horas passaram, veio um cliente ou outro, e chegou a hora de irem para casa, eram cinco da tarde, quando Dafne entrou em casa.
O plano era vestir-se, arranjar-se, esperar por Bride (não tinha combinado nada com Sam ou Dean, por isso, eles não deviam aparecer lá), jantar com o Adam e voltar para casa.
Bride convenceu-a a não levar a menina, pois ela não sabe o que se iria passar, mas se levasse a menina, as coisas podiam ficar feias, e não era com a menina ao pé que ela poderia fazer alguma coisa.
O telemóvel tocou.
- Sim? – atendeu enquanto calçava os sapatos.
- Oláá, então, e que tal hoje nós pagarmos-vos o jantar?
Ela congelou perante a voz, era Dean.
- Ah Dean… Hoje não dá, a Flora está muito cansada, que tal amanhã? Olha agora estou muito ocupada, ligo mais tarde.
Ela não o deixou dar resposta, e desligou o telemóvel na cara dele. Pobrezinho, mas el dar-lhe-ia uma explicação depois daquilo.
Quando Adam chegou, já Bride brincava com Flora na sala. Ela despediu-se e foram embora.
Chegaram ao restaurante de PandoraVille. Aparentemente, Adam queria que toda a gente soubesse que ele andava a sair com ela, e a única coisa que Dean se preocupava, era se ela não se importava de ter ido ali, ou estava aborrecida.
Ele só falava dele, e de como ele era bonito, qualquer pessoa quereria sair com ele. Dafne teria-o trocado à primeira oportunidade por Dean. Ele fazia-a sorrir, punha-a contente, e não queria saber de futilidades. Divertiam-se.~
- Bride, a mana demora muito? – Flora queria saber da irmã como se não houvesse amanhã
- Querida ela está quase a vir.
Tocaram à campainha. Bride abriu, era Dean e Sam vinha a correr atrás dele.
- Onde é que ela está? – ele entrou em casa e correu para a sala.
- A Dafne está a… — Va lá Bride, lembra-te de alguma coisa – está a tomar banho!
- Dean calma, ela está bem! – Sam estava a agarrar o irmão por um braço.
- Não não está! Ela falou tão depressa comigo ao telefone! Bride fala já!
- A mana foi sair com o Adam Feio! – foi a voz da peque na Flora que se ouviu.
- Eu já venho! Eu disse-te que eram eles quem eu tinha visto quando passámos! – Dean olhava chateado.
Dean saiu porta fora e Sam ficou a explicar a Bride o que se passava com o irmão.
- Está-se a apaixonar – murmurou Bride.
- Sim está — concluiu Sam – Bride, quando nós vínhamos a caminho de cá vimos, as luzes estão a voltar a piscar, e o rádio a dar sinais.
Aquilo não era bom.
- Espiritos?
- Sim… E desta vez foi a casa de Mr. Robinson
- Morreu alguém? – Engoliu em seco a pergunta
- Não, está tudo cá fora, está tudo fora dos lugares.
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