Notas iniciais
Bem, chegamos ao fim, talvez esse não seja o final que a maioria queira, mas eu achei que foi o final necessário. Obrigada Flor do Deserto pela ajuda com o final e sem dúvida a todos que me deram apoio ao longo dos anos, escrever e terminar essa fic foi uma verdadeira montanha russa que espero que tenha valido a pena para vocês, bjs e até alguuma próxima. Boa leitura

~~ Epílogo ~~

Fui enviado à casa de meu pai, ele estava furioso pelo desenrolar de um negócio mal sucedido. Obviamente, não por mim, alguns funcionários incompetentes fizeram a própria cova ao não atender minhas expectativas.

Filho do grande Inuno Taisho, a família youkai mais prestigiada e poderosa do Japão, logo, como poderia aceitar menos de meus funcionários? Nunca! Se eles não atenderem meus anseios, então não havia mais o que conversar. Infelizmente isso não sucedia a todos ...

Meu pai não pensava como eu, ele tinha uma maneira peculiar de negociar as coisas e sua forma "passiva" de lidar com a escória não me agradava.

— Sua atitude foi deplorável! Como você pôde fazer isso?

— Foi muito simples na verdade — disse rolando os olhos, eram youkai medíocres, não fariam falta

— Não fale assim! Eu sei que esse último negócio vai nos causar problemas, mas a culpa foi sua por não estar à frente de tudo!

Meu olhar disparou em alerta, senti uma raiva borbulhar em minhas veias. Como ele ousava ?!

— O senhor, meu pai, esquece que a escolha de pessoal, principalmente para este assunto, foi feita pelo seu adorado filho mestiço.

O desprezo de minhas palavras era facilmente perceptivo. Minha mãe foi trocada por uma reles humana, muito aquém de sua grandeza.

— Inuyasha ainda tem muito a crescer, aprender a lidar com os negócios da família. Você por outro lado, deveria tê-lo orientado melhor

Chamar de raiva seria eufemismo. A cegueira de meu pai frente ao mestiço era aterradora. Agora este Sesshoumaru deveria servir de babá? NUNCA!

— Agora não há muito que fazer, mas devemos remediar essa situação. Falei com um amigo meu, ele e a esposa estão preocupados com a filha...

Meu pai dizia muitas coisas, o que importava a filha de alguém quando a empresa estaria à beira de um escândalo financeiro causado pelo seu querido filho? Claro, admitir a incompetência de seus erros era demais para o pequeno Inuyasha. Mas não, era para isso que eu estava ali, para apagar os incêndios causados pelo mestiço.

— ... de acordo com o casamento?

Aquela frase foi o ponto alto

— Como disse?

— Você não estava prestando atenção? Olha com quem eu falo... obviamente que não... Uma fusão entre nossa empresa e a dos Higurashi é o que precisamos, a mídia vai ficar em polvorosa com o acontecimento, quando o escândalo da companhia estourar, não será mais que uma pequena brasa.

— Então seu filho casará com essa menina a fim de amortecer os danos. Parece justo.

Disse observando minhas garras, assuntos triviais estavam abaixo de mim

— Oh, que bom que está de acordo, por um momento imaginei que seria de seu desagrado.

Meu pai falava aliviado, como se um peso fosse tirado das costas, talvez até um pouco abismado com minha opinião a respeito de tudo.

— Obviamente que não. Está na hora de encarar a responsabilidade e assumir o papel. Uma fusão seria benéfico para as duas famílias. – puxei um pouco a memória atrás de pistas sobre a tal família, pois apesar de meu pai ser amigo deles, eu vivia muito ocupado para lidar com festa da sociedade e reuniões, me manter no escritório pesquisando ações e negócios lucrativos era meu passatempo – não lembro bem a área de atuação deles, mas acredito que no último ano eles tiveram um crescimento expressivo de alguns bilhões.

— Sim, exatamente

Meu pai falou com orgulho genuíno na voz. Se tratamento de minha pessoa, não poderia ser diferente, eu sou perfeito em tudo que faço.

— Mas acredito que eles não pertençam a nenhuma família youkai

— Certo, eles são humanos e pelo que meu amigo me falou, Kagome mostrou excelentes habilidades de miko.

Não pude evitar o som de escárnio escapar da minha garganta

— Uma miko, como se uma humana na nossa família já não fosse ruim o suficiente. – meu pai se desagradava da forma como falava, porém não me repreendeu — Mas não é como se pudéssemos exigir algo, principalmente para o mestiço.

Meu pai tossiu chamando minha atenção e cortando meus devaneios

— A... certo... bem...acontece que – meu pai se perdia nas palavras, e eu tinha um péssimo pressentimento quanto aquilo – a menina Higurashi está... prometida a... você.

Um rosnado violento cortou minha garganta. Quase elevei meu yokai à superfície, como ele ousava? Inadmissível!

— Nunca!

— Já está decidido. O casamento será em alguns meses

— Inuyasha é o culpado, ele quem deveria casar com essa garota.

— Inuyasha não pode guiar as empresas, com este casamento você será o principal responsável. Os Higurashi acreditam que com você à frente de tudo poderá fazer o melhor para todos.

Isso era evidente, mas não expressaria nada. Precisava controlar minha raiva ou a mansão precisaria de uma nova reforma

— Kagome está fazendo faculdade, algo que os pais não aprovam, eles esperavam que ela seguisse os negócios da família, porém como não aconteceu, eles esperam que com sua influência, ela se dedique a coisas mais construtivas, como formar família e deixe essa ideia boba de faculdade.

— Então devo ser babá do seu filho mestiço ou da filha de outro...? huuuuuumque duvida cruel... a resposta é não!

Sarcasmo escorria por meus poros, minhas garras queria escapar veneno.

— Já está decidido. Você se casará com a menina Higurashi.

— Nunca.

— Não me desafie Sesshoumaru! – meu pai se erguia contra mim, tentando usar toda a influencia de alfa para me fazer submeter, mas a raiva transbordava e meus olhos rasgavam vermelho

— Você que me desafia, me usa como um cordeiro para o abate para livrar seu filho da responsabilidade. Ele quem devia se casar com essa garota, ele quem...

Nunca lembraria o que tentava dizer, pois minhas palavras foram cortadas com o soco brusco dado por meu pai, sua energia sinistra me comprimia, ele ainda era mais poderoso que eu e me obrigava a submeter à sua vontade. Lembro que a dor de meu maxilar estava curada no dia seguinte, mas suas palavras ecoariam na minha cabeça pela eternidade.

— Você se casará com ela, a fará feliz e será o grande chefe de família que espero que seja. Não haverá mais discussão, eu sou o alfa e minha palavra é lei.

O dia que a vi estava tatuado em minha mente. Como uma brisa de verão, ela cruzou em meu caminho, diferente de tudo que havia conhecido, como uma tempestade turbulenta num mar de calma.

Senti o aroma incomum, algo delicioso como lírio e jasmim. A fragrância lentamente tomava meus sentidos. Como em transe busquei o aroma em comum. Uma garota pulava em cima das costas do mestiço fazendo-o balançar e quase cair. A cena me deixou estarrecido. Algo vibrava em fúria em meu peito, como aquela mulher poderia dar atenção a um ser como Inuyasha?

A mulher em questão usava shorts curtos, deixando as coxas bem torneadas à mostra, sem mencionar que a posição constrangedora que se encontrava demarcava ainda mais suas coxas. O cabelo comprido e a posição que se encontravam impediam-me de ver seu rosto. Ela tentava inutilmente tocar suas orelhas de cachorro, enquanto Inuyasha tentava a todo custo afastá-la sem deixa-la cair, como não despencou em uma queda feia, estava além do conhecimento de qualquer um.

— Solte-me, sua bruxa – esbravejava o mestiço

A mulher por outro lado, parecia pouco se importar com as reclamações, em contrapartida ria das tentativas dele de se desvencilhar.

— Oh Inu

O apelido carinhoso para com o mestiço atiçou a minha raiva, tal melodiosa voz direcionado ao meu irmão inútil era mais do que inconcebível.

— Solte-me, eu já disse! – ele sacudia-se tolamente tentando afastá-la

Aquilo era patético, dois patéticos, por que dependi tanto tempo com aquela tolice era um mistério para mim. Coloquei minhas mãos nos bolsos e soltei o ar de meus lábios com desagrado me virando para partir, eu, o grande filho de Inuno Taisho espreitando o mestiço? Nunca! Sem duvida, um comportamento abaixo de mim. Ainda assim, congelei antes de ir, ao ouvir a mesma voz melodiosa, outrora rindo com alegria e disposição, agora num ataque velado de pura fúria.

Retornando ao ponto de observador, vi que o casal havia se separado e a mulher de roupas indecentes gesticulava com o braço levantado para outro youkai recém-chegado

— Quem você pensa que é? Não haja como se fosse um ser superior – finalizou pondo as mãos nos quadris

— Eu não preciso que você me defenda – esbravejava o mestiço tentando afastar a mulher da sua frente

O youkai ria com gosto de toda a situação, Inuyasha explosivo como sempre avançou sobre ele puxando-o pelo colarinho

— Eu encaro você sozinho. Pode ser um youkai completo, mas não passa de um lixo

O youkai num movimento sujo deu uma joelhada no estômago de Inuyasha, quando o mesmo se curvou agarrado ao estômago e foi acertado um soco rápido. A mulher se abaixou para acudir o hanyou, com toda a ação ainda foi impossível ver sua fisionomia. O youkai puxou a humana com brusquidão erguendo-a pelos braços, o que não deve ter sido difícil tendo em vista a compleição pequena. O mestiço reclamava do chão, enquanto o ser sacudia a pequena criatura indefesa pelos braços.

Uma raiva borbulhava em meu interior, obviamente não pelo bem estar da mulher, seres humanos eram criaturas reles que não mereciam tal atenção, mas não há honra em subjugar um ser inferior, um youkai se prestar a tal desonra só manchava nossa classe.

Estava pronto para intervir no ato vergonhoso do youkai, mas antes que conseguisse mover qualquer centímetro, a mulher agarrou os braços do youkai com as unhas e raios rosa incandesceram por seus dedos.

Miko... – a palavra escapou de meus lábios antes que tivesse a oportunidade de mantê-las

O youkai tolo havia mexido em um vespeiro, ele a soltou com rapidez enquanto se encolhia no chão. A mulher parecia ter algum gosto para o sadismo, pois mantinha seu aperto firme enquanto liberava mais raios no ser à sua frente.

— Cadela – gritou esganiçado

— ah, então você ainda quer mais! – disse com certa diversão na voz aumentando a intensidade da luz que escapava dos dedos fazendo-o gritar em desespero.

Da prepotência às suplicas por misericórdia. Foi de fato um show.

Seres sagrados como mikos e monges geralmente se mantinham longe de youkais, ver esta humana indecente se revelar uma miko com poderes suficientes para fazer um youkai completo clamar por misericórdia, era estranhamente... gratificante.

Mas obviamente nada daquilo tinha interesse para este Sesshoumaru. Um sorriso de canto depositou em meus lábios enquanto me afastava com as mãos nos bolsos, ouvindo a voz do mestiço, cada vez mais baixa, pedindo para que mulher parasse com aquilo.

Nosso encontro oficial só ocorreria alguns meses depois, a mesma fragrância adocicada e arrebatadora se fez presente tirando-me de devaneios. Então de repente uma voz insegura, já conhecida se fez presente

— Você deve ser Sesshoumaru

Olhava a janela quando me virei e vi a recém chegada... Tão delicada e ao mesmo tempo tão arrebatadora. Cabelos longos e rebeldes caiam em cascata dando-lhe uma aura selvagem, olhos de um azul profundo me encaravam incertos, a boca levemente entreaberta tornava-a apetitosa. Foi um pensamento que me repreendi milhares de vezes. Meu youkai rugia em resposta, mas tão tolamente não percebi ao quê...

Usava jeans, uma camisa florida e cabelos ondulados caiam em cascata. Não permiti ver o quanto ela me afetava, mas nossos caminhos estavam irremediavelmente cruzados.

Ela fazia faculdade, boas notas e aptidões a licenciatura, conseguiu iniciar os estudos cedo, lembro-me de ter comentado que estava quase a concluir o curso, mas devido a nossa união ela os deixou de lado. Acho que isso afetou sua maneira de ser. De certa forma, o inicio daquele casamento agradou a todos que o queriam menos a nós dois.

Fui envolvido naquilo, pagaria pela incompetência de todos, forçado num casamento inferior. A mulher na minha frente já demonstrou ao vivo sua força, mas o deslumbre que tive fora um sonho e o sentimento arrebatador que senti foi uma faísca que por um longo tempo nem sabia se era real.

Os jeans, shorts, estudos e sua aparência única, deram lugar a uma mulher recatada, cabelos pretos em coque e maquiagem leve. Era como se ela se apagasse pelo nosso casamento. Tomando conta de tudo, tendo controle da casa e tentando tomar partido nos meus assuntos. A jovem cativante que conheci, do dia pra noite, deu lugar a uma mulher de Stepford* saída direto da década de 50. Nunca soube o que estava por trás da repentina mudança, talvez a mãe dela... Não a conheci bem, mais a personalidade de Kaori Higurashi era bem conhecida, mulher rígida, compromissada com a família, cuidava da vida dos filhos com afinco, não me surpreenderia que quisesse guiar o casamento da filha como o dela.

Kagome sempre teve um encanto especial, infelizmente para nós esse encanto se apagou aos ensinamentos da mãe. Por muito tempo a mulher tempestuosa havia desaparecido, isso até sua mudança, isso até desistir de mim e me fazer ver o quanto precisava dela...

Tirado de céus devaneios, Sesshoumaru piscou afastando as imagens de sua cabeça. O céu estava escuro, carregado de nuvens que anunciavam a chuva eminente. O bebê em seus braços dormia placidamente alheio a todo aquele mórbido clima. As pessoas vestidas de preto se aglomeravam ao lado da cova que seria preenchida em breve. Uma vida que se vai, de maneira tão... mas ações tem consequências. Cicatrizes difíceis de esquecer... de conviver. Apesar de todas as tentativas de mudar, de todas as coisas que tentamos... nossas cicatrizes estão ali para mostrar nosso passado e as vezes vergonha.

Ele estava ali por causa dela, estaria eternamente à seus pés enquanto ela assim desejasse. O grande e poderoso Taisho, a fera sem coração... prostrado aos desejos e anseios de uma reles humana..

Um cemitério sempre carregava uma aura de desolação. Pensar no tempo perdido. Se soubesse que suas escolhas o levariam aquela posição? Teria se feito escolhas melhores? Teria tentado mudar os rumos?

Shippou, que fora aluno de Kagome chorava desolado em frente à cova, uma menina, que pela aparência, era hanyou lhe fornecia um ombro amigo. Ele não podia ver o olhar da menina. Algumas crianças da escola também estavam lá acompanhadas dos pais.

Pelo canto do olho, observou Sango se aproximar. Vestido negro, cabelos presos num coque e olhar preocupado.

— Olá, Sesshoumaru – ele apenas acenou com a cabeça – eu sei que não é usual, mas em virtude dos últimos acontecimentos, preferi vir falar com você antes... eh...O Kouga está aqui e...

Ela disse elucidando sua vinda até ele. É verdade que ele e o youkai lobo tiveram alguns problemas no assado, mas isso havia ficado para trás.

— Não tenho problemas com ele. Tudo já foi acertada há muito tempo a pedido dela

Sango concordou com a cabeça, sorrindo levemente para o bebê no colo do youkai

— Ele parece muito com ela

Sesshoumaru concordou com a cabeça. Ele nunca seria capaz de esquecer dela, ela estaria impregnada na sua cabeça, sob sua pele e seu cheiro até o fim dos tempos. Seu filho era prova disso, um ser inocente que nem imaginaria todas as turbulências que passou ainda no ventre materno. Seus olhos cor âmbar, a única coisa vinda dele. Todo o resto, da pontinha do nariz a cara emburrada que ele fazia quando estava com fome provinha dela. Era uma lembrança constante dela que o fez esboçar um raro sorriso de canto.

Ele caminhou mais se aproximando de Shippou, tocou no ombro do menino. O pequeno youkai se separou da hanyou de cabelos brancos que o consolava olhando o surpreso

— Senhor Sesshoumaru!

Ele apertou suavemente o ombro do menino e um aceno de cabeça, dando as condolências. Shippou retribuiu o aceno.

— Senhor Taisho, eu gostaria de agradecer por tudo. Eu e minha família somos eternamente gratos pelo que fez.

Disse a voz de uma mulher atrás dele, ao se virar viu uma youkai raposa junto de uma menininha hanyou de aproximadamente dois anos.

— Não fiz nada demais. Meus pêsames por sua perda.

Levou mais tempo do que gostaria, mas Sesshoumaru conseguiu localizar a mãe de Shippou alguns meses depois, conseguiu reunir mãe e filho. O pai de Shippou não aceitava a separação e muito menos o fato de ter sido trocado por um reles humano, por vingança não permitia que ela visse Shippou. Com a influência certa, ele contratou um advogado que permitiu que a mãe de Shippou ganhasse a custódia do menino. O pai não aceitou bem, se envolvia em discussões, até que encontrou seu fim numa briga de bar.

— Tsukui era um youkai arrogante, não me aceitou como companheira para a sociedade youkai, mas também não suportou ter sido trocado por outro. Ego ainda corre muito em nossas veias como um veneno.

— E aprendemos com ele da pior forma – ele respondeu encarando o filho adormecido nos braços

— Sempre é tempo de reparar os erros, claro, o gosto é uma porcaria, mas desde que não esteja no fim da linha – ela disse olhando para a cova a poucos metros a frente deles – há esperança.

Ele deu um aceno para a mulher e deu as costas saindo com o filho. Ela estava certa, ainda haviam muitas coisas a serem reparadas.

Quando a porta se abriu, uma mulher humana correu para alcançá-lo ainda no batente, ela se atirou puxando o pequeno embrulho de seus braços com o rosto iluminado. O pequeno bebê, já acordado, sorria com aprovação da mulher.

— Oh meu amorzinho, vovó sentiu tanta falta – disse fazendo um gracejo com o nariz próximo do nariz do bebê.

— Vai acabar mimando-o, Izayoi

— Para que servem os avós se não para isso?

Ele rolou de olhos

— Se importa de ficar com Shintarou por hoje?

— Como se fosse preciso pedir – disse alegre saindo com o bebê – vamos meu amorzinho

— Sesshoumaru, leu as noticias esta manhã? O jornal tem... certos acontecimentos intrigantes

O youkai que se fez presente chamando por Sesshoumaru apareceu erguendo o jornal com um brilho incomum

— Nada que merecesse atenção – disse de forma neutra

— Sério? O corpo de uma youkai branca e outra, que não pode ser identificada, foram encontrados num carro abandonado, jogado do alto de uma colina. Sabe algo a respeito?

— Ora, meu pai, o que poderia eu saber de tal atrocidade?

Andar por aqueles corredores ainda o alteravam. Três meses haviam se passado e aquele beep ainda atormentava seus sonhos. 15 segundos de pura angústia comprimiram seu peito, ele lembrava perfeitamente do som estridente e nivelado no monitor arrancando de seu controle, não podia ser. O uivo de dor explodiu em sua garganta.

Quando um beep ritmado se fez presente, a esperança povoou em seu peito, ele pôde enfim respirar. Seu uivo clamou por ela, clamou por uma chance de recomeço e lhe foi concedido.

Ele ficou em frente de uma janela de vidro, admirando a mulher lá dentro. Como se o sentisse, ela se virou capturando seu olhar, foi como se o tempo parasse. Um sorriso se iluminou aquecendo o coração do youkai. Ele ergueu a mão para tocar no vidro frio e sem vida, ela caminhou alguns passos para encontrar a mão ainda presa no vidro. Ela sorriu de ansiedade.

Ele se afastou do vidro e caminhou a passos largos para porta, ela engoliu em resposta ansiando por ele.

— Oi – ele disse ao entrar

Ela caminhou lentamente para ele, incerta ao elevar a mão, ela o tocou levemente na mão, um formigamento invadiu seu corpo, adrenalina fazendo seu coração acelerar. Subindo cautelosamente pelo pulso e braço dele, apertando levemente para se certificar que era real. Que ele estava ali

— É você. Não é um sonho

Por tanto tempo ela desejou estar assim com ele, que ele a olhasse com amor e ternura, que a colocasse em seus braços e a amasse como era. E enfim seu desejo se realizou. Um rubor tomava conta de suas bochechas, um sorriso que iluminava suas feições apáticas pela falta de sol. Tanta luta para chegar até ali e enfim, poderiam estar juntos.

Após a parada cardíaca, Kagome não conseguia eliminar o yiaku de seu corpo, os rins estavam parando, então precisou fazer hemodiálise. Qual foi a surpresa quando seu sistema imunológico ficou depletado, precisando ser mantida num quarto esterilizado e longe de todos, através do vidro, foi seu contato com o mundo exterior. Todas as manhãs antes de ir ao trabalho, ele passava no hospital para vê-la dormindo, deixava uma rosa presa ao vidro, no horário de almoço, ele se deslocava até o hospital para almoçar com ela, cada um frente ao vidro. Oh ironia da vida... ele perdera tanto tempo evitando refeições com ela, porém fazia malabarismos para aproveitar pequenos momentos ao seu lado, vê-la se recuperar dia a dia através do vidro.

Após o trabalho, ele vinha novamente e deixava outra rosa presa ao vidro, flores sempre iluminariam sua janela. Sango, Kikyou e seus pais se revezavam nos cuidados com Shintarou na sua ausência. Ver seu bebêatravés do vidro foi uma das coisas mais dolorosas que ela passou, mas isso era passado e hoje viveriam o futuro.

Ela o abraçou deixando a emoção tomar conta do corpo, era como uma chama que tomava controle de tudo. Sentir seu perfume, ocasionou arrepios imediatos por todo seu corpo, seu coração acelerou num ritmo desenfreado. Ela segurou seu rosto com as duas mãos admirando-o

— O médico liberou sua alta, mas ele pediu que se mantivesse em casa para evitar sobrecarrega-la com o exterior.

— Qualquer coisa para sair daqui. Onde está Shintarou? — ela falou com ansiedade na voz, ela buscou no vidro a aparição de mais alguém com seu bebê, ela não pôde amamenta-lo pessoalmente, conseguindo ordenhar leite até que seu sistema imunológico falhar. Seus momentos com o filho foram curtos até sua internação.

— Deixei com meus pais. Izayoi parece ter muito afinco na tarefa de mimá-lo. Iremos busca-lo à noite se você estiver se sentindo bem.

Ela sorriu em antecipação ao pensar em tocar novamente no filho, então lembrou-se de algo cortando seu bom humor ...

— Como estava Shippou?

— Ele estava bem apesar de sofrer pelo pai, o pessoal da escola estava presente.

— Fico feliz que tenham ido dar apoio a ele. O que você tem?

Semblante cabisbaixo de Sesshoumaru preocupouou Kagome.

— Talvez tenhamos começado do jeito errado, eu não aceitava que precisava de você, fui apenas obrigado por meu pai, acho que nosso começo tortuoso era mais que previsível, apenas EU grande idiota não aceito que meu youkai havia escolhido uma humana, eu não podia aceitar a verdade e a sujeição ao meu comportamento infantil e cretino, que definitivamente você não merecia — ele tocou uma bochecha acariciando o olhar da mulher que tanto ansiava — Mas o que eu deveria fazer, não podia aceitar que havia me apaixonado perdidamente por um ser tão sagrado ... Me apaixonei perdidamente por seu ser e seu coração, inegavelmente e irremediavelmente.

Ela sorriu colando seus lábios aos seus numa promessa silenciosa de não olhara para trás, apenas se amar até o fim das eras.

~ Fim ~

Notas finais
* Mulher de Stepford é uma referência do filme / livro Mulheres perfeitas Obrigada por toda a paciência ao longo dos anos e perdão pelas coisas não virem do jeito esperado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!