Scars

2 His smile


Notas iniciais
Então... eu recebi comentários muito bons sobre o primeiro capítulo e quase explodi de alegria aqui! Muito obrigada pessoal ♥ Significa muito para mim :D Aqui está o segundo! Espero que gostem:

A primeira semana de aula de Blaine não ocorreu muito bem. Na quinta-feira, ele já tinha sido atingido com raspadinhas cinco vezes. Nada que ele não conseguia aguentar, comparando com o ano anterior.

Mas algo estava muito estranho. Alguém. Kurt Hummel. Blaine se sentia como um stalker maluco por ter tanto interesse nele. Ele tinha tantas perguntas e sentia que precisava pelo menos conversar com Kurt ou sentar com ele na hora do almoço. Mas todos os dias, Kurt sentava sozinho em uma mesa no canto do refeitório de McKinley. Ele não comia. Ele não conversava. Ele apenas ouvia música em seu iPod com a cabeça baixa. As vezes, Blaine se perguntou que tipo de música Kurt escutava. Blaine amava música, era a única coisa que tinha ajudado ele ao longo dos anos. A música e Glee club.

Ele também tinha visto Kurt levar raspadinhas no rosto e ser empurrado contra armários várias vezes (e ele nem estava no Glee Club!). Blaine não fazia ideia porque Kurt sofreu tanto em menos de uma semana sendo que ele nem estava no coral. Talvez era porque as piores coisas sempre acontecem com as melhores pessoas. Esse foi o tipo de pensamento que deixou Blaine com mais vontade de conhece-ló melhor.

Então,na quinta-feira, Blaine estava no refeitório quando ele avistou Kurt como sempre em sua mesa. Sozinho. Ele se dirigiu até a mesa e se sentou ao lado de Kurt. Blaine pensou que Kurt talvez não quisesse a presença dele mas resolveu não se importar.

"Hey." Blaine falou. Kurt pausou sua música e Blaine conseguiu ver que ele estava escutando A Thousand Years — Christina Perri. "AI MEU DEUS!" Ele quase gritou. "Eu AMO essa música! Você tem um bom gosto musical, huh."

Kurt sorriu. Era a primeira vez que Blaine viu ele sorrir. E naquele momento, ele percebeu que Kurt não havia sorrido a muito tempo,pelo menos não um sorriso verdadeiro. O que fez ele perceber que muitas pessoas ao redor do mundo sorriam mas você nunca sabe quais sorrisos são os verdadeiros e quais são os falsos. É uma sensação estranha. A sensação de você perceber esse tipo de coisa sem nem conhecer alguém. Do mesmo jeito que Blaine percebia que os olhos de Kurt eram cheios de tristeza e solidão. Ele sempre percebeu.

Antes que ele pudesse começar uma conversa com Kurt,ele viu que Kurt ficou pálido e se virou para avistar David Karofsky vindo em sua direção segurando dois copos de plástico.

"Vocês dois são namorados agora ou o que? Bichas." Ele derramou o líquido nos dois garotos e voltou rindo para sua mesa com os atletas de futebol.

Kurt ficou lá com seus olhos fechados e respirando pesadamente. Mesmo que tinha raspadinha vermelha em seu rosto inteiro, Blaine conseguiu ver lágrimas descendo de seus olhos.

"K-Kurt. Você quer que eu te ajude?" Blaine perguntou. Ele estava tão acostumado com a dor ardente que nem sentia mais.

"Não. Eu não preciso de nenhuma ajuda. Obrigado." Kurt disse -,claramente com raiva- ,agarrou sua mochila e se levantou.

Ele estava tão cansado das pessoas pensando que ele precisava de ajuda. Fazia ele se sentir como se ele fosse um problema. E aqueles que realmente tem um grande problema,não gostam de ser lembrados disso, já que suas cicatrizes os lembram todo santo dia. Do mesmo jeito que é difícil esconder um segredo quando está escrito pelo seu corpo inteiro.

E sim, Kurt tinha um problema e sim, ele precisava de ajuda. Mas ninguém precisava saber. Nem ele mesmo.

Kurt corria para o banheiro o mais rápido que conseguia, esperando que ninguém ia notar ele. Quando uma garota baixa, vestindo um suéter preto com um animal -Kurt não conseguia dizer qual era o animal por ser super mal costurado- estampado, uma saia vermelha batendo em seu joelho e uma bota marrom parou ele, parando na sua frente.

"Oi!" O sorriso dela era tão grande a ponto de assustar Kurt. "Você é o Kurt, certo? Meu nome é Rachel Berry mas você deve me conhecer como aquela garota talentosa que está no Glee club mas estará brilhando na Broadway em menos de 10 anos." Rachel falava tão rápido que Kurt teve que tirar 10 segundos para processar tudo. E o sorriso nunca saia de sua boca.

"Ah. Ela é tão modesta" Ele pensou "E como alguém consegue sorrir esse tanto?" mas no fundo, desejando que ele tivesse motivos para sorrir daquele jeito e que tivesse aquele tanto de segurança com si mesmo como Rachel tinha.

"Sim. Meu nome é Kurt. Com licença mas eu tenho que-"

"Limpar? Eu te ajudo! Eu já estou acostumada a levar isso o tempo todo." Ela agarrou o braço de Kurt,guiando ele para seu armário, onde por acaso, ela guardava toalhas e vários suéteres idênticos ao que ela estava usando. Normal.

Assim que Kurt terminou de usar as toalhas de Rachel Berry, ela começou:

"Eu vou direto ao ponto: Você quer se juntar ao Glee club? Você pode fazer a audição hoje no auditório as 16h00. O que acha?"

"O que? Me desculpe mas as pessoas daqui jogaram isso em mim e me empurraram contra armários a semana inteira -e sinceramente,não faço ideia do motivo deles fazerem isso- e não quero ser rude mas pelo que eu ouvi, entrar no coral é uma sentença de morte nesse colégio." Kurt se sentiu mal por falar isso, já que Rachel estava nesse coral e ela -e aquele garoto Blaine- era a única que havia conversado gentilmente com ele. Mas era a verdade. Kurt não queria sofrer mais.

Rachel encarou ele por um segundo ou dois antes de dizer:

"Eu tenho aguentado todo o lixo que me dão nessa escola por anos ,Kurt." Rachel parou de sorrir. O que surpreendeu Kurt, já que ela parecia ser o tipo de pessoa cujo sorriso nunca caia do rosto. "Eu me juntei a esse 'coral ridículo' ano passado quando eu estava passando por um momento muito ruim. E eu te prometo uma coisa: Se você se juntar a nós, você não irá se arrepender. Por que? Porque esse clube é como uma família. Todos nós nos amamos e apoiamos uns aos outros. E mesmo que tudo isso fique pior a cada dia, nós sabemos que no fim do dia, temos várias pessoas naquela sala que nos amam independente de nossa aparência,personalidade,sexualidade e erros cometidos no passado." Ela voltou a sorrir,só que dessa vez,mais discretamente. "Eu não sei o que me chamou a atenção em você mas eu acho que você deve entender como é se sentir inútil,usado,invisível,sem valor... Todos nós naquela sala entendemos. E de novo, você não irá se arrepender."

Kurt não soube o que falar. Ele sabia que Rachel não tinha o mesmo problema que ele pois ela usava mangas curtas e saias. Ele não estava totalmente convencido por ela mas resolveu aceitar o pedido de Rachel para audição. Porque naquele momento, os monstros em sua cabeça que diziam para ele se afastar e não se socializar,ser invisível... não estavam presentes.

No fundo, o maior medo de Kurt era sua própria mente. No fundo, ele queria ser salvo de si mesmo. E mesmo que ele se isolasse, ele não gostava de ser deixado sozinho. Porque era nesse momento que os monstros continuavam repetindo coisas como "Corte." ou "Por que você não para de respirar?"

"Tudo bem. Eu vou estar no auditório hoje as 16h00." Kurt disse e tentou sorrir, mas falhou.

"Ótimo!" Ela falou, se virou em seus calcanhares e deixou o corredor assim que o sinal tocou.

------------------------------------------------------------

As 15h50, Kurt estava se dirigindo para o auditório de McKinley. Ele começou a entrar em pânico por pensar o que as pessoas que o assistissem iam pensar. Ele nem cantava. Claro, Kurt era apaixonado por música, principalmente musicais da Broadway mas ele odiava tudo sobre si mesmo. Principalmente sua voz. Sem contar que ele não fazia ideia de que música ia cantar. E se pedissem para ele dançar também?

Ele tentou relaxar mas outro problema era sua ansiedade. O que fazia dele super tímido,inseguro e mais quieto que a maioria das pessoas.

Ao entrar no auditório enorme e escuro, havia só uma pessoa. O seu professor de espanhol,Will Schuester,estava sentado no centro do auditório. Isso fez Kurt se sentir melhor, ao saber que ninguém mais iria assisti-ló. Quando ele percebeu Rachel sentada no fundo do auditório, sorrindo e animada como sempre.

Ele subiu no palco e se posicionou na frente de um microfone.

------------------------------------------------------------

Blaine estava subindo os corredores, se dirigindo a saída de McKinley. Era 16h00 , a escola já estava deserta naquele momento.

Silêncio total nos corredores.

Quando ele escutou som de instrumentos e uma certa voz vindo do auditório. Blaine achou que o Glee club não tinha ensaio hoje. Ele tinha certeza disso, então se aproximou por curiosidade.

Semi-abrindo as portas do enorme auditório, Blaine conseguiu escutar a voz de Kurt cantando.

Nobody knows
Nobody knows but me that I sometimes cry
If I could pretend that I'm asleep
When my tears start to fall
I peak out from behind these walls
I think nobody knows
Nobody knows, no

A voz dele ficava mais doce e suave a cada trecho cantado,Pensou Blaine.

Nobody likes
Nobody likes to lose their inner voice
The one I used to hear before my life
Made a choice
But I think nobody knows
No, no
Nobody knows, no

Ele começou a sentir aquela mesma sensação. A sensação de que ele conhecia Kurt a muito tempo. A sensação de perceber que Kurt cantava com seu coração e que ele não era de muitas palavras, mas quando ele usava suas palavras, não passava despercebido.

Nobody cares
It's win or lose, not how you play the game
And the road to darkness has a way
Of always knowing my name
But I think nobody knows
No, no
Nobody knows, no, no, no, no

E naquele momento, tudo que Blaine conseguia ouvir era a voz de Kurt. Porque era a única coisa que importava para ele no momento e também era a coisa mais linda que ele havia ouvido. E ao ouvi-ló, ele se perguntou que outros segredos e talentos Kurt escondia do mundo e até de si mesmo.

Nobody knows
Nobody knows the rhythm of my heart
The way I do when I'm lying in the dark
And the world is asleep
I think nobody knows
Nobody knows
Nobody knows but me
Me

Notas finais
Hey, Obrigada por ler! Infelizmente, eu vou entrar em época de provas então provavelmente só vou poder atualizar a fic nos fins de semana e me desculpe se eu demorar muito para postar o próximo capítulo :(
A música usada nesse capítulo é Nobody Knows - P!nk