Doença.

[Meio gripado #$*%#@]

Cria doenças no próprio corpo que podem ser usadas como habilidades.

[Deixa que eu te falar… COF, COF]

Infecta outros Scars através do toque.

[A Tim]

Manipula a intensidade das doenças.

…

Ok.

Só tinha um pequeno problema.

Eu não entendia absolutamente nada de doenças.

Como eu ia usar esse Impar direito se nem sabia quais doenças existiam?

…

É.

Complicou um pouco.

Mas eu sempre dava um jeito.

Se meu Impar era copiar…

Então eu faria jus ao nome.

Roberto finalmente tirou o dedo da testa.

Apontou diretamente para mim.

— [Dor de cabeça.]

Uma esfera laranja de energia disparou na minha direção.

Sem pensar duas vezes, saltei para o lado.

A bola passou raspando por mim.

BOOM!

Ela explodiu contra a parede do castelo.

…

Aquilo era perigoso.

Muito perigoso.

Antes mesmo que eu pudesse avançar novamente, notei algo estranho.

Um líquido azul começou a escorrer pelas narinas dele.

No começo era pouco.

Depois virou uma verdadeira cachoeira.

Misturado ao muco…

Havia sangue.

Era uma visão completamente nojenta.

Mas eu não tinha tempo para ficar encarando aquilo.

O líquido começou a se juntar na frente dele.

Girando.

Se comprimindo.

Até formar dois grandes cubos viscosos.

No instante em que corri para atacá-lo…

Os cubos dispararam enormes chicotes de muco.

Desviei do primeiro.

Balancei minha espada contra o segundo.

SWINH!

GLOUP!

…

Não adiantou.

Minha espada atravessou a gosma como se fosse água.

O chicote acertou meu peito.

Fui lançado contra o chão.

Antes que eu pudesse levantar…

Roberto já vinha descendo do teto.

Preso por um enorme chicote de muco.

Minhas mãos estavam completamente grudadas naquela porcaria.

Droga.

Teria que improvisar.

[Cópia.]

[Meio gripado #$*%#@]

[Gripe.]

No mesmo instante…

Meu nariz começou a produzir uma quantidade absurda de muco.

A gosma disparou para frente como um rio.

Roberto arregalou os olhos.

Tentou escapar.

Mas foi completamente engolido.

O casulo de muco cresceu ao redor dele.

Prendendo seu corpo inteiro.

Assim que meu nariz finalmente entupiu…

A produção parou.

Respirei fundo.

Forcei um dos braços até conseguir soltá-lo.

Depois usei a espada para cortar o restante da gosma.

Assim que fiquei livre…

Me afastei alguns passos.

Observando aquela enorme montanha viscosa.

Silêncio.

…

Então…

Uma luz branca começou a surgir de dentro dela.

Cada vez mais intensa.

Até que…

BOOOOOOM!

A montanha inteira explodiu.

Muco voou para todos os lados.

Quando a fumaça abaixou…

Roberto ainda estava de pé.

Nem dei tempo para ele respirar.

[Cópia.]

[Dor de cabeça.]

Disparei minha própria esfera.

Ela praticamente nasceu colada no rosto dele.

Mas…

No último instante…

Ele desapareceu da frente do ataque.

Era a velocidade mais absurda que eu já tinha visto.

Assim que reapareceu…

Olhou diretamente para mim.

Com raiva.

Então inclinou o corpo.

Chamas brancas explodiram sob seus pés.

VOSH!

Ele virou apenas um borrão atravessando o salão.

O punho já vinha preparado.

CLACK!

Consegui bloquear com a espada.

Mas o impacto percorreu meus braços inteiros.

Foi como tentar parar uma muralha.

Enquanto ainda estávamos no ar…

Ele girou o corpo.

As chamas impulsionaram sua perna.

POW!

O chute acertou meu rosto em cheio.

Minha visão escureceu por alguns instantes.

…

Mas eu não ia deixar barato.

[Cópia.]

[Febre.]

Meu corpo inteiro começou a ferver.

O calor virou impulso.

Explodi para frente com toda velocidade.

Desferindo um corte horizontal.

Roberto mergulhou para baixo no último segundo.

Minha espada cortou apenas as chamas que o seguiam.

Ele pousou elegantemente.

Agachado.

Sorriu.

— Interessante…

— Você realmente é forte.

— Então não foi sorte ter derrotado o Lúcio.

As chamas voltaram a envolver seus pés.

Ele avançou outra vez.

Levantei minha espada.

Esperando o momento certo.

Ele fechou o punho.

Veio como um foguete.

Mas…

Quando entrou no alcance…

Abriu a boca.

VOOOOOOOOOOOOSHHHHHHHH!!

Uma gigantesca rajada de fogo branco me acertou completamente.

A dor foi instantânea.

Parecia que meu rosto estava sendo apagado da existência.

Cada centímetro queimava.

Como se minha pele estivesse derretendo.

Por puro instinto…

Consegui fechar os olhos antes das chamas me alcançarem.

Quando o fogo finalmente cessou…

Meu rosto inteiro latejava.

Eu sentia partes dele escorrendo.

Não consegui nem gritar.

Apenas fiquei parado.

Respirando com dificuldade.

Roberto observava tudo calmamente.

— Pode se orgulhar.

— Um Scar comum morreria imediatamente depois de receber meu ataque mais forte.

Levei lentamente a mão até o rosto.

…

Ele estava brincando comigo.

Nem sequer estava lutando sério.

Aquilo me irritava.

Mas também significava uma coisa.

Quando eu derrotasse esse cara…

Ele iria se arrepender profundamente de ter me subestimado.

Minha cabeça parecia explodir.

Cada pensamento doía.

Mas eu precisava continuar.

Respira.

Pensa.

Gripe.

Dor de cabeça.

Febre.

Essas eram as únicas habilidades que ele tinha mostrado até agora.

E eu ainda nem estava usando tudo.

…

Eu podia vencer.

Só precisava parar de lutar pensando em sobreviver.

E começar a lutar pensando em matar.

Matar.

Cansei de apanhar.

Se ele queria brincar…

Então agora era minha vez.

[O tal do Copião]

O Artefato apareceu em minhas mãos.

Doença.

Punhos Enojados.

Habilidades:

[Contagioso]

Cria um braço fantasma que se estica e infecta Scars com doenças.

[Fusão Grotesca]

Mistura doenças diferentes, criando novas.

…

Heh.

Perfeito.

Muito melhor do que eu imaginava.

E o melhor de tudo…

Ele nem fazia ideia de que eu podia copiar Artefatos também.

Isso precisava continuar sendo uma surpresa.

Enquanto eu analisava tudo aquilo…

Roberto permanecia parado.

Observando meu estado deplorável.

Parecia se divertir vendo meu rosto completamente queimado.

Mas essa diversão estava prestes a acabar.

Respirei fundo.

Ignorei a dor.

Abri os olhos.

Encarei Roberto.

Levei lentamente um dedo até a testa.

Ele sorriu.

— O que foi?

Deu uma risadinha.

— Acha mesmo que vai conseguir me acertar com isso?

[Treincim.]

— Pode tentar.

Eu espero.

Mas já aviso…

Você só vai desperdiçar Impar.

Mirei diretamente nele.

[Fusão Grotesca = Dor de Cabeça + Febre + Gripe.]

Respirei.

Sorri.

— Então…

Desvia dessa.

[Parado.]

No mesmo instante…

Disparei.

[Dor de cabeça.]

A esfera laranja cruzou o salão.

Roberto sorriu.

Preparou o salto.

Mas…

Seu corpo simplesmente não respondeu.

— Quê…?

BOOOOOOM!!

A esfera explodiu bem no peito dele.

Só que…

A explosão não era igual à anterior.

Uma enorme massa de gosma roxa surgiu imediatamente.

Engolindo completamente seu corpo.

Ela borbulhava.

Chiava.

Como se fosse ácido.

Toda superfície que tocava parecia derreter lentamente.

Os gritos de Roberto ecoaram abafados lá dentro.

A montanha viscosa começou a diminuir.

Até restar apenas um enorme casulo azulado.

…

Nesse instante…

Minha cópia do Impar Doença terminou.

Droga.

Mas antes que eu pudesse pensar em outra estratégia…

CRACK…

O casulo rachou.

Outra rachadura surgiu.

Depois mais uma.

Até que…

CRAAASH!

A estrutura inteira explodiu em centenas de pedaços endurecidos.

Roberto saiu de dentro dela.

Respirando pesadamente.

O corpo inteiro coberto de queimaduras.

Partes da pele pareciam completamente destruídas.

Mesmo assim…

Ele ainda estava de pé.

Olhou para mim.

Os olhos transbordavam ódio.

— Você…

Nem deixei terminar.

[Dor de cabeça + Gripe + Febre.]

A esfera nasceu na ponta do meu dedo.

Ele imediatamente tentou correr.

— [Parado.]

Seu corpo congelou outra vez.

Mas Roberto reagiu rápido.

Muco começou a sair de seu nariz numa quantidade absurda.

Muito maior do que antes.

Em poucos segundos…

Uma muralha inteira de gosma surgiu na frente dele.

BOOOM!!

A explosão atingiu aquela parede.

A massa viscosa absorveu quase todo o impacto.

…

Droga.

Agora ele já tinha entendido o perigo daquela combinação.

Sem perder tempo…

Ativei outra habilidade.

[Febre.]

Meu corpo explodiu em velocidade.

Contornei a muralha de muco.

Quando Roberto percebeu…

Já estava praticamente na frente dele.

Suas mãos mudaram.

Longas garras surgiram em seus dedos.

Ataquei com toda força.

CLACK!

Nossas armas colidiram.

Ele conseguiu bloquear.

Os olhos dele queimavam de raiva.

— EU NÃO VOU MORRER ASSIM!!

No mesmo instante…

Ele abriu a boca.

COF!!

Uma rajada invisível atravessou o ar.

O impacto me acertou em cheio.

POW!

Meu corpo foi lançado atravessando o salão.

Bati violentamente contra a parede.

As pedras racharam.

Caí ajoelhado.

Tossindo.

…

Mas ele tinha acabado de cometer um erro.

Acabara de me mostrar mais uma habilidade.

Sorri.

[Cópia.]

[Tosse.]

Um ataque rápido.

Pouco dano.

Mas extremamente veloz.

Perfeito.

E eu ainda nem tinha descoberto todas as combinações possíveis daquele Impar.

Enquanto isso…

Do outro lado da sala…

Roberto começou a espalhar aquele líquido azul pelo próprio corpo.

Ele parecia revestir completamente a pele.

…

Se ele estava fazendo isso…

Devia existir alguma vantagem.

[Gripe.]

Sem pensar duas vezes…

Cobri meu corpo também.

Muco escorreu pelos meus braços.

Pelas pernas.

Pelo peito.

Roberto fez uma expressão de puro desprezo.

— Você…

Você realmente não vale nada.

Tem coragem de copiar absolutamente tudo que eu faço?

Dei uma risada.

— É a mesma coisa que reclamar porque água é molhada.

Avancei novamente.

Ele fez o mesmo.

Suas garras contra minha espada.

O choque aconteceu no centro do salão.

CLACK!

SWINH!

RASG!

As lâminas cortavam o ar sem parar.

Cada golpe era bloqueado por outro.

Faíscas.

Muco.

Sangue.

Tudo se misturava naquela luta.

Até que…

Senti uma mudança.

A quantidade de Impar que Roberto liberava aumentou absurdamente.

Sem pensar…

Copiei imediatamente.

[Febre.]

O calor tomou meu corpo inteiro.

Minha velocidade disparou.

Agora…

Nossos movimentos já eram rápidos demais para olhos comuns acompanharem.

Só vultos atravessavam o salão.

Até que um único som ecoou.

CRACK!

Alguma coisa havia quebrado.

Dessa vez…

Não era minha espada.

Era uma das garras de Roberto.

Seus olhos se arregalaram por um instante.

Foi tudo de que eu precisava.

SWINH!

Minha lâmina atravessou seu peito.

Um corte profundo.

Do ombro até quase a cintura.

O sangue escorreu sobre o enorme carpete vermelho.

Agora…

Ele só deixava o ambiente ainda mais vermelho.

Roberto cambaleou um passo para trás.

Mas, antes mesmo que eu pudesse aproveitar a abertura…

Ele abriu a boca.

Eu já sabia o que vinha.

Sorri.

— Boa tentativa.

[Tosse.]

COF!

Ele disparou.

COF!

Eu respondi.

COF!

COF!

As ondas invisíveis colidiram repetidamente no meio do salão.

O ar vibrava.

Cada impacto fazia as paredes estremecerem.

COF!

COF!

Até que…

A garganta dele falhou.

O som simplesmente não saiu.

Foi exatamente o momento que eu esperava.

COF!!

Meu disparo atravessou a defesa.

Acertou o rosto dele em cheio.

POW!!

Sua cabeça foi lançada violentamente para trás.

O corpo caiu alguns metros depois.

…

Respirei fundo.

Ou pelo menos tentei.

Minha garganta queimava.

Senti gosto de sangue.

Cuspi no chão.

Vermelho.

…

É…

Melhor evitar usar essa habilidade muitas vezes.

Ela machucava quem usava também.

Observei Roberto.

Ele se levantava lentamente.

A respiração era pesada.

Irregular.

Parecia que seus pulmões estavam falhando.

Caminhei até ele.

Devagar.

Ergui minha espada.

A ponta ficou apontada para seu pescoço.

— Últimas palavras?

Ele sorriu.

Mesmo naquele estado.

— [Pneumonia.]

De repente…

VOSH!

Uma enorme mão feita de gás surgiu diante dele.

Antes que eu pudesse reagir…

Ela agarrou meu pescoço.

Todo o ar saiu dos meus pulmões de uma vez.

Minhas pernas perderam a força.

Caí de joelhos.

Minha espada escapou da mão.

CLANG!

Ela deslizou pelo chão.

Eu ainda tentava respirar.

Mas simplesmente…

Não conseguia.

Roberto caminhou até mim.

E…

POW!

Um chute acertou meu rosto.

Caí completamente.

Sem forças.

Ele segurou minha cabeça.

Logo senti aquela gosma nojenta voltando.

Ela começou a cobrir meu corpo inteiro.

Primeiro as pernas.

Depois os braços.

O peito.

O pescoço.

Tudo.

Apenas minha cabeça ficou para fora.

A substância endureceu rapidamente.

Virando uma pedra sólida.

Uma prisão.

Tentei fazer força.

Nada.

Nem um centímetro.

Roberto deu alguns passos para trás.

Respirava com dificuldade.

Mesmo assim…

Começou a rir.

— EU…

Ele tossiu violentamente.

— EU NUNCA…

COF!

— NUNCA FUI TÃO HUMILHADO NA MINHA VIDA!!

Apontou um dedo para a própria testa.

Uma quantidade absurda de energia começou a se acumular.

Uma esfera laranja surgiu.

Ela crescia.

Crescia.

Cada vez mais.

Começou a vibrar.

A própria forma esférica já não conseguia conter tanta energia.

Forcei os braços.

Nada.

Forcei as pernas.

Nada.

Droga…

Eu realmente estava preso.

Roberto gargalhava.

— Você não tem como sair daí.

— Nenhuma habilidade que copiou consegue destruir essa prisão.

Pensei rapidamente.

Gripe.

Não serve.

Febre.

Preciso de espaço para correr.

Dor de cabeça.

Preciso apontar o dedo.

Também não consigo.

Tosse.

Mesmo problema.

…

Ele estava certo.

Com o Impar dele…

Eu realmente não tinha como escapar.

A esfera já era maior que a cabeça dele.

A energia fazia o próprio ar vibrar.

Ele apontou diretamente para mim.

O sorriso era completamente insano.

— APROVEITE SUA VIDA NO INFERNO!!

Olhei para aquela monstruosidade.

Depois olhei para ele.

— TU VAI MORRER JUNTO, IDIOTA!

Ele riu ainda mais alto.

— Acha mesmo?

— Quem vai morrer é só você!

E lançou a esfera.

…

Então…

Se o Impar dele não podia me salvar…

Eu usaria outro.

[O tal do Copião.]

O Artefato surgiu em minhas mãos.

Ordem.

Pergamortas.

Habilidades:

[Ordem dos Advogados]

Concede ordens especiais, como esquecer, alucinar, voar, explodir e muitas outras.

[Ordem e Progresso]

Permite dar ordens através do toque ou da visão.

Sorri.

Abri lentamente a boca.

Olhando diretamente para a enorme esfera de energia.

— [Voe.]

Instantaneamente…

A esfera desviou sua trajetória.

Subiu violentamente em direção ao teto.

Mas eu ainda não tinha terminado.

Levantei o olhar.

Encarei o teto do castelo.

— [Voe.]

CRAAAAAAAAASH!!

Toda a parte superior do salão foi arrancada.

Pedras enormes voaram para o céu.

Um enorme buraco surgiu acima de nós.

Roberto ficou completamente imóvel.

Olhava alternadamente para mim…

E para o teto destruído.

Sem acreditar no que acabara de acontecer.

Então olhei diretamente para ele.

Sorri.

E dei minha última ordem.

— [DURMA.]

— O que você pensa qu—

Seu corpo perdeu toda a força.

Caiu desacordado.

Bem em cima da prisão que prendia minhas pernas.

Minha garganta parecia destruída.

Eu sabia.

Depois daquela ordem…

Ela praticamente tinha ido embora.

Levantei lentamente os olhos.

A esfera já começava a perder o efeito da ordem.

Logo voltaria a cair.

…

Então eu tinha poucos segundos.

Aproveitaria cada um deles.

Sem pensar duas vezes, usei tudo o que ainda me restava.

[Gripe]

O muco começou a escorrer violentamente pelo meu nariz.

Continuei forçando.

[Gripe]

[Gripe]

[Gripe]

[Gripe]

[Gripe]

[Gripe]

A pressão foi tanta que meu nariz começou a sangrar.

Minha visão desapareceu por completo.

Já não conseguia enxergar Roberto.

Nem o castelo.

Nem a mim mesmo.

Só consegui sentir…

BOOOOOOOOOOOOOOOOOOM!!


[Yuri]

Uma explosão colossal engoliu o castelo inteiro.

O clarão iluminou toda a caverna.

As paredes estremeceram.

Pedras começaram a despencar do teto.

Meu sangue gelou.

— Nem fudendo…

Abri minhas asas imediatamente.

Sem perder um segundo, mergulhei em direção aos destroços.

A fumaça era tão densa que mal dava para enxergar um palmo à frente.

Fechei os olhos.

Eco.

As ondas sonoras percorreram toda a caverna.

…

Ali.

Encontrei o Samuel.

Pousei ao lado dele.

Seu corpo inteiro estava coberto por aquela substância viscosa azulada.

Segurei seus ombros.

— SAMUEL!

Sacudi com força.

Nenhuma resposta.

Droga…

Ele respirava…

Mas estava completamente desacordado.

Olhei ao redor.

As pedras continuavam caindo.

Não havia tempo.

Só que…

Ele veio até aqui justamente por causa do Fragmento.

Se saísse sem ele…

Toda essa missão teria sido em vão.

Respirei fundo.

— Tá…

Então eu levo os dois.

Olhei para o corpo do Roberto.

Depois para o Samuel.

…

Não.

Não consigo.

Não tenho força suficiente.

Cerrei os dentes.

— Samuel…

Vai ter que ser você mesmo.

Segurei seu ombro para tentar acordá-lo mais uma vez.

Foi então que…

CRAAASH!

Uma pilha enorme de escombros explodiu para os lados.

Meu coração quase parou.

De dentro deles…

Roberto surgiu.

Seu corpo estava completamente destruído.

Queimaduras cobriam quase toda sua pele.

Partes do corpo pareciam rasgadas.

Mesmo assim…

Ele ainda estava vivo.

Seus olhos transbordavam ódio.

— Eu…

VoU…

MaTaR…

VoCÊÊÊÊÊÊS!!

Ele disparou na nossa direção.

Tentei levantar voo.

Mas fui lenta demais.

RASG!!

Suas garras atravessaram minha barriga.

A dor fez meu corpo inteiro estremecer.

Por reflexo…

Soltei Samuel.

Cambaleei alguns passos para trás.

Respirando com dificuldade.

Meu corpo tremia.

Olhei novamente para Samuel.

Ele ainda estava desacordado.

…

Eu fujo?

Como sempre fiz?

…

Não.

Se eu fugir…

Nós dois morremos.

Roberto rugiu alguma coisa completamente incompreensível.

E avançou outra vez.

Levantei minhas asas.

Preparada para tentar escapar.

Foi quando…

SWINH!!

Um único corte.

Limpo.

Preciso.

A cabeça de Roberto girou no ar.

Seu corpo continuou andando por mais dois passos…

Antes de cair pesadamente no chão.


[Samuel]

Perfeito…

Mais um.

Segurei o corpo dele antes que caísse completamente.

[Treincim = Conexão]

[O tal do Copião]

A tesoura apareceu na minha mão.

Sem hesitar…

Cravei a lâmina em seu peito.

Retirei a corrente.

A terceira.

Olhei para aquele Fragmento por alguns segundos.

…

Ele não merecia carregar isso.

Segurei a corrente diante dos meus olhos.

Então…

VOSH!

— Ué?!

Meu corpo inteiro foi puxado para trás.

Olhei confuso.

Era a Yuri.

Ela praticamente me carregava pelo braço.

— Samuel!

Não temos tempo!

A caverna vai desabar!

— Tá! Tá!

Só…

Espera um segundo…

Ainda segurando a corrente…

Coloquei-a no pescoço.

Assim que o terceiro Fragmento tocou meu corpo…

Aquela sensação voltou.

Poder.

Um poder absurdo.

Quente.

Pesado.

Viciante.

Meu corpo inteiro parecia querer mais.

Sem perceber…

Apertei o pulso da Yuri.

Com toda a força.

— AAAAI!!

Samuel!!

Tá machucando!!

Voltei à realidade imediatamente.

Afrouxei a mão.

— Foi mal…

Eu…

Só…

Queria fazer isso…

Minha voz saía completamente rouca.

Quase irreconhecível.

Levantei três dedos.

[Cópia]

— Três…

Perfeito…

Yuri respirou aliviada.

— Então…

Será que você consegue abrir a saída?

Olhei para o desmoronamento que bloqueava a entrada.

…

Depois olhei para o corpo do Roberto.

Sorri de leve.

[Chá Ringan]

Copiei mais uma vez.

Estendi o dedo.

Mirando diretamente na montanha de pedras.

[Dor de cabeça]

BOOOOM!!

A explosão pulverizou praticamente toda a passagem.

O caminho ficou livre.

— Pronto.

Agora dá.

Ela abriu um sorriso.

— Finalmente!

Sem perder tempo…

Voltou a levantar voo comigo.

Olhei para ela.

— Pode me soltar.

Eu consigo voar.

— Então acompanha!

Ela me largou.

No mesmo instante…

Minhas asas surgiram outra vez.

Bati as asas.

E voei ao lado dela.

Olhei para trás.

Toda a caverna estava desabando.

Provavelmente por causa da explosão absurda do Roberto.

Foi quando senti alguém puxando meu braço.

VOSH!!

Uma parede gigantesca de pedras passou raspando no meu rosto.

— TÁ MALUCO?!

OLHA PRA FRENTE!!

— DESCULPA!!

Continuamos voando.

Desviando de pedras.

Colunas.

Pedaços inteiros da montanha.

Até…

Finalmente…

A luz.

O brilho do lado de fora.

ZOOOOOM!!

Saímos da caverna no último segundo.

Atrás de nós…

Toda a entrada desmoronou.

Silêncio.

…

Eu tentei continuar voando.

Mas…

Meu corpo simplesmente desistiu.

Minha visão escureceu.

Perdi completamente a consciência.

Meu corpo começou a despencar.

— Samuel!!

Yuri mergulhou atrás de mim.

Tentou me levantar.

Mas não conseguiu segurar meu peso.

Então apenas abriu as asas ao meu redor.

Nos protegendo.

POW!!

Caímos juntos no chão.

…

A missão…

Foi concluída.


Quatro horas depois…

Acordei lentamente.

Minha cabeça parecia prestes a explodir.

Meu corpo inteiro queimava.

Meu nariz continuava completamente entupido.

Minha garganta…

Parecia simplesmente não existir mais.

Abri os olhos.

O céu estava rosado.

E percebi que minha cabeça repousava sobre algo macio.

…

Era o colo da Yuri.

Ela soltou um longo suspiro de alívio quando percebeu que eu havia acordado.

— Finalmente…

Achei que você ia dormir até amanhã.

Tentei falar.

A voz praticamente não saiu.

— Q-quanto…

Tempo…?

Ela sorriu.

— Algumas horas.

Fiquei encarando o céu em silêncio.

Sem forças para levantar.

Depois de um tempo…

Perguntei:

— Eu consigo…

Me mexer?

Ela riu baixinho.

— Só se você quiser desmaiar de novo.

Tentei rir também.

Mas o único som que saiu foi uma tosse.

COF!

Um gosto metálico tomou minha boca.

Sangue.

Yuri suspirou.

— Você realmente tá acabado…

Então fica quietinho.

Descansa mais um pouco.

Assenti.

— Tá…

Continuei olhando para o céu.

Mesmo completamente destruído…

A missão tinha dado certo.

Depois de alguns minutos…

Olhei para ela.

— Yuri…

Ela abaixou o rosto.

— Hm?

— Você pode…

Contar algumas histórias?

Só…

Pra passar o tempo…

Ela sorriu.

Um sorriso divertido.

Então começou a fazer carinho na minha cabeça.

— Claro.

Vou entreter a criancinha dodói.

Estufou o peito dramaticamente.

Como se estivesse prestes a contar a maior aventura do mundo.

— Quando eu era criança…

Eu tinha um talento inacreditável…

Pra fazer merda.

Deixei escapar uma risada fraca.

Mesmo doendo.

E fiquei ouvindo.

Prestando atenção em cada palavra.

Até meu corpo conseguir se recuperar.

Porque…

Mesmo parecendo um paciente em estado terminal…

Pelo menos…

Dessa vez…

Eu não estava sozinho.