Scarloon Leandro II - Tosse
9 HEMATOLÓGICA
— Vamos começar então — falei, sentindo o poder pulsar dentro de mim. — Tá na hora de te mostrar algo interessante, Sara!
Ativei meu Artefato.
O muco começou a vibrar. A se mover ao meu redor como um enxame líquido. Ele se concentrou na minha mão, mudando de forma, se solidificando, se moldando.
Dois socos ingleses surgiram em meus punhos.
Com espinhos na ponta.
Sara arregalou os olhos.
— Entendi — murmurou. — Acho que você evoluiu bastante, Leandro.
Os artefatos te deixam mais forte por cinco minutos. Eles desbloqueiam o potencial do seu Impar. E o meu… o meu estava incrível!
— Tá na hora!
[Febre 45 graus] Avancei como um foguete.
Sara desviou por centímetros. Seu corpo se moveu com uma fluidez que eu não lembrava. Sangue começou a escorrer de suas mãos — e ela o lançou na minha direção como dardos líquidos.
[Tosse] — COF!
A rajada sônica desviou o sangue. Ele voltou contra ela, respingando em seu rosto.
Sara apenas sorriu.
— [Otamiana] — sussurrou. — [Ramaduar]!
Suas veias ficaram vermelhas. Uma armadura de sangue cobriu seu peitoral, pulsando como um coração exposto.
Vamos nessa.
Criei muco e avancei.
Ela segurou o muco com as mãos nuas.
Mas o muco queimou.
— Aaah! — ela gemeu, recuando. Suas mãos estavam vermelhas, chamuscadas.
Meu artefato me permite juntar mais de duas doenças em uma só habilidade. Combos. Sinergias. O poder de criar algo novo a partir da destruição.
Com a mão dela grudada no muco, ativei a febre. Aumentei minha força.
E lancei Sara contra a parede.
POW!
Ela bateu de costas, a armadura de sangue estalando.
— [Tonsa Mengra]! — gritou Sara, traçando um símbolo de sangue no ar.
No meio da fumaça, uma pedra vermelha veio na minha direção.
Desviei com febre. Ouvi o impacto atrás de mim — a pedra estilhaçou o chão como se fosse vidro.
Olhei para onde Sara estava.
Vazio.
— Onde…
Senti.
Uma alta concentração de Impar atrás de mim.
Não é possível.
Virei.
Sara estava ali. Sua mão apontada para o meu rosto.
— Perfuração Sanguínea.
Um laser de sangue disparou.
Desviei com febre — mas não o suficiente. O feixe perfurou meu ombro. A dor veio quente, latejante.
Segurei o ferimento. Sangue escorria entre meus dedos.
Sara já estava traçando outro símbolo.
— [Claricuração].
Seus olhos ficaram vermelhos.
Ela riu.
— Acho que você tá sangrando bastante, hein?
Ela se moveu. Veloz. Punhos cobertos de sangue endurecido.
Ela tem várias habilidades com o sangue agora.
Respirei fundo.
Ela está me subestimando. Só porque fui acertado.
Usei o muco endurecido para parar o sangramento.
Abri a boca. Fumaça começou a sair — densa, branca, sufocante.
[Pneumonia]
Uma mão feita de gás saiu da minha garganta. Agarrou a garganta de Sara.
Ela parou no meio do passo. Tentou agarrar a mão fantasma — mas seus dedos passaram através dela.
Sem sucesso.
[Dor de Cabeça]
Ela não vai fugir enquanto estiver sem ar.
— [Sagravi]!
Mais um ritual.
Suas mãos ficaram completamente brancas. Ela tocou a mão de fumaça — e a mão se dissipou como neblina ao sol.
Fiquei surpreso.
Mas…
BOOM!
A Dor de Cabeça explodiu no peito dela.
Ela foi arremessada para trás. Seu rosto estava chamuscado. Suas mãos — as que tocaram a fumaça — estavam queimadas, deformadas.
Sara se levantou, cambaleante.
— Essa explosão ficou mais forte do que eu me lembro.
— Pois é — respondi, já preparando o próximo golpe. — Mas diria para não se acomodar.
[Tosse] — COF!
Outra explosão. Sônica.
Sara foi lançada para trás — mas se segurou no chão com as unhas, arrastando sulcos no chão.
— Que golpe covarde, Leandro — ela cuspiu. — Não esperava isso de você.
— Acho que você sabe muito bem como eu luto — respondi, o chicote de muco já se formando na minha mão. — Não entendi a sua surpresa.
Preparei o chicote. Fundi com febre. Ele se tornou uma corda em chamas.
— [Airetra]!
Mais um ritual.
Veias começaram a sair entre os dedos de Sara — vermelhas, pulsantes, vivas. Elas seguraram meu chicote antes que ele pudesse atingi-la.
— Não pense que só você quem tem cordas, Leandro.
Ela puxou.
Meu corpo foi arremessado para cima. O mundo girou.
Sara ativou seu Artefato.
Uma lança de duas pontas vermelhas surgiu em suas mãos. Enquanto eu voava em sua direção, ela apontou a ponta para o meu peito.
Plim.
O olho negro.
— DROGA! — Sara perdeu a postura. Seu corpo começou a tremer.
Sabia que ela tinha medo de escuro. Ficar cega a deixa em completo choque.
Pousei no chão.
Concentrei todo o meu Impar no punho.
Tá na hora do meu golpe mais forte.
— [SAIVE]! — ela gritou, mesmo sem ver. Mais um ritual.
Não importava.
Avancei.
Meu punho afundou na barriga de Sara em direção ao solo
Muco reforçado. Tosse. Impacto sônico. Chamas brancas.
BOOM!
Ela caiu imediatamente e quebrou o chão. Explodiu novamente.
Fumaça. Sangue. Fogo.
Sara caiu de costas, ofegante.
— aah… — ela tentou falar, mas o ar não vinha.
Pneumonia. Sem ar também.
Senti meu Impar diminuindo. O Artefato havia esgotado.
Desci para onde ela havia caído. Uma área de treino dentro do Dôjo.
Preparei mais uma Dor de Cabeça.
— Vo-vo-voce realmente ficou bem forte, né? — ela gemeu.
— Acho que isso é algo esperado. — Minha voz saiu fria. — Não queria fazer isso, mas é necessário.
Foi então que eu vi.
Algo pequeno. Voando. Como um mosquito.
Pousou na mão aberta de Sara.
Explodiu.
— [SORTICORITE]!
Espera. Mais um ritual?
Tentei disparar a Dor de Cabeça.
Vi a explosão acontecer.
E então…
…me encontrei em uma sala vermelha.
Paredes. Chão. Teto. Tudo vermelho. Um vermelho profundo, pulsante, como se eu estivesse dentro de um coração.
Que lugar é esse?
Tentei ativar meu Impar.
Nada.
Dei um soco na parede.
Nada.
— Que droga!
Acho que aquele ritual me teleportou para uma prisão.
Sentei no chão.
Não tem muito o que ser feito.
Dois minutos.
Não demorou mais do que dois minutos.
PUF.
Apareci no mesmo lugar de antes.
Assim que me mexi…
Click.
Pisei em algo.
A voz de Sara ecoou na minha mente.
[Soticócule]…
Meu corpo foi cortado.
Não eram cortes profundos. Mas eles cortaram toda a minha pele. Cada centímetro. Como se mil lâminas invisíveis tivessem passado por mim ao mesmo tempo.
— AAAh!
Antes que eu pudesse entender, fui teleportado novamente.
Apareci em outra parte da arena.
Pisei em outro ritual.
— Merda!
Minhas veias saíram entre meus dedos. Voaram para fora como cobras fugindo. E se entrelaçaram em mim, me amarrando.
Olhei ao redor.
Sara estava atrás de um vaso de planta.
— [SAIVE]!
BOOM!
Explosão de sangue na minha frente. Fui lançado para trás.
Criei muco. Me cobri.
BOOM. BOOM. BOOM.
Três explosões seguidas.
As amarras se danificaram. Usei febre na boca — lancei chamas que queimaram as veias.
Me libertei.
Caí de joelhos.
Mal consigo ficar de pé.
Não sentia a presença de Sara em lugar nenhum. Sem barulho. Sem Impar. Nada.
Deve ser coisa dos seus rituais. Ela tem vários deles.
— [Soticocule]! E [Morghiara]!
A voz veio de trás de mim.
Virei.
Sara estava ali. Seus braços esticados. Segurando a lança em chamas. Ela os esticou na minha direção — velocidade total.
Me cobri com muco. Endureci.
TUM.
O impacto partiu o muco no meio. Meu corpo voou. Atingiu um vaso — o vaso se quebrou.
Sara corria na minha direção.
Droga.
Ativei a febre. Usei o máximo que conseguia. Corri.
— Ei, seu covarde! — ela gritou atrás de mim. — Não vai fugir não!
Mas eu senti.
A lança de Sara havia sumido.
O artefato dela também esgotou.
Aproveitei.
Criei chicotes de muco. Lancei na direção de objetos da arena — vasos, pedras, qualquer coisa sólida. Os chicotes grudaram. Comecei a girar.
E lançar.
Objetos voaram na direção de Sara como projéteis de catapulta.
Surpresa, ela ergueu a mão.
— [Sorticorite]!
Uma bolha de sangue se formou em sua palma. Ela encostou a bolha nos objetos — e eles sumiam.
[Sorticorite]. Foi esse ritual que me mandou para aquele lugar vermelho.
Ela está mandando os objetos para lá.
Quando não restaram mais objetos, tive uma ideia.
— Ei, Sara — chamei. — Você topa uma trocação de socos? Sem pegadinhas. Sem truques. Só na mão.
Ela piscou, desconfiada.
— Você tá falando sério?
— Sério mesmo. Se eu mentir para você, pode deixar que eu me entrego para seus subordinados demônios.
Ela pareceu acreditar. Um sorriso surgiu em seus lábios.
— Beleza, então, Leandro. Fica preparado.
[Gripe = Armadura Lazuli]
[Febre 46 graus]
Eu tenho que ganhar tempo.
Sara começou seus rituais.
— [Otamiana], [Ramaduar] e [Claricuração]!
Olhos vermelhos. Veias saltadas. Músculos túrgidos.
— Vamo nessa!
Avancei.
Ela também.
Nos encontramos no centro da arena.
A trocação começou.
Soco na barriga. Soco no queixo. Chute na perna. Uppercut.
— Leandro! — ela disse entre os golpes. — Você tá batendo bem forte, hein!
POW.
Dei um soco na boca dela.
— Você também tá bem resistente, Sara!
Dez minutos depois.
Meu nariz estava entupido. Meu corpo fervia de quente. A armadura de muco já era história. Sara também parecia cansada — mas ainda cheia de energia.
Mas meu plano foi concluído perfeitamente.
Olhei para ela. Ela estava em pose de luta.
— Eu não consigo mais…
Caí de joelhos.
— …lutar.
Sara me olhou.
— Leandro… — sua voz ficou grave. — Que pena. Eu realmente não queria fazer isso…
Ela começou a caminhar na minha direção.
— …mas eu vou te matar.
Não esperava ouvir isso dela.
— KKKKKKKK! — ela riu, uma risada que não era dela. — Você devia ter se aliado a mim e a Adam quando teve a chance!
Ela se aproximou.
— Você é fraco, Leandro. Você não está nem com dez por cento do poder necessário para derrotar Adam, entende? Ou você se alia a mim, ou morre.
Essa voz não é a mesma.
Dezessete anos aqui realmente a mudaram.
Ou talvez fosse Adam. Ele deve ter mandado ela ser assim. Não sei o que aconteceu, mas deve ser algo desse tipo.
Ela segurou meu queixo. Me forçou a encarar seus olhos.
— Se você quiser, Leandro — sua voz era doce como veneno —, pode se tornar meu demônio. Faria você o meu braço direito.
Que merda…
— Sara…
— É só pedir — ela sussurrou. — Eu concedo seu desejo. É só me dizer que quer ser um demônio.
Respirei o mais fundo que consegui.
— Vai pra PUTA QUE PARIU!
— COF!
A rajada sônica acertou o rosto dela em cheio.
Sara foi lançada para trás. Rolou pelo chão, se levantou cambaleando.
— Seu desgraçado — ela cuspiu sangue. — Meu dever é apenas um. Se você quer tanto morrer, era só pedir!
Plim.
O olho negro surgiu diante de Sara.
Ela começou a tremer — mas teve reflexo o bastante para fechar os olhos antes de ficar cega.
É minha chance.
Ativei meu Artefato.
Depois de tanta conversa, consegui ativá-lo novamente. E Sara não podia ativar o dela — estava esgotado.
Preparei uma Dor de Cabeça.
Apontei para trás de mim.
Muco endurecido nas costas.
BOOM!
A explosão me impulsionou. Velocidade máxima. Direto na direção de Sara.
Ela ouviu o barulho. Abriu os olhos.
Eu já estava na sua frente.
— MAIS UMA VEZ!
O ritual de defesa dela havia acabado. Este golpe teria força total.
Era agora ou nunca.
Todo o meu Impar. Neste único ataque.
Como um relâmpago, meu chute afundou na barriga de Sara.
O impacto foi tão violento que seu corpo voou. Ela atravessou a parede da arena — a pedra explodiu em estilhaços — e continuou voando para fora.
BOOM.
A explosão no ar. Chamas brancas. Sangue.
Sara caiu no chão do lado de fora, entre os destroços.
— Droga… — sussurrei, ofegante.
Ela levantou a cabeça. Sangue escorria de sua boca. Sua voz saiu rouca, quebrada:
— Chute com muco endurecido em alta velocidade… junto com rajada sônica da tosse… explosão de dor de cabeça no ar… feridas de queimadura após a explosão… cega após cair no chão… e sem ar depois disso tudo.
Ela me olhou.
— Você usou todas as doenças em um só golpe.
— Não é só isso — falei, sentindo minha própria cabeça pulsar.
— Minha cabeça… — ela gemeu.
— Sim. Também apliquei em você dor de cabeça, febre, gripe e tosse.
Sara caiu de lado. Seu corpo tremia. Sua respiração era curta, irregular.
Que cena perturbadora.
A luta finalmente tinha decretado um vencedor.
E esse vencedor… …era eu.
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