Scarlet night
1 Feather moon
Notas iniciais

Capítulo 1 – Feather moon
Como eu havia me metido nessa encrenca? Estava amarrada, ensopada e cansada. O quarto onde me encontrava estava escuro, mas, mesmo naquela escuridão, conseguia diferir vários vultos que se escondiam na escuridão. A atmosfera era pesada e ninguém falava uma palavra sequer, todos pareciam estar esperando alguém chegar.
Não demorou muito para tal pessoa chegar carregando a única fonte de luz presente naquele quarto além da luz da lua. Era um homem de meia idade, seus cabelos de um loiro pálido escorriam por cima de seu ombro presos em um rabo-de-cavalo lateral, seu rosto fino e sua expressão eram severos, porém o que mais me dava medo naquele homem eram seus olhos frios de um tom de vermelho pálido.
O homem parou em minha frente e com uma voz de congelar a alma disse:
- O que você está fazendo aqui?
Para responder essa perguntar, eu tinha que voltar até o dia anterior a este encontro.
No dia anterior:
Ino, Hinata e eu tínhamos combinado de contar histórias depois da aula sobre os setes distritos. Aqui no distrito mais quieto e sem emoção de todos, valia de tudo para matar o tempo. A sala de audiovisual foi eleita para o nosso encontro. Hinata foi primeiro e contou a história do autor que assim que terminou seu último livro, cometeu suicídio e dizem que todos que leem esse livro têm o mesmo fim que o autor, eu contei sobre o açougueiro do distrito cinco que vendeu a carne da própria mulher em seu açougue, e por último era a vez de Ino:
- Vou contar uma lenda do nosso próprio distrito. – começou e eu já me desinteressei, não havia nada divertido no nosso distrito além de superstições e lendas loucas – Mais especificamente sobre o “grande incêndio” que aconteceu na parte velha.
Ah, o “grande incêndio”... O incêndio de duzentos anos atrás que destruiu 70% da cidade e matou mais da metade da população. A área destruída nunca foi restaurada, pois todos consideram o lugar como “amaldiçoado”. Ninguém sabe a origem do incêndio, tudo que sabem é que ele aconteceu durante a madrugada do grande festival da colheita e se expandiu numa velocidade anormal e queimou tudo em seu caminho. Um incêndio misterioso que causou um enorme estrago era óbvio que iriam surgir várias explicações das mais lógicas até as mais loucas possíveis. Só para constar a mais louca que eu já ouvi fora do senhor da padaria que disse que um pedaço do sol caíra do céu e provocara o incêndio.
- Na parte velha, — continuou Ino, fazendo uma voz um pouco sinistra – morava uma criatura cruel que utilizava sangue humano como alimento, um vampiro. – ela fez uma pausa – Porém este não era um ser como os outros de sua espécie, era um sangue puro, um vampiro que não tinha nenhum sangue humano em suas veias, o último de seu tipo. Os vampiros o temiam e respeitavam, enquanto os humanos acreditavam que ele um demônio na forma humana. Um dia, vindo do segundo distrito, um padre apareceu, se oferecendo para destruí-lo, obviamente, todos da cidade concordaram e na noite do festival, o padre fora atrás de sua presa, mas ele não voltou, o que veio em seu lugar foi o terrível incêndio. O vampiro o matou e para se vingar daqueles que o traíram, queimou a cidade. – disse, com a voz sumindo aos poucos.
Todavia, ela não havia terminado sua história e adicionou:
- Por esta razão, ninguém vai lá, pois acreditam que ele ainda está lá, esperando pela sua próxima refeição.
Quando ela finalmente terminou, eu suspirei. Não falei que seria uma história louca sobre algo completamente fora da realidade?
- E você acredita nessa baboseira? – perguntei.
- Bem, deve ter uma razão para ninguém ir lá. – respondeu Ino – e esta é a minha história favorita.
- Eu acho estupidez, não tem nada lá. – então uma ideia surgiu na minha cabeça – E eu vou provar!
- E como você vai fazer isso, senhorita cética? – perguntou Hinata que até agora estava quieta.
- Vocês vão ver, me encontre na grade norte da parte velha!
Elas não perdiam por esperar!
Presente:
Eu e minhas maravilhosas ideias! Deveria ter ouvido o que Hinata disse antes de entrar aqui, ela sempre foi o bom senso do grupo.
Naquele dia, mais cedo:
- Você não vai fazer essa loucura, Sakura. – disse Hinata.
- Ah, vou sim. – rebati.
Eu ia pernoitar ali e voltar, essa era a minha ideia. Ino achou divertida, já Hinata... Nem tanto.
- Deixa ela, você conhece a Sakura, se ela põe uma ideia na cabeça, ela vai até o fim. – disse Ino que parecia estar gostando da situação.
- Não, é perigoso demais. Mesmo que não haja nada lá, ela pode se machucar ou coisa pior e ninguém se atreverá a entrar para ajudar. Eu não vou permitir isso. – Hinata disse irritada.
- Sakura, eu vou segurá-la e você vai! – Ino agarrou Hinata pelas costas.
- Mas o quê?!
- Vai, Sakura! – gritou Ino e eu fui.
Pulei a cerca alta com a placa: “Não entre!” e corri em direção à cidade destruída. Já do outro lado, pude ouvir Ino gritando:
- Volte viva e coradinha! — e eu não pude evitar rir da piadinha.
Andando pela antiga cidade, vi os estragos causados pelo tempo e pelo fogo. As casas eram feitas de madeira, então muitas já haviam desabado ou na iminência de desabar. Também havia várias plantas espalhadas pela cidade que cresceram durante os anos de não utilização do lugar. Algumas delas haviam se enrolado nas casas e outras bloqueavam a passagem nas ruas de pedra, mas por sorte, existia o que parecia ser um caminho entre as plantas por certas ruas que eu segui até chegar numa mansão que não pertencia ali. Estava completamente conservada, as janelas, a varanda, tudo ali era construído no modelo antigo de mansões. A mansão não parecia ter passada pelo “grande incêndio”, na verdade ela não parecia desabitada por duzentos anos, não havia uma poeira nas janelas ou na varanda e o jardim estava perfeitamente cuidado. Eu queria entrar naquela casa, não só pela sua estranheza, mas porque ela me trazia um sentimento de nostalgia. Porém para tal ato, me faltava coragem, contudo como se a natureza estivesse me mandando entrar ali, começou a chover.
Sem outra escolha entrei na casa por uma janela na lateral da casa, naquela época não havia trancas nas portas, porém não havia roubos devido à eficácia da guarda, e já dentro, comecei a caminhar silenciosamente pela mansão. A cada passo que eu dava mais adentro aquela mansão, mais forte o sentimento inexplicável que tomava conta de mim. Deixei-me levar por este sentimento que acabou me levando a uma porta enorme no fim de um corredor. Eu estava nervosa, mas minhas mãos foram em direção à porta e deslizaram-na lentamente, tentando fazer o mínimo de barulho possível. O quarto era bem luxuoso, dentro do dele havia um canto com uma mesa e cadeiras, como uma pequena sala de recepção... E no lado oposto a ela havia outra porta o qual também atravessei e acabei encontrando um futon enorme onde alguém dormia. Curiosa, andei até o lado do futon para descobrir mais sobre a pessoa que dormia.
O que eu não esperava era a reação que meu coração teve ao ver a pessoa adormecida, ele pulara, ameaçando fugir para fora do meu peito. O rapaz que lá estava não parecia ter mais que vinte anos, seus cabelos muito negros caiam sobre seu rosto pálido. Ele parecia estar tendo um pesadelo, pois vi seu rosto se contorcendo. Como se quisesse acalma-lo, eu comecei a acariciar seus cabelos e ele começou a se acalmar aos poucos. Continuei a acariciar seus cabelos por um longo tempo, roubando sons baixinhos que mostravam que ele estava apreciando a carícia carinhosa que eu estava fazendo, o rosto dele parecia o de uma criança dormindo. Depois de algum tempo, alguns sons e agitações vindos do resto da mansão chegaram aos meus ouvidos, me fazendo perceber que já havia anoitecido. Eu precisava ir embora. Agora.
Todavia, quando estava me preparando para sair, senti uma mão me segurando pelo braço e me puxando em direção ao futon. Quando percebi, estava presa com aquele rapaz que ali estava me segurando pelos pulsos. Quando fui encará-lo olho no olho, notei que seus olhos eram de um vermelho vivo extremamente belo, me senti presa aqueles olhos que transmitiam um olhar gentil e confuso ao mesmo tempo. Aqueles olhos pareciam analisar todo meu rosto, ele parecia não acreditar no que via. De repente, ele se aproximou mais e pude sentir sua respiração em meus lábios. Suas mãos, que já haviam soltado meus pulsos há algum tempo, vieram em direção ao meu rosto, passeando sobre ele até que seus dedos trilharam o caminho dos meus lábios.
- Miyu? – ele sussurrou contra meus lábios, seus olhos fixos nos meus.
Eu fechei os olhos em resposta e ele rouçou os lábios gentilmente nos meus. Senti suas mãos descendo até o meu pescoço e logo em seguida seus lábios seguindo o mesmo caminho. Ele plantou um beijo ali, me fazendo estremecer levemente.
Mas antes que ele pudesse concluir qualquer coisa, bateram na porta e uma voz feminina soou do outro lado.
- Mestre, está acordado?
Aquilo me acordou do transe em que estava. Assustada, empurrei o homem que estava em cima de mim que desprevenido caiu para trás. Corri em direção à porta, abrindo-a com força, fazendo com que a empregada deixasse cair tudo que carregava e soltar um grito de terror a me ver.
Ouvindo o grito da mulher, muitos outros vieram ver o que havia acontecido, eu fui trombando com cada uma dessas pessoas que tinham a mesma reação da empregada: soltar um grito de puro terror a me ver.
Quando cheguei num saguão onde a porta da frente se encontrava, ouvi alguém gritando, me chamando e indo atrás de mim. Corri para fora da mansão, tentando fugir de meu perseguidor atravessei as ruas molhadas pela chuva que não havia parado até que cheguei numa rua cujas plantas me impediam de continuar.
- Você não vai fugir! – ouvi meu perseguidor gritar.
Assustada, tentei subir em uma das plantas enroladas numa casa, eu estava quase conseguindo atravessar por cima da casa quando ela acabou desabando, me fazendo cair. Não demorou muito para eu sentir algo quente escorrendo pelo meu braço, eu havia caído em cima de um pedaço de madeira velho que atravessou meu braço. A dor era lacerante e perdi a consciência.
Presente:
É verdade, eu havia cortado meu braço. Olhei para meu braço e notei que a roupa ali estava rasgada e com sangue, mas não havia nenhum sinal de ferida ali. Mas como...?
- Responda a pergunta. – o homem a minha frente disse, seu tom não havia mudado.
Eu não conseguia pensar direito, minha cabeça estava rodando e meus olhos já estavam fechando. Estava cansada demais para pensar ou para responder qualquer pergunta.
- Responda! – gritou e percebi que ele já havia perdido a paciência.
- Por que está gritando, Daisuke? – perguntou um recém-chegado e todos viraram em sua direção.
-Mestre Sasuke! – o homem chamado Daisuke exclamou e levantei levemente minha cabeça para ver quem era esse tal de Sasuke.
Para a minha surpresa, era o rapaz do quarto. O rapaz que havia me prensado contra cama e me beijado. Não pude evitar corar, a lembrança era meio vergonhosa, nunca havia deixado nenhum homem se aproximar de mim e, no entanto...
- Que comoção é essa? – perguntou e percebeu os olhares dos outros se concentrarem em mim – Ah, ela. – disse sem parecer surpreso.
- Você a conhece, mestre? – perguntou o homem mais velho que recebeu um aceno de negação do mestre – Eu queria saber o que ela fazia aqui, mas ela não quer responder.
Sasuke parou para pensar um segundo e veio em minha direção, notei que por onde ele passava todos se curvavam. Quando chegou a minha frente, levantou meu queixo levemente, me fazendo olhar nos olhos dele. Nesse gesto ouvi vários sons de surpresa ecoando pela sala escura.
- Qual seu nome? – perguntou para mim. Eu não respondi e ele soltou uma pequena risada – Só estou perguntando seu nome.
Eu hesitei, mas respondi:
- Haruno Sakura.
- Então, senhorita Haruno... O que veio fazer aqui...?
- Acabar com as histórias malucas sobre esse lugar.
- Histórias malucas? – perguntou confuso.
- Sobre vampiros, pedaços do sol... Coisas sobre o grande incêndio... – quando mencionei o grande incêndio pude sentir a atmosfera ficar mais pesada, parecia ser um assunto taboo ali.
-Bem, senhorita Haruno, você ganhou uma longa estadia aqui. – ele disse e percebi que o tom de sua voz havia mudado levemente, ele parecia triste.
- Por quê?! – perguntei surpresa com a constatação.
- Porque ninguém pode saber que estamos aqui. Mas, você sabe. – respondeu — Daisuke prepare um quarto para ela.
- Sim, mestre. – ouvi o outro responder e percebi que ele não gostou da ideia.
- Mas por que ninguém pode saber que vocês estão aqui? – perguntei confusa e assustada.
- Simples. – ele sorriu para mim como se quisesse me mostrar algo e eu pude notar duas proeminências, eram... Presas? – Nós somos os tão famosos vampiros. – ele deixou o quarto.
Eu congelei, as pessoas foram saindo do quarto até sobrar somente eu e o Daisuke.
- Venha. – ele disse, mas eu não conseguia me mexer.
Ele suspirou me levantou pelo braço e me levou até um quarto vago não muito longe dali. Largou-me na cama e se foi.
Do futon, eu podia ver a lua pela janela, uma lua tão branca quanto uma pena. Eu estava tentando processar o que havia acontecido a pouco tempo.
Eles eram vampiros... Vampiros. Eles sugavam sangue humano... A história de Ino era real... O que eles iam fazer comigo...? Eu ia morrer...? O que era aquele turbilhão de sentimentos...? Como eu pude ser tão idiota...?
Ideia idiota que tive... IDIOTA! Agora eu estava presa aqui. O que eu ia fazer? Ou melhor, o que vai acontecer comigo?
Notas finais
Propagandazinha!
- "O caminho de volta" (SasuSaku)
http://fanfiction.com.br/historia/516929/O_caminho_de_volta/
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