Scarlet Carson

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Escrevi esta fanfic como um desafio em que eu tinha de incluir uma das frases pré-estabelecidas, e mais dois itens. Escolhi a frase "A paixão destrói mais preconceitos que a filosofia" do Dennis Diderot, e os itens "Eu tenho certeza", e "olhar as estrelas". Além disso, o texto tem 500 palavras exatas. Espero que gostem. ~ SOBRE A SITUAÇÃO DA PERSONAGEM ~ Valerie nasceu em 1985, e tem cerca de 33 anos no momento em que a fanfic é narrada. Ela cresceu sendo reprimida por ser homossexual. O lugar onde ela está é o centro de detenção Larkhill, que aprisionava todos aqueles considerados opositores, artistas, homossexuais, e outras minorias - onde eram submetidos a inúmeras violências e testes biológicos.

Paz é quando você não tem vontade de dormir o dia todo para que as horas passem mais rápido. Paz é quando você não deita a cabeça no travesseiro e chora até dormir, com o único pensamento de que sua vida está toda errada. Paz é quando você vive o amor.

Paz é quando ela sorri aquele sorriso tão espontâneo e alegre que a felicidade dela se torna a minha, e isso é algo tão lindo que me dá vontade de chorar. Paz é quando não sei o que dizer por que o momento me encantou de uma forma que todas e quaisquer palavras que eu tenha para dizer não são suficientes para expressar o sentimento que aquele sorriso me provoca. Paz é me perder em seus olhos e isso estar ok porque me perder nela é tudo o que eu quero. Paz são as Scarlet Carsons que ela plantou para mim, e o cheiro de rosas em nosso apartamento. Paz é estar em seu abraço e saber de que não preciso de mais nada para ser feliz.

Paz é saber que mesmo numa época em que “diferente” começou a significar “perigoso”, e que mesmo terminando minha existência em um lugar tão horrível, pude viver os melhores anos da minha vida.

Dizem que a paixão destrói mais preconceitos que a filosofia, e eu realmente acredito nisso, de modo que não entendo porque eles nos odiavam tanto. Talvez eles estivessem vivendo num caos interior tão grande, que passaram a ver as coisas de uma forma inversa.

De qualquer forma, se eu pudesse voltar atrás, eu tenho certeza de que aceitaria o papel das Dunas de Sal, conheceria a Ruth, e os lábios dela seriam os únicos que eu desejaria beijar. Ela plantaria as rosas em nossa janela e seus braços ainda representariam meu verdadeiro lar.

Por fim, paz é ter a certeza de que um dia alguém achará minha biografia, e talvez isso mude alguma coisa. Talvez isso traga inspiração, ou talvez nosso amor finalmente destrua algum preconceito. Talvez o leitor da minha carta conte minha história com a Ruth para alguém que ame, ao parar para olhar as estrelas. Dessa forma, sei que viveremos para sempre.

Ouço passos lá fora e sinto que sou a próxima. Nossos carrascos têm vindo frequentemente essa semana, para buscar meus vizinhos de cela. Eles nunca os trazem de volta.

Não temo por mim, e aceito que minha hora chegou. Sei que minha vida teve sentido, e que a minha morte não será em vão. Morrerei por amar. Por não ter medo e por nunca pedir desculpa por ser “diferente”. Morrerei por não deixar que roubassem minha integridade.

Gostaria de que meus carrascos aprendessem que não há paz no ódio. Que soubessem que apesar do que fizeram, Ruth nunca me deixou. Nosso amor sempre foi mais forte que a raiva, mais forte que o preconceito, mais forte que a morte... Que Ruth continua me esperando do outro lado, e que em breve as rosas voltarão.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!