Scared & Lonely
17 Quebrados
Notas iniciais
Após aquela noite no hospital que Jane questionou Kurt sobre sua fidelidade as coisas não foram mais as mesmas, dois dias depois ela foi liberada para ir pra casa. Ele ficou aliviado em poder cuidar dela em casa, mas sabia que as coisas não seriam fáceis, a desconfiança dela feriu o ego dele, pois ela o conhece tão bem para saber que ele é um homem de princípios e jamais faria algo para magoá-la de propósito.
Eles vieram no carro em silêncio Jane o mirava de rabo de olho a todo instante querendo conversar e pegar em sua mão, mas o seu orgulho “ferido” não deixava. Ele somente olhava para frente e dirigia serenamente, mas o que ele mais queria era mirá-la, tocá-la e abraçá-la.
Chegando à frente do prédio deles Kurt para o carro e respira fundo, ele e Jane encaram o prédio ainda em silêncio, ela bufa e abre a porta do carro para sair quando ele a interrompe.
— Espere! – ele sai e dá a volta para abrir a porta do carro pra ela.
Ele abre a porta e estende a mão para ajudá-la.
— Obrigada. – ela respira fundo antes de segurar sua mão e se apoiar nele. – Mas não precisava, eu estou bem.
— Eu odeio quando você diz isso. – ele surra baixo e passa a mão livre pelo rosto.
Ela escuta o que ele diz e o encara.
— Desculpe, não quero te dar trabalho. – ela solta sua mão da dele e caminha em direção á porta do prédio.
Ele a segue e espera para respondê-la quando chegasse a casa. Ele abre a porta do apartamento deles e dá espaço pra ela entrar, ela ainda está com dores pelo corpo e caminha vagarosamente, ele espera pacientemente enquanto ela atravessa a entrada e vai direto pro sofá para descansar.
— E aproveitando que chegamos em casa. – Ele diz sem olhá-la indo para a cozinha, mas ela o encara confusa com a fala repentina dele. – Você é minha esposa e cuidar de você não é trabalho nenhum pra mim, no dia do nosso casamento juramos cuidar um do outro na saúde ou na doença, e eu não esqueci meus votos. – Ele pega um copo e se serve de água depois vai direto ao quarto deles para tomar um banho. – Ela fica lá encarando a parede seus olhos lacrimejam, mas ela engole seco tentando digerir as palavras dele que surtiram efeito imediato nela.
No quarto Kurt vai direto pro banheiro tirando sua roupa rapidamente e se jogando no chuveiro, enquanto deixava a água cair em sua cabeça ele apoiou as mãos na parede e fechou os olhos com força tentando digerir este dia cansativo e cheio de emoções reprimidas, o desejo dele era de estar com sua esposa cuidando dela como ele queria como ela merecia. Depois de tudo que ela passou ele só queria poder abraçá-la e dizer que eles vão passar por mais essa dificuldade, que ele vai estar lá por ela sempre que ela quiser e permitir.
Jane não ficou muito tempo na sala ela se dirigiu ao quarto para também tomar um banho, seu corpo doía, sua cabeça estava latejando tanto que ela pensou que fosse ter um aneurisma, ao chegar lá Kurt estava de costas, a toalha enrolada na cintura. Ela o observou e seu corpo imediatamente se acendeu estava com saudades dos seus beijos, suas carícias, a forma como suas mãos moldavam seu corpo. Ela rapidamente tirou esses pensamentos da cabeça lembrando-se das fotos que Nas havia lhe mostrado, desconfiar dele estava a matando. Mas as evidências eram reais, eles haviam se beijado ele á traiu, ela tentou se recompor e aquelas palavras que ele disse quando entraram em casa estavam martelando em sua mente “Eu não esqueci meus votos” ela precisava rebater.
— Eu não esqueci os meus votos também! – ela diz e ele vira para encará-la sem entender.
— O que? – ele diz.
— Eu disse que não esqueci os meus votos também, você jogou isso na minha cara como se só você estivesse naquele dia.
— Eu não vou discutir Jane, você está debilitada precisa descansar.
— Não estou discutindo estou apenas te informando que eu estava lá no mesmo dia, que não precisa me lembrar sobre os nossos votos. Eu é que preciso de te lem...
Neste momento ela sente uma tortura forte apoia a mão na cabeça e tenta se segurar, ele é mais rápido e antes que ela caia ele está com os braços á sua volta.
— Você precisa descansar, está se esforçando demais.
— E.. Eu preciso de um banho antes. — ela diz ainda tentando se recuperar da tontura.
— Precisa de ajuda no banho? — ele diz sem pensar e morde a língua na mesma hora lembrando que ela provavelmente vai rejeitar sua ajuda.
— Eu vou tentar sozinha qualquer coisa eu te chamo. — ela se solta dele e caminha devagar até o banheiro.
— Deixe a porta destrancada, por favor. — ele diz observando ela entrar no banheiro.
Dentro do banheiro Jane tira sua roupa fazendo careta para a dor que estava sentindo nas costelas, quando ela termina todo o processo ela ainda está um pouco tonta, e caminha devagar até o box. Ela liga o chuveiro na temperatura quente e deixa a água cair em sua cabeça pra ver se alivia a dor que estava sentindo, ela apoia as mãos na parede para não cair, ainda estava tonta e a pequena discussão que teve com Kurt só piorou sua situação, além do corpo ferido o coração estava machucado. Ela conteve as lágrimas que queriam sair e respirou fundo tentando só por um momento esquecer a traição dele, seu coração insistia que não era nada do que ela tinha visto, mas sua razão falava mais alto haviam provas concretas e reais que indicavam a traição em sua mente essa informação era incontestável.
Ela se desencostou da parede para se ensaboar e foi a pior coisa que ela poderia ter feito, pontos negros invadiram sua visão suas pernas amoleceram e a última coisa que ela disse antes de cair no chão do banheiro foi o nome dele.
Kurt ainda estava no quarto quando ouviu um barulho vindo de dentro do banheiro, ele largou a camisa no chão e saiu correndo para verificar Jane, entrou no banheiro desesperado pensando o pior. Ela estava desmaiada no chão do banheiro, ele agradeceu a Deus em pensamento por ela não ter caído sobre o box do banheiro isso poderia ser fatal, só o pensamento de perdê- lá para sempre enche os seus olhos de lágrimas. Ele imediatamente a pegou no colo e a levou para o quarto colocando-a na cama, só aí percebendo que ela estava nua, ele observa seu corpo por um instante com saudade, mas logo afasta os pensamentos procurando uma roupa para vesti-la.
Dez minutos depois Jane acorda olhando em volta e encontrar Kurt á observando, quando seus olhos se encontraram ela percebe que ele passa as mãos pelo rosto e respira aliviado, ela tenta se sentar, mas ele a impede.
— Vai com calma Jane. — ele diz preocupado.
— O que aconteceu? — ela esfrega a cabeça fazendo uma careta de dor.
— Você desmaiou no banheiro, teve sorte de não cair por cima do box. — ele diz. — percebe como é perigoso fazer as coisas sozinha?
— Eu não quero te dar trabalho Kurt! — ela eleva um pouco a voz.
— Eu já disse que você não me dá trabalho, eu sou seu marido é meu dever cuidar de você, droga! — ele diz irritado levantando e coçando a nuca. — Qual o problema em te ajudar? Você não quer que eu te veja nua? Está com vergonha de mim?
Ela encara a parede pensando no que responder.
— Não quero que você me toque, por que me machuca ter você tão perto de mim. O que você fez me magoou profundamente Kurt, será que não pensou no meu amor quando resolveu se esfregar com aquela vadia? — ela o encara.
As palavras de dela o acerta em cheio, seu sangue ferve e ele respira fundo três vezes antes de responder.
— Quantas vezes eu vou ter que dizer que não tive nada com ela? Que foi ela que me beijou e que eu a afastei imediatamente? Que a expulsei na mesma hora? Quantas vezes terei repetir pra você? — ele anda de um lado para outro. — Não sei por que você está tão ofendida achando que eu te traí, quem deveria se sentir o corno sou eu.
— O que diabos você está falando? — ela arregala os olhos sem acreditar no que ele diz.
— Não finja que não sabe. — ele rebate. — Estou falando do seu querido Clem.
— São situações diferentes Kurt não venha agora querer virar o jogo pra cima de mim. — ela responde e sua cabeça dá um pontada forte que ela ignora respirando fundo. — Eu achei que nunca mais fosse voltar, eu deixei a aliança pra trás te deixei livre eu não achei que você estivesse me esperando.
— A única diferença que eu vejo aqui é que você quis me trair e eu fui pego de surpresa por uma louca que imediatamente rechacei. — ele diz nervoso. — Quantas vezes vou precisar te falar isso?
Foi deixando essa pergunta no ar que ele sai do quarto e ela ficou sozinha com os seus pensamentos, culpas e dúvidas.
Ela se aconchegou mais na cama reconhecendo que realmente precisava descansar, mas antes de pegar no sono ele entra no quarto. Ela o observa ir até o guarda roupa e pegar uma coberta e um travesseiro, e antes de sair pela porta e se vira para ela.
— Estou preparando uma sopa, não durma ainda você precisa se alimentar. — ele diz e sai pela porta não se certificando se ela ia falar algo ou não.
Ela bufa e deita na cama de barriga para cima encarando o teto e se perde em pensamentos.
Uma hora e meia depois Jane estava quase pegando no sono quando a porta do quarto de abre e ela avista Kurt entrando com uma bandeja nas mãos.
— Eu trouxe sua sopa. — ele deposita a bandeja ao lado dela na cama.
— Obrigada! — ela agradece. — Mas estou sem fome.
— Você precisa alimentar-se se quiser melhorar, se não vai ter que voltar ao hospital. — Ela se encolhe quando ele cita “hospital”.
— Tudo bem. — ela pega a bandeja e coloca em cima de seu colo.
Ele fica em pé observando-a, seu coração se enche de orgulho, mas logo volta a ficar magoado. Ele precisava resolver essa situação, pois não suporta mais ficar longe dela, sem poder abraçá-la ou beijá-la. Ele não se dá conta de quanto tempo fica ali perdido em pensamentos, mas quando percebe Jane estava deixando a bandeja em cima da cama novamente.
— O que você está pensando? – ela pergunta séria.
— Em toda essa nossa situação. – ele diz automaticamente.
— Eu não quero falar sobre isso agora. – ela diz se aconchegando na cama.
— Você está certa, eu também não quero falar sobre isso, já tivemos demais por hoje. – ele respira fundo. – Você precisa descansar.
— Está bem, boa noite. – ela diz virando de costas pra ele e se enrolando na coberta.
— Boa noite Jane. – ele dá uma última olhada nela antes de sair do quarto.
Kurt foi até seu mini bar e encheu seu copo de whisky, tomou metade em uma golada e logo encheu seu copo até a borda novamente para complementar. Pegou seu copo e foi para a varanda, ficou observando as luzes da cidade e como á cada minuto uma luz ia se apagando dos prédios e casas ao redor. A bebida ia acabando e ele ia enchendo o copo, ele fez isso por mais duas vezes quando a bebida começou a deixar ele um pouco tonto, decidiu que era a hora de parar e foi pro quarto de hóspedes deitar-se e tentar descansar o corpo, por que dormir seria impossível hoje.
Já passava das três horas da manhã quando Kurt escuta um barulho vindo do quarto onde Jane está dormindo, com seus sentidos em total alerta ele se levanta rapidamente com sua arma na mão e vai diretamente pro quarto, chegando lá o que ele vê quebra totalmente seu coração. Sua esposa estava em posição fetal chorando e implorando em quanto dormia, ele imediatamente larga a sua arma em cima do criado mudo e tenta acordá-la cuidadosamente, ele acaricia seus cabelos e segura sua mão.
— Hey Jane! Você está segura, está em casa. – ele sussurra em seu ouvido. – Não vou deixar nada te acontecer.
Ela abre os olhos devagar, sua respiração está descompassada, por puro instinto ela se agarra a mão dele e segura forte, suas lágrimas não param de sair. Ele fica angustiado ao vê-la tão quebrada e a puxa para um abraço e ela se agarra a ele como se sua vida dependesse disso.
Depois de longos minutos abraçados ela consegue controlar sua respiração, mas as lágrimas ainda não param.
— Você está bem? – ele pergunta preocupado.
— Não. – ela diz num sussurro.
— Se você quiser eu posso sair. – ele sugere.
— Não. – ela diz.
— Vai ficar monossilábica? – ele pergunta sorrindo.
— Sim e não. – ela diz. – Só me abraça, por favor.
— Isso eu faço com o maior prazer. – ele diz.
— Deita aqui comigo. – ela pede.
— Você tem certeza?
— Sim! – ela diz. – eu me sinto segura com você.
Kurt suspira aliviado com as palavras dela, ele se deita e ela imediatamente se aconchega em seu abraço com a cabeça encostada logo acima de seu coração, ouvindo os batimentos cardíacos dele. Ele acaricia seus cabelos e deposita um beijo em sua cabeça, ele está exatamente onde pertence, ao lado dela.
Fale com o autor