Scared & Lonely
2 Azul como o Céu
Notas iniciais
Acordei com o sol batendo no meu rosto, e com uma sensação de paz. Saber que eu estava de volta ao meu lar, onde eu pertenço me deixou feliz, mas não inteiramente ainda falta eu me acertar com Kurt. Sinto e sei que não vai ser fácil, quero voltar a confiar nele, quero voltar a ser feliz, mas tudo isso que aconteceu me fez uma ferida enorme no coração e não sei quanto tempo ela vai se curar. Mas de uma coisa eu tenho certeza, vou salvar meu casamento.
Levantei e fui direto pro banheiro tomar banho e fazer minha higiene pessoal. Ao sair do banheiro o cheiro de café fresco impregnava o quarto. Respirei fundo inalando cheiro bom e sorri, imaginando Kurt na cozinha preparando o café como fazia todas as manhãs e pelo jeito vai continuar fazendo. Ele devia estar animado por que estava cantando e assoviando. Aquilo me fez sorrir mais uma vez, estar perto dele é melhor do eu me lembro, só agora percebo como ele me faz falta, como sem ele eu não sei viver. Coloquei uma roupa pra ir trabalhar, sequei meu cabelo rapidamente e fui direto pra cozinha.
— Bom dia – Kurt diz sorrindo.
— Bom dia – Paro em frente ao balcão da cozinha e minha caneca já está com café me esperando.
— Eu fiz panquecas com bacon e ovos, você quer?
— Por favor, e obrigada Kurt não precisava fazer café da manhã pra mim.
— Isso não é nada. – Ele diz já me servindo.
— Obrigada mesmo assim. – Agradeço forçando um sorriso.
— De nada. – Ele sorri de volta e logo em seguida coloca a frigideira vazia na pia.
Eu senti muita falta disso tudo, de como ele me mima como cozinha pra mim, ele sabe tudo que eu gosto, esses dias que fiquei separada de Kurt foram um dos piores da minha vida, nem quando eu tive que ir embora temendo por sua segurança eu me senti tão mal. Esses dias foram á mais, parecia que eu estava morrendo lentamente com a revelação de que ele não só conheceu minha filha como atirou nela acidentalmente. Acho que doeu mais por isso, pela mentira, por me deixar no escuro, por me abraçar e me beijar todos os dias sabendo que eu tinha uma filha e não me contou. Nem os três meses que eu passei no esconderijo da CIA sendo torturada foram tão ruins quantos esses dias.
Mas eu não voltei pra casa pra remoer tudo isso, voltei para tentar concertar as coisas. Pra ter o amor de volta na minha vida, pra tentar entender tudo isso que estou passando e sei que sozinha não posso. Apesar de toda essa merda, ele sempre esteve ao meu lado é meu marido, meu porto seguro, meu confidente, meu protetor mesmo que eu não precise da sua proteção, é o meu ponto de partida e meu ponto final, é meu amor. Ainda não consigo me aproximar dele como ele quer, mas vou tentar com todas as minhas forças. Só ele pode me ajudar a fazer essa travessia para o perdão por que ele tem experiência em superar decepções.
Com meu café da manhã tomado eu levanto e já vou limpando o balcão e colocando as louças sujas dentro da pia pra lavar. Ele levanta e vai pro banheiro escovar os dentes em quanto eu lavo a louça. Tudo parecia que estava voltando ao normal, ele faz o café da manhã e eu lavando a louça. Eu estava ansiosa pra ir trabalhar hoje por que vou encontrar Avery mais uma vez. Estou com medo de ela ser fria comigo de novo, quero me aproximar da minha filha quero ter uma relação saudável com ela, quero explicar e fazê-la entender que jamais a abandonei que tudo foi orquestrado por Shepperd, quero abraçá-la e poder jogar conversa fora. Sei que vai ser difícil desfazer tudo que Roman fez. Mas fazer Avery confiar em mim e gostar de mim vai ser uma tarefa na qual eu vou me esforçar ao máximo pra conseguir concluir com sucesso.
Fui tirada de meus devaneios quando Kurt aparece na cozinha falando comigo.
— Está pronta pra ir? – Ele pergunta.
— Eu vou escovar os dentes e já volto. – Saio em direção ao banheiro.
Quando volto, ele está sentado na cadeira apoiado no balcão mexendo no celular,quando me vê se levanta rapidamente.
— Desculpa, Jane.
— Pelo que? – Pergunto estranhando as desculpas dele.
— Eu me empolguei achando que você ia pro trabalho comigo, força do hábito. – Ele diz triste abaixando a cabeça.
Respiro fundo cruzando os braços e balanço a cabeça negativamente com a fala dele.
— Eu vou com você Kurt.
— O que? Quer dizer ... Vai mesmo? – Ele pergunta surpreso.
— Sim, vou com você por que eu não iria? – Pergunto já pegando meu celular e colocando minha jaqueta.
— Eu não sei.. Você disse que precisa de tempo, achei que não gostaria de ir comigo. – Ele responde.
— Eu sei o que eu disse. – Viro de frente pra ele colocando as mãos no bolso da jaqueta. – Eu preciso de tempo, mas estamos indo pro mesmo lugar não vejo problema de irmos juntos.
— Você está certa eu que estou falando demais, vamos indo então? – Kurt pergunta pegando as chaves e a carteira. – Patterson me mandou uma mensagem, ela resolveu uma das tatuagens e está esperando por nós.
— Então vamos logo, Patterson odeia esperar. – Digo já abrindo a porta e saindo.
O caminho todo até o prédio do FBI ficamos calados, eu olhava pra ele de rabo de olho e ele estava sempre olhando pra frente, sério. Parecia querer se concentrar na estrada várias vezes eu o ouvia suspirando alto, parecia que queria falar algo, mas imediatamente se arrependia.
Eu acho que ele já está amolecendo meu coração. Não que eu goste de ser dura e fria com ele sai automático, às vezes não consigo evitar. Mas neste momento olhando pra ele vendo que está querendo se aproximar de mim, me faz enxergar o homem maravilhoso que tenho ao meu lado. Que mesmo eu querendo afastá-lo ele faz questão de lutar e me puxar pra perto dele. Não sei o que deu em mim neste momento só sei que senti uma vontade louca de beijá-lo, mas me contive até por que ele estava manobrando o carro na garagem do prédio.
Saímos do carro e andamos um ao lado do outro em silêncio, fomos para o elevador e parece que lá o tempo parou, o clima ficou tenso por que eu não falava nada e ele muito menos. Quando o elevador parou no andar da SIOC eu respirei fundo aliviada a tensão já estava indo embora. Fomos até os nossos armários pra guardar nossas coisas, ele pegou sua arma seu rádio transmissor e saiu sem nem olhar pra trás me deixando sozinha por uns instantes.
Respirei fundo quando ele saiu, eu já não estava suportando mais aquele silêncio todo. Esses climas tensos e pesados precisam acabar e eu vou dar um jeito nisso. Pego as minhas coisas e saio em direção á sala da Patterson que me esperava com o restante do team.
Chegando à sala da Patterson todos olham diretamente para a minha mão esquerda, Patterson sorri, mas logo disfarça, sinto que minhas bochechas ganharam cor e meu rosto esquentou, rapidamente cruzo meus braços no peito revirando os olhos e sorrindo timidamente.
— Parece que alguém já não está mais dormindo num quarto de hotel. – Tasha diz sarcasticamente.
— Tasha! – Kurt á repreende. – Agora não, por favor.
— O que foi? Eu não disse nada demais. – Tasha responde.
— Okay, deixa a fofoca pra depois do trabalho Tasha. – Reade interrompe.
— Nossa, como você é estraga prazer Reade, até parece que você também não está curioso pra saber. – Tasha diz.
— Okay, okay. – Eu interrompo os dois. – Eu voltei pra casa e voltei a usar minha aliança, satisfeitos? – Pergunto.
— Muito! – Dessa vez foi Patterson quem respondeu. – Eu estou muito feliz por vocês, mas agora precisamos voltar ao foco principal decifrar as tatuagens e derrubar Crawford. – Patterson conclui.
— Encontrar o Roman e prendê-lo pro resto da vida dele. – Tasha diz. – Desculpa Jane.
— Tudo bem, eu sei que Roman não é boa coisa. – Digo triste.
— O que você encontrou, Patterson? – Kurt pergunta mudando de assunto.
— Bem, eu estava estudando as novas tatuagens e algo chamou minha atenção, um símbolo do infinito que está na coxa direita da Jane. – Patterson aponta pro monitor mostrando o símbolo. – Mas é claro que não é um simples símbolo, se dermos um zoom na imagem vemos que são letras. Essas letras não formam uma palavra á olho nu, mas eu montei um quebra-cabeça com elas e formou essa frase. – Patterson clica no seu IPAD e a frase aparece na tela.
“Dorme meu lindo menino dos olhos azuis da cor do céu e do mar”
— O que isso significa? – Tasha pergunta.
— Foi aí que eu travei. – Patterson responde frustrada.
— Espera um pouco. – Reade diz. – “Olhos azuis?” – Só pode estar falando de Kurt.
Reade vira de lado pra encarar Kurt que estava estático olhando pra tela na sua frente, os olhos cheios de lágrimas a expressão de medo misturado com descrença.
— Kurt? O que houve? – Perguntei preocupada com sua reação.
— Não pode ser! – Ele diz fechando os olhos e apertando a mandíbula com força.
— Kurt, o que foi? – Tasha pergunta novamente já que ele não respondeu da primeira vez.
Vendo como Kurt ficou mexido com essa frase, automaticamente meu instinto de esposa é acionado e toco em seu ombro mostrando pra ele estou aqui caso ele precise de mim. Ele se arrepia com meu toque e me encara, seus olhos já estavam vermelhos por conta das lágrimas. Aquilo corta meu coração e meus olhos ameaçam a lacrimejar também.
— Kurt por favor, diz o que houve. – Imploro pra ele falar, o medo de ser algo grave já me consumia.
Meu celular vibra no meu bolso quando interrompendo nossa conversa quando vou checar quem me ligava era um número privado, e logo imagino quem estava me ligando, mas quando atendi me surpreeendi.
— Avery? – Pergunto surpresa e preocupada, olhando pra Kurt do meu lado. – Está tudo bem? — Em quanto eu atendia o celular Kurt se desvencilhou delicadamente do meu toque saindo da sala sem falar nenhuma palavra nos deixando preocupados sem saber o que está acontecendo.
— Oi, sim está tudo bem comigo. – Ela responde. – Eu só queria saber se você tem alguma novidade sobre Crawford.
— Depois de tudo que te mostrei não surgiu nada dele ainda.
— Entendo. – Ela diz.— Você me contaria se houvesse alguma novidade não é? – Ela pergunta desconfiada.
— É claro que eu diria, eu nunca quebro uma promessa. – Eu digo lembrando que prometi contar qualquer coisa que aparecesse sobre Crawnford.
— Tudo bem então, era só isso. – Ela diz fria.— Tchau Jane.
— Tchau, Avery. – Fico encarando meu celular por uns 5 segundos sem acreditar que minha filha tinha me ligado, mesmo que não estivesse interessada em saber de mim, mas me ligou.
Encaro os meus amigos na sala que estavam tão confusos quanto eu.
— Era Avery, ela queria saber sobre Crawford. – Digo pra eles.
— Jane, você não vai atrás dele? – Patterson pergunta com a expressão séria e aborrecida, parecia que eu era culpada de alguma coisa, mas eu já ia fazer isso mesmo antes dela falar.
— É claro que eu vou. – Respondo já indo em direção á porta e procurando por ele.
Eu já estava andando uns cinco minutos e não o encontrava, tentei o celular e ele dispensava minhas ligações, eu já estava com os nervos á flor da pele preocupada imaginando o que poderia estar acontecendo o que Roman aprontou dessa vez com a gente. Mas minha cabeça dá um estalo e lembro-me da praça que ele me disse que gostava de visitar de noite, meu instinto diz que é pra lá que ele foi então saio do prédio chamando um taxi pra ir ao encontro dele.
Quinze minutos passados e chego à praça, realmente meu instinto não me enganou. Ele estava lá sentado olhando pro rio sem enxergá-lo. Os dedos cruzados um no outro olhando fixamente pra água nem me vê chegando, quando toco em seu ombro ele olha pra cima e volta a olhar pra frente nem parece que me viu, sua expressão não muda. Ao contrário estava com a expressão dura e dolorida, como se algo tivesse machucando ele por dentro, e não pudesse gritar. Recolho minha mão de volta e me sento ao lado, olhando pro seu rosto.
— Kurt, o que houve? Por que aquela frase mexeu tanto com você. – Pergunto.
— Eu não queria falar sobre isso, Jane. – Ele responde seco.
— Eu sei que no momento não estamos ás mil maravilhas, mas você sabe que pode falar comigo Kurt. Eu sou sua esposa. – Ele ri balançando a cabeça e esfrega as mãos no rosto.
— Minha vida está uma bagunça, Jane. – Ele diz e eu não entendo. – Eu não estou agüentando mais esses joguinhos do Roman pra cima da gente.
— Eu sei, eu também não estou agüentando mais.
— Eu te perdi por culpa dele, ele armou pra mim e eu caí feito um idiota. – Ele diz triste. – Eu sou um idiota.
— Você não me perdeu, eu ainda estou aqui não estou? – Pego em sua mão e acaricio.
— Não como eu queria. – Ele retribui o carinho voltando á olhar pro rio.
— Você está mudando de assunto, Kurt o que aquela frase significa? – Pergunto de uma vez.
— Okay, Jane você venceu. – Ele vira de frente pra mim sem soltar minha mão. – Minha mãe falava aquilo pra mim toda noite antes de eu dormir, essa frase era dela.
Meus olhos arregalam e eu aperto sua mão na minha, o que será que Roman aprontou pra nos machucar desta vez?
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