Scape

5 Insomnia


Notas iniciais
O frio de dezembro no Canadá não te deixa dormir

Edgar ouviu a porta da sala se fechar e se levantou. Ele sabia quem era. Todas as noites era a mesma coisa, a insônia parecia tomar conta dela que ficava zanzando pela cabana ou se assentava no banco na varanda e ficava por um longo tempo até tomar coragem e voltar para a cama onde tinha um sono turbulento e que não a fazia descansar.

O frio no Canadá em dezembro era congelante e havia camadas de neve se formando lá fora. Por sorte a cabana possuía aquecedor. Tasha era maluca em sair lá fora à noite. A última semana foi ação de graças e eles estavam em outro lugar, porém precisaram se mudar às pressas para não serem encontrados, ainda assim conseguiram fazer um jantar especial com peru assado e vinho.

A sala possuía uma pequena árvore de natal com algumas bolas brilhantes e luzinhas que só foi montada por insistência de Rich que fazia questão que todos eles levassem uma vida normal nesses dias turbulentos, um pequeno presepio se encontrava embaixo da árvore.

Reade a encontrou encostada na pilastra da varanda enrolada em um cobertor. O rapaz trazia uma garrafa com menos da metade de uísque que serviu em dois copos.

— Você acha que nós vamos conseguir? – Tasha perguntou quando ele lhe entregou o copo com o conteúdo.

— Precisamos nos manter firmes naquilo que acreditamos. Eu também me sinto desanimado, às vezes. – Edgar tentava parecer forte para a equipe, na verdade todos eles tentavam, mas tinham seus pontos fracos e nem sempre era fácil viverem todos juntos em um lugar apertado e sem privacidade.

— Eu nem tenho dormido direito. – Tasha apresentava um círculo escurecido em volta dos olhos, o que demonstrava seu cansaço pelas noites mal dormidas.

— Você precisa se esforçar pra descansar pra não deixar que o esgotamento mental lhe atinja. É isso que eles querem, que sejamos fracos a ponto de nos entregarmos. – Reade tentava passar pra ela uma força que nem ele tinha. Após meses fugindo e se escondendo estavam todos esgotados.

— Às vezes sinto que mesmo se voltarmos não seremos mais os mesmos. Aconteceram tantas coisas. Não sei se conseguiremos restaurar nossa dignidade. – A expressão dela era de tristeza e desânimo.

— Nós ainda somos os mesmos. Apesar de tudo que aconteceu nossa essência é a mesma, nossos sentimentos, aquilo que acreditamos sempre permanecerá. – Um sorriso fraco brotou dos lábios dele passando um pouco de sua força para a mulher cansada ao seu lado.

Tasha terminou o conteúdo do copo em um só gole, abaixou a cabeça e fechou os olhos sentindo o vento cortante atingir seu rosto. Quando ele falou sobre sentimentos ela só conseguia pensar no que sentia por ele, isso sim era inabalável. A morena sabia que poderiam se separar por anos que o seu amor por ele estaria sempre vivo. Por todo o tempo que passou em sua missão o que mais a perturbava era a distância que estavam e como seria quando se encontrassem, e, também havia a possibilidade de nunca ser perdoada. Tasha ainda sentia medo, pois ele disse coisas que deixaram claro que não a havia perdoado.

— Vamos pra dentro a gente fica no sofá até você sentir sono. Aqui fora está frio demais e você pode se resfriar.

Eles se aconchegaram no sofá e Edgar jogou o cobertor sobre eles, o rapaz passou o braço nas costas dela que aproveitou o momento e deitou a cabeça no peito dele que traçava círculos sobre os cabelos dela em uma carícia que a fez relaxar e aos poucos ele percebeu que ela havia mudado o ritmo da respiração e provavelmente dormira. Edgar se sentia perturbado quando estavam assim tão perto, coisa que vinha acontecendo com frequência durante todo esse tempo em que fugiam. Ele queria que ela se sentisse bem para descansar, e o que ele podia fazer era estar por perto sempre que ela precisasse.

Edgar fez questão de que ambos pudessem se deitar no sofá e ficar um pouco à vontade no espaço pequeno. Ele deu um beijo na cabeça de Tasha sentindo o cheiro dela que o intoxicava. Ambos sabiam os sentimentos que tinham um pelo outro, mas ninguém se atrevia a dar o primeiro passo, talvez precisassem voltar às suas vidas normais para tentar se restabelecer juntos novamente. Com esses pensamentos, ele também adormeceu nos braços de mulher que amava embalado pelo barulho do vento de dezembro e não se importando se algum outro amigo da equipe os visse tão perto.

Notas finais
Obrigada por ler! Essa fic ainda terá alguns capítulos aleatórios pra nos consolar durante esse longo hiatus.