Say you'll remember me
1 i. my last request, it is say you'll remember me
Notas iniciais
Diga que se lembrará de mim
Diga que me você me verá de novo
mesmo que seja apenas em seus sonhos mais selvagens
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Agosto, 1997
Querido Harry;
A vida se tornou muito árdua após sua partida, não necessariamente porque você partiu, mas sim pelo o que isso significou. A guerra desabou sobre o mundo bruxo, as ruas não são mais seguras, o Beco Diagonal se tornou uma falésia decrépito e sombria, há saqueadores, há ladrões, há Comensais da Morte, há tristeza e perda. Antes mesmo de o mundo se tornar esse inferno sobre a Terra, eu não jogava mais Quadribol com meus irmãos no quintal de casa, não dei tanto valor quanto deveria àquelas momentos, sempre acreditando que haveriam mais, e agora eu me encontro sozinha, com a familia dividida, Bill está construindo sua própria família agora, Charlie foi embora logo depois do casamento, não temos notícias de Percy há meses e por mais idiota e estúpido que aquele paspalho seja, é meu irmão, e tenho medo de ele não estar mais entre os vivos. Fred e George se mudaram também, apesar de isso não ser mais novidade. E Ron também se foi, espero que estejam cuidando uns dos outros, assim como de Hermione, espero que ela esteja cuidando de vocês. Ainda estou com raiva por não terem me pedido para ir junto, eu poderia ajudar, poderia lutar. Não quero ser uma peça inútil nesse jogo, escrevendo meras cartas de amor sentada à uma mesa velha no meio do escuro, no meio da noite. Apesar da raiva, sinto sua falta, Harry.
Não se esqueça de mim.
Ainda sua, Ginny Weasley.
Ginny deixou a pena de lado, sobre a mesa, com um suspiro, ela não fechou a carta, deixou que permanecesse aberta pelo resto da noite, esperando a tinta secar e conferir uma marca eterna no papel, uma lembrança de seus sentimentos, caso não sobrevivesse à guerra, pediria a Luna para entregasse à Harry, para que soubesse que Ginny o amou profundamente, quando os momentos e oportunidades de dizer aquilo lhe foram roubados, tomados.
Ginny inclinou-se sobre a vê-la acesa na mesa e assoprou, a chama se apagando e mergulhando o quarto na penumbra e escuridão. Levantou-se e seguiu para a cama, o frio violento dos lençóis raspando contra a pele. Ginny não dormiu de imediato, ficou ali, repensando sua vida, suas escolhas, o que poderia ter feito de diferente, o que ainda poderia fazer.
Quando enfim dormiu, havia clarões verdes em seus sonhos, se eram manchas de olhos em tons verdes ou a maldição da morte lhe reivindicando para a escuridão, ela não soube dizer a diferença.
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Setembro, 1997
Estúpido Harry;
Voltamos à Hogwarts há uma semana, e agora vejo que esta não foi uma ideia tão boa quanto pareceu, Snape é diretor agora, um tirano arrogante e desgraçado. Os Comensais tomaram Hogwarts, tomaram nosso lar, tomaram nossa segurança, nosso direito de estudar e resistir. Os Carrow são professores agora, comandando os corredores, só os Sonserinos tem permissão de vagar livremente por aí, se as outras pessoas de outras casas forem pegas nos corredores após o toque de recolher são punidas, com Cruciatus, com torturas e outras coisas horríveis. Estão submetendo os alunos mais velhos a executar coisas terríveis, querem que joguemos Cruciatus nos alunos do primeiro ano, eu, Luna, Neville e os outros ainda não sabemos como vamos enfrentar isso, como vamos superar, como vamos recuar, mas vamos resistir, vamos lutar e ficar fortes, vamos proteger os alunos dos primeiros anos, estamos ao seu lado, Harry, lutando, resistindo. Hogwarts vai ser um lar de novo, segura e acolhedora. Mesmo com medo, mesmo temendo por minha vida, pela de Luna, pela de Neville, pela minha família, eu escolho lutar. Eu não me rendo tão facilmente (não me rendo de jeito nenhum).
Não vamos perder a guerra.
Ainda sua, Ginny Weasley.
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Outubro, 1997
Harry;
Ouvi falar que você invadiu o Ministério com Ron e Hermione, as notícias correm rápido, mesmo na guerra, seu rosto está por todos os lados do mundo bruxo, “indesejado número um”, muita besteira, muita baboseira de uns infelizes aí, que juram estarem certos sobre genocídio. Isso é uma insanidade. Temo por sua vida, pela sua, pela de Ron, pela de Hermione. Mas sei que isto é muito maior que suas nossas vidas (infelizmente) há muito em jogo, e estamos juntos nessa, vivos ou mortos. Não importa. Gostaria de ter invadido o Ministério com vocês, queria estar com vocês agora, ainda estou com raiva, mas entendo agora que meu lugar agora é aqui, em Hogwarts, protegendo o castelo, melhor que podemos, embaixo dos narizes dos Comensais da Morte, resistindo, lutando, ficando fortes para quando nossa hora de agir em batalha. Penso em você todas as noites, Harry. Me pergunto se lembra de mim, gosto de acreditar que sim, que sente minha falta tanto quanto sinto a sua, que pensa em mim. Eu fico me lembrando de nosso último beijo e me agarro a essa memória, para me dar força quando a saudade é extrema. Sei que está em missão, mas gostaria que não estivesse, é egoísta, mas quem liga, afinal? Sinto sua falta a cada instante, a cada segundo, a cada hora.
Volte para casa, Harry. De preferência vivo.
Ainda sua, Ginny Weasley.
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Novembro, 1997
Atrevido Harry;
Nós voltamos com a Armada De Dumbledore, com alunos de todas as casa, até da Sonserina, no início ficamos com receio, mas Astoria Greengrass é bem convincente, alguém que não cede, não se rende. Não podemos escolher quem somos, mas podemos escolher quem queremos ser, afinal. O mundo precisa de mais pessoas assim. A guerra precisa de pessoas assim também, do nosso lado, é claro. Arriscamos nossas vidas todos os dias, mas isso é pelo mundo bruxo, por nossas famílias, amigos, por nossos amantes também. O amor de proteger quem nos importante é mais forte, receio ter caído no encanto também. Meus pais estão bem, na medida do possível, estão escondidos, não podemos trocar muitas cartas, é perigoso, acredito que o que sobrou da Ordem esteja bem também, estão por aí, lutando. Meus irmão estão bem também, igualmente na medida do possível, execeto o maldito filho da puta de Percy, cujo qual não temos notícias. Apesar dos erros dele, ainda é meu irmão, e eu me importo, espero que ele não esteja morto, cometi meus erros também, eu gostaria de ter sido uma irmã melhor. É aquela coisa, não é? Da guerra, que chega ao ponto de não sabermos se vamos dizer às pessoas que amamos que de fato nós as amamos. Amo você, Harry, anos atrás, aqui, agora, no futuro, espero que saiba disso. Vamos nos encontrar de novo e sair para tomar um café, não sei, qualquer coisa, não importa, desde que seja com você.
A Armada De Dumbledore não se rende. A Ordem da Fênix não se rende. Hogwarts não se rende. A família Weasley não se rende.
Eu não me rendo e não vou morrer hoje.
Ainda sua, Ginny Weasley.
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Dezembro, 1997
Atencioso Harry;
Esse é o inverno mais triste e sombrio de minha vida. Ainda não consigo acreditar que o maldito Snape nos deu permissão para ir para casa no Natal, fico feliz de estar em casa. Mas é inevitável não se entristecer com as pessoas que não estiveram ao nosso lado este ano, neste Natal. A dor e a angústia me consome, a preocupação também, pensando naqueles que talvez não voltem a Hogwarts depois do recesso. Eu não os acho covardes por isso. Eu também não quero voltar, lá virou um inferno e mamãe me implora para que eu fique em casa. Mas não vou, pois há crianças lá, que não podem se proteger, eles precisam da Armada de Dumbledore, precisam de força, de esperança, precisam de nós, precisam de mim.
Eu só vou parar de lutar no dia em que eu morrer.
Ainda sua, Ginny Weasley.
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Janeiro, 1998
Incrível Harry;
Há dias que eu tenho vontade de desistir. Há dias que eu sinto que meus ossos estão se partindo, que meu crânio está se rachando, que minha alma está deixando esse corpo. Mas sigo mesmo assim, com dor, com medo, com tristeza, porque não há tempo para lamentações, temos que ser fortes por quem amamos, por nosso lar, pelo o que nos motiva. Luna não voltou a Hogwarts e não sei se está bem, não sei o que pensar, só sei que eu gostaria de deitar em minha cama e jamais sair da Torre da Grifinória de novo, não vou fazer isso, é claro. Hogwarts ainda precisa ser protegida, cuidada, zelada. Então eu sigo, porque estão contando comigo, porque me recuso não lutar, não fazer nada, posso não ser de grande ajuda, mas estou aqui, firme e forte, fazendo o que posso em nome de um mundo melhor.
O mundo vai ser salvo por sonhadores, Harry.
Prometo não morrer até você estar de volta.
Ainda sua, Ginny Weasley.
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Fevereiro, 1998
Maldito Harry;
Pergaminho, velas, pena e tinta se tornaram meu conforto, meu mantra silencioso, uma das poucas coisas que ainda me mantém de pé, as coisas andam ficando muito difíceis por aqui, estamos começando a perder as esperanças, cada vez mais pessoas estão morrendo. Corujas chegam todos os dias, anunciando uma tempestade de morte, dor e sofrimento. Agradeço o tempo inteiro por nunca ser alguém que amo e rezo todas as noites por proteção a quem amo, e não me importo com quem vá escutar do outro lado, nunca fui religiosa e sei que jamais vou ser, mas neste momento eu imploro por misericórdia as essas vidas. Imploro pela sua também, Harry. O lado mais sombrio e visceral da guerra é esse, pessoas matando pessoas cujo qual não sabem quem são, não se importam e não ligam, tudo em prol de uma causa que diz que genocidio é a solução. Me assusta o fato de como a vida humana se tornou algo tão banal de manter e tão fácil de ser tomado. As pessoas fazem loucuras quando não se tem o que querem, quando seu pedido é negado. Me pergunto se teria sido possível essa história ser diferente, se algo poderia ter sido feito melhor e agora o mundo (nosso mundo) não seria banhado por sangue e ódio. Não consigo encontrar uma resposta, mas espero que sim, em alguma outra linha do tempo isso tenha sido diferente.
O medo me assola mas não vou desistir.
Ainda sua, Ginny Weasley.
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Março, 1998
Querido Harry;
Em meus sonhos mais loucos eu vejo você, segurando minhas mãos, me dizendo que me ama, me abraçando. Seu abraço é meu refúgio e o lugar para qual anseio voltar há meses, ainda me lembro de seu cheiro inebriante e de seus sorrisos fáceis, me lembro de sua língua afiada e comentários sarcásticos. Não tenho notícias suas há meses, me preocupo, mas tento pensar em positivo ou quase assim, o mais próximo disso possível. Nosso último beijo e a esperança de que você vai voltar para casa é o que me mantém sã, me dá forças quando sinto que não resta nada. Às vezes me pego pensando se algum dia você vai conseguir ler estas cartas, se vou conseguir entregar pessoalmente, se eu não morrer, se você vai conseguir ler, se não morrer. A balança desse meio termo entre a vida e a morte deixa as pessoas um pouco mais insanas, devo admitir. Às vezes não sei o que estou fazendo, apenas sigo, sigo e sigo em frente. Em meus sonhos mais loucos eu vejo você, a sombra verde de seus olhos me observando. Anseio pelo nosso reencontro todas as noites. Espero conseguir dizer que lhe amo pessoalmente.
Minha única condição é diga que se lembrará de mim, diga que me você me verá de novo, Mesmo que seja apenas em seus sonhos mais selvagens.
Ainda sua, Ginny Weasley.
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Maio, 1998
Amado Harry;
Soube que invadiu Gringotes e fugiu de lá com um maldito dragão. Inferno, Harry, você sempre gostou de arriscar sua própria vida em nome do bem maior, e eu admiro demais isso em você, seu coração gigante sempre disposto a lutar. Não acho que encontro-me em uma posição de poder reclamar de suas escolhas, porque eu também estou arriscando minha vida em nome do bem maior. Snape convocou uma reunião no Salão Principal hoje a noite, e temo pelo o que vem a seguir, temo por minha vida, então, mesmo tento esperanças e confiança o bastante para lutar, não sei o que pode vir a seguir, um banho de sangue ou não. Por isso, escrevo esta última carta, não como uma despedida, mas sim como alguém que lutou até o fim e caiu com honra. Não houve um dia de minha vida que eu não tenha te amado, Harry, são seus olhos que vejo em meus sonhos e são seus abraços que me dão refúgio em meio ao caos, é sua risada que ressoa em meus ouvidos quando estou com medo e é seu o nome que eu clamo por ajuda.Você mais que qualquer um merece ser feliz. E sei que prometi não morrer até sua volta, mas não sei se posso manter essa promessa.
Manterei você comigo até meu último segundo nesta terra.
Eternamente e intensamente sua, Ginny Weasley.
Ginny dobrou a carta com cuidado e a colocou junto às outras, na pilha de cartas que estavam dentro de uma caixa pequena, azul e redonda, a tampa era simples, em tons diferentes de azul com desenhos em horizontal. Ela fechou a tampa e deixou seus dedos se demorarem lá, marcando a sensação de tudo o que escreveu, pensou e sentiu nos últimos meses, se agarrando naquele último fiapo de esperança.
Ginny não tinha certeza se iria morrer hoje, mas, se morresse, as cartas seriam entregues a Harry, por Seamus, por Neville, por Hermione, não importava, elas seriam entregues.
Se Ginny caísse hoje ela cairia com honra.
Alguém cutucou seu ombro, algo rápido e preciso, ela não ergueu o olhar, apenas escondeu a caixa com suas palavras mais vulneráveis em um lugar seguro, embaixo de seus cobertores, uma vez que a Armada de Dumbledore estava toda reunida na Sala Precisa, em uma reunião de última hora.
— Ginny, você precisa vir ver isso — disse a pessoa, que ela não sabia o nome, infelizmente eles eram muitos e não havia um truque para decorar todos os nomes e rostos.
Mas estavam ali, resistindo, lutando, isso importava.
Com uma última olhada para a caixa, ela levantou-se e seguiu a pessoa em direção aos fundos da sala, deixando para trás o local que ela dormiu por dias, que fez de lá seu refúgio pessoal quando o mundo estava um caos. Havia um aglomerado de pessoas ali, um pequeno círculo, vozes e mais vozes ecoando pelo cômodo.
Ela franziu a testa e afastou os longos cabelos ruivos para longe do rosto.
— O que está acontecendo? — perguntou e ninguém ali perto lhe respondeu.
Continuou andando entre as pessoas, pedindo licença para que saíssem de seu caminho, o coração batendo de um jeito descompensado pela ansiedade e inquietação. Não podia ser, mas era. E, lá estava ele, parado em meio às pessoas, o garoto que assombrou seus sonhos mais loucos e selvagens, que ela temeu a vida por longos meses.
— Harry — chamou, parando ali em frente, estática, um mar de emoções ameaçando derrubá-la.
Ele virou-se em sua direção, os olhos verdes cintilando de esperança, alívio e algo mais.
Ginny, que nunca chorava, que nunca foi emotiva, que nunca se importou com esse tipo de coisa, naquele momento do tempo, naquele segundo que fez toda a diferença do mundo, poderia chorar. O impossível se tornando possível.
— Harry? — falou Ron, ofendido — Ela não me vê por uns seis meses e eu sou o irmão!
— Ela tem muitos irmãos, mas só um Harry — murmurou Seamus.
Ron olhou feio para ele.
— Cala boca, Seamus!
— Harry — repetiu Ginny, sem dar importância a mais nada que não fosse a imensidão dos olhos verdes dele, sentindo o corpo entrar em uma completa combustão.
Seus sonhos mais selvagens e loucos se tornando realidade.
— Ginny — respondeu ele, olhando-a, quase não acreditando no que via.
Harry Potter sorriu e então havia Ginny Weasley que sorriu de volta.
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