Say Yes
1 Capítulo 1
Notas iniciais
— Eu vim pedir a mão da sua filha em casamento.
Charming levou alguns segundos até conseguir assimilar as palavras de Regina. Um minuto atrás estava tomando café da manhã com sua esposa e filho quando ouviu alguém bater na porta e estranhou quando viu Regina, já que a mesma sempre entrava sem cerimonias. Já estava dando espaço pra que ela entrasse quando as palavras da antiga rainha lhe atingiram.
— O quê?
— Você me ouviu.
— Não tenho certeza de que te entendi direito, Regina.
— Eu tenho.
Por quanto tempo os dois ficaram se encarando nenhum podia dizer ao certo. Foi apenas quando Snow os interrompeu que David conseguiu sair do choque inicial.
— David não vai deixa-la entrar?
Snow se virou em direção à cozinha, mas viu que os dois não faziam menção de segui-la então ficaram todos na sala em um silêncio desconfortável para o qual ela não via motivo.
— Regina, o que aconteceu?
Regina tinha se preparado pra esse encontro como quem se prepara para uma batalha, mesmo na esperança de que não fosse necessário, ela lutaria por Emma. Permaneceria decidida não importava o quão nervosa estivesse, faria de tudo para esconder.
— Eu vim aqui pedir autorização, benção ou como quiserem chamar, para casar com a sua filha.
Snow não sabia o que esperava, mas com certeza não era aquilo.
— Emma?
— Você tem outra?
Ela se repreendeu no momento em que disse, sabia que não era hora pra bancar a esperta, mas foi mais rápido que ela, era um pequeno vício, um mecanismo de defesa, difícil de impedir.
— Eu acho que você consegue entender a nossa surpresa, vocês mal se falam tem semanas.
— Snow tem razão, ninguém poderia imaginar que vocês estão juntas.
— Não estamos.
Os Charmings se olharam ainda mais confusos com toda a situação.
**SWANQUEEN IS ENDGAME**
Eles estavam de volta à floresta encantada, a caminho do castelo da rainha, quando foram surpreendidos por um grupo de ladrões armados com espadas e flechas. Regina, sem as extravagantes vestes de rainha, não fora reconhecida como tal e os homens não hesitaram em atacá-los.
Mesmo estando em menor número, eles se recusaram a se render e em poucos segundos já estavam travando uma grande batalha. Os homens tinham lanças, flechas e espadas, mas eles tinham a Rainha, a Salvadora, a bruxa má do Oeste e, é claro, os Charmings, que ainda faziam jus a fama que tinham no antigo reino.
Em alguns minutos todos os ladrões já haviam ido ao chão, muitos deles desacordados.
Enquanto os outros descansavam da briga, aliviados por não terem tido maiores problemas, Regina podia sentir que alguma coisa não estava certa. Sentiu que todas as partes do seu corpo só gritavam um nome “Emma” apenas um comando “fique com Emma”. Foi o que fez, colocando-se ao lado dela de forma protetora, olhando para todos os lados tentando achar a causa de sua estranha preocupação.
Percebendo a inquietação da morena, Emma levantou-se da pedra onde estava sentada e se aproximou ainda mais.
— Regina, você está bem?
Mal teve tempo de terminar a frase, viu que um dos homens havia se levantado e lançado uma última flecha em sua direção.
Era uma última tentativa de vingança, o homem sabia que era inútil lutar, já se dava por morto, mas recusou-se a ir sem levar um deles junto. Sabia que não erraria seu alvo, que quem quer que fosse na outra ponta da flecha estava tão morto quanto ele. Pode sentir um sorriso doentio em seu rosto enquanto a vida se esvaia de seu corpo.
Tudo aconteceu tão rápido, era tudo tão surreal, como se Emma estivesse vendo a cena por outros olhos, como se não estivesse presente. Pode ver o homem largado no chão, Regina colocando-se a sua frente, a flecha atingindo-a em cheio no abdômen, o seu gemido de dor, pode ouvir a própria voz gritando em agonia enquanto a flecha atravessava o corpo da antiga rainha. Foi só quando sentiu o peso do corpo da morena em seus braços que conseguiu voltar à realidade do que estava acontecendo.
Todos ao redor correram pra ajudá-las enquanto Emma deitava Regina em seu colo.
— Regina, ta tudo bem, você vai ficar bem, fala comigo, por favor.
Regina tentava dizer alguma coisa, mas a dor era tanta que só o que eles ouviam eram gemidos incoerentes. Emma aproximou sua boca até o ouvido da morena, sussurrando quase que em uma prece.
— Fala comigo, por favor, eu preciso saber que você está bem.
Com o rosto tão próximo ao de Regina, Emma pode entender o que ela tentava dizer em meio aos gemidos de dor. Apenas uma palavra repetida constantemente.
— Emma...
Foi o que levou Emma ao limite, não foi capaz de conter as lágrimas, não tinha mais controle sobre si mesma. Todas as partes do seu corpo doíam, sua cabeça girava e suas mãos tremiam descontroladamente. A dor de vê-la naquele estado, tão perto da morte, era mais do que ela conseguia suportar. Encontrava-se num estado de completo desespero, tendo como único consolo o fato de ainda poder sentir a respiração da morena contra seu rosto.
Sentiu que alguém se ajoelhava a sua frente, examinando o ferimento no abdômen de Regina, seu instinto foi de proteção, imediatamente agarrando o pulso que ia em direção à flecha, quem quer que fosse, não deixaria que a encostasse. Mas assim que a sua visão, ainda dificultada pelo borrão que as lágrimas causavam, permitiu que reconhecesse o rosto de Zelena, ela começou a implorar desesperada.
— Você precisa salvá-la, por favor, eu sei que você consegue. Você precisa...
— O que você acha que eu estou tentando fazer? Infelizmente eu preciso das minhas mãos pra isso.
Emma percebeu que ainda segurava o braço de Zelena, e o quão ridículo aquilo era. Elas eram irmãs, com todo o passado já superado era claro que Zelena faria de tudo para ajudá-la, se o pior acontecesse mais gente sofreria, mais gente se importava. O mundo não se resumia a ela e Regina, por mais que Emma desejasse isso.
Sem jeito por seu ataque de egocentrismo, Emma finalmente soltou o braço de Zelena, voltando sua atenção à rainha em seus braços, repetindo que tudo ficaria bem. Se tentava acalmar Regina ou a si mesma, ela já não sabia.
Zelena já se preparava para retirar a flecha quando algumas manchas azuis chamaram sua atenção.
Um grito de raiva ecoou pela floresta e a única coisa que Emma viu quando ergueu novamente a cabeça foi uma chama de magia verde voando em direção ao corpo do homem responsável por tudo aquilo. Não pode impedir o pequeno prazer que sentiu ao ver o corpo do homem sendo completamente incinerado.
Se qualquer um perguntasse, ela negaria, e talvez negasse a si mesma também, mas desejou silenciosamente que ainda restasse algum sopro de vida e o sujeito asqueroso pudesse sentir parte da dor que ela sentia.
— Zelena você ficou louca?
A voz indignada de Snow fez com que Emma voltasse sua atenção à Zelena, a bruxa sacodia a cabeça em negação e começou a chorar silenciosamente. Emma, que até então não havia tido coragem de olhar para o ferimento em Regina, seguiu os olhos da bruxa e pode perceber as marcas se espalhando cada vez mais por todo seu abdômen.
Veneno. A arma dos covardes.
— Eu posso curar o ferimento, mas sem um antídoto ela morrerá em algumas horas.
Todos permaneceram em silêncio, na verdade, para Emma parecia que o mundo inteiro estava em silêncio, ela não era capaz de processar nenhum ruído que chegasse aos seus ouvidos. Era como se nada mais existisse, apenas a dor.
Após alguns minutos em um estado quase que catatônico, a voz de Regina sussurrando seu nome capturou sua atenção.
Ela teve que abaixar-se novamente, pois a voz de Regina estava cada vez mais fraca.
— Emma, está tudo bem, acontece.
Aquilo fez com que um sentimento de puro terror tomasse conta do vazio anterior que era sua mente. Regina estava desistindo, aceitando a derrota, aceitando a morte. Não, Emma podia lidar com muita coisa, já havia superado tudo que a vida havia jogado em seu caminho, mas sabia que não seria capaz de superá-la, se recusava a lidar com mais essa perda.
— Não. Não está. Não ta nada bem, Regina. Mas vai ficar. Olha pra mim.
Emma segurou o rosto de Regina entre suas mãos, limpando as lágrimas que escorriam dos olhos castanhos.
— Eu vou resolver isso. A gente encontra um jeito, eu prometo.
— Não prometa...
— Eu prometo!
Suas mãos voltaram a afagar os cabelos escuros enquanto ela se dirigia à Zelena.
— Se você curar o ferimento da flecha nós ainda teremos algumas horas para achar uma cura. Por favor. Nós podemos salvá-la.
Esperança não vinha tão facilmente para Zelena como vinha para os Charmings, mas a dor de ver a irmã quase sem vida no chão da floresta era tanta que ela se forçou a acreditar nas palavras de Emma.
Concentrou todos os seus poderes naquele feitiço, precisa dar tudo de si para conseguir que o efeito do veneno retardasse ao máximo, precisariam de todo o tempo que conseguisse para acharem o antidoto.
Uma nuvem de fumaça verde envolveu as mãos de Zelena e todo o corpo de Regina, novas lágrimas escorriam pelo rosto da bruxa, um misto de desespero e dor. Sabia que aquele feitiço esgotaria suas forças completamente, mas não conseguia se importar, era a vida de sua irmã em jogo e ela não pararia por nada.
Depois de alguns minutos Zelena cai exausta no chão, tendo usado toda sua energia na irmã, ela respirava pesadamente e só teve tempo de ver o ferimento se fechar antes de ficar inconsciente.
Emma pode ouvir os pais correrem até Zelena, pode ouvir Snow dizendo que ela ficaria bem e só precisava descansar, ouviu seu pai tentando achar alguma coisa útil no pouco que sobrara do homem só pra acabar de mãos vazias novamente. Pode ouvi-los conversando e decidindo que a melhor chance era achar Gold e fazer um acordo em troca da vida de Regina. Pode ouvir seus passos cada vez mais distantes enquanto eles corriam para seguir com o plano.
Podia ouvir tudo acontecendo e não poderia se importar menos. Talvez fosse seu egoísmo ou talvez aquilo fosse demais pra conseguir lidar com tudo de uma vez só, mas ela não se importava com Zelena e não se importava com como eles conseguiriam o antídoto, desde que conseguissem, se fosse necessário ela daria sua própria vida.
Tudo com o que ela conseguia se importar no momento, tudo que existia em seu mundo, era a morena em seus braços. Quando a fumaça se dissipou por completo Regina estava com os olhos fechados e cada segundo que permanecia assim uma parte da alma de Emma se partia. Ela não tinha mais forças pra chorar e o sentimento de impotência só deixava tudo pior.
Não sabia ao certo por quanto tempo ela ficou ali, apenas olhando Regina, acariciando seu rosto, repetindo que tudo ficaria bem e rezando a todos os deuses que conhecia para que estivesse certa.
— Por favor, Regina acorde, eu não sei o que fazer. Tudo que eu quero agora é que você me diga o que fazer. Preciso de você.
Quando as palavras deixaram seus lábios Emma percebeu o quanto elas eram reais, o quanto ela precisava de Regina em sua vida. Depois de anos tentando afastá-la, o que ela realmente precisava era Regina cada vez mais perto. Não seria capaz de sobreviver em um mundo onde a morena não mais existisse.
Conseguia sentir a sua lucidez se esvaindo cada vez mais a cada momento que passava sem ver aqueles olhos cor de chocolate, sem ouvir sua voz, sem beijar os lábios com os quais sonhava secretamente desde o dia em que chegou a Storybrooke.
E foi isso que fez. Já que enlouqueceria sem a morena, pelo menos enlouqueceria sabendo o sabor de seu beijo.
Foi apenas quando seus lábios encontraram os de Regina que ela entendeu o real significado de loucura. Perdia todo e qualquer resquício de sanidade que tinha e não poderia se importar menos, daria toda sua lucidez em troca daquele momento.
Zelena acordou quando sentiu uma magia inexplicável passar por seu corpo, abriu os olhos a tempo de ver a luz se espalhar por toda floresta, olhou ao seu redor, ainda confusa com tamanho poder. Quando viu cena que ocorria alguns metros a sua frente, tudo foi explicado, o desespero finalmente levara Emma a admitir o que sentia e arriscar. Não pode deixar de sorrir, sua irmã estava certamente em boas mãos.
Magia do amor verdadeiro.
**SWANQUEEN IS ENDGAME**
— Eu sei que é difícil de entender, eu mesma demorei pra aceitar, ainda mais com tudo que já aconteceu entre todos nós. E se for parar pra pensar que eu estou apaixonada pela filha da minha enteada...
— Regina você não ta se ajudando.
— A questão é que eu amo a sua filha e tenho certeza que ela me ama também, então eu vim aqui resolver a única coisa que está impedindo o meu final feliz. O nosso final feliz.
— Emma não é do tipo que gosta que tratem da vida dela sem ela, Regina.
— Eu sei, mas estou disposta a arriscar que ela fique braba comigo por uns dias.
— Oque eu não entendo é por que ela mesma não veio nos contar toda essa história.
— Ela tem medo. Tem medo do que sente e tem medo de vocês. Acabou de reencontrar os pais, não quer perde-los novamente. Mas eu sei que vocês dois, mais do que ninguém, são capazes de perdoar e entender que o que eu sinto por ela é amor verdadeiro. Eu vim aqui na esperança de que nós pudéssemos deixar o passado pra trás.
Snow e Charming podiam sentir a sinceridade e o amor em tudo que Regina falava, eles acreditavam que as duas eram o final feliz uma da outra e mesmo com todos os problemas do passado eles não poderiam negar à filha a chance de amar. Além do mais, passado era passado, todos eles eram novas pessoas, principalmente Regina e no fundo todos sabiam que grande parte da mudança da rainha era por Emma.
Os dois sorriram abertamente e Regina sentiu o alívio em cada músculo do seu corpo, retribuindo o abraço de Snow.
— Bem vinda à família, Regina. De novo.
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