Say Something
2 Parker é uma ameba
Notas iniciais
POV Derek Parker
Cheguei em casa e o almoço já estava pronto, mas não estava com fome. Subi para o meu quarto e tomei um banho. Fiquei pensando em Olivia. Não entendo como uma pessoa pode ser tão insuportável, como ela pôde me tratar desse jeito? Mas se ela acha que vai ficar por isso mesmo, está enganada. Sim, eu cheguei um pouco atrasado na aula de história, pois entrei na secretaria para ver a ficha da garota misteriosa que tinha me enfrentado. Como ela pôde insinuar que eu trombei com ela de propósito? O pior de tudo é que ela é linda, com aqueles cabelos ruivos, aqueles olhos castanhos marcantes, mas oh menina chata e marrenta. Só eu posso ser assim naquele colégio. Tenho que pôr essa menina no lugar dela.
Depois do almoço, saí para me encontrar com meus amigos, Ethan, Matt e Jhulie. Ok, Jhulie é um pouco mais que minha amiga, mas não temos um relacionamento. Deus me livre ter um relacionamento sério com alguém. Dizem que Jhulie é apaixonada por mim. Azar o dela. Não fui feito para ficar preso à uma pessoa só, com tantas por aí dando mole.
—Não acredito que ela te esculachou no banheiro feminino – Exclamou Matt, exagerando nas risadas.
— Relaxa Matt, esse é só o começo. Vou ensinar a essa garota como se deve falar com o daddy aqui.
— E como você pretende fazer isso mesmo? – Pergunta Ethan, com descrença.
— Ainda não sei, mas não vou precisar fazer muito esforço, olha pra mim cara, eu sou irresistível. – Digo estufando o peito, com um sorriso presunçoso no rosto.
— Ai Parker, o que você viu nessa ruiva sem graça? — Perguntou Jhulie revirando os olhos.
— Porra Jhulie, ela é ruiva! — Disse Matt como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Talvez fosse. — Dizem que as ruivas são as melhores, se é que me entendem.
— Ah meu amor, pode ter certeza que eu sou muito melhor que ela. — Disse Jhulie sussurando em meu ouvido.
POV Olivia Harrison
— Liv, eu quero sorvete. — Choramingou meu irmão, Nicolas.
— Tem na cozinha, pega lá Nick.
— Ella disse que acabou. Compra pra mim, por favor.
— Nick, eu to cansada. – Choramingo. – Pede à Ella pra ir com você.
— Mas eu quero que você vá comigo, por favor irmãzinha. – Implora o pirralho.
— Ai tá, vamos lá comprar. — O que eu não faço por esse menino.
Troquei de roupa rapidamente e fui na praça aqui perto com ele para comprar o bendito sorvete. Peço um sorvete de morango pra ele, que eu detesto, e um de chocolate belga pra mim.
— Mas que surpresa maravilhosa, Olivia. — Essa voz. Não pode ser quem estou pensando. Olhei para trás para confirmar, e era ele mesmo. Derek Parker. Seus amigos imbecis começaram a rir.
— Pena que não posso dizer o mesmo, Derek. Vem Nick. – Puxo Nicolas pelo braço na intenção de ir embora.
— Fugindo de mim? – Pergunta com aquele sorriso no rosto. Como eu odeio esse sorriso. Tenho vontade de socar essa cara linda, sempre que ele exibe esse sorriso debochado.
— Por que eu fugiria de você?
— Talvez por que você tenha medo de não conseguir resistir.
— Nossa Derek, como você adivinhou? Eu realmente não consigo ficar perto de você nem um segundo que já tenho vontade de socar sua cara. – Dou uma risada falsa.
— Ria mesmo Olivia, mas quem ri por último... – Ele se aproxima de mim e sussurra no meu ouvido. – Ri melhor. – Não consigo ignorar a sensação que esse sussurro causa em mim. Trato logo de ignorá-la e vamos para casa. Fomos andando em silêncio, aquele infeliz não saia da minha cabeça.
“Quem ri por último, ri melhor”. O que esse insuportável quis dizer?
Olivia's house — 6:00 am
Meu despertador tocou e eu não estava com a mínima vontade de levantar. Mas nem tudo é como queremos. Levantei e fui logo para o banheiro. Tomei um banho quente e saí enrolada na toalha. Peguei qualquer roupa, não estava com paciência pra ficar escolhendo. Peguei uma calça preta, uma blusa regata branca comprida e um casaco azul. Calcei uma bota, peguei minha mochila e desci.
Pra variar, meu pai tinha saído cedo, sem nem me dar um bom dia, isso acontecia frequentemente, mas já estava acostumada. Ella tinha feito panquecas de chocolate, minhas preferidas. Comi rapidamente e saí. Peguei meu carro e dei partida.
Pátio do colégio — 6:52 am
Cheguei no colégio bem rápido, estacionei e me encontrei com Emma, que também tinha acabado de chegar. Fomos conversando sobre o meu "encontro" com Derek ontem à noite.
— Acho que ele está meio obcecado com você.
— Mas porque?
— Não é óbvio? Derek se acha um rei desse ligar, e você o afrontou.
— Ai, fala sério Emma, do jeito que você fala parece até que todo mundo abaixa a cabeça pra esse tosco aqui dentro.
— Se não acredita, é melhor olhar com os próprios olhos. – Emma diz, e aponta para a entrada, pois Derek estava acabando de chegar.
E eu não pude acreditar no que vi. Realmente, todos se intimidavam com sua presença, abaixando a cabeça e evitando fazer contato visual. Somente uns amigos e conhecidos dele o cumprimentavam. Que nojo desse mauricinho.
— Emma, eu prefiro morrer à abaixar a cabeça para esse filhote de pônei maldito. – Emma cai na gargalhada, o que acaba chamando a atenção de pessoas indesejáveis.
— Bom dia meninas. – Cumprimenta o indivíduo com um ser ao lado. Suponho que esse seja o tal Ethan.
— Bom só se for pra você – Rebato com a maior cara de tédio.
— Sempre de mau humor, impressionante. – Comenta Parker com o típico sorrisinho.
— Impressionante mesmo era meu humor estar excelente antes de você chegar. Que coisa não? Vamos, Emma? – Saio puxando Emma sem esperar por uma resposta e nos encaminhamos para a sala.
— Ai, ele é tão lindo. – Exclama Emma com uma cara de boba apaixonada. Mas, pera aí? Ela falou que aquele garoto é lindo? Tudo bem, ele pode ser bonitinho, mas nem é isso tudo. Além disso, a personalidade desse tosco apaga qualquer resquício de beleza que ele pode ter.
— Lindo? Ficou maluca Emma? Chamar aquele sonso do Parker de lindo? Ele nem é isso tudo.
— O Derek é lindo sim, mas eu nem estava falando dele. Estava falando do Ethan. Tão lindo, tão fofo. Viu o sorriso dele? É a coisa mais linda, me derreto toda. E o cabelo... – E Emma não parava de falar daquele garoto que eu sinceramente mal tinha reparado. Ai, o amor...
Aula de biologia – 7:00 am
Estávamos conversando esperando pelo professor, que estava atrasado, mas fomos interrompidas por Parker e seu grupo.
— Tem problema se sentarmos aqui? — Pergunta o idiota, debochando.
— Meu nome não está na cadeira. — Rebato e eles apenas riem e se sentam. Ethan puxa assunto com Emma, que nem gosta, e eu fico sobrando. Maravilha.
— Pensativa Harrison?
— Não te interessa.
— Mas pra que tanta grosseria, estou apenas tentando ser educado.
— Não tente.
— Você é sempre insuportável assim?
— Quase sempre. — Dei meu melhor sorriso debochado para ele e encerrei a conversa.
Cantina do colégio – 10:20 am
Passar quatro tempos aturando o encosto do Parker não é para qualquer um, mas eu sobrevivi. Achei que ,pelo menos, no intervalo eu teria um pouco de paz, só achei mesmo. O grupinho maravilha ficou nos rodeando o intervalo inteiro também, igual uma cadela no cio. O que eu fiz para merecer isso?
— Seu cabelo é ruivo natural mesmo? – Pergunta um dos seres pra mim, nem sei qual é o nome dele.
— É. – Respondo curto e grossa.
— Seus seios são naturais também, ou você colocou silicone? – Não preciso nem dizer quem perguntou né? Preciso? Tá, foi o cara de pau do Parker. Os amiguinhos dele tentaram disfarçar o riso, mas foi em vão.
— Não sei se reparou, Parker, mas eu estou tentando comer, você poderia deixar de ser indigesto só por cinco minutos, por favor? – Pergunto, dessa vez sem sorrisos.
— Você não perde essa mania de ficar me respondendo, não é mesmo?
— Ai, mil desculpas, estou falando com o presidente e não sabia?
— Tá tudo bem, Olivia, daqui a alguns dias, você vai estar me chamando de daddy mesmo, por vontade própria, e digo mais: não só vai estar me chamando de daddy, como estará gemendo. – Ele diz na maior cara de pau, e seus amigos caem na gargalhada. Minhas bochecas devem estar vermelhas de tanta raiva. Eu quero matá-lo, mas por enquanto isso está fora de cogitação. Mas se ele acha que eu vou respeitá-lo como o rei desse colégio, vou prová-lo que ele está errado. E resolvo fazer isso despejando o meu delicioso suco de uva nele. Talvez mais tarde eu me arrependa disso, esse suco realmente estava muito bom. Mas nesse momento ele me foi muito útil. Ver o cabelo desse insuportável encharcado de suco, me deu uma ótima sensação. Melhor ainda foi ver o cabelo pingando e molhando sua camisa branquinha.
— Ótima escolha de roupa para vir hoje, querido Parker. Combinou direitinho com o roxo do suco. – Falo e dou uma risada estrondosa, o que chama ainda mais a atenção para a nossa mesa.
— Garota, você ficou louca? – Ele grita, se levantando e tirando a camisa rapidamente. Ok, eu não contava com isso. Seu corpo é realmente muito bonito. Foco Olivia.
— Acho que eu sempre fui, afinal, uma plebeia como eu, desafiar o grande Rei Derek dessa forma? Eu devo ter alguns parafusos à menos mesmo. – Digo exalando sarcasmo.
— Você vai me pagar. – Diz ele pausadamente, com sua voz carregada de raiva. Que medo dele.
— Posso te fazer um cheque? Não trouxe muito dinheiro hoje. – Exibo meu sorriso sarcástico e e ele sai da cantina a passos largos. O amigo dele que não faço ideia do nome, vai atrás, enquanto Ethan fica com a gente.
— Tá fazendo o que aqui? Vai lá com seu amiguinho, ele pode precisar de ajuda para refazer a chapinha. – Eu realmente tenho a língua solta, mas quem disse que eu ligo? Ethan, ao contrário do que eu esperava, apenas sorriu e disse:
— Acho que ele sabe fazer uma sozinho. – Ele diz, olha para Emma, e sorri. O sorriso dele é realmente muito bonito, e Emma deve ter se derretido por dentro depois disso.
Olivia’s house – 6:23 pm
Estava no meu quarto fazendo maratona de séries quando meu celular vibra, indicando que chegou uma mensagem, e era de Emma.
“6:23— Vai na festa do Parker amanhã?”
“6:24 — Nem me paguem. Até porque, depois de hoje, acho que ele não me convida nem pra ir à esquina. Ainda bem.”
“6:24 – Amiga, quanto à isso você não precisa se preocupar, por que a festa é aberta pra quem quiser ir.”
“6:25 – Minhas séries e meu edredom são companhias muito melhores do que toda aquela gente suada, se esfregando uns nos outros na frente de todo mundo. Dispenso”.
“6:26 – Liv, vamos, por favoooor. Eu nunca fui à essas festas, é minha oportunidade.”
“6:26 – Oportunidade de que? De pegar o Ethan? Ai Emma, me economiza né? Você terá muitas oportunidades para fazer isso, sem ser em uma casa lotada de gente descerebrada.”
“6:28 – Escuta aqui, Olivia Harrison, amanhã, vou passar aí às 8:10 da noite, e vou te carregar, sem me importar se você estiver com um vestido de gala ou de pijama. Está avisada.”
“6:29 – Affff, ok, eu vou, mas se eu matar aquele inútil do Parker, a culpa será totalmente sua. Está avisada.”
Ela me manda um sinal de positivo e encerramos a conversa. Resolvo pedir comida japonesa, já que estou sozinha e Ella teve um compromisso, e, bem, eu meio que sou um desastre na cozinha. Tirando a parte de que comida japonesa é a minha comida favorita, claro. Enquanto espero, vejo mais um episódio de Skam, minha nova série favorita. O mundo inteiro deveria assisti-la, de tão boa que ela é. Mas a comida não demora muito, e logo a campainha toca. Pago o entregador e subo correndo para o quarto para me acabar com essa delícia.
Olivia’s House – 6:46 am
Odeio estar atrasada, acabei ficando assistindo série até tarde e dormi mais do que deveria. Fui acordada aos gritos por Ella. Não sei o que seria de mim sem essa mulher. Neste momento estou engolindo o meu café da manhã o mais rápido que posso, quase nem mastigo. Termino de comer, escovo os dentes e já estou pronta para sair correndo quando Ella me para e me entrega uma carta.
— Estava na caixa do correio ontem, é para você querida.
— Ahn, pra mim? – Pergunto meio desacreditada. Pleno século XXI, 2017, quem me mandaria carta? – Abro quando chegar no colégio, tenho que correr Ella, até depois. – Dou um beijo em sua bochecha e saio correndo, literalmente.
Chego no colégio exatamente 6:57, eu realmente tenho muita sorte. Não vejo Emma no pátio então, pela hora, suponho que já tenha entrado, então entro também. O único assunto comentado nos corredores é a festa que o idiota vai dar, não consigo entender tamanha animação, é apenas uma festa, até parece que esse povo já não foram à várias.
Me encaminho para a sala à tempo da aula começar e me sento ao lado de Emma. Nos cumprimentamos e resolvemos prestar atenção no professor. Fico tentada à abrir a tal carta, estou tão curiosa, mas é melhor deixar para o intervalo.
A aula de biologia pra variar foi um tédio. Céus, eu odeio tanto essa matéria, nunca consigo entender nada. Acho que nasci para ser de exatas mesmo. Depois de viajar na aula de Biologia, tinha aula de química no laboratório. Esse dia está prometendo mesmo.
Depois de irmos ao banheiro, eu e Emma seguimos para o laboratório, e Parker já estava sentado, me esperando. O que é uma coisa incrível, vamos combinar, Derek Parker chegar na sala antes do horário deve ser raridade. Me sento ao lado dele sem dar nem uma palavra, espero que ele entenda que eu não quero assunto.
A aula começa sem delongas, nos vestimos adequadamente e prestamos atenção na professora, que explicava o que tínhamos que fazer. Não entendo muita coisa de química, mas entendi que estávamos trabalhando as misturas. Ela deixou as anotações do que deveríamos fazer no quadro e começamos a trabalhar. Coloquei ½ de um líquido no recipiente maior, e Derek deveria colocar ¼ do outro componente, mas esse idiota além de ser surdo, não sabe ler, não é possível. Ele colocou quase o componente inteiro naquela joça.
— Você é doente? Olha o que você fez! – Exclamo, com a raiva evidente. Como eu queria esmagar o rosto desse garoto.
— Opa, acho que li errado. – É o que ele diz, apenas. E ainda ri.
De repente, aquela mistura começa a borbulhar e fazer uns barulhos estranhos, e a nossa única reação é abaixar. Ainda bem que fizemos isso, pois aquele troço explode. Sim, explode. Junto com a minha nota. Tudo culpa desse energúmeno, como eu o detesto.
— Está tudo bem com vocês? – A professora vem até nós, preocupada. – O que vocês fizeram?
— Estamos bem, só cometemos um erro na medida de um dos componentes. – Ele explica e olha para a minha cara. Espera aí, nós? Esse sonso quer mesmo me culpar também?
— Nós? Você só pode estar de brincadeira. – Exclamo, sem controlar minha raiva. – Professora, essa ameba que não prestou atenção em nada e colocou a quantidade errada. – Digo, dirigindo um olhar mortal à ele.
— Tudo bem gente, vamos nos acalmar, ofensas não vão ajudar em nada. – Diz a professora olhando para mim. – Vocês dois estão dispensados, e peço que vão para a enfermaria, para checar se está tudo bem mesmo.
Nós apenas concordamos. Pego minha mochila bufando de ódio e saio, sem esperar pela florzinha do Parker. Nem vou para a enfermaria, apenas fico sentada no chão do corredor, esperando bater o sinal para o intervalo.
Já que não estou fazendo nada, graças ao Parker, resolvo abrir a tal carta que recebi ontem à noite. É um envelope mediano, branco. O endereço de remetente é de Nova York, que estranho.
"Oi filha, como está? Sei que não entro em contato desde que... fui embora. Mas tive meus motivos. Resolvi te escrever essa carta porque estou voltando para Boston e estou louca para te ver, estou morrendo de saudade de você, Liv. Devo chegar semana que vem, podemos marcar de nos encontrar para tomar um café, ou qualquer coisa. Meu celular é X-XXX-XXX-XXXX, por favor, entre em contato comigo para marcarmos. Beijos de sua mãe, Grace."
Ridícula, é isso que ela é. Como tem coragem de mandar uma carta depois de malditos 7 anos? E o pior é que ela age como se nada tivesse acontecido. Sem perceber, lágrimas rolam pelo meu rosto, mas lágrimas de raiva, de indignação. Escuto passos no corredor e trato logo de limpá-las, não gosto que ninguém me veja chorando. Dobro a carta e guardo na mochila na mesma hora que o insuportável senta ao meu lado.
— Tá tudo bem? Estava chorando? – Pergunta ele, um pouco preocupado, talvez?
— Não vejo como isso pode ser da sua conta. – Respondo. Desde quando ele se preocupa comigo?
— Nossa garota, também não precisa ser grossa. – Diz ele, na defensiva. Isso é de mais para mim.
— Não precisa ser grossa? Ah, faça-me o favor, Parker. Você foi grosso comigo desde que eu coloquei os pés nesse colégio. Não seja ridículo. – Resolvo me levantar e ir andando para a cantina, daqui a pouco o sinal vai bater mesmo. Esse garoto deve possuir algum problema mental, não é possível.
Depois de comer, eu e Emma ficamos conversando durante uns minutos com Ethan. O garoto até que é legal, mas tinha que andar com aquele traste?
— Você vai na festa hoje à noite Emma? – Pergunta ele, claramente com segundas intenções.
— Vou sim, nós duas vamos, não é Liv? – Ela me pergunta e eu apenas confirmo com a cabeça.
— Você vai Olivia? – Pergunta Ethan, um pouco surpreso. – Não imaginava te ver por lá.
— Não pretendia, mas essa chata aí meio que não me deu muitas alternativas.
— Na verdade, eu não dei alternativa nenhuma. – Nós rimos. – E chata é você, que fica trancada em casa vendo série. Tem que socializar, Olivia.
— Com esse bando de descerebrados? Dispenso.
Continuamos a conversar durante uns minutos, até que Ethan se despede para ir atrás do amiguinho. Santa paciência.
Olivia’s House – 2:32 pm
Depois de um dia estressante no colégio, tudo o que eu quero, depois de almoçar, claro, é dormir a tarde inteira. Se possível, dormir até amanhã. Nicolas vai ficar no colégio em tempo integral hoje, e meu pai, sem comentários. Ella nem parece que está em casa, de tão silenciosa que é. Ligo o meu ar condicionado, tiro o som do celular, e me enrolo no edredom. Isso sim é o paraíso.
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