Say Something
1 Say Something.
Notas iniciais
O amor não é algo bom.
É cruel, irracional e confuso. É esmagador, exigente e ordinário. É esperançoso, desesperador e humilhante. Mentiroso. Manipulador. Ele faz com que você faça coisas que uma vez disse a si mesmo que nunca faria, ele faz você desistir de si mesmo apenas para agradar a pessoa com que ele se tornou obsessivo por. É egoísta, infantil e desumano. Esse é o amor.
Um sentimento agradável superficialmente, mas que esconde o que realmente é utilizando uma capa. Uma capa impenetrável e inquebrável.
Ele é um sanguessuga do pior tipo. Ele toma tudo pra si; seus pensamentos, suas ações, seu coração e até mesmo sua alma. Ele se aproveita da maior fraqueza do ser humano e utiliza isso para se alimentar e se manter vivo.
O ser humano não é uma ilha.
Ele incapaz de viver sozinho.
Completamente dependente.
E é aí que o amor se aproveita. Um perfeito manipulador filho da puta. Que usa e usa você até que não consiga pensar em mais nada, até que seus sentidos e seus sentimentos fiquem tão perturbados, que tudo que você pode fazer depois é chorar. Chorar e sentir sua mente ser quebrada em milhões de pedaços, quando enfim ele decidi acabar com todo seu encanto e mostrar sua verdadeira cara.
E sabe o que é pior?
É que mesmo depois de tudo, ele não vai embora. Ele fica com você até o final para apreciar cada momento de seu desespero, para vê com seus próprios olhos seu trabalho bem feito. Para rir em voz alta assistindo você quebrar lentamente, envolta completamente em sua própria dor.
Oh, sim.
Sakura odiava o amor.
____
– Isso é o suficiente, Sakura. – Ele havia lhe dito, sem nem ao menos se dar ao trabalho de olhar em seus olhos em tudo. Ela sempre havia pensado nele como uma pessoa fria, mas, nesse momento, fria parecia ser uma palavra leve. Porém, ela não sabia qualquer uma que poderia se encaixar melhor na situação.
Todos haviam lhe dito. Todos haviam lhe avisado que algo assim aconteceria um dia. Ela própria sabia que essa cena acabaria chegando em breve. Porque desde início todo esse amor havia sido completamente unilateral.
Ela não era idiota.
Por isso, sempre soube.
Que ele jamais a amou.
– Acabamos por aqui.
E essas últimas palavras não doeram tanto como ela imaginou que doeria. Talvez, porque Sakura já sabia que elas viriam. Talvez, porque ela já tivesse sofrido por antecipação. Ela havia visto calmamente sua relação definhar ao longo do caminho completamente impotente, porque não havia nada que ela pudesse ter feito.
Porque seja lá o que fosse que havia feito Sasuke finalmente olhar para ela, havia finalmente indo embora. Teria sido pena? Ou apenas o momento na vida em que o moreno precisava que alguém estivesse lá? Qualquer uma teria servido se não tivesse sido ela?
Por que?
Por que ele a escolheu?
Ela nunca saberia a resposta.
O moreno acariciou seus fios rosa, por uma última vez, antes de finalmente se virar e sair. Sem Sakura nem ao menos dizer seu último adeus.
Ela não disse nada.
Ela apenas o deixou ir.
Então, seus joelhos finalmente cederam e a mulher finalmente chorou. Ela se sentiu como se estivesse sendo sufocada. Como se estivesse morrendo. Lentamente.
E, em algum momento, mergulhada em sua dor, ela pensou ter ouvido uma doce e satisfeita risada.
A Haruno riu provando o gosto de suas próprias lágrimas.
Porque o amor finalmente havia lhe mostrado sua cara.
E, então, ela sabia que ele não faria de sua dor uma espécie de ciclo. Ela não se apaixonaria de novo e cometeria os mesmos erros novamente.
Porque um “novamente” nunca existiria.
Sempre havia sido ele.
Apenas ele.
E nunca existiria ou surgiria mais ninguém.
Hahaha.
Sakura realmente odiava o amor.
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