Notas iniciais
Desculpe qualquer erro, mas escrevi esse texto no meio do transito, quase morri atropelada, e expulsa da sala de aula, porque não prestava atenção na explicação da minha professora. Já falei demais... Boa leitura.

Pegou a mão da esposa e a guiou até um dos banquinhos conservados da praça. O céu estava em um azul quase vivo, as poucas nuvens formavam desenhos abstratos no mesmo, e mais à cima o sol brilhava tão intensamente, preste a assistir o que aconteceria ali.

Ouvia-se o cantar dos pássaros e zumbir do vento fraco. Por um momento, ele sentiu-se vivo… Sentiu-se respirando. Seu coração bateu tão forte ao ver nos lábios da esposa um sorriso brotar após tantas lágrimas.

Ela por sua vez observava as crianças brincando tão intensamente, não se importavam de estar sujando suas roupinhas de areia ou grama. Queriam apenas se divertir, sem se preocupar com hora, tempo e saúde.

Suspirou alto e longo, virando-se para o marido debilitado e com a respiração descompensada. Um foco de esperança brotou em seu interior ao vê-lo sorrindo.

- Sabe o que vai acontecer amanhã… Não é mesmo?!- Acariciou suavemente a face da mulher.

- Sim- Mordeu o lábio inferior, contendo o possível choro.- Mas porque trouxe-me aqui?

- Eu não sei querida, apenas queria ver pessoas diferentes e passar um tempo a sós com você!

A mulher desviou os olhos do marido e colocou-se a observar uma árvore ao fundo, onde o vento fazia suas folhas voarem. Era outono.

- Sei que está difícil…- Continuou o marido- Recuso aceitar que chegamos a essa situação. E odeio vê-la preocupada. Porém hoje em dia é isto que ando fazendo, não é?- Ela abriu a boca para protestar, mas o marido continuou- Todas as noites velando meu sono, mas assistindo dormir. Queria ter me casado com você em outros tempos.

- Outros tempos?- O olhou atentamente.

Os olhos que lhe encantou, do verde quase castanho. agora opacos e sem vida. Os cabelos negros e desarrumados, a pele alva, agora ressecada. Tempos atrás, quando o conheceu não imaginava o que passariam juntos.

- Quando meus problemas não existia. Teria lhe feito feliz.

- Mas você me fez feliz e ainda faz.

- Não vejo isso, apenas lhe trouxe dor e sofrimento.

- Está mentindo.

- Meu anjo…- O marido olhou para a mulher desolado, estava cansado demais para argumentar, ele sabia a dor que lhe causava vê-lo tão doente, e não poder fazer nada.- Sorria para mim!- Pediu a vendo corar.

- O quê?

- Sorria…- Sussurrou e então ela sorriu largamente.- Quero levar essa imagem comigo.

A mulher sentiu os olhos arderem, segundos depois as lágrimas desciam por teu rosto. Ela finalmente o entendeu, e se soubesse o por que dele tê-la levado até aquela praça aquela tarde, não o teria permitido.

- Está se despedindo.- Disse tão baixo, tendo quase certeza que o marido não lhe ouviu, porém o homem assentiu, fazendo lhe o coração disparar.

- Não estarei aqui amanhã.

- Não… Eu lhe proíbo de se despedir.- Quase gritou.

- É mais fácil assim querida!

- Você não irá morrer.- A mulher chorava copiosamente.

- Estou cansado amor.- Puxou a esposa para um abraço apertado, passando-lhe confiança- Vou estar com você!

- Mas eu te quero de verdade, poder segurar sua mão, lhe ver sorrindo.- Sussurrou.

- Estarei com você!- Repetiu- Nunca lhe deixarei.

- Não quero que se vá, eu te amo…

- Querida, entenda… Estou lutando contra isso e sobrevivendo todos os dias por você!

Sentiu uma pontada em teu peito ao ouvir as palavras do marido. Estava sendo egoísmo da sua parte pedir para o marido viver, ele mesmo já havia desistido disso.

Respirou fundo, considerando e logo assentiu.

- Minha vida não será a mesma sem você!- Sussurrou.

- Vou estar contigo mesmo que não me veja.

O homem começou a enxugar as lágrimas do rosto da mulher.

- Por favor… Quando eu partir, não desista. Continue… Eu estarei com você todas as noites.

- Não…- Sussurrou, negaria até o fim, não queria perde-lo.

- Continue olhando as estrelas, como fazemos todas as madrugadas, não estarei com você, mas esterei entre elas. Okay?

A mulher assentiu e com todas suas forças segurou as lágrimas dando um beijo nos lábios do marido… Teria de aprender viver sem ele, e essa era a parte mais terrível. Se tivesse chances daria teus dias para faze-lo eterno, e apenas dela…

Notas finais
Pra quem leu, obrigada. Como disse, esse texto é muito pessoal, foi difícil demais arrumar coragem para postá-lo, porém precisava, já que é uma promessa. Obrigada novamente.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!