Notas iniciais
Bom, agradecer a todas os reviews e a linda da Mari por ter betado esse caps!!!
Vlw amor!
Bora lá ler???

Rebbeca sorriu ao ver o esposo falando sozinho enquanto confirmava que tinha pego tudo para mais um dia de trabalho. Eric resmungava colocando tudo em uma pasta que ele tinha ganhado de Rebbeca. No começo ele fez cara feia e disse que em nada aquela bolsa – que mais parecia feminina – combinava com ele.

– Está tudo perfeito, amor. Vem tomar café.

– Eu tenho uma reunião hoje. Vou ter que saber como realmente anda a nossa situação, ou melhor, a situação da minha mãe. Não sei o que o Billy pode ter feito na frente daquela empresa esses anos todos. – Suspirou e caminhou em direção da esposa. – Eu ainda me sinto culpado por ter demorado tanto para contar para a minha mãe a verdade.

– Não foi culpa sua. Você passou por muitos problemas nessa vida, não se culpe.

Eric a abraçou sorrindo para esposa. Depois de tanto tempo morando na rua enquanto Rebbeca estava em coma em um hospital, ele finalmente sentia-se feliz. Mesmo sabendo que sua mãe estava um pouco triste, mas ela logo superaria isso.

– Você está meio radiante. – Eric olhou o brilho nos olhos da esposa. – Você fez algo de diferente no cabelo ou uma maquiagem diferente?

– Não. – Rebbeca o cortou servindo café para ele. – Agora toma café se não você vai se atrasar. E preciso frisar que você está um tesão com esse terno.

– Eu tenho alguns minutos, baby, antes de ter que trabalhar. Está a fim de me desejar uma boa sorte?

Rebbeca mordeu o lábio soltando a cafeteira que tinha nas mãos. Sentindo o esposo lhe seguindo ela foi tirando peça por peça ouvindo a respiração de Eric começar a ficar agitada.


XxXx


A porta do elevador abriu revelando um Eric nervoso. Ele não sabia se estava indo entrar na cova dos leões, afinal, todos eram empregados de Billy, e julgando que o caráter do homem não era um dos melhores, podia jurar que ele estava cercado de pessoas também sem caráter.

– Bom dia. – Ele cumprimentou a bela loira que ele sabia que era sua assistente. Rebbeca ainda não sabia desse detalhe, e era melhor não ficar sabendo no momento.

– Bom dia senhor Black.

– Pelo amor de Deus, só me chame de Eric. – Ela maneou a cabeça deixando claro que tinha entendido.

– Os relatórios que o senhor me pediu estão sobre sua mesa, se precisar de ajuda para analisa-los antes da reunião, pode contar comigo.

– Obrigado senhorita Lane. Creio que irei precisar sim de sua ajuda. Você trabalhou com o meu pai, e a ajuda será bem-vinda.

– Quando o senhor terminar de se instalar é só me chamar. – Eric acenou e seguiu para sala.

Ainda não tinha se acostumado com aquela nova rotina de acordar cedo e ir para o escritório, mas depois do pedido da mãe não tinha como dizer não. Era formado, tinha tanto potencial quanto Billy um dia teve para dirigir aquela empresa. Sabia que não poderia contar nunca com Jacob, não porque o irmão mais velho negaria ajuda, e sim, porque ele seguiu uma carreira totalmente diferente da de Eric. Ele estava sozinho ali.

Fechou a porta atrás de si e depositou a bolsa sobre a mesa. Um computador, uma parede de vidro dando visão de prédios e mais prédios atrás dele e uma cadeira que pareceu bem confortável quando ele se sentou. Olhou para as pilhas de papéis que estavam sobre a sua mesa. Teria um grande trabalho pela frente antes da reunião com os acionistas.

Era bom começar logo.

– Lane. – A voz da sua assistente ecoou do outro lado da linha.

– Estou começando, pode vir me ajudar.

– Estou aí em um segundo.

E estava mesmo. E não negou trabalho. Eric ficou impressionado com a quantidade de informação que ela sabia que não estavam listadas na ata de finanças da empresa. Billy estava desviando dinheiro, bastava saber para onde. Não duvidava que o pai tivesse alguma conta na Suíça ou nas Ilhas Canárias.

– E esse desconto aqui, Lane? – Eric olhou para a quantidade de dinheiro que tinha sido descontada.

– Que desconto e em que valor?

– Mais de quinze mil reais. Ou melhor, três parcelas de quinze mil reais no nome de Matt Killer quem é esse homem? Ele trabalha aqui, é algum investidor?

– Eu não sabia nem da existência desse papel. Que pasta é essa?

– A vermelha. – Eric respondeu pegando mais papeis, confirmando que não eram somente três parcelas, e sim varias. E todo mês. Como se o cara estivesse extorquindo o Billy.

– Essa vermelha são papeis pessoais do seu pai, eu nem sabia que ela estava aí. Ele andava com ela para cima e para baixo.

Eric vasculhou mais e finalmente encontrou o endereço do homem. Ele morava em um bairro na periferia. O que era estranho contando a quantidade de dinheiro que ele recebia por mês de Billy Black.

– Quanto tempo temos até a reunião, Lane?

– Algumas horas.

Eric ficou de pé pegando a pasta vermelha e tudo que estava dentro dela. Arrumou a bolsa e pegou as chaves do carro.

– Eu preciso que você me faça um favor. Quero que você continue analisando tudo, se eu não chegar a tempo da reunião, eu preciso que você a cancele. Invente qualquer desculpa, mas cancele. E seu eu não der notícias em algumas horas, você liga para esse número. – Entregou um cartão com o número de Jacob. – Da endereço para ele. – Ele pegou um papel escrevendo o endereço do tal Matt Killer. – Pode fazer isso?

– Claro que sim, senhor. Mas porque eu acho que isso é um grande problema?

– Porque é. – Ele pegou tudo e saiu pela porta do escritório. Se Billy estava pagando aquele cara todo mês, ou o homem estava o chantageando, ou tinha algo de mais obscuro em toda aquela história.


XxXx


O endereço estava mais do que certo. Era mesmo na periferia, mas a casa não era de se jogar fora. Era uma das melhores que tinha nas redondezas, e julgando pelo carro importado que estava na garagem, Eric sabia que estava no local certo. Estacionou o carro em frente à casa e desceu. Levando a pasta consigo e apertando o celular no bolso da calça. Subiu as escadas que dava acesso a casa e apertou a campainha. Não foi preciso uma segunda vez. Um homem ruivo, cabelos curtos, olhos azuis e algumas pintinhas na face atendeu a porta. Ele era menor do que Eric alguns centímetros, o que deixou Eric realmente feliz.

– Pois não? – Ele tinha a testa franzida o que fez Eric pensar que ele podia estar o achando semelhante a Billy Black, e ele se aproveitaria disso.

– Matt Killer?

– Sim.

– Bom dia Matt, me chamou Eric Black, e estou a mando de Billy Black aqui.

Matt pareceu dar uma relaxada com a pronuncia do sobrenome, arriscou até mesmo um sorriso.

– O velho Black já me pagou esse mês, ele deve querer mesmo é outro serviço não é? O que tenho que fazer dessa vez? – Eric engoliu em seco. Não podia mostrar que aquelas palavras tinham feito mal a ele.

– Na realidade o meu pai quer lhe propor um melhor acordo, será que poderíamos conversar?

Matt deu espaço para Eric e o moreno entrou. Vendo que a casa era tão bem equipada quanto por fora. Billy estava sustentando aquele homem, e ele estava indo descobrir por que.

– Algo para beber?

– Não, obrigado. – Eric negou pegando o acento mais próximo da porta. Claro que sabia que se o homem desconfiasse que ele estivesse mentindo, ele poderia não sair vivo de tudo aquilo, mas pensar que poderia ter uma rota de fuga o deixava mais calmo. – Matt Killer, essas assinaturas são suas? Aqui nesses cheques?

Matt analisou os papéis por alguns segundos. – São todas minhas, mas o porquê da pergunta? E o que aconteceu com o... O que ele é seu?

– Meu pai. – Aquelas palavras saíram com nojo, Matt percebeu porque sorriu.

– O homem é desprezível mesmo, eu entendo o seu nojo por ele, mas se você o odeia tanto, o que você está fazendo aqui?

– Eu preciso de um serviço, e mesmo o meu pai sendo desprezível, ele é o meu pai e disse que podia me ajudar. Indicou-me você e disse que eu viesse conversar melhor com você. Só achou que você iria propor outro acordo, quero saber se posso pagar, afinal, não sou tão rico quanto o meu pai.

– Contrato? Eu não tenho contrato com o seu pai, tudo que eu ganho, ele me dá para que eu não abra o meu bico. Não estou disposto à cobrar mais nada do que já está aí. Eu posso fazer o serviço sem receber mais nada. Seu pai me ajudou muito. Eu tenho a melhor oficina na cidade e estou abrindo à segunda. – Matt sorriu orgulhoso. – E tudo isso para mexer em um caso e fazer com que ele parasse de funcionar. Qual é o serviço?

– No carro de quem você mexeu para o meu pai?

Matt deu de ombros. – Eu não me lembro do nome direito do homem, acho que é algo parecido com.. Edgar.

– Edward?

– Isso. – Matt sorriu batendo na cocha. – Faz tanto tempo que eu nem me lembro do nome do homem. Esse mesmo, Edward. Eu me lembro que uma mulher trouxe o carro desse homem na minha oficina. Eu tive somente que mexer em algumas coisas e ganhei o dinheiro mais fácil que já tive nessa vida. O dinheiro que mudou tudo que um dia eu conheci. Mas Billy disse que eu não podia contar nada para ninguém. Eu disse que não contaria, mas mesmo assim ele falou que me pagaria se eu fosse confidente e sempre que ele precisasse de mim eu o atendesse.

– Ele lhe contratou outras vezes?

– Andou conversando comigo um tempo atrás, algo relacionado a uma menina que ele não gostava, mas ele sumiu e deixou tudo assim por alto.

O nome de Renesmee gritou na cabeça de Eric, Billy estava planejando a morte de Renesmee, já que a primeira vez não tinha dado certo.

– Você sabia que o Edward morreu? – Matt parou de rir. Os olhos azuis ficaram ligeiramente abertos.

– Como?

– Edward Cullen, foi o nome do homem que você matou.

Matt ficou em pé, olhando Eric ainda mais assustado.

– Eu não matei ninguém. Billy disse que ele precisava do carro para algo na empresa dele.

– Você disse que o carro era do Edward, como agora ele foi parar empresa do meu pai?

– Eu não sei. – Matt apertou os cabelos. – O que você está fazendo aqui? – Eric ficou de pé, encarando o ruivo em sua frente.

– Você acabou de confessar o que eu queria. Que Billy estava envolvido na morte de um homem, o qual você foi cúmplice. Você sabe o que vai acontecer agora? Eu vou denunciar o meu pai e você. E julgando que Billy tenha dinheiro, a corda vai arrebentar para o lado mais fraco. O seu. – Ele apontou para o peito de Matt. – Você será julgado, e acusado pela morte de Edward Cullen.

– Eu não sabia! Eu só fiz o que seu pai me pediu. – Matt olhou para outro lado da sala. – Eu posso lhe calar sabia?

– Acha mesmo que eu vim aqui sozinho? Sem que ninguém saiba que eu estou aqui com você? – Eric sorriu. As mãos estavam tremendo, mas ele não podia deixar que Matt visse isso. – Estão todos cientes de onde eu estou. Se algo acontecer comigo você não estará respondendo por uma morte, mas por duas. Mas eu posso lhe ajudar. Basta você falar que sim.

Matt andou de um lado a outro a sala. Eric não demostrou o quão nervoso ele estava. E pareceu surtir efeito. Matt sentou com os olhos cheios de lágrimas mirando Eric com um pouco de raiva.

– O que você pode fazer para me ajudar? – Eric sentou de frente para Matt e sorriu.

– Não posso lhe livrar da prisão, pois a partir do momento que pegarem o Billy ele irá jogar a culpa sobre você. Mas se você jogar a culpa nele primeiro e ainda contar tudo que você sabe. Digo tudo mesmo, sem esconder nada, você estará colaborando. E julgando – que seja verdade – que você não sabia que era mesmo para matar Edward Cullen você tem chances de pegar uma pena leve. Isso e o fato de que eu estou indo lhe arrumar o melhor advogado que tem na cidade.

Matt apertou o rosto sobre as mãos. Eric sabia que ele estava chorando e sentiu um pouco de pena. Billy era um filho da puta que destruía a vida de tudo e todos em sua volta. Aquele homem tinha que começar a pagar por todo mal que fez.

– Eu aceito.


XxXx


Eric observou o pai passar pela porta de entrada do hotel luxuoso que ele estava hospedado. Ele nunca teve dinheiro, tudo que um dia ele julgou ou errou em dizer que era dele, era mesmo de Sarah. Agora como ele estava mantendo-se naquele hotel? E até mesmo pagando Matt? A suspeitas de que tinha dinheiro desviado aumentaram. Eric desceu do carro. Estava cheirando a prisão. Isso se delegacia tivesse mesmo algum cheiro. Tinha passado quase a tarde toda na delegacia com Matt e o advogado que ele tinha arrumado para ele. Não mentiu, era o melhor da cidade. Era o mesmo advogado da empresa. Ou melhor, o novo advogado da empresa, pois ele estaria indo demitir o antigo. Não queria ninguém que tinha vínculo com Billy em sua volta.

Como ele pensou Matt ficou detido, mas por ter se entregado e cooperado com a polícia, o delegado confirmou que ele estaria pegando uma pena menor por isso.

Eric atravessou a rua e seguiu para o lobby do hotel, indo em direção da recepcionista que sorriu quando lhe viu.

– Por favor, eu gostaria de ir ao quarto do senhor Billy Black. Eu não sei o número, mas me chamo Eric Black, e sou o filho dele. Poderia dizer que é urgente?

Recepcionista fez a chamada. Falou baixo para que Eric não escutasse o que ela estava falando com o Billy.

– Ele disse que está descendo. – Eric acenou e andou para perto do elevador. Queria pegar Billy no momento em que ele saísse dali de dentro.

A porta do elevador abriu e Eric sorriu quando viu o pai descer do mesmo e parar na sua frente com aquela mesmo expressão de dono do mundo. Pena que o mundo dele estava começando a cair, o legal era que ele não sabia.

– O que foi? A recepcionista disse que você falou que era urgente?

– Depende de quanto urgente você ache o fato que você será preso.

Billy sorriu olhando Eric de cima à baixo. – Pelo terno, você estava na empresa. Qual foi a descoberta? Que eu fui esperto? Que eu tenho dinheiro de sobra para não precisar ter que aguentar mais a sua mãe?

Eric deu dois passos para frente. Ficando cara a cara com o homem que um dia ele chamou de pai e admirou por isso. Agora tudo que ele sentia quando olhava Billy era uma raiva enorme.

– Não fale da minha mãe, seu canalha. Você não tem esse direito, além de não valer nem o chão que ela pisa. E eu não estava falando sobre você roubar. Mas fico feliz que você tenha me contado isso, será mais um delito a contar na sua ficha.

Billy sorriu e depois fingiu ter ficado com medo. – Eu tenho uma ficha agora?

– Claro que tem. – Eric bateu no ombro do pai de leve. — Matt Killer não faz muito que depôs dizendo que você mandou matar Edward Cullen. Você tem uma ficha, Billy.

O medo que a pouco era mentira tornou-se verdade quando Eric começou a rir e Billy viu que não era mentira.

– Você ficou louco? Eu não fiz nada, não mandei matar ninguém.

– Não é bem isso que Killer está falando, mas tudo bem. Ele até mesmo disse sobre você tentar outros serviços.

– Eu não sei do que você está falando. Nunca mandei matar aquele homem. E o que tem a Renesmee? Certo eu não gosto dela, mas eu não pedi para que ele a matasse. Eu nego até a morte.

– Eu não me lembro de ter falado da Renesmee, pai. Acho que você acabou de se afundar ainda mais nessa lama que você chama de vida. E é certo que você irá morrer mesmo, na cadeia. – Eric virou as costas para o pai sorrindo, agora a vitória estava nas mãos dele.


XxXx


- Cadê o Jacob? – Renesmee tirou os olhos do celular e mirou sua tia Alice parada em sua frente com o Chris no colo. – Eu pensei que ele fosse vir jantar conosco.

– Hoje não, tia. – Ela sorriu meio sem graça. – Ele vem depois do jantar. Disse que tinha umas coisas para resolver. – Deu de ombros. – Ele quase não tem trabalhado desde que ficamos juntos. – Alice riu.

– Tenho percebido isso.

– Pois é, hoje ele tirou o dia para trabalhar, mas mais tarde combinamos de sairmos com as nossas motos.

– Ele deixou você andar? Eu realmente fiquei com medo quando começamos a restaurá-la. Alec tinha quase certeza que ele ia lhe proibir.

– Quase, mas eu consegui convencê-lo. – Alice riu para sobrinha.

– Estou preocupada com o Alec.

– Por quê?

– Ele está meio distante hoje, e Emmett também. Não os vi conversar hoje ainda. Achei o Emm meio triste. Sabe o que pode ter acontecido?

– Não. – Renesmee negou sem remorso. O assunto não era dela, Alec falou que quando estivesse pronto ele contaria. O primeiro passo ele tinha tomado, que era falar com o pai. Agora vinha o resto da família.

– Jantar servido. – Rose gritou chamando a atenção de todos. Renesmee ficou de pé e postou-se ao lado do primo a mesa. Segurou a mão de Alec deixando claro em seu gesto que estava ao lado dele.

O jantar foi como sempre maravilhoso e barulhento. Sempre um queria falar mais alto do que o outro, mas a falta das brincadeiras tanto de Alec quanto de Emmett realmente deixou o restante da família preocupada.

– Eu não aguento mais. – Alice parou com as pequenas mãos na cintura. Olhando principalmente para Alec e Emmett. – Vocês passaram o jantar todo sem falar nada. Não se olham desde que chegaram aqui. Eu quero saber o que está acontecendo. E agora!

Renesmee parou a colher com sorvete em direção da boca, e levou de volta ao prato. Olhou para Alec lhe dando coragem. Sabia que Emmett não falaria nada, estava nas mãos de Alec.

– Emmett? O que aconteceu? Alec?

– Dê um minuto a ele, tia Alice. – Renesmee pediu tentando quebrar aquela pressão. – E não ajuda em nada o senhor o tratar friamente tio Emmett. Acha mesmo que ele fez porque quis? Acha mesmo que ele procurou e pediu isso para vida dele? Pelo amor de Deus, ele é o seu filho, vocês são amigos acima de qualquer coisa. – Observou Emmett começar a chorar e Alec fazer o mesmo.

– Estou ficando assustada com isso. – Alice resolveu sentar.

– Quando... – A voz do Alec saiu meio embargado pelo choro. – A última viagem que eu fiz, eu... Fui em uma festa, eu sempre fui em muitas festas pelos países que eu estava visitando. Eu conheci uma menina, aparentemente linda e perfeita. Dançamos a noite toda e bebemos a noite toda, no fim da noite finalmente resolvemos fazer o que queríamos mesmo. Fomos para um hotel e eu transei com ela. – Suspirou. – Transamos sem camisinha, assumo totalmente os ricos de ter sido um irresponsável. Mas eu estava bêbado, e não seria a primeira vez que eu estava fazendo isso. Todas me garantiam que estavam tomando remédio e sabíamos o risco que estávamos correndo tanto em pegar uma doença ou umas delas engravidarem. Como eu julgava que elas não iriam querer ter filho de um total desconhecido eu confiava na palavra delas sobre o remédio. – Alec olhou para a mãe, e Rose estava com os lábios entreabertos e apertava o braço de Emmett com força. – Eu fui ao médico depois, como eu sempre vou. – Ele sorriu para ninguém em particular. A imagem do dia que ele recebeu o resultado. – Esperei o resultado e estava certo que ele daria negativo. – Alec sorriu balançando a cabeça em negativa. – Me enganei. – ele sentiu os olhos de todos sobre ele. Escutou alguém fungar baixinho e o som levou direto para sua mãe que estava com o rosto afundando contra o peito do seu pai que estava com a mandíbula trincada olhando para o outro lado da sala. – Eu descobrir que eu era HIV positivo.

– Alec. – Alice levantou tão rápido que quando Alec percebeu já estava entre os braços da tia. – Meu filho porque você escondeu isso esse tempo todo, por que? Por isso eu achei que você estava mais magro, reparei que as vezes você estava meio estranho. Você está se cuidando? Tomando seu coquetel? É assim que se chama não é? Quando é sua próxima consulta? Eu quero ir com você e...

– Tia. – Renesmee puxou a mulher de perto do primo. – A senhora está sufocando o Alec.

– Eu não estou nem aí. – Ela voltou a abraça-lo e Alec sorriu apertando sua tia com força. – Vai ficar tudo bem, estamos aqui com você e para você. Se você se cuidar tudo irá ficar bem. Sabe que AIDS não é mais um bicho de sete cabeças.

– Eu sei tia, e muito obrigado.

Alec voltou o olhar para sua mãe que era a segunda da fila em lhe dar um abraço. Sentiu o quanto era amado por todos. Estavam todos mostrando que estavam ao lado dele, e que o problema mesmo era ele não ter contato antes. Emmett ainda o olhava de longe, e quando todos seguiram para cozinha ele andou até o filho.

– Eu sei que eu lhe decepcionei, e que você está pensando aonde foi que você errou, e que não merecia ter um filho como eu. Mas eu já me culpo e me faço essas perguntas todos os dias.

– Eu amo você. – Emmett pegou o filho totalmente de surpresa. – Eu amo tanto você que eu estou calado porque eu não posso suportar a ideia de ter que lhe perder. Eu não posso entender como você foi um imbecil em fazer isso com a sua vida. Eu sempre lhe achei responsável e no final, você estava agindo com irresponsabilidade por aí, e eu não estava sabendo. Eu me culpo por não ter sentado com você antes, por não ter prestado atenção. Por não ver que você estava precisando de mim, mas eu me culpo mais ainda por você achar que eu lhe desprezo. – ele puxou o Alec lhe dando um abraço. – Eu não lhe desprezo, eu lhe amo e estou aqui ao seu lado para tudo que você precisar. Dizer que vamos vencer, eu não posso. Pois sabemos que essa doença é maldita e não tem cura, mas eu tenho fé que tudo irá ficar bem. Eu amo você, quero que você sempre se lembre disso.

– Eu também te amo, pai.

A campainha tocou e Renesmee passou correndo ao lado do tio e do primo que ainda se abraçavam. Ela tinha mandado uma mensagem para Claire, e esperava que fosse a amiga. Faltava somente aquilo para que Alec sentisse que estava tudo bem.

– Alec. – Ela chamou o primo e ele virou sorrindo, pois Emmett tinha falado algo engraçado. Mas o sorriso sumiu quando ele viu Claire parada ao lado de Renesmee. – Tem alguém aqui querendo falar com você.

Renesmee voltou para cozinha, levando Emmett junto com ela.

– Oi. – Claire acenou no ar.

– Oi.

– Tudo bem?

– Acabei de contar para todo mundo. – Deu de ombros. – Me sinto mais leve, o que faz tudo ficar bem.

– Fico feliz por você.

– Que bom.

– Eu vim porque Renesmee me mandou uma mensagem.

– Não precisava vir. Eu entenderia perfeitamente se você não estivesse mais a fim de falar comigo.

– Você gosta de mim? – Alec foi pego de surpresa com a pergunta. – Eu quero saber se você gosta de mim ao ponto de querer ficar comigo.

– Isso faz alguma diferença depois de tudo que eu lhe contei?

– Você não respondeu a minha pergunta, Alec. Eu quero saber se você gosta de mim ao ponto de querer ficar comigo, ao ponto de não se preocupar com nada.

– Gosto. – ele deu-se por vencido. – Mas acho que isso não fará muita diferença.

Claire andou muda na direção de Alec, ele ainda tentou dar alguns passos para trás, mas ela colocou uma mão em cada lado do rosto dele.

– Eu gosto de você. Deixa eu terminar de falar. – ela passou o dedo sobre o lábio de Alec. – Eu gosto de você, eu quero você... Eu amo você. – Alec engoliu em seco. – Eu quero ficar com você, mas eu preciso saber se você também quer. Eu não me importo com nada, eu vou ficar ao seu lado, e vamos vencer essa juntos. Qual é sua escolha, Alec McCarty?

Alec puxou Claire de uma vez só. Colando os lábios em um beijo que era muito mais do que paixão e desejo, e sim agradecimento. Se ela estava disposta a lutar por ele. Ele também estava disposto a lutar por ela.



XxXx


- Aí Claire disse que gostava dele, e os dois se beijaram. – Renesmee estava radiante. Andava ainda de um lado a outro do quarto, procurando a jaqueta de couro que ela usava para andar de moto. O capacete que estava escondido no fundo do armário há muito tinha sido tirado e polido. Ela estava animada para o passeio de moto com Jacob. – Você acha que tudo irá ficar bem não é? – a resposta não veio. Com isso Renesmee virou e viu Jacob deitado sobre a cama dela. Ele estava usando calça jeans preta, uma jaqueta de couro também preta, e uma camisa da mesma cor por baixo. Sem contar os coturnos negros. Ele estava parecendo um verdadeiro motoqueiro. Mas o olhar de puro desejo que ele carregava nos olhos estava o deixando como um motoqueiro sexy, pronto para o combate. – Você me ouviu?

– Não ouvi nada mais depois que você colocou essa calça apertada e essas botas de salto alto. E ainda irá colocar essa jaqueta de puro couro por cima. Desse jeito você quer me matar.

– Eu não estou desistindo de sair de moto para ficar em casa. Estou logo avisando. – Ela correu para frente do espelho e passou rapidamente lápis nos olhos, os delineando. Prendeu o cabelo em um alto e apertado rabo de cavalo.

– Desse jeito é quase uma desistência ao meu ver.

– Então vai ficar sozinho. – Ela pegou o capacete e seguiu para fora do quarto. Escutou a risada de Jacob e teve que rir também.

Na sala estavam Claire e Alec abraçados e conversando como um casal recém-formado. Renesmee ainda estava vivendo a fase boa do namoro. Ela e Jacob ainda estavam na lua de mel tinha até medo quando as outras fases chegassem.

– Tem certeza que vocês não querem ir? – Renesmee indagou vendo Jacob descer arrumando a jaqueta de couro. Desviou o olhar, pois se não voltaria mesmo para o quarto.

– Me explica, como iriamos? Eu abraçadinho no Jacob e Claire abraçadinha com você? – Jacob fez uma careta e parou atrás de Renesmee a puxando para perto do seu corpo.

– Que visão dos infernos, Alec. – Ele brincou com o mais novo amigo. Eles estavam dando-se bem melhor depois do pequeno show que os dois deram juntos.

– Ou eu posso ir agarrado com você, Nessie. – ele mexeu as sobrancelhas vendo Jacob apertar ainda mais Renesmee ao seu corpo. – Você não tem jeito mesmo, não é Jacob? Mesmo que você tente gostar de mim, você sempre terá ciúmes.

– Mais o menos isso. Mas eu confio em você, Alec. Mesmo que o meu corpo não confie, a minha mente confia. E eu sei que você morreria por ela.

– Não tenha dúvidas disso. Eu sempre irei protegê-la.

– Que papo mais chato esse. – Claire brincou. – Preferia quando vocês estavam brigando. – Os dois riram.

– Se vocês não estão indo, nós estamos. – Renesmee sorriu empolgada. Fazia tempo que não andava de moto, e nem acreditava que estava indo fazer isso com o Jacob.

Ela deu tchau a todos, disse que voltaria tarde para casa e seguiu para garagem. Viu a moto de Jacob parada em frente a sua casa. O moreno seguiu para moto dele, e ela para dela.

– Só vai devagar, Nessie. – Ele pediu quando Renesmee estava ao lado dele, sorrindo pela viseira do capacete negro.

– Quando eu ando de moto Jake, eu não ando devagar. – Dito isso ela arrancou com a moto. Escutou Jacob gritar por ela, mas não voltou. Ela gargalhou com vontade puxando o máximo de sua moto.


XxXx


– Quando eu mandar você parar, você para. – Jacob gritou profundamente irritado descendo da moto e andando feito um bicho em direção de Renesmee. – Eu lhe gritei mais de três vezes, e você não parou, você ficou maluca. – ele a puxou pelo braço quando ela tirou o capacete. – Se acontecesse alguma coisa com você e...

Ela o tomou nos lábios. Pulando para o colo dele, prendendo a cintura dele com as pernas. Levando as mãos aos cabelos dele, os puxando com força, fazendo com que os corpos deles quase se fundissem.

– Eu amo andar de moto.

– Percebi. – Ele limpou os lábios. Mas Renesmee passou a língua sobre os lábios dele.

– E amo mais ainda andar com você. – Ele sorriu quando ela pulou no chão e começou a tirar as botas.

– O que você está fazendo?

– Acha mesmo que vou andar na areia com botas. – Ele sorriu vendo a nova Renesmee que surgiu com aquela volta de moto.

Mas ele sabia que não era somente pela volta de moto que tinha surgido àquela nova mulher. Renesmee tinha mudado pouco a pouco. Ela curou-se e agora era totalmente confiante para fazer o que gostava e o que uma menina na idade dela deveria fazer. Estava na faculdade, estava namorando, estava feliz e apaixonada.

Renesmee jogou as botas no chão e correu pela areia da praia. Indo em direção do mar. Jacob pegou as chaves na ignição, as botas de Renesmee e a seguiu. A viu correndo de um lado ao outro, gritando como se tivesse libertado algo dentro de si. Ele sentou-se e ficou a observando, esperando o tempo que ela cansaria. E ela finalmente cansou. Indo sentar ao lado dele.

A testa brilhando um pouco pelo suor de ter ficado correndo. Os lábios úmidos e vermelhos, os olhos azulados brilhantes.

– O que deu em você? – Ele brincou com ela, a ajudando tirar a jaqueta.

– Não sei. – ela respondeu olhando dentro dos olhos de Jacob. – Mas eu estou querendo esconder o que eu estou sentindo. – Jacob parou de rir.

– E isso seria?

– Eu sinto que estamos nos despedindo, e isso está realmente me incomodando.

– Não diga besteira, Renesmee. Não tem nada disso, você só está sentindo-se bem. – Renesmee mordeu o lábio e balançou a cabeça. Os olhos enchendo-se de água. – Hey! Não faz isso.

Ela abraçou Jacob com força, afundando o rosto no pescoço dele. – Eu senti isso quando estávamos vindo para cá. Eu estou muito feliz, e sempre que eu estou muito feliz algo de ruim acontece.

– Não fala assim. – Ele alisou os cabelos dela. – Nada irá acontecer. Estamos juntos nisso. Você promete nunca me deixar? Sempre ficar ao meu lado.

– Tenho medo de prometer e falhar. – Ela resmungou.

– Você não irá falhar. Promete?

– Eu prometo.

– E eu prometo sempre cuidar de você.

Jacob desceu o corpo dele contra o de Renesmee. Colocando-a deitada sobre a areia e tomou os lábios da mulher da sua vida.

Notas finais
N/PrinncyBlack. EEEEEEEEEEEEEEEEEI!!! Cheguei aqui!!! Então... Ness que um pressentimento ruim... Tcs tcs tcs. Vamos ver o que vai acontecer no próximo. kk E a Rebecca? Sempre morro de rir com ela. kk
Tinha mesmo que ser mulher do Eric.
Enfim babys!!!
Comentem, e recomende!
Espero que gostem desse caps.
Lembrando que a fic termina no caps 30, ou seja, apenas mais seis capítulos. =)
Kisses!!!