Save me from myself

1 Capítulo Único


Notas iniciais
A história aqui se passa depois da luta da Arba/Gyokuen/Hakuei (LOL) contra o Aladdin no mangá.

Hakuei ainda não acreditava que finalmente havia acordado de um enorme pesadelo que havia durado três anos.

Quando Hakuryuu lhe contou que Aladdin tirou por completo Arba de seu corpo, Hakuei chorou a noite inteira. A princípio somente por gratidão ao pequeno magi por devolver-lhe sua vida, seu corpo, mas depois... uma enorme tristeza se abateu sobre ela.

Hakuei sabia desde o começo que nada poderia fazer com Arba dominando sua vida, mas durante todo esse tempo, ela presenciou o que a mulher fazia, sem poder fazer nada para pará-la.

Ela sabia que teria que superar isso algum dia, mas tudo o que mais desejava no momento era ter um tempo sozinha, longe de tudo e de todos, para poder se recuperar e ver o que faria a seguir.

A verdade é que ela não havia pensado muito nisso. Somente uma ideia lhe ocorreu, o que a fez ir ao Império Kou e implorar pela permissão da atual Imperatriz, Kougyoku.

Esta, embora relutante, decidiu ceder ao seu pedido, informando-lhe a localização da ilha de exílio onde Kouha estava sendo mantido.

Hakuei queria um tempo longe de civilização até colocar a cabeça no lugar, e era exatamente o que iria fazer.

— Você não contou para ela sobre Kouen-sama, Vossa Alteza? — Koumei perguntou por trás da máscara de seu disfarce (embora todos já soubessem sua verdadeira identidade).

— Hakuryuu me disse que era melhor não contar. — Kougyoku respondeu, suspirando. — Acho que fará bem ao Onii-sama vê-la, em todo o caso.

Koumei sorriu, nisso ele tinha que concordar com a irmã mais nova.

[...]

A pequena ilha só tinha acesso para aqueles que iam abastecer a comida, mas com um pouco de ajuda de Kougyoku, Hakuei conseguiu entrar sem chamar a atenção. Tudo o que ela não queria naquele momento era que Sinbad soubesse de sua localização.

— Hakuei?! — Kouha imediatamente a avistou, exclamando de surpresa.

Ela era provavelmente uma das últimas pessoas que esperava ver ali, afinal pelas poucas notícias que conseguira descobrir do mundo exterior, Hakuei era agora praticamente o braço direito de Sinbad.

O que será que havia acontecido para levá-la até ali?

— Kouha... — Ela sorria, mas seu sorriso era triste, sem brilho. Não parecia com a Hakuei que conhecia.

Algo realmente havia acontecido.

— O que houve? O que está fazendo aqui?

— A Imperatriz Kougyoku me deu permissão para ficar aqui por algum tempo — Ela estava evasiva. Era como se quisesse contar pelo que havia passado, mas estava relutante a fazê-lo.

— Ela... concordou? — Ah, Kouha nunca se sentiu tão perdido antes.

Ele fechou os olhos, suspirando.

— Bem, então que tal nos contar o que aconteceu desde o começo? — A voz não veio de Kouha, mas do homem atrás dele.

Hakuei não conteve o ar de surpresa ao se deparar com a pessoa que ela julgava já estar morta. A princesa cobriu a boca com as mãos, enquanto sentia seus olhos marejarem.

— Kouen-dono — Falou sem acreditar no que seus olhos viam.

Ela se lembrava, mesmo com Arba em seu corpo, dos relatos e das imagens de Kouen morto na execução feita por Hakuryuu quando assumiu o Império Kou há três anos.

Kouen se aproximou mancando, e embora a guerra tivesse deixado seus danos permanentes nele, o homem ainda tinha aquela aparência imponente, resquício da época que comandava seu Império.

— Kouha, nos dê um pouco de privacidade, por favor. — Não foi exatamente um pedido, e o irmão mais novo, embora estivesse com extrema curiosidade, fechou a boca que ansiava por transmitir várias perguntas ao mesmo tempo para a nova visitante.

— Sim, En-nii.

Kouha se afastou, indo para a beira da praia, tentando se distrair, embora vez ou outra lançasse olhares curiosos na direção de seus irmãos.

— Vamos entrar — Kouen então conduziu Hakuei para dentro da pequena casa em que viviam.

Ele ainda mancava, andando com dificuldade, se apoiando em uma simples bengala de madeira. Hakuei teve uma súbita vontade de ajudá-lo, mas se conteve, mordendo o lábio inferior com força.

Ele provavelmente não iria querer ajuda, ainda mais vindo dela.

O interior da casa era tal como o exterior aparentava: simples. Viver em exílio não tinha lá muito luxo, é claro, de forma que eles só possuíam o básico para ter uma vida simples e com dignidade, dentro do possível.

Kouen logo se sentou em uma cadeira, deixando a bengala apoiada na parede ao seu lado.

O silêncio entre os dois estava pesado desde que Kouha os deixou. E Hakuei simplesmente não sabia como quebrar aquele clima. Não sabia por onde começar. E a culpa que havia sentindo desde que acordara pareceu a dominar mais do que nunca.

— Esse olhar em particular não combina nada com você, Hakuei. — As palavras tão familiares proferidas por Kouen fizeram com que a mulher ficasse surpresa, recordando-se imediatamente da mesma frase sendo dita à Kouen há três anos.

“Esse olhar em particular não combina nada com você, Kouen-dono”.

Naquele tempo tudo parecia tão mais fácil, com Kouen na biblioteca, com a cara nos livros e mapas, estudando os próximos movimentos do Império Kou, e ela ao seu lado, apenas admirando em silêncio o modo como ele trabalhava, repreendendo-o as vezes por estar tão tenso.

Céus, como desejava voltar no tempo...

Hakuei suspirou profundamente, decidindo deixar aquelas memórias para trás.

E então, para a surpresa de Kouen, a morena foi se colocando de joelhos em frente a ele, curvando seu corpo no chão, abaixando completamente a cabeça.

— Peço minhas sinceras desculpas, Kouen-dono — Ela tentava ao máximo fazer sua voz soar firme, embora a emoção começasse a tomar conta de si. — Durante a guerra civil do Império Kou, meu corpo foi tomado por Gyokuen, não... por Arba, me deixando incapaz de ser de qualquer utilidade para minha família, e até recentemente estive ao lado de Sinbad, lhe ajudando em todos os seus planos.

Ela podia sentir as lágrimas descendo por sua face até caírem no chão de madeira debaixo de si, mas não era mais possível se controlar, seu corpo todo tremia, não só por chorar, mas por expor tudo o que se submeteu, tudo o que havia feito contra aqueles que amava.

Apesar de ter estado sob controle, as lembranças estavam vivas em sua mente, assim como em seu corpo que fora usado para cometer qualquer tipo de atrocidade.

— Me desculpe...! — Suplicou novamente, ainda de cabeça baixa, incapaz de fitá-lo.

Ela não ouviu a voz de Kouen durante os próximos segundos, mas tudo o que escutou então foi uma movimentação a sua frente, embora não pudesse determinar o que ele fosse fazer exatamente.

Hakuei não o culpava se estivesse com raiva ou não aceitasse seu perdão. Ela merecia, afinal.

Foi então que sentiu um toque em sua mão.

— Erga a cabeça — A voz de Kouen veio próxima de si, e obedecendo, Hakuei o viu agachado a sua frente, com a única mão boa que sobrara segurando a sua.

— Kouen-dono...

— Não há nada do que se desculpar, Hakuei — Ela fitou-o surpresa diante de sua fala.

— Mas...

— Você estava dominada por uma entidade antiga e poderosa, não havia nada que pudesse ter feito. — Ele dizia, enquanto puxava-a de leve pelo braço para se levantar. — Além do mais, sabia que havia algo errado quando se juntou a Sinbad, nunca duvidei de você e de sua lealdade para conosco.

Kouen delicadamente limpou uma lágrima que caía pela face alva da mulher à sua frente. Ela o encarava com um brilho no olhar. Algo além de uma simples admiração. Algo que ele já havia notado antes quando se encontravam juntos.

— Eu estive dominada por três anos, e nesse tempo vi tudo o que acontecia sem poder fazer nada para controlar meu próprio corpo — Hakuei relatava, se arrepiando com as lembranças que invadiam sua mente — Como não posso me sentir culpada por tudo o que este corpo fez?

— Hakuei — O nome dela deslizou pela boca de Kouen, forçando-a a encará-lo. Ele a olhava com firmeza, determinação e um carinho que Hakuei nunca vira em Kouen antes — Você não tem culpa.

— Ainda que não estivesse no controle...

E então Kouen fez o que ela nunca pensou que ele faria. Ainda que de forma desajeitada, devido ao corpo debilitado, ele a puxou de repente para perto, fazendo com que Hakuei encostasse seu corpo contra o dele, com a cabeça apoiada no peito do homem.

Kouen envolveu-a, passando o braço em torno de seu corpo, deixando-a sentir o calor da pele dele contra o tecido. Ela ficou incapaz de se mover por um momento, surpresa demais para fazer qualquer coisa, até que finalmente cedeu ao abraço ainda que desajeitado, porém reconfortante.

Ouvindo as batidas calmas do coração de Kouen contra si, Hakuei pareceu se acalmar aos poucos.

Sua cabeça se moveu para cima, observando como Kouen estava extremamente perto de si.

Ela nunca tinha o observado tão de perto antes. Os traços másculos de seu rosto, ainda que se assemelhassem com antigamente, Hakuei podia jurar que só agora pareciam estar com menos linhas de tensão, ele parecia sereno. Seus olhos, que a fitavam neste momento, transmitiam paz. E por fim sua boca. Aqueles lábios que pareciam curiosamente convidativos naquele momento.

Ela não precisou pensar muito. Aquele não era um desejo momentâneo, apesar de tudo, Hakuei sabia, bem no fundo ela sabia.

E de certa forma, Kouen sabia também. Ele tinha consciência de seus desejos desde aquela época onde vivia na biblioteca do Império Kou, sabendo que Hakuei sempre o encontraria ali.

Então não foi surpresa quando o beijo finalmente aconteceu naquele momento. Quando os lábios finalmente se encontraram sem qualquer tipo de relutância.

Não, foi tudo natural.

Afinal, eles estavam destinados a ficarem juntos. Mesmo que suas vidas tenham se complicado e eles até mesmo tivessem se distanciado, o destino os fez se encontrarem novamente. Estavam ligados, e nem a Al Thamen, nem outra guerra iria os separar para sempre.

E, pela primeira vez em anos, Hakuei finalmente se sentiu em paz, como se um enorme peso fosse tirado de suas costas.

Não havia nada com que se preocupar mais.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ foi simples, aos poucos estou voltando, mas é isso aí XD

Não deixem de comentar, por favor! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!