Save Me From The Dark
1 Capítulo Único.
“A vida é como uma maré, quem não sabe surfar se afoga.”
— Os 10 motivos.
Escuridão se mesclava na minha frente, talvez eu acorde enfim, ou não.
“Salve-me”.
Sem ser atormentada diariamente, vencida por você. Bem quando penso ter alcançado a superfície, eu estou morrendo de novo. Eu estou afundando, me afogando no mar escuro. Eu estou caindo para sempre. Eu tenho que me libertar dos meus medos.
“Salve-me”.
Obscurecendo e confundindo a verdade e as mentiras se mesclavam tanto quanto a ganancia e ódio que corriam o mundo pouco-a-pouco, as pessoas se matavam por dentro, será que haveria salvação? Eu não tinha ideia da resposta. Assim, eu não sei o que é real e o que não é? Sempre confundindo os pensamentos na minha cabeça desse modo, não posso confiar em mim mesma. Eu estou morrendo novamente.
“Salve-me”.
Você não lembra meu nome que meu deu naquela noite fria. Eu realmente não me importo. Podemos jogar o jogo do seu jeito? Eu posso realmente perder o controle? Apenas uma vez na minha vida. Eu acho que seria legal. Só para perder o controle, só uma vez
“Salve-me”.
Eu me observava ali. Tão delicada e pequena que excitava os desejos subjugados de muitos, mas era apenas uma garotinha que foi jogada no fundo do poço enquanto observo com tamanha revolta e o medo estampado em seus belos olhos castanhos, como posso salva-la sem nem ao menos eu me salvarei? E ridículo de toda a forma.
Palavras há muito perdidas sussurram lentamente pra mim. Ainda não consigo encontrar o que me mantém aqui. Quando por todo esse tempo eu estive vazia por dentro. Sei que você ainda está ai, perseguindo os meus pesadelos.
“Salve-me”.
Meu grito saia estrangulada, e vejo as lágrimas banharem o rosto delicado da criança de apenas 7 anos que pela primeira vez na vida sentiu dor e o nojo de si mesma mesclados uma angustia e uma confusão que ainda estavam martelando em sua mente infantil e imatura, enquanto observava a criança que chorava no chão com roupas rasgadas, e o rosto desfigurados pelo choro, uma cena patética guardada no fundo de minha memória que ainda está vivida como ferro em brasa que marcava a minha alma angustiada, enquanto senti as lágrimas escorrendo pela minha própria face.
“Salve-me”.
Eu estava ali, sendo destruída por aquele monstro – marcada para sempre em sua inocência, sem qualquer arrependimento daquele monstro que habitam o meu coração, o medo que assolhar até hoje.
“Salve-me”.
Pequena e frágil como boneca de porcelana, sem nem ao menos saber o que era lutar, eu não sabia de nada naquela época. Os olhos ainda ingênuos, e cheios de uma luz que perdi há muito tempo que foi se apagando com os vestígios do ódio e do rancor que se mesclavam ao nojo e amargura imposta pelas ações deles, eu era um poço de escuridão. Sem força para lutar, sem qualquer pessoa que se importava-se comigo, com o meu estado de espirito, e eu estava só naqueles dias sombrios, e estou até hoje.
Apenas sozinha.
“Salve-me”.
Eu ouvi o grito ecoando em minha mente todas as noites que passei com insônia com medo dos monstros que habitavam a minha mente, os meus pesadelos principalmente, as risadas cruéis e duras que ouço ecoar – vendo a mim mesma, ali parada, chorando enquanto aquelas coisas cruéis jogadas na minha frente – enquanto aos 7 anos, eu aprendi o que era dor e sofrimento, deu um sorriso amargo, como eu gostaria de mudar o passado? Eu adoraria mudar, mas e tarde demais.
“Salve-me”.
Quantas vezes eu gritei por ajudar? Quantas vezes fui forçado para aquilo, ou outra coisa qualquer que retirou toda a minha doce inocência? Quantas vezes eu chorei por estar com medo? Quantas vezes pedi para serem os meus alicerces? Quantas vezes pedi para me salvarem de mim mesma? Quantas vezes eu gritei por ajudar sem esperar por uma? Só para ter um pouco de esperança, só para sonhar que algum dia aquilo iria acabar, acabou e claro, mas da forma mais repugnante possível.
Irônico, que agora esteja encolhida na minha cama, e chorando novamente por motivos tão cruéis e sem emoções. Não consigo me segurar. Pergunto-me o que há de errado comigo? É verdade, todos somos um pouco insanos, mas isso está tão claro. Agora que estou desacorrentada. O medo está apenas em nossas mentes, nos controlando o tempo todo.
Acho que pela primeira vez na minha eu digo: ninguém iria me salvar de mim mesma, das minhas escolhas estúpidas, das coisas que passei durante todo esse tempo que tentei forte na minha breve concepção de que eu deveria ser, forte, apenas isso.
Nunca me senti tão abalada agora.
“Salve-me”.
Mas eu conheci você.
Sua bondade e sua generosidade.
Você, minha luz que apareceu no começo do túnel escuro ao qual eu havia me escondido todos os anos da minha vida. Eu queria que você soubesse que eu amo o jeito que você ri. Eu quero te abraçar forte e roubar sua dor, e substitui-la pela minha felicidade em te conhecer e mudar os passos que eu dava cada vez para a escuridão. Eu guardo sua fotografia e eu sei que ela me faz bem, eu sei que você e a minha luz.
Pensei que eu fosse forte, eu sei as palavras que preciso dizer congelada no meu lugar. Eu deixo o momento escapar por meus dedos, enquanto penso, será que esse e o meu fim? Mas não acredito em fins, apenas em novos começos, como muitos dizem por ai.
Eu estive gritando por dentro e eu sei que você sente a dor. Você pode me ouvir? Você pode me curar? Diga que acabou? Sim, acabou, mas eu preciso de você de qualquer jeito. Você diz que me ama mas não é o suficiente. Nunca tive a intenção de mentir, mas não sou a garota que você acha que conhece, ou que algum iria conhecer, eu estou com medo. Quanto mais eu estou com você, eu me sinto bem, mas o medo me assombrar todos os dias.
Mas será que conseguira me salvar da escuridão?
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