Save Me From Myself

7 I feel like i can trust you


A sério, era preciso uma lata do caralho pra cabra da Amber me ter vindo dizer aquilo. Ela e o Ian já nem namoravam! Quero dizer, não tinha bem a certeza mas... Ele tentou acabar com ela... O que será que ela sabia sobre ele que era assim tão mau para ele ter de ceder à sua chantagem? O que é que ele teria feito que fosse assim tão grave ao ponto do Diretor não poder saber? Será que ele tinha mesmo andado a mexer nos arquivos dos alunos como a Deb desconfiara?

- Hey, Val. — Disse a Deb chegando ao quarto com um sorriso. — A Amber caíu que nem um patinho no que lhe contei. — E riu-se. — Devias ver a cara de medo dela, impagável. — Fez uma pausa. — Então mas e estás pronta para a tua primeira aula?

- Acho que nunca se está pronto para o primeiro dia de aulas. — Respondi, sorrindo. — Mas vamos lá para a tortura.

Uma coisa é certa, aula de inglês era, sem dúvida alguma, a pior aula para se ter logo a seguir ao pequeno almoço. Por mais que eu gostasse de Shakespear, o meu cérebro não era capaz de acompanhar a complexidade das suas obras tão cedo pela manhã. Mesmo sendo uma das minhas obras preferidas, Hamlet, que estávamos a estudar, tornava-se difícil manter-me focada na aula quando a conversa que ouvira entre a Amber e o Ian tinha voltado à minha cabeça e parecia não querer sair. Teria de falar com a Deborah sobre isso... Insinuar algo... talvez ela se descosesse ou assim.

A campainha soou, anunciando o final da aula de inglês e o início do interevalo. Suspirei, agradecida, e saí da sala, caminhando até ao meu cacifo para guardar as minhas coisas.

- Hey, V. — Disse uma voz conhecida atrás de mim quando eu me preparava para fechar a porta do cacifo. Fechei-a violentamente e virei-me para o dono da voz. Ian.

- Vamos deixar isto bem claro para que não tenhamos problemas entre nós, okay olhos cinzentos? — Respondi com a raiva contida. — Não. Me. Chames. V.

Ele olhou-me assustado e levantou as mãos como se estivesse a render-se.

- Wow, desculpa... Só queria perguntar-te uma coisa... — Disse ele, a alegria de outrora já desaparecida da sua voz profunda e, tenho de admitir, sexy.

- Diz. — Disse-lhe, já mais amavelmente.

Ele aproximou-se perigosamente de mim, quase colando os nossos corpos e inclinou-se.

- É verdade que mataste alguém? — Sussurrou ele ao meu ouvido, fazendo-me arrepiar. Se o arrepio se devia à pergunta em si ou ao facto de ele estar tão perto, eu não sabia.

Recuei um passo, afastando-me dele e olhando em redor para ver se ninguém nos estava a observar. Felizmente, o corredor estava vazio a não ser por nós os dois.

- Quem te contou isso? — Perguntei friamente, olhando diretamente naqueles olhos cinzentos.

Ele encolheu os ombros.

- A Amber. Sabes... não sei porquê mas ela acha-te uma ameaça quando se trata de mim e há pouco veio falar comigo a dizer para me manter afastado de ti porque tinhas morto uma rapariga da tua antiga escola pelo simples facto de ela te fazer a vida negra. — Ele riu. — Acho que agora és uma ameaça ainda maior tendo em conta o que ela faz.

- Talvez assim aprenda a não se meter com quem não deve. — Respondi entre dentes.

- É verdade, então? — Perguntou, franzindo o cenho.

- O que é que isso te interessa? — Perguntei, seca.

- Honestamente? Não sei... Mas desde que te vi... sei lá, sinto-me como se pudesse confiar em ti, como se houvesse aqui algo entre nós que é muito mais do que uma simples química. E sei que sentes o mesmo... E não sei... é-me impossível acreditar que realmente mataste alguém, apesar de, pelo teu aspeto, ninguém duvidar se ouvir tal coisa... Mas tu pareces demasiado especial para teres morto alguém... demasiado pura... — Discursou e, ao olhar nos seus lindos olhos cinzentos, senti que ele dizia o que sentia.

A campainha tocou, anunciando o inicio da próxima aula que, se eu não me enganava, seria história.

- Tenho de ir. — Respondi-lhe, saíndo dali a correr em direção à minha sala com os livros nas mãos.

Porque é que não lhe respondi? Bem, porque era melhor que eles acreditassem numa mentira do que ter a Amber sempre a relembrar-me da morte do meu irmão e a usar isso para me afetar. E nem morta que eu iria deixar aquela cabra ter essa vantagem sobre mim.

Depois das aulas acabarem, fui para o quarto, recusando-me a jantar. Bebi um pouco de whisky, até ficar embriagada, guardei de novo a garrafa, e deitei-me na cama, adormecendo de seguida.

Estava num sítio escuro. Era outro pesadelo? Mas porquê? Porque é que eu tinha tantos pesadelos subitamente?! Um barulho atrás de mim, num dos arbustos, sobressaltou-me. Olhei em volta antes de olhar para o sitio de onde provinha o som. Estava no meio de uma floresta. Conhecia aquele lugar de algum lado, mas de onde? Era como se já lá estivesse estado mas não conseguia lembrar-me de quando ou com quem fora. Olhei finalmente para o arbusto e vi o Kieran deitado, a arfar agarrado à barriga, junto a ele. Corri para ele. Ao olhar para a sua barriga, vi que sangrava incessantemente. Lembrei-me do acidente... Ele ficara com a barriga completamente destruída quando o metal do carro moldou para dentro com o impacto e lhe cortou o abdómen.

- Não acredito que sonhaste que eu te magoava... — Disse ele, ofegante, olhando-me com aqueles olhos azuis com laivos cinza que pareciam penetrar a minha alma. — Eu sempre te protegi. Sempre protegerei.

E com isto, ele deixou de respirar, tombando a cabeça para o lado.

Acordei suada, sem perceber o que raio se passava comigo. Porque é que eu tinha estes pesadelos agora? Nunca, nestes dois anos, tivera pesadelos sobre ele. Porque é que os começara agora a ter?

O meu telemóvel vibrou na mesa de cabeceira, anunciando mensagem.

"Hey, desculpa não nos termos ido despedir de ti, os teus pais não deixaram. Viemos sair e não conseguimos parar de sentir a tua falta. Quando te vemos de novo? Castian e Chloe"

Uma lágrima caíu do meu rosto. Primeiro o sonho e agora eles... Escrevi a resposta "morro de saudades vossas. Quem me dera que aqui estivessem, nem a bebida ajuda. No próximo Domingo podem vir. Vou dormir, boa noite. Adoro-vos, não se esqueçam de mim"

Desliguei o telemóvel, receando começar a chorar se recebesse outra mensagem deles, e fui até à casa de banho. Enfiei-me na banheira, tomando um banho gelado e voltei para o meu quarto, ainda vazio. Eram apenas dez da noite mas a Deb ainda não tinha voltado. Que se lixe, ela devia estar bem e não tardaria a voltar. Deitei-me de novo na cama e não tardei a adormecer de novo, tentando imaginar como seria se estivesse agora com a Chloe, o Castian e o Kieran, como nos velhos tempos.

Irmão, já te disse o quanto me fazes falta?

Notas finais
Escrito por: Danika
Desculpem, ficou pequeno mas não tinha imaginação nenhuma e a Curly queria continuar a escrever portanto vim escrever o meu capítulo para ela poder continuar... Para a próxima faço um maior, pinky promise!
Que acharam do Ian? E o que acham que se passa com a Val para ter estes pesadelos todos sobre o seu irmão? Acham que a Amber vai deixar a Val em paz agora que sabe a "verdade" sobre a sua vinda para o colégio? Que acham que vai acontecer agora? Deixem as vossas reviews com as vossas opiniões :D
Espero que tenham gostado, até ao próximo capítulo. Aproveitem o capítulo da Curly, ela é uma excelente escritora. Até mais xx Nikky ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.