Save Me From Myself
5 Capítulo 5
À minha frente estava o rapaz de olhos cinzentos mais lindos que eu já tinha visto. Os olhos do meu irmão ficavam cinzentos por vezes. Senti o meu coração acelerar com aquela visão. Eu só queria saber de onde é que ele viera.
- Quem é ele? — Perguntei à Deb.
- Quem? — Perguntou ela, seguindo o meu olhar. — Oh. Aquele é o Ian, o presidente da associação de estudantes do colégio. — Explicou ela. — Não te encantes, ele namora com a Amber.
Ok, encanto perdido. Ou não... Não sei, mas estava presa ao seu olhar. Ele sorriu-me e eu dei por mim a sorrir-lhe de volta até que a Amber se foi colar a ele. E sim, colar mesmo porque assim que chegou ao pé dele, grudou-se logo. E que nojo, parecia que lhe estava a comer a cara em vez de o beijar. A sério, aquela miúda era a maior vadia que eu já tinha visto.
Desviei o olhar e fui jantar com a Deb, ainda com a lembrança da sua cara de poucos amigos quando chegou ao quarto para me ir buscar pra jantar. O que teria acontecido? Mais vale perguntar, não tenho nada a perder.
- O que aconteceu para estares com cara de poucos amigos quando chegaste ao quarto? — Perguntei, como se não fosse nada de especial, enquanto enfiava uma garfada de esparguete na boca.
- Cruzei-me com a Amber no corredor e ela fez questão de mandar mais uma boquinha nojenta. — Disse ela, encolhendo os ombros à medida que enfiava também uma garfada de esparguete na boca.
- Ui... — Disse eu. Podia só ter conhecido a cabra hoje mas já sabia que ela podia ser bem venenosa. — Que história foi aquela de seres acusada de homicídio? — Perguntei a medo
- Eu depois explico-te, ok? Agora não. — Respondeu ela, secamente.
- Ok...
Acabámos de comer e eu fui para o quarto enquanto ela foi não sei aonde tratar de não sei o quê. Aquela miúda era muito esquisita, a sério. Tinha sempre assuntos a tratar a toda a hora.
Deitei-me na cama com os fones nos ouvidos e não tardei a adormecer. Estava exausta.
Não sabia onde estava, só sabia que precisava de sair dali. Não sei como tinha ido parar ali, àquela rua deserta e escura onde não se via nada. Tenho de sair daqui. Tenho de sair daqui agora. Era tudo o que estava na minha mente. Isso e a sensação de perigo que não desaparecia por mais rápido que eu corresse dali para fora. Onde é que eu estava? Com toda a correria, acabei por chocar com alguém, e dei por mim grata por isso ter acontecido.
- Desculpe, preciso de ajuda. — Pedi àquele ser encapuzado à minha frente.
A pessoa tirou o capuz e eu vi o meu irmão. O Kieran estava bem ali à minha frente com os seus olhos cor do mar, com um ar sombrio a olhar para mim.
- Kieran? — Chamei. — Tens de me ajudar, por favor.
- Não te preocupes, maninha, não vai doer nada. — Disse ele, com um sorriso.
- O que estás para aí a falar Kieran?
- Fica quieta.
Quando olhei para a sua mão, ele segurava uma faca bem afiada na sua mão.
- Kieran, o que estás a fazer? — Perguntei, recuando uns passos.
E ele lançou-se a mim, pronto a matar-me com aquela faca. Acordei aos gritos, assustada, até perceber que tinha sido só um sonho. Claro que sim, só podia ter sido um sonho, o Kieran nunca me iria magoar. Olhei à minha volta e a Deborah ainda não tinha vindo para o quarto. Olhei para o relógio. Ainda só eram nove da noite. Tinha dormido durante a última hora do horário de jantar.
Levantei-me e fui até à minha mala. Precisava de uma bebida. Peguei na garrafa de vodka e bebi três goles, sentindo a substância queimar-me a garganta à medida que descia em direção ao meu estômago. De repente, a Deb entra pelo quarto a dentro, completamente passada. Felizmente, nem reparou em mim. Enfiei a garrafa para dentro da mala com cuidado e tossi levemente.
- Oh, Valerie. Desculpa, não te vi. — Disse ela, constrangida.
- Não faz mal. Está tudo bem? — Perguntei, preocupada, enquanto sentia a vodka a aquecer-me por dentro.
- Não. Eu juro que mato a Amber se ela me volta a chatear. — Resmungou, furiosa.
- Mas ela tem alguma fixação por ti ou quê? — Perguntei, lembrando-me que já antes do jantar a miúda a tinha importunado.
- Desde que descobriu o porquê de eu ter vindo aqui parar que não me deixa em paz. E tenho a certeza que a culpa foi do namorado dela que tem acesso aos arquivos dos alunos daqui e deve ter andado a espionar o meu. São os dois uns grandes filhos da puta, é o que é. — Respondeu ela.
- Tem calma... — Pedi. — estares assim não vai adiantar de nada... Mas... Desculpa insistir mas podes-me dizer o que aconteceu para vires para aqui?
Ela respirou fundo, acalmando-se e falou.
- Bem, o meu pai batia na minha mãe todos os dias desde que eu me lembro. Há dois anos, eu estava já farta daquilo quando o encontrei a bater na minha mãe. A pobrezinha já estava inconsciente mas mesmo assim ele continuava a bater-lhe. Foi mais forte que eu e, por impulso, peguei numa faca e... bem, podes imaginar o resto. Quando ele tombou, fui ao pé da minha mãe e tentei acordá-la mas ela não acordava. — A Deb tinha lágrimas nos olhos. — E quando fui sentir a sua pulsação... Bem, esta não existia. A minha mãe também tinha morrido... Os vizinhos chamaram a polícia por causa do barulho e quando eles lá chegaram e me viram abraçada à minha mãe em lágrimas no meio do chão e o corpo ensaguentado do meu pai ao lado, prenderam-me e fui acusada de homícidio. O advogado que me foi dado pelo estado conseguiu arranjar um acordo. Eu vinha para este colégio até completar os dezoito anos em vez de cumprir pena. E aqui estou... Mas eu não a matei, Val. Tens de acreditar em mim. Eu nunca mataria a minha mãe. Eu só queria protegê-la, eu juro! Mas fui tarde demais — Ela começou a chorar e eu fui abraçá-la. — Fui tarde demais, Val. Fui tarde demais. — Repetiu ela, abraçando-me com força à medida que chorava.
- Sh... Está tudo bem, tem calma... Eu acredito em ti, tem calma... Não chores... — Fui dizendo.
Passámos dez minutos assim, abraçadas enquanto ela chorava, até que ela se afastou e limpou as lágrimas.
- Desculpa, não devias ter de me aturar assim. — Disse ela, recompondo-se.
- Hey, somos companheiras de quarto, o que nos obriga a ser amigas, e as amigas são para isto. — Sorri-lhe.
- Obrigada. Bem, vai haver uma festa de receção aos caloiros. Não é bem uma festa, é mais uma espécie de convivio para se conhecerem uns aos outros antes das aulas começarem. Ah, e em relação aos telemóveis... Podes tê-los desde que não os leves para as aulas. Somos sempre revistados à entrada. Não se preocupam se há amassos nos dormitórios mas preocupam-se com os telemóveis. — Revirou os olhos. — Enfim. Agora vá, vamos lá para o convivio. — Disse ela, com um sorriso, já recomposta.
Assenti, sorrindo e fomos para a sala de convivio no andar de baixo. Ao chegarmos lá, fomos recebidas pelo Ian. E, minha nossa, que coisa fofa!
- Bem vinda ao colégio... — ele hesitou e eu percebi a deixa.
- Valerie. Valerie Stark. — Apresentei-me, sorrindo.
- Bem vinda ao colégio, então, Valerie Stark. Sou o Ian Northswood. — Disse ele com um sorriso de canto daqueles que os rapazes dos filmes fazem e que são super adoráveis.
- Obrigada, Ian. — Respondi.
- IAAAN! FOFO! Anda para ao pé de nós, vá! — Disse a Amber, que chegou do nada, abraçando-se ao Ian que fez uma cara de nojo durante uns segundos mas logo se recompôs, metendo um sorriso na cara.
- Tenho de receber as pessoas, fofinha. — Desculpou-se.
Ela olhou para mim e para a Deb com desdém.
- Se é para receberes má gente como essas duas, mais vale vires ter connosco. — Disse ela, beijando-lhe a cara.
- Amber, sê gentil. Eu já lá vou ter. — Disse ele e virou-se para nós. — aqui tens o papel com as regras da escola. Diverte-te.
E, com isto, eu e a Deb entrámos na sala de convívio e fomo-nos sentar num dos bancos que ali estavam a observar o pessoal já que nenhuma de nós queria ir conviver. Sentia falta do Castian e da Chloe...
- Quando é que são as visitas da familia? — Perguntei à Deb.
- Duas vezes por mês, sempre aos Domingos. — Respondeu.
Assenti. Então iria ver os meus palhaços em breve.
- Onde é que é a casa de banho? Estou muito apertada. — Disse eu.
- Sais da sala de convivio, viras à direita e é a primeira porta à esquerda no fim do corredor. — Explicou.
Agradeci e saí. Não tardei a chegar à casa de banho. Era toda branca, ao contrário do resto da escola, que era cinzenta. Quando saí, ouvi vozes ali perto e aproximei-me lentamente.
- tu não podes acabar comigo, Ian! Não te esqueças que eu posso contar ao Diretor aquilo que tu fizeste! — Disse uma voz irritante que eu reconheci como sendo a da Amber.
- Achas que ao fazeres chantagem comigo eu te vou amar, Amber?! — Respondeu o Ian.
- Tu vais amar-me! A bem ou a mal mas vais! — Gritou ela e zarpou dali para fora, a abanar-se, toda irritada.
O Ian virou-se para trás e viu-me. Comecei a recuar e corri para longe mas em breve umas mãos morenas e quentes me seguravam o braço, gentilmente, obrigando-me a virar.
- Não precisas de fugir, sabes? — Perguntou o rapaz dono dos olhos cinzentos que me tiravam o ar só de olhar para eles.
- Eu... desculpa, não era minha intenção ouvir a vossa conversa. — Disse eu, olhando para o chão.
- Não faz mal. Promete-me só que não contas a ninguém o que ouviste, o que quer que tenha sido.
- Eu prometo. Agora preciso de voltar para a sala de convívio.
Ele soltou-me com um sorriso fraco e eu voltei para a sala de convívio. Quando lá cheguei, a Deb tinha desaparecido, por isso, decidi ir para o quarto, onde a encontrei a mexer na minha mala.
- O QUE RAIO É QUE PENSAS QUE ESTÁS A FAZER?! — Gritei, com o medo de que ela descobrisse as minhas bebidas a misturar-se com a raiva por ela ter mexido nas minhas coisas sem autorização.
Notas finais
Então, que acham do Ian? :) E o que acham que vai acontecer agora que a Valerie encontrou a Deb a mexer nas coisas dela? Deixem reviews a dar as vossas opiniões, sim? :)
Até ao próximo! ♥ xx Nikky
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