Save Me
1 One shot
Notas iniciais
Ler com esta música. Se acabar não há problema em pôr do início.
***
O relógio marcava 12:40 da noite.
Deitada na cama, eu pensava em tudo o que me tinha acontecido nos últimos tempos. De quando meu namorado me traiu, quando meu pai morreu, quando minha melhor amiga me apunhalou pelas costas. Eu tentava ser forte... Mas tudo estava muito difícil e eu não sabia quanto duraria mais. Tenho apenas 15 anos. Minha mãe sempre me diz isso, que eu mal sai da casca ainda.
Mas ela nunca me percebeu e só sabe dizer que eu não devia ter nascido e que a minha irmã é muito melhor que eu. Na verdade, o meu único porto de abrigo é a minha irmã. Mas ela já saíra de casa. Eu não tinha ninguém...
Levantei-me da cama. Lágrimas rolavam pelo meu rosto, e eu não sabia dizer o que elas significavam... Sinceramente. Eu já não tinha sonhos, e todos os que ainda tinha, eu sabia que não os conseguiria concretizar. Porque eu vou morrer, eu não quero estar mais aqui, não posso. Eu sou uma pedra no sapato de toda a gente. Da minha mãe, do meu ex, da minha melhor amiga. Ninguém me quer bem, então... Para quê continuar? A vida é uma treta. Sempre foi, para mim. Desde que eu era muito criança ainda, quando fui humilhada pelos meus coleguinhas, me trancaram em um armário e ali passei horas e mais horas. Tinha 5 anos, apenas 5 inocentes anos. Nunca assumiram as culpas, e acabei por ser expulsa da escolinha.
Quando vi a minha prima morrer. Eu tinha 7 anos na altura. Ela não era uma prima muito próxima, mas eu gostava dela.
Quando minha avó me tentou matar. Eu teria uns... 9 anos. Estava brincando na piscina dela, até que eu perdi o pé, e quase me afoguei. Tudo isto e minha avó fingiu que não via nada.
Me lembro também de quando sai da minha escola, com 12 anos, e meus '' amigos '' tinham cartazes, que diziam em letras bastante legíveis '' Saia dessa escola, Amy, você não vale nada '' Apenas porque eu gritei com a rapariga mais popular.
14 anos. Meu pai morreu, de embolia pulmonar. Nunca pensei isto dele. Ele nem sequer fumava. Não sei como aconteceu... Ele era um pai inteligente, e dedicado. Tive pena, muita pena.
E hoje. Quando minha mãe me bateu, dizendo que eu era uma menina burra e tola. Tudo isto só por descobrir os cortes no meu pulso. Quando flagrei o meu namorado me traindo com uma garota. Eu me aproximei, e essa garota era minha melhor amiga.
E... agora. Quando tenho a pistola encostada á cabeça. Minha mãe sempre me dizia para não mexer nela, pois era do meu pai. Quando penso em tudo isto, em toda a minha triste vida. Eu nunca estive viva, sempre estive morta, na realidade. Isto não se chama viver... Podiam-me ter salvo. Podiam, exato.
Mas isso... Não me interessa.
Já não.
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