Save Me
25 Emotions
Notas iniciais
Bella's POV
– Meu Deus. — foi apenas o que eu consegui falar. Não era possível, não podia ser verdade. Aonde íamos achar um coração? A fila de órgãos é imensa.
– Eu sinto muito Edward – ouvi do outro lado da linha, era o Dr. Michael falando. Edward estava mudo e eu também. Tantas coisas passavam na minha mente agora. O que iria acontecer se não achássemos um doador á tempo? Não, não podíamos pensar assim, nós iríamos achar um doador, iríamos.
Mas quem eu quero enganar? Como vamos achar um doador de coração??
Isso não podia estar acontecendo. Não era justo. Ela não merecia morrer, não podia morrer! E Esme? Como ela iria lidar com isso? Alice? Edward? Como vai ser pra eles?
Se até pra mim, que passei pouco tempo pra ela já esta sendo um inferno imagine para a os irmãos, a mãe, o pai. Não era possível que essa fossa a única solução, não podia ser. Leah era muito nova para... ela não pode ir... ela precisa viver,ela...
Minha cabeça começou a rodar e pontinhos brancos começaram a embaçar minha visão, eu estava tonta, nauseada, sem equilíbrio. Braços me envolveram pelas costas, me sentando na cama.
– Bella, ta tudo bem? — Eu não conseguia enxergar quem era, eu estava tonta, como se fosse desmaiar. — Bella? — Novamente chamaram meu nome mas não consegui abrir os olhos. Com muita dificuldade comecei a respirar lentamente, aos poucos a tontura e a náusea foram passando, minha cabeça parou de rodar e voltei a enxergar bem de novo. Meu olhos se encharcaram de água em uma velocidade que nem eu entendi. Lágrimas descontroladas começam a rolar e rolar pelo meu rosto. Mesmo eu lutando para elas não saírem, era mais forte do que eu, mais forte do que eu podia aguentar.
– Eu sinto muito, novamente. Não vou mentir para você, a fila de espera é muito longa, á não ser que apareça alguém disposto á doar um coração, não há nada a se fazer. Me desculpe. — Eu só conseguia ouvir o que acontecia do outro lado da linha, não conseguia falar, estava travada. Eu queria dizer alguma coisa, dizer ao Edward que sinto muito, perguntar ao doutor se não havia nada mais á ser feito, se tinha alguma chance dela sobreviver, mas meus músculos não me obedeciam. Estava paralisada, apenas lágrimas rolavam pelo meu rosto. Braços me envolveram, me abraçando, mas nem retribuir o abraço eu consegui.
– Preciso ir checar meus outros pacientes, volto mais tarde se você precisar conversar. Acho bom você ligar para os seus pais ou para alguém, não fique sozinho agora. Eu sinto muito novamente, Edward. Com licença.
Ouvi um barulho de uma porta se fechando e depois mais nada. O outro lado da linha estava mudo, assim como eu. Eu estava sem chão, sem esperanças. Depois de um longo tempo uma voz trêmula apareceu do outro lado da linha.
– Preciso de você.
Edward's POV
“Edward, sua irmã precisa de um novo coração. Do contrário, ela pode vir á óbito em alguns meses"
“Eu sinto muito”
“Sem um órgão sua irmã não vai sobreviver muito tempo.”
“O coração dela esta muito fraco e debilitado”
“Não posso fazer milagres”
As palavras do médico giravam em minha cabeça como uma roda gigante. Não consegui dizer uma só palavra á ele.
O desespero, a angústia, o temor, tomaram conta de mim de uma forma descomunal. Não podia ser o fim, não era. Eu não iria aceitar isso, não agora.
Senti meu coração ser esmagado, como se um caminhão de concreto tivesse passado por cima dele, eu estava destruído. Não era possível que não havia mais nada a ser feito. Esperar na fila de órgãos? Era isso? Esperar? Nós iríamos esperar? Leah não pode esperar! Não é justo!
Eu não sabia o que fazer. Não parecia verdade. Não podia ser verdade. Minha irmãzinha, quase morta....não! Não, não, não, não!
Eu estava em choque. Não consegui ter nenhuma reação coerente.
“não há nada a fazer, me desculpe”
COMO NÃO HÁ NADA A FAZER? VOCÊ É MÉDICO, TEM QUE FAZER ALGUMA COISA!
Por mais que eu soubesse que o Dr. não tinha culpa, que realmente não havia nada a se fazer eu não queria aceitar! Não podia ser verdade! Como Deus pode ser tão ruim assim? Eu tenho rezado, não tenho? Minha irmã sempre foi uma boa menina, então por que tudo isso? O que eu fiz de errado? Por que isso esta acontecendo comigo?
Dúvidas, raiva, dor e angústia se misturavam dentro do meu peito de uma forma esmagadora. Por um momento não consegui respirar direito e precisei me sentar.
O médico me direcionou mais um 'sinto muito' e deixou o quarto.
Me sentei na cama da minha irmã e olhei para ela. Tão linda, serena, calma, como podia ser o fim da vida dela? Como podia não ter mais jeito nenhum? Não podia ser verdade! Esse médico só devia estar louco! Ou era eu quem estava?
Olhei novamente para Leah, o que fez meu coração se esmagar ainda mais. O celular vibrou na minha mão, avisando que a bateria estava quase no fim, então percebi que Bella ainda estava na linha. Não sei porque diabos eu comecei a chorar, eu não devia ser forte? Com as mãos e a voz trêmula só consegui dizer 3 palavras.
“Preciso de você” nada além disso saiu da minha voz trêmula e desesperada. Do outro lado da linha, eu só conseguia ouvir um choro. Até que outra voz apareceu.
– Edward, é o Jacob. Bella não esta em condições para falar, não vou te perguntar o que houve, pois imagino que você também não esteja. Vou tentar acalmá-la e peço pra ela te ligar depois, tudo bem? Sinto muito cara, qualquer coisa pode ligar pra mim, pode contar comigo. Se cuida, tchau.
O telefone ficou mudo. Não consegui responder o Jacob ou falar qualquer coisa. Meu celular tocou e no visor apareceu o nome 'Alice'.
Apertei o botão vermelho, desligando o celular. Não conseguia lidar com ela agora, nem com ninguém.
Cheguei mais perto da minha irmã e encostei minha testa na dela, estava gelada, não sei se pelo ar condicionado ou por outro motivo qualquer. Leah não se mexia, não me dava qualquer indício de que estava acordada, ou que sabia que eu estava ali. Acariciei suas bochechas enquanto minhas lágrimas caiam em cima da mesma. Dei-lhe um beijo demorado e quente em sua testa e segurei suas mãos. Não sabia se ela me escutava, ou se sentia alguma coisa, mas não importava.
– Oi irmãzinha... que doideira né? Eu nunca pensei que estaria aqui vendo você desse jeito, eu na verdade nunca pensei que mesmo eu te dando meu coração e te amando com todo ele, você precisaria de um novo. Eu nunca pensei que além de te dar meu coração simbolicamente, eu iria te dar ele fisicamente. Lembra que eu te disse que cuidaria de você? Que morreria por você? Então, acho que chegou a hora de cumprir minha promessa, né? Eu sinto muito por tudo isso, sinto muito por não poder tirar essa doença de você e trazê-la pra mim, eu sinto muito. Eu disse que nada de mal te aconteceria, eu te prometi, e eu falhei, eu sinto muito Leah. Mas vou consertar isso. Você só não pode dizer á ninguém. Eu não contarei á ninguém. Será nosso último segredo, ok? Confie em mim, eu disse que daria tudo certo, vou manter minha palavra. Eu te amo com todo o meu coração e...
A porta se abriu e Alice e Jasper apareceram. Na mesma hora me afastei de perto de Leah, apenas me sentando na maca. Alice veio aos prantos ao meu encontro e me abraçou.
Nesse momento, todo o choro, angústia, dor, sofrimento, medo, que eu estava sentindo me tomaram de uma vez só. Chorei descontroladamente nos ombros de Alice e ela chorava descontroladamente em meus ombros.
Eu chorei não tanto pela minha irmã, mas por mim. Eu não contaria á ninguém o que eu faria, eu não conseguiria contar. Como ia dizer á minha mãe? Á minha irmã? Á Bella, Renesmee, Emmett, Victoria? Como?
Seria difícil. Mas se fosse preciso desistir da minha vida para que minha irmã pudesse aproveitar á dela, então eu o faria. Não havia mais o que pensar sobre o assunto.
Eu chorei pois nunca mais veria minha família, não veria Leah crescer saudável, não veria Renesmee crescer, não poderia ter os filhos que prometi á Bella que teríamos...
Bella.
Como eu viveria sem ela? Como? Eu a amava, mas do que eu mesmo, era incondicional, inexplicável, não tinha como descrever o que eu sentia por ela e o quanto era doloroso tomar essa decisão. Mas era a coisa certa á fazer. Á uma semana atrás Jasper havia me dito que ele a Alice estavam tentando fazer um filho, e Alice não iria se sacrificar dessa forma, por mais que ela amasse nossa irmã, e afinal, eu era o homem da família ali. Em momento algum passou pela minha cabeça que meu pai devesse fazer isso, além do mais porque ela havia praticamente abandonado Leah no hospital, o que provava que ele não se importava, e que cabia á mim receber as consequências. Não que eu não morreria pela minha irmã, eu morreria, e morrerei. Mas é devastador. Eu iria perder tudo. Família, amigos, filhos, o amor da minha vida, meu trabalho, meu cachorro, as manhãs de sol, o sorriso de Bella ao me ver ao lado dela de manhã, as risadas de Renesmee, os mimos da minha mãe, as bobeiras de Emmett, a chata da Alice, minha melhor amiga Victoria, eu iria perder a Sue, Alfred... Eu perderia minha vida. Mas em troca, minha irmã ganharia o direito de viver á dela, e eu não podia negar isso á ela, era meu dever.
Bella's POV
Abri meus olhos. Percebi que estava deitada na cama, coberta com um lençol. Olhei para o lado e Jacob estava ali, olhando pra mim. Ele tomou um susto ao me ver acordada.
– Bella? Você esta bem? Esta melhor?
– O que? Jacob, o que aconteceu?
– Você estava com Edward no telefone, e de repente ficou muda, começou a chorar, estava paralisada. Falei com você e você não me respondia, ai você começou a chorar descontroladamente e sua mãe trouxe um calmante. Você tomou e dormiu um 5 minutos.
– Quanto tempo eu dormi?
– Quase duas horas... Bella o que aconteceu? Alguma coisa com Leah?
– Oh Jacob... — lágrimas voltaram aos meus olhos, involuntariamente.- O médico foi falar com Edward hoje, eu estava no telefone com ele, ouvindo a notícia também. — dei uma pausa pra respirar, minha voz estava quase travando por conta do choro. — Jacob, ela precisa de um coração, do contrario, ela... — não consegui terminar de falar e comecei a chorar novamente.
– Meu Deus... Bella eu sinto muito... — Jacob veio ao meu encontro e me abraçou forte e eu retribuí. Meu choro ficou mais alto e descontrolado. Tentei respirar e retornar á calma.
– Eu não sei o que dizer...
– Eu sei Jacob, não há nada a dizer...
A porta se abriu e minha mãe entrou.
– Filha... — Ela não me perguntou nada, apenas me abraçou. — Vai ficar tudo bem Bella, confie em mim ok? Vai dar tudo certo filha, fica calma.
Fechei os olhos e abracei minha mãe com todas as minhas forças, ouvindo-a falar daquele jeito, por um momento, eu realmente pensei que tudo fosse ficar bem.
Renesmee entrou no quarto e veio até mim, me abraçando também.
– O que foi mãe? Meu pai ligou? E a irmã dele?
Todos olharam pra mim, esperando uma resposta. Renée olhou para Jacob, fazendo um sinal para ele sair do quarto junto com ela, deixando eu e Renesmee sozinhas. Agradeci minha mãe com o olhar e ela me desejou boa sorte silenciosamente.
Eu não sabia como dizer á uma menina de quase 4 anos. Como eu ia explicar? Juntei todo o bom senso que eu tinha e tentei dizer alguma coisa, sem chorar de preferência.
– Filha, olha, você lembra que eu te disse que a irmã do Edward estava muito doente, não lembra? — ela fez que sim com a cabeça. — Então, as coisas pioraram. E ela esta muito mais doente do que estava. — Renesmee se remexeu na cama, como se estivesse incomodada e tentando manter a calma. — Filha, sabe quando a mamãe te diz, que te ama com todo o coração? Então, nós só podemos viver com o coração, e a irmã do Edward precisa de um novo, porque o dela esta muito doente...
– Mãe, eu não posso emprestar o meu pra ela? — me segurei com todas as forças pra não chorar, mas minha voz já estava saindo trêmula.
– Não filha, isso não tem como a gente emprestar pra ela. E se ela não conseguir alguém dê um coração, ela vai ficar lá no céu, junto com os anjinhos que cuidam da gente...
– Ela vai morrer? — Renesmee começou a chorar e eu também. Puxei ela pra perto de mim, abraçando-a e acariciando seus cabelos. Não sabia o que dizer á ela, como lidar com isso, era muito difícil.
Me deitei na cama e ela se deitou do meu lado. Nos abraçamos e ficamos ali, até que pegamos no sono.
Acordei com meu celular tocando, eram 15:30 da tarde. Atendi com voz de sono.
– Alô?
– Bella? Desculpe te acordar, é Benjamin. Você vai vir visitar James hoje?
– Ahh, sim, me desculpe Benjamin, eu estava dormindo com Renesmee, sim vou levá-la, já já estamos saindo, obrigada por ligar..
– Por nada, vou prepará-lo para a visita então, espero vocês.
– OK, obrigada, até já.
– Até.
Deus, havia me esquecido completamente. Com essa notícia de Leah minha cabeça havia virado de cabeça para baixo.
Acordei Renesmee com um beijo delicado em sua bochecha.
– Acorda Bela adormecida. — Ela sorriu e abriu seus olhos. — Filha, vamos se vestir e comer alguma coisa, vou te levar pra ver o James.
– Sério? Obrigada mãe! — Ela se levantou como um foguete e foi até o quarto se arrumar.
Me levantei também, tomei uma ducha rápida, penteei meus cabelos, escovei os dentes, coloquei uma roupa e desci. Renesmee já estava na cozinha, comendo cereal com leite. Bebi um copo de água, não conseguia beber nada ou comer nada. Peguei Renesmee no colo e fui até o carro. Minha mãe havia saído com Jacob para fazer compras, então não teria que dar satisfações á eles, muito menos explicar o porque de eu estar levando Renesmee para vê-lo. Coloquei ela na cadeirinha no banco detrás do carro, depois fui até o banco da frente, me sentei, liguei o motor e dirigi até a delegacia.
Benjamin estava na porta, conversando com um policial alto e robusto. Estacionei e desci do carro. Abri a porta detrás, soltei Renesmee da cadeirinha e á peguei no colo.
– Olá Bella.
– Oi, boa tarde.
– Este é Rudson, é nosso novo policial.
– Olá, prazer. Sou Bella. — sorri educadamente.
– Prazer. — Rudson sorriu simpático.
– Benjamin, eu gostaria de começar essa visita o quanto antes, se for possível..
– Claro Bella, venha comigo. Com licença Rudson. — Ambos se cumprimentaram com a cabeça. Então Benjamin nos conduziu até sua sala.
– Bella, você vai entrar com a sua filha?
– Eu queria lhe pedir um favor, se tinha como 2 policiais acompanharem ela, eu não quero participar dessa conversa entre eles. Eu sei que é seguro, que tem um vidro imenso separando-os e que há policiais com ele, mas me deixaria mais segura.
– Sim, eu entendo. Claro, eu mesmo á acompanharei, junto de John.
– Obrigada.
– Vou avisar para levarem-no até a sala de visitas. — Benjamin sorriu para mim e eu sorri de volta por educação.
– Filha se comporte, ok? E qualquer coisa, se você quiser ir embora, avise Benjamin que ele te irá te tirar de lá, tudo bem? Não vou entrar com você, pois eu ainda não consigo olhar pra ele..
– Tudo bem mãe, tudo bem. Vou rapidinho ok?
– OK filha.
– Bella, esta tudo pronto.
Dei um abraço em Renesmee e ela desceu do meu colo, pegando na mão de Benjamin e indo com ele em direção á sala de visitas.
Agora só me restava esperar.
Renesmee's POV
Os dois moços altos, Benjamin e o outro que eu não sabia o nome estavam indo comigo para aquela sala onde eu veria meu antigo pai.
Era muita coisa para um dia só. Eu estava triste, porque nunca iria brincar com a irmã de Edward, nunca ia conhecer ela. E agora ainda estava indo ver meu antigo pai. Era estranho falar que ele era meu antigo pai, mas era.
Cheguei na sala grande e um vidro enorme me separava do meu antigo pai. Ele estava sentado, com uma roupa laranja, e tinha uns círculos em volta das mãos dele. Benjamin me levou até a cadeira e me colocou sentada. Eu não conseguia ver meu antigo pai sentada, então me ajoelhei na cadeira.
Agora eu podia ver ele. Ele estava com uma cara triste, de cabeça abaixada, estava com cara de quem tinha chorado.
Benjamin me explicou que eu tinha que pegar o telefone do meu lado e falar pra ele me escutar. Peguei o telefone branco e pesado e apoiei ele em meus ombros. James pegou o telefone também e sorriu.
– Oi.
– Oi filha.
– Olha James, eu quis vim aqui, pra te falar algumas coisas. — ele me olhou, quieto, então eu continuei.
– Você magoou muito minha mãe, eu, e muita gente. Não gostei do que você fez, foi muito feio. Um pai nunca faz isso. Então, queria te dize que você não é mais meu pai. Me desculpa, mas se você amasse eu como a mamãe e o Edward, não tinha me machucado. — ele começou a chorar e eu me senti culpada.
– Me desculpa filha...
– Tudo bem, eu te desculpo. Mamãe disse que as pessoas erram mesmo. Mas não vou ficar triste com você de novo, já estou triste com outra coisa.
– O que houve filha?
– A irmã do Edward, ela ta doente. Mamãe disse que ela precisa de um coração, eu queria emprestar o meu, mas ela disse que não tem como emprestar e que ela vai pro céu.
– Edward tem uma irmã?
– Tem. O nome dela é Leah, ela é mais velha que eu, tem 11 anos. Eu ia brincar com ela, mas agora não vou poder mais.
– Sinto muito filha.
– Olha James, eu quero ser sua amiga. E não é pra me chamar de filha, me chama de amiga, ou de Renesmee. Ok? Olha, eu rezei pro papai do céu, pedindo pra você ficar bom de novo. Tenta ficar bom de novo. Pede desculpas pra minha mãe, pro Edward e pra todo mundo que você magoou. — Ele começou a chorar mais, então sorriu pra mim.
– Obrigada Renesmee. Eu aceito ser seu amigo. Você podia pedir pra sua mãe vir aqui? Queria pedir desculpas pra ela.
– Tudo bem, mas não sei se ela vai vir não...
– Tenta chamar ela, por favor.
– Ok. — desliguei o telefone pesado e desci da cadeira.
– Tio Benjamin, preciso falar com a minha mãe. — ele pegou na minha- mão e me levou até a outra sala. Fui até a minha mãe.
– Mãe, James quer falar com você.
– Filha, já disse que não quero falar com ele...
– Mãe, ele quer pedir desculpas. Eu disse pra ele se desculpar com você, ai ele pediu pra te chamar, por favor, vai lá...
– OK, eu vou, mas só 2 minutinhos!
– Ok mãe, eu vou ficar aqui.
– Ta. — beijei a testa dela.- Eu te amo filha.
– Também te amo mãe.
Fui atrás de Benjamin até a sala de visitas. James estava sentado, de cabeça baixa e algemado. Estava com a cara péssima, parecia que havia chorado recentemente. Me sentei na cadeira e peguei o telefone branco. Ele fez o mesmo. Eu não disse nada, só esperei. Então ele disse.
– Oi Bella... Renesmee esta linda né? Ela cresceu... — Não conseguia responder nada, por mais que parecessem palavras sinceras, eu não conseguia acreditar.
– Eu sei que nada vai mudar o que eu te fiz, ou o que eu fiz para nossa filha. Mas eu sinto muito. Estando aqui, sozinho, nessa situação, me fez perceber o quanto eu estava errado, o quanto eu fui grosseiro, imbecil, idiota, louco! E o quanto eu magoei todos vocês, eu sinto muito Bella, por tudo. E quero que saiba que nem vou contratar um advogado, eu realmente mereço pagar pelo o que eu fiz, por tudo o que eu te fiz passar, me perdoe. Eu te amei, muito. E fiz coisas medonhas, e sei que você acha que não te amo, mas eu te amo, e eu sinto muito, por ter sido um louco, um péssimo marido, e por ter te machucado.
Não era possível! Eu ouvia tudo o que ele dizia mas não acreditava em uma só palavra. Como uma pessoa podia mudar tanto? Isso era possível?
– Renesmee me contou da irmã do Edward, eu não sabia, sinto muito por ela. Ela precisa de um coração?
– É. — foi só o que eu consegui dizer.
– Eu sinto muito, diga á ele que eu sinto muito, de verdade.
– O horário de visitas acabou. — Benjamin disse atrás de mim.
Eu já estava desligando o telefone...
– Espera! — coloquei o telefone novamente na orelha. — Diga que você me perdoa. Eu nunca mais vou te ver, eu prometo, só preciso saber que você me perdoa, por favor Bella. Por favor..
– Tudo bem. — eu não sabia o que dizer, estava muito fragilizada pra ser dura com ele. A história de Leah, James me dizendo tudo o que disse, meu estômago estava embrulhado. — Eu te perdoo James. — Não sabia ao certo se essas palavras eram verdadeiras, mas me pareceu o certo á dizer.
– Obrigado. — ele sorriu, mas eu não sorri de volta. Me levantei e acompanhei Benjamin até a saída.
Lágrimas brotaram em meus olhos novamente.
– Bella, é sério essa história de Leah? Eu não sabia, não falei com Edward ainda, eu sinto muito!
– É verdade. Benjamin me desculpe, mas não estou em condições para conversar, ligue para o Edward e fale com ele, por favor. Me desculpe.
Fui até a sala dele, peguei Renesmee e saí da delegacia. Chegando na porta de casa encontrei Jacob e minha mãe voltando das compras. Deixei Renesmee com eles, entrei no carro novamente e dirigi até um parque perto dali.
Desci do carro, me sentei embaixo de uma árvore e tudo o que havia acontecido naquele dia me tomou de uma forma descomunal, dominando minhas emoções e minhas lembranças. Um filme da minha vida de casada se passou pela minha cabeça, meu momentos de dor e angústia, logo depois as memória que tinha de Leah começaram á inundar meus pensamentos me fazendo explodir. Eu apenas chorei, chorei e chorei, chorei para ver se a dor passava. Mas ela parecia não ter fim.
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