Save Me
27 Behind blue eyes
Notas iniciais
James's POV
Minha cela é fria.
Já é de noite. O vento entra pela pequena janela da minha cela. Tenho apenas a roupa do corpo e um colchão velho, nada muito confortável. Meu estômago roncou. Já estava á muitos dias na prisão, já havia perdido as contas. A comida daqui era péssima, e só tínhamos duas refeições por dia, o que não alimenta muito bem. Pão e água no almoço e jantar não é lá muito gostoso.
Deitei no terrível colchão e comecei a encarar o teto. Comecei a lembrar da minha e de como vim parar aqui. Eu fazia isso toda a noite.
Eu sei que eu mereci isso. Fui um filho da puta com Bella, magoei minha filha, não dei valor á minha família. Sem falar os socos que dei no Edward. Eu realmente sentia muito.
Minha infância não foi uma coisa maravilhosa, eu nem sempre fui rico.
Eu morava no interior com meu pai e minha mãe. Tínhamos uma fazenda, cuidávamos de alguns gados. Minha família sempre foi pobre, e quando eu tinha 6 anos entramos em uma crise tremenda. Meu pai não tinha dinheiro para alimentar o gado, muito menos para nos alimentar.
Eu sempre tive uma criação muito rígida, severa. Meu pai sempre me disse que homem não chorava, e que era o nosso dever mandar na casa, a mulher deveria obedecer. Meu pai era narcisista. Ele me batia quando eu chorava, brigava comigo quando eu fazia algo de bom, eu realmente não entendia nada daquilo, ele sempre me dizia,
"Os bons não tem lugar nesse muito. Eu fui bom minha vida toda e olha o que consegui, a miséria. Não seja bom James."
Depois da crise que nos fez perder a fazenda e todo o pouco que tínhamos, fomos morar em um barracão. Minha mãe tentava arrumar um emprego e meu pai ficava bebendo sem parar. Ele batia na minha mãe e no começo eu achava isso errado, via ela chorando e queria cuidar dela, bater no meu pai. Mas sempre que ele batia nela ele me dizia que era para o bem dela, que isso era ser o homem da casa.
Naquela época, até alguns meses atrás para ser mais exato, eu realmente pensava dessa forma. Eu sempre quis a aprovação do meu pai, então eu me tornei um menino mal, para dar orgulho á ele. Eu comecei a maltratar minha mãe também, era rebelde, relaxado, mandava na minha mãe como se fosse gente grande, xingava ela do mesmo modo que meu pai fazia, e ele sempre sorria para mim quando eu o imitava.
No meu subconsciente eu sabia que tudo aquilo era errado, que não era certo fazer tudo aquilo com a minha mãe, mas na época, eu realmente acreditava que ela merecia, não sei porque, mas ela merecia, pelo menos era o que meu pai me dizia. E eu acreditava nele tão cegamente, que acabei maltratando minha própria mãe, a mulher que eu amo, e minha própria filha.
Depois de dois anos minha mãe arrumou um emprego, não sei que emprego foi esse, até hoje não sei, mas só sei que ela ganhava muito dinheiro. Então, fomos nos reerguendo aos poucos. Eu já tinha 15 anos quando meus pais me colocaram em uma escola particular. Lá que conheci Isabella.
Ela era linda, ainda é. Ela foi a primeira pessoa que não me olhou com pena, mas sim com compreensão. Viramos amigos na primeira semana de aula, e foi uma questão de tempo para namorarmos. Eu comecei a trabalhar, então nem, dinheiro para pagar a escola eu precisava mais. Perdi o contato com os meus pais. Eu havia alugado um quarto na casa de uma senhora que trabalhava na escola, apenas dormia lá. Eu ia para a escola de manhã, trabalhava de tarde, e ia para casa dela para dormir. E por incrível que pareça essa foi a época mais feliz de toda a minha vida. Eu não precisava provar nada para o meu pai, então não precisava mais ser mal. Eu podia ser eu mesmo, eu podia sorrir, aproveitar a vida e não maltratar as pessoas.
Apesar de acreditar no que meu pai me dizia, de que o fato dele bater da minha mãe era o melhor para ela, eu não queria fazer isso com Bella.
Contei á Bella tudo sobre minha vida e ela me contara o mesmo. Disse á ela como ainda era difícil para mim controlar meu desejo compulsivo de ser maldoso, mas que ao lado dela, esse meu lado obscuro era fácil de esquecer.
Bella foi um anjo em minha vida. Ela me entendia como ninguém e me escutava, o tempo que fosse preciso. Bella me dava conselhos, e me ajudava a superar o cara mal que eu sempre fui.
Bella ficou grávida, então nós casamos. Já estávamos ambos formados na faculdade, e eu, como era um bom aluno, fui convidado para trabalhar em um empresa, e aos poucos, fui montando a minha própria.
Nossa filha nasceu. Eu e Bella estávamos felizes, recém casados, animados para sermos pais, ainda que jovens, e amávamos um ao outro.
Um ano depois do meu casamento, decidi procurar meus pais. Bella havia me encorajado á me desculpar com a minha mãe.
Desdi que conheci Bella, sempre quis pedir perdão á minha mãe, por tudo o que eu havia feito, pelas vezes que á tinha maltratado, pelas vezes que não cuidei dela quando ela precisou, pelas vezes que fui um filho da puta.
Procurei meus pais por duas semanas. Como não tive notícia de nenhum deles, eu e Bella ligamos para os hospitais locais e demos o nome de ambos, podia ter acontecido alguma coisa com algum deles.
Mas para o meu choque e minha frustração, nada havia acontecido com meu pai, só com minha mãe. Um dos hospitais me disse que ela havia morrido á um mês.
Meu mundo desmoronou.
De repente tudo o que meu pai havia me dito na vida fez sentido. Porra, eu estava sendo bom, estava construindo minha família. ia pedir desculpas á minha mãe, e descubro que ela havia morrido.
Meu primeiro sentimento foi remorso, dor, por nunca mais poder pedir desculpas á ela. Meu segundo sentimento foi raiva e entendimento, eu finalmente havia entendido o que meu pai sempre havia me dito. Lá no fundo, bem no fundo, eu sabia que a morte da minha mãe não tinha nada a ver com o fato de eu ter me tornado bom novamente, mas eu estava desesperado, e procurava respostas. Inconscientemente me lembrei de tudo o que meu pai havia me dito, e criei algum sentido estúpido em tudo aquilo.
Voltei a ter contato com meu pai e sempre que ele me encontrava me dizia o quão frouxo eu era. O quão idiota eu era por dizer que amava Bella, por cuida dela e de minha filha.
Meu pai fez uma lavagem cerebral em mim. E eu cai como um patinho. Então começou o meu inferno.
Por um lado eu amava Bella e Renesmee incondicionalmente, e pelo outro, eu ainda era aquele garotinho que buscava a aprovação do pai. Meu pai me pressionava, dia após dia, para ser o 'homem' da casa. Para fazer o que ele fazia.
Aos poucos fui entrando nesse jogo e me afundando, e levando meu casamento e minha família para o fundo do poço comigo.
Comecei a bater em Bella e á maltratá-la. Era difícil pra mim, mas ao mesmo tempo que parecia errado, parecia que era certo. Todas as vezes eu me arrependi, e todas as vezes me desculpava. Mas eu sabia, que como minha mãe, Bella sofria. Um lado meu achava isso bom, correto, o outro lado, o lado do James de 15 anos, que voltou a ser bom porque estava longe do pai, gritava na minha mente o quão filho da puta eu era por fazer tudo aquilo. Mas eu não conseguia parar.
Meu pai dominou minha mente de uma forma descomunal. Eu fazia o que ele mandava, como se fosse um cachorrinho. Comecei a me tornar um homem obscuro, pior do que meu próprio pai. Eu era rígido até com minha filhinha de 2 anos, eu havia me tornado um monstro, mas por outro lado, havia conseguido ser o orgulho do meu pai, havia conquistado o que eu sempre achei que precisava.
Eu fui um canalha. Perdi absolutamente tudo. Minha filha, Bella, minha empresa, e até meu pai, que depois que soube que eu estava na prisão, pegou meu dinheiro no banco e sumiu do mapa.
Hoje, olhando para trás eu vejo o quanto eu errei. O quanto foi errado as coisas que fiz. Fico horrorizado comigo mesmo, e com as coisas que fiz apenas para conseguir a aprovação do meu próprio pai.
Devia ter sido fácil, não é? A maioria dos pais ficaria orgulhoso em ter um filho bom, trabalhador, educado, mas não o meu pai.
E hoje, eu percebo que para conseguir ver meu pai orgulhoso de mim, para fazer com que ele me amasse, afastei todas as pessoas que uma vez me amaram, troquei tudo pelo simples fato de querer ser aceito pelo meu pai, eu dei minha vida por isso. E no fim, ele me abandonou.
Renesmee tinha vindo me visitar. Ela estava enorme, e linda. Me culpo constantemente do que fiz á ela, e das coisas que fiz ela ouvir e ver. Eu sentia tanto. Queria poder abraçar minha filha, implorar pelo perdão dela, dizer que eu iria concertar as coisas, que eu seria aquele cara bom novamente.
Ela me contou da irmã de Edward, de como ela queria que eu fosse apenas o amigo dela, e não o pai.
Esse pedido me estraçalhou por dentro. Mesmo sabendo que eu nunca havia sido um ótimo pai para ela, ouvir isso da sua própria filha era muito doloroso. Lembrei de mim mesmo com o meu pai. A diferença era que, eu procurava a aprovação de Renesmee, não ela a minha. Pude ver como miná ha garotinha estava crescida, e como eu havia feito mal á ela, á Bella, Edward e á todos.
Bella entrou em seguida. E eu pelo menos pude dizer que sentia muito. Bella, como sempre boa pessoa, disse que me perdoava. Era tudo o que eu precisava, foi como conseguir o bilhete para o céu. Bella me perdoava, eu não seria totalmente condenado no fim das contas.
Eu era um homem mal, mas de agora em diante eu seria bom, e eu tinha o perdão de Bella, o perdão que nunca consegui pedir á minha mãe. Só de saber que eu morreria tendo recebido o perdão dela, já me sentia melhor. Pelo menos, alguma pessoa naquela terra havia me desculpado, e se um mero ser humano havia me perdoado, porque Deus não poderia fazer o mesmo?
Eu estava exausto e com ódio de mim mesmo. Ódio por ter cavado minha própria cova e por ter chego no fundo do poço por contra própria. Mas eu não terminaria assim.
Antes que os policiais me colocassem na cela de prisão, pedi para falar com o policial Benjamin.
Eu sabia que era a decisão certa, e que devia ser feito. Eu finalmente poderia ser bom novamente.
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