Notas iniciais
Dedicada a Debora Dias, como pagamento pela nossa aposta.
Você conseguiu pequena.
Bejos, queijos e carangueijos.

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Perdida. Essa era a melhor definição para como ela estava se sentindo. Sem rumo.

Há quanto tempo estava ali? O que já tinha tomado? Seu nariz ardia, será que havia cheirado? Há quanto tempo a noite havia chegado?

O telefone tocava, mas a secretária eletrônica atenderia por ela. Seria sua mãe de novo? Ou Rachel dessa vez?

“Quinnie, é a mamãe. Se estiver em casa atenda, estamos preocupados. Onde você está? Me ligue.”

Seu pai estava fora aquele fim de semana, o apê era seu e só seu. Mas já era sábado? Ou ainda era sexta? Talvez madrugada de domingo.

Tateou na semi escuridão, até encontrar a garrafa. Tequila? Ou vodca pura? Já não conseguia diferenciar, era tudo ineficaz para curar sua dor.

_ Quinn? – seu nome veio do corredor e ela viu dois pés pelo vão da porta – Fabray, eu sei que está ai, vi seu carro na garagem.

Ela ergueu a cabeça e abriu a boca, pronta a responder, mas tudo o que saiu foi um jorro de vômito, de cor estranha e com inúmeras coisas ‘enfeitando-o’.

_ QUINN! ABRE A PORTA AGORA! – ela o ouviu gritar, agora esmurrando a porta. Ela ouviu o vaso ser arrastado e a chave na porta, antes da mesma se abrir e ele entrar em desespero – Mas que merda Quinn...

Com a luz vinda do corredor, era possível ver o local onde ela estava. Poças de vômito seco a sua volta, duas seringas, pó, comprimidos, um maço de cigarros e uma garrafa pela metade de vodca. Os cabelos loiros embaraçados, escondendo as mechas rosa ainda presentes.

Ela tentou protestar quando ele se adiantou, mas a única coisa que conseguiu foi vomitar mais. Ele pegou a manta do sofá e a envolveu, pegando no colo. Ele a deitou na cama, e abriu a banheira. Pegou o celular e discou rapidamente, enquanto conferia os sinais vitais da garota.

_ Rachel? Sim, ela estava no apê. Não, deixa que eu cuido dela. E por tudo que há de mais sagrado, mantém a sra. Fabray LONGE daqui. Cigarro, pó, bebida e comprimidos. Vou dar banho nela e tirar ela daqui, ai vocês vem e limpam tudo antes do Sr. Fabray voltar. Ok.

Ele jogou o celular na cômoda e foi até o banheiro fechar a torneira. Tirou a camisa e a calça, ficando apenas de samba canção. Se aproximou dela, puxando sua camiseta.

_ Mas que merda Fabray, você perdeu o pouco juízo que ainda te restava?

_ Puck? – ela conseguiu falar.

_ Quem você esperava? O Finn? – ela sentiu a magoa na voz dele – Sinto muito, mas o Finn está ocupado, então sobrou para mim vir te salvar.

_ Beth... Jantar... – sua voz saia sufocada, enquanto ela vomitava novamente.

_ Eu adiei para semana que vem. – disse ele, puxando a calça dela – Afinal, não quero dizer para minha filha que a mãe dela morreu asfixiada em vomito com vodca e drogas.

Ele a tomou nos braços e entrou no banheiro, colocando-se com cuidado na banheira. Ela tremeu ao primeiro contato com a água e se agarrou mais nele, mas logo o mau estar começou a diminuir e o choque da água também, e ela se permitiu relaxar.

_ Posso? – perguntou ela, deitando a cabeça para trás. Como a uma criança, ele apoiou-a e mergulhou seus cabelos na água, passando a mão para tirar o vomito grudado.

Quando a maior parte do vomito havia saído e a água estava completamente suja, ele se levantou, apanhando a toalha. Com cuidado, a levantou e a envolveu na toalha, pegando novamente no colo. Chegando ao quarto dela, apanhou roupas limpas e se aproximou.

_ Sem medo Fabray, não quero abusar de você. – disse ele, abrindo o sutiã dela e retirando. Por um momento ela corou, mas depois, vendo a indiferença dele, se sentiu frustrada. Ele a trocou rapidamente e colocou a roupa de novo, por cima da cueca molhada mesmo.

_ Vamos, as meninas logo vem limpar a bagunça e acho melhor você não estar aqui.

_ Onde... Vamos? – ela disse com dificuldade, ainda não 100% sã.

_ Pro meu apê. É aqui perto. – disse a pegando novamente no colo. Ela se recostou nele e fechou os olhos, sentindo a passagem pelo elevador e depois pelo estacionamento – Fique em pé um pouco.

Ela se apoiou nele com as pernas tremendo enquanto ele abria a porta do carro e a ajudava a sentar. Foram poucas quadras até o prédio dele e apenas alguns minutos de elevador até o apartamento dele.

Era pequeno, de dois cômodos, mas ela nunca se sentira melhor. Ele a deitou em sua cama e foi até a cozinha pegar algo para ela comer. Ela ficou o observando e se surpreendeu ao constatar que ele chorava em frente ao fogão.

Vacilante, ela jogou as pernas para fora da cama e começou a tentar ir até ele, mas caiu e ele veio em seu socorro.
_ Não chore... – disse ela, secando os olhos dele. Ele a puxou para o peito e abraçou, chorando mais ainda.

“Suddenly the sky is falling

Could it be it's too late for me?

If I never said "I'm sorry"

Then I'm wrong, yes I'm wrong

Then I hear my spirit calling

Wondering if she's longing for me

And then I know that I can't live without her”

Ele ergueu os olhos ao ouvir essa frase, cantada entre engasgos e falhas de voz. Ela tinha olheiras fundas, o cabelo bagunçado, os olhos molhados, igual na noite em que tivera sua filha.

Ele a puxou para junto de si e beijou, como havia meses queria beijar, desde aquele dia, na maternidade, olhando o fruto daquele amor.

_ Me salva Puck, por favor, me salva... – pediu ela entre soluços.

_ Sempre, sempre, sempre.

Novamente ele retirou a roupa dela, dessa vez deixando transparecer a saudade que sentira daquilo. A boca dela ainda tinha o gosto das toxinas, mas ele tentava deixá-la com seu gosto.

O celular tocava em algum lugar distante, mas não importava. Ele estava com ela. Ela estava com ele. Eles estavam salvos.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem. Bejos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!