Save Me
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Notas iniciais
Você conseguiu pequena.
Bejos, queijos e carangueijos.
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Perdida. Essa era a melhor definição para como ela estava se sentindo. Sem rumo.
Há quanto tempo estava ali? O que já tinha tomado? Seu nariz ardia, será que havia cheirado? Há quanto tempo a noite havia chegado?
O telefone tocava, mas a secretária eletrônica atenderia por ela. Seria sua mãe de novo? Ou Rachel dessa vez?
“Quinnie, é a mamãe. Se estiver em casa atenda, estamos preocupados. Onde você está? Me ligue.”
Seu pai estava fora aquele fim de semana, o apê era seu e só seu. Mas já era sábado? Ou ainda era sexta? Talvez madrugada de domingo.
Tateou na semi escuridão, até encontrar a garrafa. Tequila? Ou vodca pura? Já não conseguia diferenciar, era tudo ineficaz para curar sua dor.
_ Quinn? – seu nome veio do corredor e ela viu dois pés pelo vão da porta – Fabray, eu sei que está ai, vi seu carro na garagem.
Ela ergueu a cabeça e abriu a boca, pronta a responder, mas tudo o que saiu foi um jorro de vômito, de cor estranha e com inúmeras coisas ‘enfeitando-o’.
_ QUINN! ABRE A PORTA AGORA! – ela o ouviu gritar, agora esmurrando a porta. Ela ouviu o vaso ser arrastado e a chave na porta, antes da mesma se abrir e ele entrar em desespero – Mas que merda Quinn...
Com a luz vinda do corredor, era possível ver o local onde ela estava. Poças de vômito seco a sua volta, duas seringas, pó, comprimidos, um maço de cigarros e uma garrafa pela metade de vodca. Os cabelos loiros embaraçados, escondendo as mechas rosa ainda presentes.
Ela tentou protestar quando ele se adiantou, mas a única coisa que conseguiu foi vomitar mais. Ele pegou a manta do sofá e a envolveu, pegando no colo. Ele a deitou na cama, e abriu a banheira. Pegou o celular e discou rapidamente, enquanto conferia os sinais vitais da garota.
_ Rachel? Sim, ela estava no apê. Não, deixa que eu cuido dela. E por tudo que há de mais sagrado, mantém a sra. Fabray LONGE daqui. Cigarro, pó, bebida e comprimidos. Vou dar banho nela e tirar ela daqui, ai vocês vem e limpam tudo antes do Sr. Fabray voltar. Ok.
Ele jogou o celular na cômoda e foi até o banheiro fechar a torneira. Tirou a camisa e a calça, ficando apenas de samba canção. Se aproximou dela, puxando sua camiseta.
_ Mas que merda Fabray, você perdeu o pouco juízo que ainda te restava?
_ Puck? – ela conseguiu falar.
_ Quem você esperava? O Finn? – ela sentiu a magoa na voz dele – Sinto muito, mas o Finn está ocupado, então sobrou para mim vir te salvar.
_ Beth... Jantar... – sua voz saia sufocada, enquanto ela vomitava novamente.
_ Eu adiei para semana que vem. – disse ele, puxando a calça dela – Afinal, não quero dizer para minha filha que a mãe dela morreu asfixiada em vomito com vodca e drogas.
Ele a tomou nos braços e entrou no banheiro, colocando-se com cuidado na banheira. Ela tremeu ao primeiro contato com a água e se agarrou mais nele, mas logo o mau estar começou a diminuir e o choque da água também, e ela se permitiu relaxar.
_ Posso? – perguntou ela, deitando a cabeça para trás. Como a uma criança, ele apoiou-a e mergulhou seus cabelos na água, passando a mão para tirar o vomito grudado.
Quando a maior parte do vomito havia saído e a água estava completamente suja, ele se levantou, apanhando a toalha. Com cuidado, a levantou e a envolveu na toalha, pegando novamente no colo. Chegando ao quarto dela, apanhou roupas limpas e se aproximou.
_ Sem medo Fabray, não quero abusar de você. – disse ele, abrindo o sutiã dela e retirando. Por um momento ela corou, mas depois, vendo a indiferença dele, se sentiu frustrada. Ele a trocou rapidamente e colocou a roupa de novo, por cima da cueca molhada mesmo.
_ Vamos, as meninas logo vem limpar a bagunça e acho melhor você não estar aqui.
_ Onde... Vamos? – ela disse com dificuldade, ainda não 100% sã.
_ Pro meu apê. É aqui perto. – disse a pegando novamente no colo. Ela se recostou nele e fechou os olhos, sentindo a passagem pelo elevador e depois pelo estacionamento – Fique em pé um pouco.
Ela se apoiou nele com as pernas tremendo enquanto ele abria a porta do carro e a ajudava a sentar. Foram poucas quadras até o prédio dele e apenas alguns minutos de elevador até o apartamento dele.
Era pequeno, de dois cômodos, mas ela nunca se sentira melhor. Ele a deitou em sua cama e foi até a cozinha pegar algo para ela comer. Ela ficou o observando e se surpreendeu ao constatar que ele chorava em frente ao fogão.
Vacilante, ela jogou as pernas para fora da cama e começou a tentar ir até ele, mas caiu e ele veio em seu socorro.
_ Não chore... – disse ela, secando os olhos dele. Ele a puxou para o peito e abraçou, chorando mais ainda.
“Suddenly the sky is falling
Could it be it's too late for me?
If I never said "I'm sorry"
Then I'm wrong, yes I'm wrong
Then I hear my spirit calling
Wondering if she's longing for me
And then I know that I can't live without her”
Ele ergueu os olhos ao ouvir essa frase, cantada entre engasgos e falhas de voz. Ela tinha olheiras fundas, o cabelo bagunçado, os olhos molhados, igual na noite em que tivera sua filha.
Ele a puxou para junto de si e beijou, como havia meses queria beijar, desde aquele dia, na maternidade, olhando o fruto daquele amor.
_ Me salva Puck, por favor, me salva... – pediu ela entre soluços.
_ Sempre, sempre, sempre.
Novamente ele retirou a roupa dela, dessa vez deixando transparecer a saudade que sentira daquilo. A boca dela ainda tinha o gosto das toxinas, mas ele tentava deixá-la com seu gosto.
O celular tocava em algum lugar distante, mas não importava. Ele estava com ela. Ela estava com ele. Eles estavam salvos.
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