Notas iniciais
Como já disse, é uma fic desabafo e prometo q não tem ninguém querendo se matar dessa vez kkkkkkk
Espero que gostem...
Boa leitura o/

Não importa o que eu faça, meus pensamentos sempre vão até você. Posso estar com meus artesanatos, limpando a casa, na internet jogando ou conversando com amigos, escrevendo ou lendo, você acaba sendo o meu pensamento principal para tudo.

Fico aqui me lembrando dos nossos momentos juntas, que não foram poucos, não é? Onde eu estivesse, a senhora sempre me achava e vice-versa. E nossas brincadeiras então? Parecíamos duas palhaças no meio da cozinha, dançando e cantando músicas da jovem guarda. Coisa que agradeço eternamente é você ter me apresentado essas canções. Escuto-as até hoje!

Fico pensando o que se passava pela cabeça de pessoas de fora quando nos viam. Sério, havia horas em que mais parecíamos loucas no meio da rua, rindo alto das palhaçadas que fazíamos. Nem posso me esquecer dos apelidinhos doidos que nós dávamos uma a outra.

Claro que quem ouvisse iria dizer que eu a estava ofendendo, que não sabia respeitar minha própria mãe, mas a senhora nem ligava e morria de rir, pois apesar de chamá-la de gordinha, fofinha, minha baleiazinha, a senhora sabia que eram apelidos carinhosos e nunca ofensas.

Já você nunca ficava pra trás, me dando uns apelidinhos, como: bunduda, branquela, perna-seca, entre outros. Tudo bem que de perna-seca eu não tenho nada, mas eu sabia que falava por eu nunca passar um hidratante nelas.

Até hoje, me lembro que, toda vez que ia para o banho e a senhora lavar a louça, eu ficava cantando alto no banheiro e quando já estava sem ideia de músicas, pedia pra senhora me dar algumas:

- Mãe, qual eu canto agora? – gritava debaixo do chuveiro e ia, em seguida.

- E eu que sei? – a senhora respondia, no mesmo tom.

- Fala qualquer uma! Desde que eu conheça, senão nem adianta. – e lá ia eu rir mais uma vez.

- Sei lá... Canta... Filme Triste!

E começava. Claro que adorava zoar e cantava o mais alto que podia e o mais dramático também. A vizinha devia me achar a maior louca, não é? Mas eu nem ligava mais, só queria ficar com minhas loucuras, junto de você. Sinto falta disso. Hoje em dia, nem canto mais no banheiro, pois só me faz ter mais saudades de você.

Mas esse não era nosso único momento de diversão. Nós tínhamos uma fonte inesgotável de brincadeiras sem-noção e usávamos sempre que dava, em momentos nada a ver.

Lembra-se que toda vez que o pai ficava brigando comigo a senhora vinha com gracinhas atrás dele? Eu tinha que criar forças não sei de onde para não rir na cara dele, mas sabia de algo: a senhora fazia isso para eu não ficar mais depressiva que já sou.

Pensando bem, você fazia de tudo por mim, mesmo que fosse impossível para uns, para a senhora, nunca era. Tudo só para me dar o amor que o pai não conseguiu me dar, melhor, amor que ele só dá quando quer algo! Isto só para tentar diminuir um pouco minha depressão.

Até me lembro de quando eu quis ir pela primeira vez ao Anime Friends e não tínhamos dinheiro nem para pagar as contas direito:

- Que droga, porque temos que ter dívidas? Queria poder ir ao Anime Friends! – como sempre, eu ficava resmungando em seu ouvido.

- Mas quanto que é? – me perguntava enquanto fazia comida.

- Ah, é caro... Nem adianta falar! – me debruçava na mesa, olhando-a.

- Mas fala aí, quero saber o preço!

- Aff... É 45 reais a caravana, pois são, o busão mais o ingresso junto e quase uns 100 reais pra eu poder levar, pra comprar umas coisas lá, como: comida, bebida, quem sabe camiseta, essas coisas... e convenhamos, minha amiga não vai pagar pra mim, pois nem é obrigação dela!

- É quando esse Anima sei lá o que?

- É Anime Friends e é daqui a um mês!

- Bom, não sei se conseguirei os 100 reais, mas acho que até uns 60 pra você gastar eu consigo e para caravana também!

Fiquei pasma quando a senhora me falou isso, tentei fazê-la desistir, pois sairia muito caro e tínhamos as contas, mas claro, me esqueci que você era tão cabeça-dura quanto eu. E quando chegou o dia, me entregou a grana, se levantou comigo no horário que tinha que sair e só exigiu uma coisa.

Que ligasse, quando chegasse ao evento!

Mas, como toda mãe preocupada, mal cheguei e a senhora mesmo ligou. Todos me olhavam por estar recebendo ligação da minha mãe e eu conversava contigo e ainda sorria.

E, claro, essa não foi a primeira ou última vez que me ajudou com algo que queria, mas acho que iria passar o dia, só lembrando disso.

Só sei de uma coisa, que nossos momentos juntas não foram só de alegria. Não posso me esquecer das broncas que recebia da senhora por fazer algo que não devia e quando as palavras não mais funcionavam, aí sim, você usava a cinta ou a famosa varinha de marmelo.

Toda vez que lembro-me dessa varinha, eu rio por também acabar lembrando das que quebrei só pra não apanhar. Fiz a mesma coisa com as cintas velhas. Piquei-as! Só que me esquecia de que a senhora também podia usar os chinelos e esses eu não podia cortar.

Outra coisa que me vem à cabeça são os segredos que compartilhávamos. Para os meus, por mais obscuros que fossem, você nunca ligava e até apoiava meus gostos, coisa que nunca deixou de me surpreender.

- Mãe, se eu te contar uma coisa, promete que não fica brava? – perguntei de repente. Nesse dia estávamos em meu quarto, devia ser um domingo.

- Depende do que for! – me disse, enquanto fazia seu crochê.

- Estou vendo que não vai prometer, mas beleza... A senhora sempre me pergunta o que tanto mexo no computador, não é? – comecei meio hesitante e ao vê-la concordar com um aceno, prossegui: — Bem, eu fico lembro umas histórias de algumas amigas e escrevo algumas também.

- Só isso? – perguntou desconfiada com o meu medo.

- É que não são simples histórias... São conhecidas como fics, e as que leio são yaoi e a maioria com lemon. – vi-a me olhar sem entender o que disse. Às vezes me esquecia de que você não conhecia esse mundo – Yaoi é história entre dois garotos se beijando e lemon é fic deles se comendo!

A senhora só me olhou séria, vendo se estava mentindo. Quando percebeu que não, começou a rir. Fiquei sem entender claro, até que perguntei o que foi e me surpreendi com sua frase:

- Olha, não gosto disso, mas se você gosta, não serei eu a te impedir. Só não faça nada de errado!

Céus, isso seria o sonho de qualquer fujoshi. Ter sua mãe te apoiando em seus gostos, mesmo não aprovando muito a ideia. Foi a partir daí que eu via que poderia contar qualquer coisa para você sem medo algum.

Então, comecei a contar, com o tempo, um por um. Toda vez que me lembrava de algo, logo contava. Não importava a hora, o local, nada. A senhora parava só para me ouvir. E, para minha sorte, você também começou a desabafar comigo. Me sentia a pessoa mais sortuda do mundo.

Primeiro começou contando sobre meus avós, minhas tias e tio. Sobre as coisas que vocês aprontavam, sobre as músicas, os artistas que conheceu, sobre os lugares em que já trabalhou. Com o tempo, começou a contar sobre o começo de seu casamento com meu pai.

Apesar de nunca duvidar do que ele era capaz, ficava pasmada com as coisas que me contava. Aquilo não era homem e não a merecia, mas, mesmo assim, continuou junto dele sendo a boa esposa que sempre foi.

Lembro-me da senhora me contando que até tinha planejado se separar dele e até conversou com meu irmão sobre isto e só não o fez, pois descobriu que estava grávida de mim. Acho que a senhora tinha medo de eu crescer sem um pai, não sei. Só sei que, se eu não tivesse aparecido, você teria se separado dele há muito tempo.

Com os anos, fui crescendo sem entender o motivo de o meu pai ser assim. Só entendi anos depois, quando minha ira já estava no auge e minha depressão também.

Quando você começou a perceber que estava entrando em depressão também, resolveu agir. Um dia chegou em meu quarto me dizendo algo que me deixou pasma:

- Fia, estou pensando aqui, depois que ajudar seu pai com a aposentadoria definitiva, estou pensando em mandar ele pras suas irmãs, para alguma delas cuidar dele! – falou séria, sentada em minha cama.

- Sério isso? – me virei, a olhando pasma. Até esqueci que estava escrevendo uma de minhas fics atrasadas.

- Sim, é sério!

Olhei-a por mais algum tempo e sem me conter, abri um sorriso, quase gritando um “até que enfim”. Oras, qual é? Durante 22 anos eu sofro por algo que descobri há pouco tempo e a senhora sofria por 37, quase 38 anos. Eu tinha o direito de ficar feliz, não tinha?

Não que eu desejasse o mal para ele, sabia muito bem que estaria em boas mãos, com as filhas do primeiro casamento dele, então, não tinha o que temer. Só que, como felicidade dura pouco, a senhora liga para a primeira filha dele, para matar a saudade e saber como ela está.

Foi aí que nossos planos foram por água abaixo, pois ela também estava — e ainda está — passando por apuros com o marido. Ela seria a pessoa perfeita para cuidar dele, já que as outras quase não ficam em casa e não tem a mesma paciência que ela.

Quando me contou isso, senti uma enorme vontade de chorar. Você tinha me prometido, não podia ter feito isso! Mas foi aí que me lembrei, a culpa não foi da senhora, pois pude ver em seu olhar que também estava triste pela notícia.

Tivemos que mudar totalmente nossos planos. Sério, nós já tínhamos uma lista do que faríamos, para onde iríamos, as contas sendo diminuídas. Estava tudo certinho em nossas cabeças. Até cachorros, teríamos!

Mas, claro, como desgraça nunca vem sozinha, um tempo depois a senhora acaba tendo um AVC. Palavra muito bonitinha pra derrame! Eu só consegui ficar em choque. Passei o primeiro dia, indo de hospital em hospital, esperando a boa vontade dos malditos médicos te atenderem, tentando controlar o choro desesperador que vinha e sem saber o que fazer.

Sentia-me perdida, mais do que o normal. Só quando disseram que aquela sonolência da senhora poderia ser mais do que isso, é que me lembrei de ligar para o meu irmão. Estava sem dinheiro pra fichas de ônibus, eram quase oito da noite e iria precisar de uma carona. E também, era o direito dele saber o que acontecia, pena que só tinha lembrado aquela hora.

Não posso negar que pensei que, a hora que meu irmão chegasse, eu poderia desabar, pois teria ele ali para me amparar. Ledo engano. A primeira coisa que ele fez foi me dar uma bronca por não ter ligado antes. Fiquei sem reação. Aquele não poderia ser o cara que cuidou de mim como se fosse meu pai.

- Por que não me ligou antes, hein? – encostou-se à parede com olhar indignado – Eu estava hoje cedo aqui por perto, era só me ligar. É brincadeira né? Se tivesse ligado antes, essa hora já poderia estar tudo resolvido. Tem celular pra quê, então?

- Foi mal, nem pensei nisso na hora. – falei baixo, ainda estava pasma com a reação dele.

- E você pensa em alguma coisa além do computador? Se toca, a vida não é só isso! – balançou a cabeça em uma negativa – Sério, você não lembra de me ligar, o pai lembra de ir pro centro espírita, mas quando é algo importante assim, ele esquece de me ligar! – resmungava, olhando para o corredor, vendo os médicos indo de um lado para o outro.

- Desculpa, tá? – falei irritada – Sinto muito por não conseguir pensar em outra coisa, além da minha mãe que não acorda por nada do mundo, mas agora ficar jogando na minha cara, não vai adiantar nada!

- É, né? – falou com desdém.

É, né? Isso era tudo o que ele tinha para me dizer? Céus, nunca tive tanta vontade de socá-lo como daquela vez. Na mesma hora em que recebia a bronca dele, eu implorava a Deus para que a senhora acordasse, saísse desse hospital bem, pois percebia naqueles poucos minutos que nem o cara que cresceu comigo iria pensar em mim, a não ser para me rebaixar e dizer todos os meus defeitos.

Mas eu devo ter sido a pessoa mais cruel do mundo, pois essa situação não durou nem três dias direito e, no dia 28/06, a senhora se foi!

Meu irmão veio em casa com a mulher para darem a noticia. Não posso negar que chorei nos braços dele, mas isso nem durou cinco minutos, pois já me afastei. Acho que estava em choque ainda.

Claro que não deixei de notar que fui uma das últimas pessoas, a saber. Uma das, porque meu pai foi o último, que descobriu pelas minhas irmãs que vieram de São Paulo para contar para ele.

Sério, eu era sua filha e quem recebe a notícia antes são minhas irmãs? Minhas tias e tio até entendo, são suas irmãs e irmão, mas as minhas irmãs eram suas enteadas, quem deveria saber primeiro era eu, não? Essa não é a lógica certa?

Mas deixei passar, pois eles deviam ter seus motivos, mesmo que eu não entendesse quais eram.

No velório, passei toda a madrugada acordada conversando com minhas tias, que tentavam tirar minha atenção do caixão. Fiquei ao lado delas até à hora do enterro. Meu irmão só se aproximou de mim pra ver se eu queria comer algo.

Senti vontade de gritar: “Não, eu não quero comer e sim que você me abrace, que mostre que ainda se importa comigo!”, mas não tive coragem, pois cansei de correr atrás dele. Queria que ele demonstrasse isso por vontade própria e não por um pedido meu!

Deixei de lado e me aproximei mais uma vez do caixão. Em minha mente implorava a Deus para que fizesse a senhora abrir os olhos, voltasse a respirar, antes de o caixão ser fechado. Só que, como sempre, ele não atendeu a mais esse pedido, mantendo-a inerte.

Para mim, não era minha mãezinha ali e sim um boneco de cera. Para mim, a senhora estava escondida em algum canto rindo da nossa cara e logo apareceria dizendo que era só mais uma de suas brincadeiras. Talvez seja por isso que não chorei até hoje e nem no velório.

Acho que tenho esse pensamento até hoje, pois para mim não pode ser verdade que você se foi e eu fiquei, mas a senhora não aparece para desfazer essa brincadeira.

Agora fico aqui, com saudades de você e tendo todos me dizendo que essa depressão que tenho é frescura, um monte de desculpas para não fazer nada ou até falta de Deus, que se eu procurasse Deus não estaria assim!

Se é verdade, não sei. Só sei que estou em desespero, querendo sumir desse mundo, porque não tenho mais minha melhor amiga ao meu lado.

Sinto saudades de você.

Volte para mim, fique ao meu lado,

Ou então, me leve para junto de ti.

Só não me deixe aqui a sofrer,

A entrar em desespero.

Um desespero sem fim!

Notas finais
E então, o que acharam? Ficou bom? Estou sendo muito dramática mesmo? '-'
Sério, nem sei mais, mas blz... Espero que tenham gostado e não se esqueçam...
DEIXEM REVIEWS E FAÇAM UMA AUTORA BAKA FELIZ!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!