Saudades

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Eu precisava de escrever alguma coisa depois do que aconteceu no 5x01, por isso escrevi essa one-shot.
Espero que gostem.

Quando finalmente conseguimos limpar os nossos nomes, pensei que a mágoa que eu sentia dentro do meu peito diminuísse, mas rapidamente percebi que nunca conseguiria fugir dessa dor profunda e, sinceramente, era uma das únicas vezes que eu não queria esconder os meus sentimentos.

Decidi ficar alguns dias num hotel, senti que ainda não estava pronta para entrar naquele apartamento sem ele, afinal de contas, era a casa dele, não a minha.

Eu sabia que assim que pisasse aquele chão as recordações atacar-me-iam de uma forma que eu não recuperaria. Mas eu precisava de voltar, eu precisava sentir o cheiro dele de novo, mesmo sabendo que seria a última vez, eu precisava voltar ao lugar onde eu vivi os meus momentos mais felizes nestes últimos anos. E é por isso que eu estou aqui, em frente a esta maldita porta, a tentar criar coragem para enfrentar os meus sentimentos.

No segundo em que abri a porta e dei o primeiro passo, tudo o que eu pensei tornou-se verdade, independentemente qual fosse o lugar que eu olhasse, centenas de lembranças despertavam dentro do mim.

Dirigi-me para a cozinha e apareceu um pequeno sorriso no meu rosto, embora ele nunca bebesse café, ele comprou uma máquina de café para mim, fazendo com que eu pensasse que viver ali era um plano a longo prazo para mim, como se fossemos um casal. Ele sempre foi tão simpático para mim, desde que nos conhecemos, mesmo existindo uma pequena competição entre nós.

Depois de preparar o meu café fui buscar a primeira caneca que me apareceu à frente e não sei se foi uma coincidência ou não, mas, acidentalmente, peguei a caneca preferida dele, que tinha sido uma prenda minha pra ele quando completámos 1 de ano de parceria no FBI. “Best Partner in the World”, essa era a frase que estava escrita.

Decidi ir sentar-me um pouco no sofá e olhar para a vista de NY, mas apesar dos meus olhos estarem fixados nos altos prédios da cidade, minha mente divagava em momentos onde a presença dele era constante, por exemplo, na noite em que ele voltou pra aqui depois da armadilha da Sandstorm.

Só de lembrar me sinto tão parva, a minha reação foi imprudente e estúpida. Eu sentia o mesmo por ele, mas a minha insegurança me fez reagir daquela maneira. Se eu tivesse sido sincera e não tivesse deixado meus medos se apoderarem de mim, quem sabe se neste momento não estaríamos juntos há quase 3 anos? Talvez eu nunca fosse para CIA e nunca tivesse aceitado o trabalho para me infiltrar na HCI Global, Reade ainda estaria aqui do meu lado, em carne e osso e, o mais importante, me ajudaria a criar o filho que estou carregando.

Dessa vez decidi não secar as minhas lágrimas, iria deixá-las cair livremente do meu rosto, sem nenhuma preocupação em mostrar as minhas fragilidades, ninguém é forte o tempo todo, porque eu tenho de ser?

Quando finalmente me levantei do sofá, minhas pernas bambearam, talvez por ter estado sentada demasiado tempo e, o café virou para cima de minha camisola. Não podia continuar vestida assim, então fui pegar uma camisa de Reade, isso devia ser a coisa que mais existia nessa casa.

Era impressionante como o cheiro dele simplesmente me acalmava e me transmitia uma sensação de paz, essa era uma das coisas que eu mais amava nele, não importava o quão nervosa eu estivesse, sempre que ele estava perto de mim, toda a ansiedade desaparecia, ele era o meu porto de abrigo, era ele quem eu procurava sempre que precisava e ele sempre esteve lá para mim.

Assim que terminei de vestir a camisa, voltei a ir para o sofá, mas a meio do caminho fiquei imóvel e as lágrimas voltaram a cair, agora cada vez mais depressa.

As recordações da noite que passei com ele naquela cama me atingiram como bombas, sem dúvida alguma esse foi o momento mais feliz da minha vida, entreguei-me a ele sem o medo que antes tivera. Mesmo sabendo que lhe causaria uma dor sem precedentes por ter de partir nos próximos dias, eu não me perdoaria se ignorasse os meus sentimentos de novo.

Me deitei na cama e fiz a única coisa que me apetecia fazer naquele momento, chorar até à exaustão e fui precisamente isso que fiz até adormecer.

Quando acordei já eram 20h e eu estava faminta, fui então procurar as chaves do carro de Reade para sair e ir buscar alguma comida, conhecendo o Reade e sabendo que ele não usava muito o carro, elas devem estar numa gaveta em algum móvel.

No meio da confusão que estava dentro das gavetas, quem diria que o Reade não seria tão organizado como aparentava (risos), encontrei uma foto nossa. Era uma foto nossa que eu nem sabia que existia, mas lembrava-me daquele momento. Foi num final de semana em que nós os dois e Patterson decidimos passear por NY juntos, nós estávamos a passear pelo Central Perk e já não me lembro o motivo específico, eu apenas me abracei a ele, como se eu necessitasse disso naquele momento e deve ter sido aí que Patterson nos fotografou abraçando, sem eu me aperceber.

Aquela fotografia animou o meu dia e não podia estar mais feliz por ter decidido enfrentar as saudades que eu tinha. O tempo que hoje passei aqui fez-me perceber que eu quero relembrar apenas os bons momentos com ele e esquecer do tempo que passamos separados ou em que nos magoámos mutuamente.

Notas finais
Obrigada por lerem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!