Saudade

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Notas iniciais
Olá, Amores! Último capítulo... Vou precisar escrever muito aqui. Eu particularmente estou confusa em relação aos meus sentimentos. Estou feliz por concluir Saudade, foi difícil, foi intenso, foi cansativo em muitos momentos. Como eu senti medo de não ser intensa o suficiente, senti medo de perder a pegada no decorrer desse caminho. Estou triste por finalizar. Saudade me trouxe tanto, me trouxe pessoas, carinho. Ela me trouxe a certeza de conseguir escrever algo diferente e igual ao mesmo tempo. Um drama simples, um enredo simples, mas com uma intensidade imensa. Estou triste e feliz. Saudade me trouxe Layla (Layla é um pedaço de mim. A parte boa e a ruim) Diana (Minha vida, a pessoa que entende minha distancia) Mirian (Amo tanto essa garota) Isadora (Minha rainha e o primeiro nude que recebi) Thais (Minha vagabunda) Thaís (Meu amor mais conhecido como autora de Shades) Malu (Meu amorzinho) Taina (Melhores nudes ever) Florzinha (Minha menina que chora em cada linha) Fabi (meu pôr do sol...não há alguém entenda tão bem meus medos) Saudade me trouxe Tarsila, meu motivo para escrever, o motivo para Saudade existir, minha inspiração. Alguém que eu tremia só de pensar falar “Olá”. Saudade me trouxe Brullf...Meu Deus, Brullf! Essa a uma das melhores autoras que conheço, foi a primeira fanfic que li, foi o primeiro comentário que fiz...Céus! Brullf recomendou Saudade. Eu chorei tanto, além de ter me tocado profundamente, ler uma recomendação de alguém com tamanho talento e que tem minha admiração, é algo imenso. Não tenho como agradecer por isso. E Saudade me trouxe Ana...eu já dediquei um capítulo a ela. Ana me trouxe de volta e preciso relembrar esse fato. Não sei até quando eu estaria travada, bloqueada e sem vontade de escrever. Ela apenas soprou minhas barreiras. Eu me senti apavorada nesses três últimos capítulos. Amores, eu surto, surto total e ela escuta cada palavra, mesmo não entendendo os motivos da minha insegurança. Eu conheci pessoas importantes pra mim. Eu não posso dedicar esse capítulo a uma ou duas pessoas, por isso, dedico esse capítulo a todos que disponibilizaram tempo para sentir, para ler. A todos que chegaram até aqui. Muito obrigada a todos vocês. Desculpe qualquer erro e... boa leitura

Mensurar a grandeza de uma chegada é difícil. Explicar o tamanho do penhasco atravessado, explicar a sensação de olhar as pedras que pulei, as que tropecei. Os machucados abertos pela saudade que me consumia cada vez mais.

Explicar a dor da saudade chata por alguém que não me enxergava, ou assim pensei por meses. Meses que delirei um olhar, naquele momento me bastava, acho que agora também.

Ver um reflexo dourado refletido no avelã é algo grandioso demais para detalhar. Seria necessário explicar o aperto e as lágrimas de se ver em um lugar apertado em suas fantasias. Aquele lugar com a imagem embaçada por não se sentir o suficiente ou grande o bastante.

Estou sentada na poltrona florida que odeio – por que eu ainda a tenho? — olhando Ruby, killian, Zelena e Regina rindo de algo que não ouvi. Estou abraçada demais em minhas novas cores. Estou perdida em um momento ou época em que nada faz sentido, mas tudo é perfeito.

Lembro das melhores notas de Chopin e minhas gotas emocionadas por me sentir transbordar. Comparo esse momento aos meus dias de chuva segurando um livro e olhando os carros da cidade que chamo de minha, que chamo de nossa.

Tenho a impressão de ver uma pintura em movimento, com os olhos mais verdadeiros que posso imaginar. Inclino a cabeça e deixo meu pequeno sorriso aparecer. Estou sorrindo pelo instante, pelo segundo quase paralisado. Pelo impossível tocado.

Quem imaginaria a realização dessa hora?

Eu não, nem o teto rachado que recebeu meus olhares desesperados por madrugadas ou os domingos que ouviram minhas reclamações por esperar as segundas.

Por esperar Regina Mills.

Ted rolaria pela descrença. Ele ouviu minhas lamúrias quando tentei esquecer os toques e os beijos em um pub qualquer.

Saudade.

Vi minha pele se contorcendo pela vontade do ver, sentir. Segundos de pedidos preenchiam a necessidade que criei. Meus dias lentos pelo desejo em ouvir uma voz rouca e rude distorceram a verdade. Ela me via, sempre me viu. Meu pessimismo e minhas cresças na impossibilidade não me deixaram ver os detalhes nos olhos dela. Hoje eu conheço cada um deles.

Senti meu corpo estremecer com meus dois minutos em uma noite gelada e sua chuva dolorida. Daquele pequeno instante, eu criei cada “Felizes para sempre” possível. Eu me perdi em um infinito feito de dois minutos dentro de um carro com cheiro dela.

Nunca pensei em estar tão perto. Nunca sonhei em não ter um balcão limitador. Pisco pela realização.

Passei horas sofrendo pela saudade do que nunca tive. Saudade dos cinco minutos gigantes que compunham meus dias. Sentia minha realização apenas por ouvir.

A saudade do que não temos, nos limita a minúcias.

Sofri pelo homem que tinha seu calor em várias noites frias. Imaginei várias vezes, várias cenas. Imaginei o encontro do bruto com o delicado. Senti ciúmes de um marido, mesmo nunca tendo esse direito. Fechei meu corpo e minha mente quando me afastei e me escondi em um parque vazio.

Criei um lugar seguro longe dela ou assim pensei.

Ela me buscou, me acompanhou e se mostrou. Regina guardou suas palavras quando precisou das minhas.

É engraçado pensar no sentimento de rejeição sempre que olhava em seus olhos. Passei meses decifrando suas questões e me enganei em cada uma delas. Não sei se foi pelo talento de Regina ou por minha insegurança em acreditar.

Quem acreditaria?

A mulher de casaco e seus saltos pontudos dirigindo em uma noite chuvosa pela preocupação guardada e trancafiada. Olhando entre as frestas do seu descaso e as brechas da sua irritação. Jogando sua atenção em forma de grosseria. Sentando e me abarrotando de entrelinhas.

Cada “sim” foi ignorado pelo medo do “não”. Ela movia com destreza, não queria que eu visse, não queria que eu entendesse, mas precisava falar, desabafar. Ela precisava estar e hoje eu entendo.

Foi difícil pra mim, foi difícil pra ela.

Contemplo seu sorriso, o mesmo que passei meses sonhando e delirando conhecer. Acreditando que ele nunca seria meu.

Hoje, Regina sorri pra mim.

Meus sábados à noites agora tem mais cor. O vermelho e o verde pintaram nossas paredes. Deram vida a nossos tons envelhecidos pela mesmice.

Sábados à noite feitos de cinco. Reconstruídos de carinho, de atenção. Feitos de entregas e esquecimentos.

Nosso novo lugar seguro.

Nosso apartamento em um prédio de tijolos vermelhos com suas janelas iguais.

*****

Domingo com o Ted foi uma rotina criada antes mesmo desde fim com cheiro de começo.

O lugar que escolhi me esconder de uma decepção em uma noite de bebidas e risadas falsas. Cheia de apresentações forjadas de duas desconhecidas que se viam com uma frequência alarmante.

Agora passo meus domingos com a pessoa que me forçou a me esconder com o pretexto de proteções absurdas. Passo os domingos olhando um amigo azul envolvido por sombras de árvores frescas.

Regina caminha cada domingo e deixa seus rastros confiantes nos trechos que me arrastei derrotada. Lê seus livros de nomes difíceis zelando meu mergulho com novas Malories. Com Philip e sua tecla Fá pendurada no pescoço.

Ted olha orgulhoso pela evolução, por eu ter voltado, por termos voltado. Regina me olha e sorri. Seu sorriso atravessa nosso silêncio. Ela sorri e acho aquele sorriso o mais bonito que já vi.

Sorri como na noite sublime e quebrada. Na noite em que me amparou no apartamento do prédio espelhando de trezentos andares. – Minha impressão por seu tamanho não muda – me sinto estúpida por pensar em como abobalhada fiquei nos metros de cada cômodo. Em como toquei a parede vidro em meu êxtase particular. Como me perdi entre almofadas mostrando meu lado desajeitado.

Foram poucas horas de um transe inesquecível. Lembro de sentir seus lábios e tentar me apegar a uma realidade distante, de não querer me soltar e descobrir apenas meus devaneios reais. Tive medo de estar sonhando acordada e me segurei para não despertar.

Quando abri os olhos, descobri toda aquela veracidade. Tudo aconteceu e eu não conseguia acreditar, ainda tenho medo de estar apenas em um sonho bom. Em um sonho que desejei tanto ter que me prendi em seus braços quentes. Tenho medo de ter escolhido um mundo em que ela me enxerga e deseja me enxergar.

A saudade doída me ajuda a acordar e acreditar.

Aquela noite inesquecível, foi o começo da saudade perdida.

Saudade.

Sentia saudade da boca que conheci, o calor que senti, da paixão declarada em meio a tremores de nervosismo. Sentia saudade de cada verdade ouvida. Naquela noite, eu toquei o amor.

Naquela declaração eu soube...Eu a amo como ontem e como noites.

Eu sentia saudade do que tive, do que perdi e isso doeu. Eu conhecia seu gosto e seu toque. Sonhava olhando outros tetos, outros livros e outras águas. Sonhava tentando lembrar, tentando esquecer. Lutava contra meu peito e minha pele, eles sentiram, eu senti. Arrastava meus pés pensando em seu chão.

A saudade perdida transtorna pela lembrança de um conhecimento. Eu conhecia e só queria esquecer.

A saudade delirante te traz fantasias e a dor por querer, a perdida te corta por saber.

Te faz pensar em mais um beijo, mais um toque, mais uma palavra.

Te causa arrependimento por ter cedido, por ter perdido.

Te causa raiva por ainda querer, por ainda pensar, por ainda buscar.

Eu busquei Regina em cada esquina de uma cidade em que ela não estava. Busquei em olhos e passos. Busquei em notas e traços. Busquei em beijos e abraços. Busquei na porta de uma lanchonete em uma cidadezinha escondida.

Eu tentei esquecer a saudade perdida em outros lados.

“Um macchiato, por favor. ”

Não consigo deixar de sorrir com a frase de um começo. Com a frase de vários começos.

A mulher de casaco viajou em seu carro preto para deixar uma frase, um pedido. Ainda sinto meu corpo tremer pela frase simples, mas cheia de significado para nós duas. Ela entrou com seu pedido rasgando qualquer distância, ela veio, ela tentou e ela mostrou que estaria lá.

Senti a saudade perdida se dissolver aquele dia e meu peito sorriu satisfeito por finalmente ver e ouvir. Minha pele se arrepiou com todos os metros e minha mente gritou. Naquele momento, não consegui ver o significado do gesto. Estava cega – lembro de Malorie e suas vendas sobreviventes — acreditando ter superado o amor ainda não admitido.

Vi suas lágrimas e suas cascas no chão. Ouvi e entendi suas decisões difíceis demais, acreditei em cada motivo. Meu corpo cedia a ela e minha saudade perdida se tornava fumaça branca.

Voltei pela certeza do momento e hoje não sinto medo, não sinto a saudade delirante, a saudade chata. Não sinto a saudade perdida, saudade doída.

Meus domingos acompanhando do nosso silêncio conhecido, são os melhores dias sem palavras.

***

Aprendi a não ter medo do apartamento cheio de lembranças. Aprendi a me sentar em seus braços apenas para olharmos a fogueira por horas. Aprendi a prestar atenção do deslocar do ar enquanto me acostumo com seu cheiro em mim. Aprendi a ver o brilho de Boston começar pela parede de vidro que toquei incrédula. Cada ponto de luz se encher. Aprendi a ver nossa cidade de despir e se vestir para uma noite de festas com gosto de uísque barato.

Gostávamos de passar o tempo se tendo, se vendo, se conhecendo ou reconhecendo. Passei minutos inteiros deslizado a ponta dos dedos em sua pele macia. Olhava suas camadas aproveitando a certeza de poder tocar.

Olhava “seu” copo nos blocos no alto da fogueira e sentia um aperto, ainda sinto. Sempre que sento no sofá para conversamos ou não, olho o copo do lugar que trabalho e ele sempre está cheio. Cheio de recordações de um começo tumultuado. Cheio de suas palavras e confidencias e continuam sendo suas.

Ela o colocou lá como um símbolo de nós duas. Ele tem nossas marcas e nossas faces.

Emma e Regina.

Não peço detalhes ou explicações de como era antes, dos diálogos que ela disse ter com um objeto coberto de representação de uma história não contada. Dos momentos de conflito entre um casamento confuso e uma aventura convidativa.

Passamos dias com rotinas diferentes, planos diferentes e futuros diferentes.

Não quero acreditar nos “Felizes para Sempre” que criei. Acredito na plenitude do estar. Só quero observar as horas e sentir cada sorriso dela para mim. Não pensamos em como estaremos amanhã. Não gastamos tempo ou energia planejando. Vivemos e apenas vivemos.

É interessante pensar no instante em que estamos, em seu início e meio. Nosso fim não chegou, apenas mudamos nossa partitura e nossa paleta. É interessante pensar em nosso vermelho, amarelo e cinza.

Dormi e acordei com seus lençóis. Gostava da tranquilidade daquele apartamento vazio.

Dormi e acordei em meus lençóis. Percebi que a saudade ainda estava ali.

Hoje sinto a saudade do ter.

Saudade.

Sinto saudade do que tenho. Aquela ansiedade pelas horas de um encontro. Aquela agitação no estomago e a ardência na pele ao imaginar um sorriso por ver. Aquela vontade de estender as mãos e tocar o amanhã, pois sei que lá está meu dia carregado, meu dia cheio, meu dia satisfeito.

Sinto a saudade do ter. Aquela certeza de poder respirar e só esperar o tempo resolver andar. Você sabe o final, só espera chegar com um imediatismo impossível.

Sinto aquela saudade que te obriga a aproveitar cada segundo tranquilo de uma conversa, de um beijo, de um estado feito de mim.

Sinta saudade de acordar e ver seus cabelos desgrenhados pela manhã e ter a absoluta certeza que Regina é a mulher mais bonita que já vi.

Sinto saudade do seu humor ácido e de sorrir ao vê-la irritada em uma discussão de trabalho.

Sinto saudade de ouvir seus saltos pontudos em uma cafeteria, em um apartamento apartado ou em um apartamento vazio.

Sinto falta de suas gargalhadas espontâneas.

Sinto falta da sua grosseria.

Sinto saudade de cada lado, de cada Regina, das que conheço, das que vou conhecer, das que ela mostra e das escondidas.

Percebi que tudo se resume a saudade. Senti saudades diferentes, ainda as sinto.

Saudade...

E você? Já sentiu saudade?

FIM

Notas finais
Espero mesmo que tenham gostado. Por favor, me contem o que acharam...estou aqui nervosa.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!