Saudade

22 Controle


Notas iniciais
Eu apareci, sei que demorei. A fic está tão intensa, as vezes não me sinto pronta. Me perdoem por isso. Eu ando recebendo tanto carinho, preciso agradecer, dedicar...Nossa! Vamos lá! Quero dedicar esse capítulo a algumas pessoas. Mand S, que recomendação linda. Muito obrigada por isso. Receber uma recomendação em Saudade me emociona demais. Obrigada de coração. Espero que goste. Isadora, que menina linda essa. Fica aguentando minhas dúvidas e minhas inseguranças. Precisava contar a vocês. Florzinha, chora em cada capítulo. Indiferente do lugar que está, em casa, no shopping, em uma reunião de família. Sempre se emociona e eu acho tão lindo. Layla, difícil...Espero que eu consiga corresponder às expectativas que criou dentro de mim. Estou apavorada. Espero que consiga enxergar. Agradeço muito o carinho, as indicações no twitter, as mensagens privadas e a ansiedade adorável. Desculpe qualquer erro. Estou exausta, não consegui revisar direito, de novo. Perdão. Boa leitura.

Estou parada segurando a porta, olhando a dona dos meus campos verdes se decidir em entrar ou não. Aperto o pedaço de madeira transferindo minha agitação, meu nervosismo, estou tentando mostrar uma calma que não está em mim. Tento não tremer, tento não chorar, tento não gritar, tento não correr, tento não respirar.

Não posso errar.

Não posso desabar.

Controle.

Estamos nos olhando, eu espero, eu só espero. Eu quero que ela entre, eu preciso que ela entre. Eu não sei o que vou dizer, não sei o que fazer, nem o que pensar, só preciso que ela entre.

Eu preciso que ela entre.

Ela move, aquele mover me percorre com um medo que nunca senti. Minha respiração se perde e só quero estar por perto. Quero me sentar em um sofá velho dentro de uma casa de madeira distante, olhar para o lado, vê-la sorrir e saber que tenho tudo que preciso.

Ela se move e percebo a importância de um passo. Um simples movimentar nunca foi tão esperado, tão necessitado. Eu a vejo caminhar em câmera lenta, sinto meu peito explodir pela expectativa, pela ansiedade. Ela está aqui. Ela veio até mim. Cada passo representa minha felicidade, minhas buscas. Meus erros, minhas escolhas, minhas consequências estão gravadas na pele dela e consigo enxergar cada letra. Eu não espero apagar memórias rachadas, só quero mostrar futuras lembranças sublimes. Aquele caminhar representa tudo.

Ela passa e sua presença me invade.

Controle.

Fecho a porta reunindo toda concentração que seu foi ao ouvir sua voz. Respiro fundo e me viro. Ela está delirando pelo apartamento e não consigo evitar uma mania que adquiri desde o primeiro dia – Olhar – Olho seus movimentos como se fossem meus, olho suas lembranças de uma noite maravilhosamente destruída. Eu acho que seu delírio está no mesmo lugar que fiquei por dias lamentando pelo adeus. Sentei várias vezes nesse mesmo sofá em que ela viaja imaginando cada toque.

Seu reparar me faz lembrar.

O copo.

Foi ela. Ela me trouxe o símbolo do que fugi, do que evitei e do que busquei. Ela me trouxe de volta um amigo cheio de palavras amarelas.

— Foi você!

Eu a arranquei do lugar em que estava, eu queria estar lá também. Ainda acho encantador o estado surpreso dos seus olhos escondidos. Será que ela ainda não acredita que conheço seus detalhes e seus segredos? Seu olhar confuso sempre me conquistou e agora está me consumindo pelo sentimento que não consigo entender. Sinto aquele bater forte no peito, o arrepiar pelo cheiro que tanto conheço. Respiro fundo para sentir toda a confusão que ela me causa. Ainda tento esconder meu tremer por ela.

— O copo...

Tento explicar minha afirmação convicta, mas receosa por errar.

Não quero errar.

— Eu não sabia o significado dele.

Foi ela. O gesto significa tanto. Significa porta aberta. Não consigo pensar nos motivos da sua visita desejada, não me importo com esses motivos no momento. Me importo por ela estar aqui, na minha sala, no meu piso claro que abrigou meus passos desesperados. Ela está aqui, ela está em mim e isso me basta.

Não sei se minha confusão é só minha, ela caminha olhando cada fresta a procura de um raciocínio.

“Eu te vejo.”

Eu me cego pela vontade de olhar, de sentir. Preciso de um toque simples, de uma pele quente. Me movo com medo de suas recusas. Com medo do seu medo.

“Não tenha medo.”

Ela me percebe e para.

Ela para, resistente a qualquer coisa que esteja pensando. O dia se perde, me perco nos verdes que tanto sonhei. Sinto um desejo sedento de chorar, não consigo entender tudo que sinto perto dela.

Minha experiência com a Srta. Swan é única. Eu não me entendo, não me reconheço, me amedronto, me espanto, me sufoco, me esforço, mergulho em um mar que não conheço. Me sinto imprevisível e perdida nos planos que sempre fiz.

Hoje eu não sei o que me atraiu. Seu respirar me estremece, seu olhar me preenche e nunca me senti transbordar dessa forma. Ninguém nunca me fez perder o tempo. Ninguém nunca obscureceu minhas convicções, ninguém nunca me fez ir, buscar e trazer. Ninguém nunca me fez levantar e andar.

Eu estou a centímetros dela, minha capacidade de pensar se foi no primeiro passo hipnotizado. Sinto meu braço se mover, meu corpo precisa dela. Eu preciso dela.

Toco seu rosto por uma necessidade singular. Ela busca minhas mão e meu desejo de chorar vence meu controle. Sinto uma lágrima com a palavra saudade desenhada marcar minha face incrédula.

Me sinto nos meus vários sonhos dourados. Como eu sonhei.

O telefone toca e meu momento ímpar se vai. Ela se assusta e se afasta. Eu não me movo, estou presa no chão pelas certezas do que quero. Eu não sinto dúvidas com relação aos meus desejos, tenho dúvidas sobre o amanhã, sobre seus olhos, sobre o que ela sente, não sobre o que eu quero.

Ela recua procurando um tudo, menos meus olhos e eu apenas não consigo me livrar dos dela. O telefone insiste e eu o escuto tão distante. Consigo ver seu estremecer em cada toque, aquele som a incomoda e eu não me desprendo dos seus detalhes.

— Não vai atender?

Minhas frestas se abrem um pouco mais. Ela não consegue enxergar meu sangue se agitar por ela, não vê meu peito se inflar por sua presença, nem meus olhos brilharem por tocar seus rosto mais uma vez.

“Não sei se ainda me escondo, ou se ela já não me vê por trás das paredes cinzas.”

Dou passos em direção a mulher que ganhou meu olhares, minha boca e minha espera. Estou absorta em um mundo que inventei, estou mergulhada no esmeralda esparramado na minha sala. Tento me lembrar nos diálogos ilusórios e nos pedidos de desculpa. Tento me lembrar nos roteiros, nos scripts e em tudo que ensaiei.

Me perdi quando Emma me olhou.

Estou caminhando por magnetismo, por uma atração que me leva ao que quero. Não sei quantas vezes não pensei, apenas agi. Sempre precisei de organização, de linhas. Hoje eu apenas quero tocar, e isso me direciona.

Minha mão volta para o seu rosto, ainda não consegui me achar e o controle...

— Não, eu não vou atender.

O controle se vai.

Eu a beijo. A saudade daquele toque me explode, a vontade de chorar por finalmente conseguir tocar o motivos dos meus gritos me enlouquece. Sinto sua urgência e me desfaço, me refaço, me desconstruo e me reconstruo.

Eu desmorono e desisto dos meus esconderijos ridículos.

Esqueço minhas razões, meu motivos, minhas rejeições, minhas escolhas.

Esqueço os sorrisos escondidos, a grosseria forjada e o desejo contido.

Esqueço um marido, um ex-marido, uma namorada e uma ex-namorada.

Esqueço as viagem desesperadas, as lágrimas solitárias e as folhas reveladoras.

Esqueço o toque de um telefone.

Esqueço do meu controle.

Eu simplesmente esqueço que um mundo pode existir.

Eu a solto, meu medo de ver sua dor me bloqueia. Passo alguns segundos me recusando a voltar ao um mundo em que olho para o nada imaginando como seria. Estou cansada de sonhar, eu quero viver uma história de amor.

Srta. Swan me mostrou uma felicidade que nunca senti, uma felicidade que não entendia. Ela me mostrou uma saudade excruciante e um desejo ardente por um simples sorriso acompanhado de um pedido quente. Tenho medo de novamente perder.

Medo.

Eu sinto medo. Tenho medo de vê-la entrar em um trem de um estação cheia, ver seus olhos cada vez mais distante sem data para um retorno. Tenho medo de sentar em uma cama de um apartamento apertado e procurar seus traços. Procurar seus resquícios.

Eu tenho medo de não ter Emma Swan.

Respiro fundo tentando retomar o controle perdido. Eu não consigo me esconder. Sinto meu tudo se debater descontrolado, me sinto agitada, desesperada. Me sinto apaixonada.

Meus olhos se abrem pela necessidade do enfrentamento. Eu vejo os verdes corajosos, indecisos e preocupados.

Eu senti tanta saudade.

— Eu sinto sua falta.

Ela sorri e não consigo desvendar os motivos, não consigo decifrar suas questões. Emma ainda está segurando meu casado com força, acho que ela também sente medo. Estamos nos olhando, ela tentando ver um vacilo e eu tentando mostrar minhas convicções. Ela passa a mão em meu rosto, eu fecho olhos tentando aproveitar o momento que estava distante demais, consigo sentir toda a vontade, toda a fantasia realizada. É engraçado ainda ver o encantamento em seus olhos. Ainda ver o quão impossível ela acredita que seja eu me apaixonar por seus cabelos e seus óculos pretos.

Eu estou tão entregue.

Ela passa a ponta dos dedos na trilha da saudade marcada em mim.

— Eu preciso ir. – Eu abro os olhos e minha respiração falha. – Eu... – Ela engasga e meu castelo dourado se racha – Eu só caminhei até você. Eu só andei até chegar aqui, eu preciso voltar.

É adorável suas explicações.

— Eu não quero que você vá.

“Eu não quero que você vá.” Não consigo fingir ou usar palavras de apoio e compreensão. Eu quero que ela fique, aqui, comigo. Quero matar a falta do seu sorriso. Quero sentar e sorrir ao olhar a lareira vazia. Quero ouvir as gotas em um dia lindamente chuvoso. Quero aproveitar os minutos de um final de tarde olhando a pessoa que me despiu.

Não consigo mais ignorar meus desejos.

Ela volta a procurar meus receios, ela tenta encontrar a fenda que me fará desistir e voltar para uma vida que não quero. Ela procura rastros do passado repetido. Emma olha para baixo fugindo do que encontrou no fundo de mim. Eu estou aqui e ela ainda se preocupa com minhas ações.

— Eu preciso ir – Ela repete, solta meu casado, vejo esse movimento tão lentamente que consigo perceber o ar se deslocar. Vejo minha imponência ser quebrada, sinto o calor da minha pele perder a intensidade. Consigo ver o pálido levando minha força. Eu só fecho os olhos retomando meu controle.

“Não quero que você vá.”

Meu apartamento se tornou palco do adeus partido.

Seus movimentos lentos ainda me prendem, ela me olha e vejo um passo ser dado. Me dói tanto ver seus recuos, mais um passo é dado, acredito que estou perdida em meu pesadelo. Ela contorna meu corpo, não faço nada para evitar essa partida. Estou paralisada.

Claro que eu quero impedir. Quero sentir sua boca como há segundos. Minha culpa me congela. Não consigo deixar de entender sua partida, suas preocupações, ou qualquer outra coisa que ainda sinta. Eu entendo e sinto. Sinto como se cada despedaçar estivesse em meu peito.

Escuto o barulho do destrancar. Não olho para trás, não consigo ver sua distância mais uma vez, não depois do meu desnudar. O vento do abrir de porta me arde. Aperto os olhos e meus lábios tremem.

“Não quero que você vá.”

— Regina. — Não posso olhar. – Regina.

Controle.

A palavra controle sobe pelos meus saltos, escala minhas pernas, desliza por meus braços, se quebra em meus olhos e se torna uma gota.

“Não quero que você vá.”

— Regina, por favor. Olha pra mim. — Inclino minha cabeça e tento encarar com coragem o meu desastre lindo. – Eu vou para Camden, depois vou passar uns dias em Boston. Eu posso te ver?

Meu corpo se abre pela pergunta mais absurda, simples e carinhosa que já ouvi.

— Vou estar te esperando.

O sorriso que me atormentou desde o primeiro dia invade seu rosto e qualquer dor, angustia ou pavor, são evaporados com o gesto suficiente. Ela sorri me trazendo a tranquilidade que eu preciso. Ela sorri e me deixa.

Seu sorriso é suficiente pra mim hoje. Seu sorriso me traz o recomeço que sonhei por um ano inteiro, me mostra que posso conquistar aquela felicidade inexistente. A felicidade que Emma criou para mim.

Passo a mão no cabelo e paro na boca não acreditando. Ela vai voltar.

“Chega de desencontros nublados.”

Não quero o controle.

Notas finais
Estou tão nervosa com esse capítulo. Espero que tenham gostado. Até o próximo.