Saudade

1 capitulo unico


Manhã de céu nublado, dia bonito pra chover...

“Dia, Perfessorinha!” – lhe cumprimentavam, e ela sorria. Um sorriso genuíno, diga-se de passagem.

O dia passou... normal. Nem lento, nem devagar.

A aula foi boa, como de costume. As crianças ficavam melhores na leitura e na escrita a cada dia! Eita coisa boa!

Na hora do almoço, fechou a escola, e já ia pra casa... mas paralisou quando viu Zelão.

Curioso... ele tava tão longe, e tão alheio a tudo, que parecia até que os olhos dela é que tavam procurando ele pra olhar.

Juiana suspirou, sem querer.

Dizem que se a gente olhar bem pra uma pessoa, e desejar com vontade que ela olhe de volta, ela vai olhar.

Tudo mentira, como Juliana pode constatar.

E ela logo percebeu o motivo pra Zelão parecer tão distraído.

Com um lápis e um caderninho em mãos, ele escrevia, olhava pro céu, e escrevia... naquele momento, a professora não conseguia lembrar de uma única vez em que tivesse desejado tanto poder ler o caderninho de alguém.

Isso que ela sentia, aquela curiosidade, aquela vontade de saber dele, ela já sabia... que era saudade.

“Esse amor... nem cabe mais no peito, Zelão...” – ela sussurrou ao vento, repetindo com suas próprias palavras a declaração que o amado tanto lhe havia feito.

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