V-Saudade.

Descobri que lá atrás

Vive um ser misterioso,

Que supunha estar perdido

Na mente que tanto ocupa.

Uma lembrança passada

De alguém perdido,

De momento que se vai

E que nunca retorna.

Vitória esquecida.

Pois quisera imaginar

Num porto, mãe e filha.

As mãos dadas significam

Que um sonho parte com o mar.

E lá se vai minha alma

Sorrindo para quem passar.

O lenço que a mãe segura

O vento faz questão de levar.

E as lembranças que consigo somem

As lágrimas fazem questão de apagar.

Com o frio da madrugada,

O beijo que a mãe dá

Outra lágrima enfrente a filha,

Ela deixa escapar.

Com o frio da madrugada,

A saudade bate com força na porta

E ilude o brilho da lua

Que se refugia entre as nuvens,

E passa a ser só uma luz a mais

Que possa a iluminar a rua.

Saudade é gota congelada,

Saudade é flor que se mata.

Saudade é pecado profundo

Que profana o coração do mundo.

E lá se vai o seu amor,

Que do navio parte.

O lenço que o vento levou,

Ele encontra na distância.

Pois querendo ou não,

A distância existe

E ela é real.

Faz com que a saudade atravesse as portas

E congele o coração.

De todas as formas possíveis,

Mas que haja a salvação.

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