Saturno - Um Novo Mundo

4 Palumas - O Povo da Água


Notas iniciais
Uma breve descrição do terceiro cenário e um pouco da história da família real aquática.

Diferentemente da Terra, Saturno não possui uma grande extensão de água. Ao contrário, era um elemento raro. O maior rio ficava nas florestas da Calópsia — e ainda assim, apenas o suficiente para toda a aldeia dos calopsinos.

Por isso que, no fundo do Rio Frehat — O segundo maior, situado nas terras de Trausnkym — O rei Fishgaide ficava debruçado em sua mesa com mapas. Ele contava com o próprio exército e com a ajuda de Lukkenzi para tomar o rio Ourária dos "deserdados" — como ele e Lukkenzi se referiam aos calopsinos.

O soberano aquático não suportava mais ter tão pouco espaço para reinar e recebia constante pressão de seu povo para tomarem Ourária o mais rápido possível. A população dos palumas, humanoides com escamas de peixe, rabo de peixe e nadadeiras no lugar das mãos, crescia rápido demais, e para evitar superpopulação, sacrificavam recém-nascidos defeituosos e quem completava quinhentos anos e mandavam os doentes para os menores rios e lagoas espalhados pelo restante de Saturno.

Fishgaide considerava igualmente importante e necessário a aliança com os trausnkymianos. Eles vivem numa terra onde neve cai sem parar. E neve é água congelada. Ou seja, no dia em que não tiver mais espaço para os palumas nas regiões com água, o restante pode sobreviver em Trausnkym. E por isso, fizera um acordo com Lukkenzi, quando a rainha Meeka estava grávida, de que se o herdeiro trausnkymiano fosse um menino, ele se casaria com a princesa Chaina e os reinos se juntariam.

Na época, Lukkenzi recebeu a proposta com um pé atrás. Desconfiava do caráter de Fishgaide e, por um momento, achou que ia sofrer um grande golpe no momento em que conquistasse as terras dos calopsinos. Mas na medida em que o tempo foi passando e o seu rancor com os inimigos aumentando, abraçou a causa.

Escondida no seu quarto e alheia a tudo, a princesa Chaina brincava com conchinhas e com as bonecas de madrepérola que sua mãe lhe deixou. Sentia saudades dela. Quando seu pai tinha acessos de fúria e brigava com ela por ser "feia" — por não ter escamas — era sua mãe quem lhe defendia. E depois pagava por isso.

Chaina ainda lembrava com lágrimas nos olhos o dia em que acordou e achou um bilhete da mãe ao lado da sua cama. No bilhete, ela dizia que estava doente e que, por isso, estava sendo mandada para viver em outro rio, isolada com outros enfermos. "Deve ter ficado doente por ter apanhado tanto do papai", pensava ela.

Parou com a conchinhas. Olhou para o teto e permaneceu pensativa. Depois, foi para a frente do espelho. Os cabelos compridos, lisos e verdes disfarçavam um pouco seu defeito imperdoável. Os olhos grandes e negros se encontravam inchados de tanto chorar. As mãos tremiam, num misto de querer encontra-las ao rosto e de dar um soco na parede. Odiava aquilo tudo. Odiava a própria vida, odiava o pai, odiava ter perdido sua mãe, odiava a ideia de se casar contra a vontade, de ser um instrumento para a vitória política de seu pai.

Saiu da frente e foi para a janela. A vista dava para toda a aldeia dos palumas no fundo do rio. Olhou para cima e enxergou a superfície. Sentiu uma vontade súbita de fugir e se esconder em algum lugar lá em cima. Mas sabia que o pai viria logo atrás e lhe traria de volta arrastando pelos cabelos. Não ia abrir mão de seu plano com os aliados. Chaina deu um longo suspiro... E resolveu se conformar. Mas, no seu pensamento, torcia por algum imprevisto da vida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.