Satroia v1

1 Satroia v1


Notas iniciais
Dedicado a minha namorada fofa, Yurippe, ela posta bastante coisa legal aqui e acabou me inspirando a postar aqui também.

Não havia coisa melhor naquelas tarde de inverno que uma xícara de café quente, com o vapor e o cheiro tomando conta do ambiente vários clientes tornaram daquela cafeteria a sua casa. Com mesas redondas de madeira, janelas em arco e paredes claras os funcionários também se vestiam de maneira elegante, de gravata e roupa social eles estavam todos os dias, com um sorriso no rosto e servindo cafés incríveis.

Dois deles se destacavam, Satoshi e Yurippe, dois jovens que trabalhavam ali a pouco tempo, pouca coisa a mais de seis meses, mas já haviam se adaptado a rotina. Satoshi era um rapaz alto, magro, cabelos escuros enquanto Yurippe era menor e de cabelos claros, diferentes fisicamente mas de certa forma parecidos na personalidade. Se davam bem, quando não estavam se provocando ou se socando por algum motivo aleatório. Naquele dia, trocaram mais do que socos, mais do que provocações, naquele dia nasceu Satroia.

— Yuriii, parece que hoje o gerente vai precisar sair mais cedo, seremos eu e você no turno da noite, só eu, e você. – Disse Satoshi, com enfoque no final da frase e um sorriso que Yurippe achou irritante.

— Ugh, o que quer dizer? Ficar nessa cafeteria com você, eu vou morrer. – Yurippe retribuiu o mesmo sorriso para Satoshi, ambos se encararam com expressões irritadas por segundos e então voltaram ao trabalho.

— Vocês realmente se dão bem né? – Uma senhora sendo servida disse a Satoshi, que respondeu. – Sem clichês de animes românticos por favor.

Depois de horas trocando faíscas entre os dois a noite chegou, o gerente foi embora e ambos ficaram a sós servindo os poucos clientes, após as 0h não havia mais ninguém. Os únicos sons no ambiente eram dos ventiladores de teto e do ponteiro de um grande relógio antigo ao fundo.

— Ei. – Satoshi quebrou o silêncio.

— Hm?

— Eu estive tentando uma nova formula de café, quer provar?

— Hmm, não tem nenhum cliente mesmo, por que não?

— Não vá se apaixonar, a quantidade de cafeína nisso vai fazer seu coração explodir. – Riu baixinho.

Ela permaneceu em silêncio, não o encarou brava nem nada, apenas penas observou a forma com que ele fazia o café. Ele não fazia nada demais, usando o pó de café, açúcar, água, como em todos os dias, que nova formula era essa? Mais uma das palhaçadas de Satoshi, pra variar.

— Hey vacilão, o que tá fazendo? Não passa de um café normal e...

— NÃO, não é um café normal, eu poderia dizer que tem uma parte minha dentro dele, e isso o torna especial.

— Ewwww, que nojo, o que você colocou? Não vou beber! – Yurippe gritou em tom de desprezo, e claro, com provocação em seu rosto.

— Tsc, apenas beba antes que esfrie. – Satoshi estava pela primeira vez sério, Yurippe cortou as brincadeiras e encarou a xícara que ele havia colocado em sua frente. Ali estava, mais um dos cafés de Satoshi, preto como a noite, oscilando como sempre, estaria muito doce? Muito amargo? Que parte dele estaria ali? Yurippe parecia uma detetive solucionando um caso, como se estivesse encarando algum tipo de urso preto e branco com uma risada bizarra ela respirou fundo. “Encontrarei a resposta quando provar.” Suas mãos sentiram o calor na porcelana branca, e ela levou-a até o nariz, sentindo o aroma. “Amargo dessa vez.” Abriu a boca, aproximou o café, e...

— Yurippe, eu te amo.

—Pffffft. – Ela cuspiu todo o café que havia colocado na boca, não sentiu o sabor, nada, a surpresa fez com que suas mãos perdessem a força e baixasse a xícara mais uma vez no balcão. Seu rosto estava tão vermelho que ela não sabia onde enfia-lo, queria socar o Satoshi até não sobrar nada.

— Desde quando? – Yurippe perguntou sentindo-se desaparecer no ar, sem força alguma.

— Desde sempre. – Satoshi parecia estar em chamas, uma vez que seus sentimentos finalmente se tornaram conhecidos, independente dos resultados, ele estava feliz, feliz consigo mesmo. – Desde aquele dia onde nos conhecemos, quando a única coisa que tomamos foi um copo d’água, no meio da madrugada do nosso primeiro treinamento. Se lembra?

— Como eu poderia esquecer? A única coisa que mudou nesse tempo foi você ter cortado o cabelo, e se me permite dizer, eu sinto o mesmo por você, eu te amo Satoshi.

O fogo que estava no rapaz se tornou fogos de artificio, flores brotavam dos olhos de Yurippe ao olhar seu sorriso, como se fosse um quadro pintado por um pintor subestimado que seria valorizado apenas anos depois aquele momento se eternizou, dois jovens se encarando apaixonadamente com o vapor de uma xícara de café subindo entre eles.

— Então... você quer namorar comigo? – Perguntou ele.

— É claro que eu quero. – Respondeu ela.

Lágrimas brotaram dos olhos dos dois,

— O que a gente faz agora? – Perguntou Satoshi tímido.

— I-Idiota, como se eu soubesse. – Respondeu Yurippe.

— Farei isso então.

Ele andou até ela, ela olhando assustada sem entender, quando chegou ao lado dela se inclinou e fez, o primeiro beijo dos dois, a boca de Yurippe estava amarga por ter bebido o café segundos antes, mas estava tudo bem, a doçura do momento entre os dois recém namorados fez com que o amargo sumisse.

— Eu te amo. – Os dois falaram ao mesmo tempo. Suspiraram e sorriram, extremamente felizes.

— AH, Satoshi... Eu... cuspi café na sua roupa...

— QUE?

Ela começou a rir incontrolavelmente, mesmo agora namorados, a relação que ambos tinham não havia mudado, continuavam dois parceiros que gostavam de zoar um com o outro. Satoshi descobriu que podia se dedicar mais a outra pessoa, isso faria bem a ele, como crescimento, estava aprendendo a amar. Yurippe por sua vez tinha a oportunidade de receber tudo isso, sentiu o direito de ser feliz, sentir o amor verdadeiro.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!