Satisfaction

9 Capítulo 8 - Pecaminosamente Errado


Quando Gajeel chegara do escritório, não esperava ser recebido por sua baixinha, muito menos receber um sorriso cativante como aquele. Permitiu-se retribuir o sorriso por alguns momentos, afagando o topo da cabeça da azulada e adentrando a casa.

No curto caminho até a sala de estar, a McGarden conversava animadamente com o Redfox, perguntando-lhe como foi seu dia no escritório e se divertindo com os causos contados. Seu peito se aquecia quando estava com Levy, isto era um fato que não conseguia mais negar, ainda mais ao ver, nos olhos castanhos da mesma, que era recíproco. Aquilo o deixava feliz, como há muito tempo não se sentia verdadeiramente.

Esperavam Mira voltar da cozinha para sentarem-se, logo a albina veio, trazendo um carrinho com um café da tarde delicioso. Mais muffins de amora, seus famosos pães de batata, mais pães de queijo, café, chá, torradas de pão integral e pedaços de maçã com pitadas de canela por cima.

— Pelo jeito temos alguém com fome aqui. – Gajeel zombou, sentando-se num dos sofás com Levy ao seu lado. Logo em seguida o felino aproximara-se e deitara ao lado da menor, deixando o moreno contente por seu animal de estimação ter se afeiçoado com a garota.

— Já está na minha hora de comer, oras. – a moça de cabelos brancos dera de ombros, deixando o carrinho em frente a mesinha de centro, acomodando os pratos entre si, logo sentando-se no sofá em frente ao patrão e a hóspede.

Levy não demorou a se acostumar com o modo que Gajeel e Mirajane viviam, mesmo tendo sido acostumada a empregados na área de serviço e patrões e convidados à mesa principal. A albina não era uma simples governanta, era parte da família. Este clima agradável e informal a fazia se sentir mais à vontade, se divertindo com as provocações e alfinetadas trocadas entre o Redfox e a Strauss. Até pareciam dois irmãos, pensou.

— Antes que uma guerra de comida comece, e eu realmente não estou a fim de limpar depois, – Mirajane começara, com a voz autoritária e braços cruzados. – Levy chegou um dia antes do que eu esperava, então acabei não preparando o quarto de hóspedes propriamente para ela.

— E agora…? – a menina, por fim, se pronunciara, após terminar de mastigar um muffin. Preocupara-se com o imprevisto que causara.

— Ela dormirá no seu quarto. – a albina soltou, como se fosse algo extremamente natural, encarando o patrão.

— Ei! Achei que era eu quem dava as ordens por aqui! — o moreno se exaltara, levantando-se e apontando para a jovem governanta.

A Strauss erguera seus olhos e sorrira de forma ameaçadora para o Redfox, apesar da aparência doce e prestativa, ela escondia um lado pior do que uma peste. Qualquer contestação à moça em relação seus planos para Levy, resultaria em sua denúncia.

— Certo, certo. Eu durmo no sofá. – Gajeel suspirara, levantando-se e preparando-se para subir as escadas até seu quarto.

— A propósito, aquele banho pronto em seu banheiro é para a Levy. As malas dela foram desfeitas e suas roupas estão ocupando uma de suas gavetas e alguns cabides. – Mirajane cantarolara, deixando o jovem patrão mais irritado.

Não se importava em dividir seu quarto, suas gavetas ou seus cabides com a McGarden, o que o incomodava era a albina tê-lo feito sem seu consentimento.

— Que seja, vou tirar uma soneca até lá. – Gajeel rosnara, dando de ombros.

Após o mesmo adentrar seus aposentos, Levy e Mirajane suspiraram ao mesmo tempo, porém por motivos diferentes.

— Não fique assim, querida. Gajeel está feliz por estar aqui, apenas não gostou que eu tomasse as rédeas da situação sem contatá-lo antes. – a moça dera um sorriso sem graça ao final de sua fala.

— Não queria causar mais incômodos, já estou lhes preocupando o suficiente com a minha doença. – a azulada suspirara mais uma vez, pegando o último pão de queijo.

— Quanto a isso, fique tranquila. – a albina levantara e começara a recolher as louças vazias, com apenas farelos do que tinha ali antes, colocando-as no carrinho. – Recebi treinamento para lidar com diabéticos, está em boas mãos. – piscara, confiante.

— Obrigada, Mira. – Levy agradecera, aliviada.

— Não há de que. Agora suba tomar seu banho antes que a água esfrie.

Assentindo à jovem governanta, a garota subira os degraus a passos rápidos, erguendo um pouco a saia de seu vestido para não tropeçar e facilitar a caminhada. Logo ao chegar ao andar de cima, abriu timidamente a porta que vira o Redfox adentrar.

O cômodo era quase do tamanho da sala de estar, muito organizado e aconchegante.

As paredes foram pintadas com um tom alaranjado, o material que era feito o piso era desconhecido, já que era todo coberto por um tapete felpudo e marrom claro. Os móveis eram de uma madeira negra e grossa, sendo eles uma cômoda de seis gavetas na parede à lateral direita da cama de casal, dois criados-mudos em cada lado da mesma, um extenso guarda-roupa na parede ao lado da porta e a cama possuía dois colchões e cobertas grossas, em cores quentes, como a maioria do que havia no cômodo.

Gajeel estava deitado de bruços, de camisa branca e a calça que usara horas antes no trabalho. Mesmo sob o tecido, Levy pôde perceber claramente os músculos definidos de suas costas. Balançando a cabeça negativamente por estar absorta observando o físico do moreno, abriu a única porta que vira dentro do aposento.

O banheiro, igualmente grande, era revestido por azulejos de tom amarelado e possuía três tapetes iguais ao do quarto, um em frente a pia, outro em frente a banheira e outro em frente a porta. Ao lado da pia havia um pequeno armário de madeira pintado de branco, e ao seu lado havia um sanitário e um mictório, igualmente brancos. Do outro lado, havia a banheira, em formato circular e branca, cheia com a água a um palmo da borda; ao lado da mesma, uma cortina branca quase transparente, que, ao abri-la, descobriu se tratar de um lugar para ensaboar-se e enxaguar-se antes de ir para a banheira.

Levy, por fim, após analisar o local, tirara seu vestido e suas roupas de baixo, pendurando-os nos ganchos dourados na parede na qual a banheira ficava ao lado. Descobriu, no pequeno armário, toalhas brancas e macias, pendurando uma ali, igualmente. A água estava quente, demoraria o tempo suficiente de seu banho até esfriar.

Pegando um pouco de água da banheira e abrindo a cortina, a azulada derramara um pouco de água sobre si e começava a se ensaboar com um sabonete verde-escuro que encontrara ali. Repetira o processo até se julgar limpa o suficiente e tirar toda a espuma de seu corpo, entrando na banheira e afundando-se na água relaxante.

—x-

Gajeel não tivera nem quarenta minutos de soneca e já acordara, inquieto. Lembrara-se da McGarden adentrando seu quarto e se dirigindo ao banheiro, mesmo sem ter sequer aberto os olhos para percebê-lo. Podia sentir seu cheiro a metros, possuía um bom olfato.

Quando pensara em levantar-se para chamá-la, ouviu a porta ser aberta e um cheiro de sabonete de ervas junto do natural da azulada invadira seu quarto. Abriu um único olho para olhá-la brevemente, estava com o corpo envolto numa toalha branca, que se adaptara às suas curvas delicadas.

Mesmo sendo pequena, a garota possuía um corpo proporcional e incrível, ao critério do Redfox. O busto era pequeno, a cintura levemente afinada, o quadril largo e as coxas cheias. Imaginou como seria sentir a textura daquela pele ao apalpar suas coxas e bumbum, e, até mesmo, seus pequenos e delicados seios. Ao notar que a estava observando até demais, Gajeel corou e puxou um travesseiro sobre sua cabeça. Não acreditava que estava se excitando com Levy daquela forma, a garota tinha um ar tão puro e angelical que parecia algo extremamente pecaminoso.