Satisfaction

7 Capítulo 6 - Interesses Confrontados


O caminho do jardim de volta para a residência das McGarden fora silencioso. Nem o Redfox ou a McGarden mais nova ousaram abrir suas bocas durante o trajeto, estabelecendo um clima tenso entre ambos.

Ao entrarem pela sacada da sala de estar, Elevínia viera ao seu encontro para avisar que já havia chamado uma carruagem para levar o hóspede de volta à sua casa, o que deixou Levy abatida, mas a mesma procurou não demonstrá-lo, afinal, estava prometida a outro.

Reunindo seus poucos pertences e sentando-se num dos dois sofás do hall, Gajeel manteve o olhar fixado no majestoso relógio de pêndulo dourado, enquanto, à sua esquerda, no outro sofá, estava a garota de cabelos azuis, com as mãos sobre as coxas e o olhar fixo no tapete.

— Gaj-

Quando a azulada finalmente pretendia quebrar o gelo entre eles, foi interrompida pelo barulho de cascos de cavalo na rua de granito em frente à sua casa. Engolindo a saliva, observou o moreno levantar-se, até que o mesmo abaixara-se perigosamente perto de seu rosto.

— Escreva-me. — o mesmo sussurrara ao ouvido da mais nova, fazendo-a se arrepiar.

Levy ergueu a cabeça e encarou-o, com as bochechas coradas, recebendo um sorriso malicioso do Redfox, piorando sua situação. Era incrível como aquele homem conseguia a deixar desconcertada e vermelha com apenas um gesto simples. Tratou de levantar-se ao perceber que a mãe havia chegado ao hall despedir-se de Gajeel, se colocando ao lado da mesma.

— Sempre será bem-vindo em nossa casa, senhor Redfox. — e, pela primeira vez nas últimas semanas, a garota percebera a mãe sendo sincera.

— Agradeço mais uma vez pela hospitalidade, sra. McGarden, e também por deixar-me auxiliá-la no tratamento de sua filha. Espero vê-las em breve. — o Redfox se despedira, beijando as costas da mão da McGarden mãe e da filha.

Após o moreno retirar-se da casa e subir na carruagem, Elevínia pôs-se a observar Levy assistir à partida do mesmo pela janela. Assim que perdera o carro de vista, a garota saíra de seu lugar, suspirando, e estava prestes a ir pela pequena biblioteca que possuíam na casa, ao se deparar com a mãe em sua frente, encostada na parede e de braços cruzados.

— Estaria, você, interessada no sr. Redfox, Levy? — a pergunta pegara a McGarden filha como um assassino que ataca sua vítima por trás.

— Por que faz tal pergunta a mim, mamãe? — Levy procurou endireitar a postura e firmar sua voz, olhando a mãe nos olhos.

— Ele já é um homem bem vivido, apesar de não ser tão mais velho que você. Além do mais, é um homem comprometido com os seus negócios, mesmo com a fama de boêmio que adquiriu alguns anos atrás, sua competência chegara aos meus ouvidos meses atrás. — Elevínia comentara, então a azulada lembrara-se de quando um dos guardas se referiu à fama de Gajeel no dia do baile. Afinal, que fama era aquela?

— Aonde a senhora quer chegar, mamãe? — a garota perguntou, um tanto impaciente.

— Quero chegar no ponto em que você se coloca em seu lugar, minha filha.

Levy olhou, perplexa, para a McGarden mais velha, dando de cara com uma expressão rigorosa e um tanto maldosa em seu rosto. Elevínia era do tipo que demorava para atacar, mas quando o fazia, desprovia de compaixão ou piedade.

— Gajeel será, legalmente, seu tutor a partir de hoje. Afinal, agora ele também sabe da sua doença e entende da mesma, o que me poupará gastos com médicos. — a mulher limpou a garganta para prosseguir. — Sendo seu tutor, ele será responsável por você assim como eu o sou até ter um marido. Em minha ausência, ficará aos seus cuidados em sua residência e sob vigilância de Poluchka. Entendido?

— Sim, mamãe. — a azulada engoliu em seco, saindo a passos rápidos do hall e se trancando na pequena biblioteca ao lado da sala de estar.

Afundou na poltrona do local, cobrindo o rosto com as mãos. E, mais uma vez, estavam decidindo o que ela deveria fazer sem seu consentimento. Ao menos estaria sob os cuidados de Gajeel, sabia que ele daria um jeito de livrá-la de Rogue, o que a fazia sentir-se mal por colocar tal responsabilidade sobre os ombros de quem não tinha obrigação nenhuma de fazê-lo.

—x-

Gajeel partira da residência das McGarden às dezesseis horas, chegando a sua própria próximo das dezoito. Ao entrar, foi recebido por uma Mirajane preocupada, com olheiras visíveis, que recolhera sua capa e chapéu, indo pendurá-los no suporte ao lado.

— Não está cheirando a álcool! — a governanta exclamara, espantada, ao cheirar o ombro do patrão.

— Gihi, aposto que estava esperando que eu viesse escoltado pela polícia. — o moreno rira com a expressão que Mirajane estava, indo ao tapete acariciar Lily, que recebeu o dono ronronando.

— E não veio? — a albina perguntara da cozinha, voltando com uma bandeja de prata com uma pequena refeição.

Sentando-se num dos sofás de quatro lugares, Gajeel respirou fundo. Não podia culpar a moça por esperar tal comportamento de sua pessoa, já que até seis meses atrás ainda frequentava bordéis, cassinos e toda sorte de bares e festas, quase sempre arrumando confusão por causa de jogos, bebida e mulheres.

— Não, Mira. Sabe que já larguei essa vida. — respondeu sem alterar o tom, fazendo sinal para Mirajane deixar a bandeja na mesinha de centro e sentar-se no sofá à sua frente.

— Não quero lhe ofender, mas só acredito quando arrumar uma moça decente e depois de um mês ela me dizer que mudou. — a governanta dera de ombros, cruzando as pernas ao sentar-se.

Instantaneamente o Redfox pensou em Levy, amaldiçoando Mirajane por fazer seus pensamentos se dirigem a azulada.

— Certo, certo, então morrerá com a minha imagem de sempre. — o moreno dissera, colocando um pouco de café do bule da bandeja numa xícara, tomando o conteúdo da mesma em seguida.

— Não seja tão pessimista em relação ao amor, tenho certeza de que já tem uma candidata. — a albina sorrira.

Quase cuspindo o café, Gajeel colocou a xícara sobre a mesa e pigarreou. Se continuassem conversando sobre aquilo falaria mais do que pretendia que a jovem governanta soubesse.

— Eu estava na casa das McGarden. — começou, logo contando o que se seguira nos dias anteriores, omitindo e alterando algumas partes dos fatos, incluindo as circunstâncias nas quais encontrara a azulada.

Ao concluir sua pequena narrativa e explanações, o Redfox já havia devorado cinco das dez torradas com manteiga que Mirajane trouxera, e agora comia o pequeno pão de batata que a mesma fizera. Sabia que ela fazia suas refeições de duas em duas horas, e se não havia se servido, provavelmente ainda não estava com fome.

— Por que ainda tenho a impressão de que está me escondendo alguma coisa? — a albina refletiu em voz alta, de braços cruzados e uma mão na testa. Ao ouvi-la, Gajeel engasgara com a comida e começara a tossir. — Oras, pare, homem! Você sempre elogiou meus pães de batata!

— N-não é isso. — o moreno dissera enquanto recuperava o fôlego. Mirajane o estava pegando desprevenido muitas vezes desde que chegara, algo não estava certo. — Bem, acho que vou me deitar mais cedo hoje, senti falta da minha cama.

Ao levantar-se com a bandeja em mãos, a empregada lhe dirigira um olhar sério e intimidador, o qual ela somente usava quando alguém mentia ou escondia algo de si. Apesar de não ter medo de Mirajane, Gajeel achou melhor evitar o resto da semana de dor de cabeça.

— Pois bem, se ainda estiver disposta, vou lhe contar a história toda. — o moreno se dera por vencido, sentando novamente no sofá.

A albina ouvia a tudo atenta, e quando Gajeel chegara na parte em que ele e Levy andaram pelo jardim, a mesma estava eufórica. Ignorando seu comportamento, animado até demais, procurara concluir a história – agora de forma completa – rapidamente, não esperando ser atropelado por uma manada de perguntas, como: “ela não se incomoda com o seu cabelo?”, “ela gosta de você?”, “vocês estão apaixonados?”, “você gosta do cheiro dela?”.

— Ela perguntou por que você não tem sobrancelhas? — esta seria a última pergunta de Mirajane, o Redfox já estava ficando irritado com a invasão de privacidade.

— Chega, Mira. Está tarde e eu e você precisamos dormir, venha Lily. — Gajeel suspirara, começando a subir as escadas para seu quarto, seguido do felino.

— Pode tentar esconder que está apaixonado de si mesmo, mas saiba que você fica vermelho quando fala dela! — Mirajane cantarolara, seguindo, saltitante, para seu quartinho na área de serviço.

Sem ter tido tempo ou espaço para respondê-la a altura, o moreno simplesmente entrara em seu quarto junto de seu felino, batendo a porta ao fechá-la