Satisfaction
5 Capítulo 4 - Noite Conturbada
Notas iniciais

Gajeel se despira e colocara o camisolão branco que se encontrava sobre a cama. Normalmente dormia de ceroulas, mas não estava em casa e sabe-se Deus quem poderia lhe acordar. Com suas calças, camisa, colete e paletó pendurados no cabideiro, permaneceu instantes sentado na beirada da cama, divagando sobre a conversa que tivera com a pequena meia hora atrás.
Já lhe disseram que o álcool era prejudicial para diabéticos, e em seu segundo encontro com Levy ela estava bêbada. Não lhe restariam muitos dias até que caísse em coma. Pensando nisso, a convidaria para uma caminhada após o almoço, afinal, a residência McGarden podia ser modesta para aristocratas, mas possuíam um belo e vasto jardim.
Pela segunda vez naquele dia, o Redfox pensara no conteúdo da carta enviada mais cedo. Ele e Levy não haviam se contatado em nenhum momento desde o baile, então o surpreendia lhe pedir para fazer tal coisa, mas compreendia que a baixinha estava desesperada. Ao menos era o que os olhos da mesma aparentavam.
Deitou-se sob as cobertas macias da cama de casal e pôs-se a refletir sobre os acontecidos daquela noite. Nunca pensou em reencontrar Rogue, ainda mais daquela forma e naquelas circunstâncias. Provavelmente o Barão Cheney não sabia, ou se sabia, preferia fingir não saber. Absorto em suas observações, Gajeel mal percebeu quando seus olhos fecharam e adormeceu.
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Levy acordara extremamente gelada e trêmula no meio da noite. Provavelmente era sua doença dando sinal de vida, após longos dias sem nenhum “ataque”. Não podendo chamar Poluchka ou sua mãe, a azulada não viu opção a não ser recorrer àquele que estava dormindo no quarto de hóspedes.
Calçou suas pantufas e colocou seu roupão por cima da camisola, caminhando a passos hesitantes pelo corredor até chegar à porta desejada. Conforme avançava, sua tremedeira aumentava e começava a suar frio, até que prendeu as mãos na maçaneta e abriu a porta delicadamente.
Encontrou Gajeel dormindo tranquilamente, com a costumeira carranca no rosto e uma bandana amarrada em sua testa. Sorriu brevemente com a ideia de ele sempre estar emburrado, mas logo encostou a porta e aproximou-se da beirada da cama, cutucando seu ombro para acordá-lo.
— G-gajeel. — Levy o chamou, ouvindo um resmungo de volta. — Gajeel! — controlou-se para não gaguejar, falando em seu tom normal.
O Redfox sentou-se na cama de sobressalto, e após o susto olhou para o lado e encontrou Levy ajoelhada ao lado da cama. Isto não era bom.
— Levy…? — ele ainda parecia surpreso. — O que faz aqui, que horas são?
— B-bem, e-eu… — incapaz de falar com exatidão o que lhe ocorria, a McGarden apenas acendeu o abajur do criado-mudo e lhe estendeu suas mãos trêmulas, quase chacoalhando.
Gajeel olhou-as, assustado, até que decidiu tocá-las, sentindo que estavam gélidas, confirmando o que pensara.
— Isto não é bom. — o moreno murmurou, afastando as cobertas. — Vire-se. — ordenou e Levy o obedeceu, ao constatar que o mesmo estava ao seu lado, levantou-se e encontrou Gajeel com um roupão fechado por cima do camisolão que sua mãe lhe oferecera para dormir e descalço.
— Aonde…
Antes que pudesse perguntar algo, Levy foi carregada por Gajeel escadaria abaixo a passos rápidos. Durante o percurso até a cozinha sentia-se zonza, trêmula, fria e fraca. Sentia que logo desmaiaria e teriam de chamar um médico às pressas, como não acontecia há semanas.
Abrindo os olhos com certo esforço, a azulada olhara para os lados e notara que se encontrava sentada numa cadeira na mesa da cozinha e Gajeel misturava algo num copo d’água, de costas para si.
— G-gajeel… — mais uma vez tentou falar, mas não sentia forças para o mesmo. Ao chamá-lo, o moreno prontificou-se à sua frente, de joelhos para ficar próximo de sua altura, e lhe ofereceu o copo.
— Beba, é água com açúcar. Vai te fazer ficar melhor. — mesmo que ele não dissesse o conteúdo do copo, Levy iria bebê-lo. Acabara adquirindo uma confiança sem igual para com o Redfox.
Bebendo tudo num só gole, tendo suas mãos sobre o copo seguras pelas de Gajeel, Levy suspirou, sentindo a tremedeira passar um pouco. Olhou-o novamente, aturdida.
— Ainda treme? — Gajeel perguntara, sem quebrar o contato visual por nem um segundo.
A pequena McGarden apenas assentira, fazendo o Redfox levantar-se e ficar de costas para si de novo, voltando com uma colher de sopa de mel. Afinal, para que era aquilo tudo?
— Abra a boca. — pediu, e Levy o fez sem contestar. Mel nunca fora seu adoçante preferido para os chás que bebia, ou muito menos para consumo independente, mas sentia que aquilo poderia ajudá-la.
Depois de alguns minutos, Gajeel ainda estava ajoelhado a sua frente, prestando atenção em toda e qualquer reação que o corpo dela mostrava. Seu olhar era um misto de preocupação e determinação, sua expressão tensa não relaxara em nenhum momento.
— Já estou melhor. — por fim a azulada conseguiu dizer, respirando fundo e soltando o ar em seguida.
— Graças a Deus, Levy. — sem cerimônias, fora abraçada fortemente pelo moreno. Sua voz estava um pouco trêmula, mas aliviada.
— Gajeel… — sem tempo de reagir ao abraço repentino, a mais nova fora solta na mesma velocidade na qual fora abraçada. — O que foi aquilo? Por que me deu água com açúcar? Por que me deu mel depois?
Puxando uma cadeira para sentar-se, Gajeel passou uma mão pelos cabelos pouco descabelados, encarando a madeira da mesa modesta da cozinha.
— Você estava com pouco açúcar no sangue. — ele, por fim, disse. Olhei-o perplexa.
— Isso não deveria ser algo bom? — indaguei, curiosa e ao mesmo tempo confusa.
Balançando a cabeça negativamente, Gajeel pôs-se a explicar-me o que havia acontecido. Assim como quando eu ingeria grandes quantias de carboidrato e açúcar eu passava mal, acontecia o mesmo e até pior quando isto estava em falta no meu sangue, gerando coma e até mesmo morte. Eu estava sentindo vontades frequentes de urinar, fadiga incomum e visão embaçada na semana passada ao baile, isso se deu ao fato de eu comer demais o que não deveria.
— O engraçado é que os médicos ainda pesquisam horrores sobre isso, publicam artigos e novas instruções para pacientes diabéticos, e você parece estar tão à frente a tudo isso. — Levy observou, olhando para seus pés.
— Acabei aprendendo na prática… Após a descoberta minha mãe durou apenas um ano, ela era tão nova… — Gajeel suspirou, pareciam lembranças dolorosas para ele. — De qualquer forma, estarei sempre à sua disposição quando precisar de alguém que lhe ajude com isso. Não posso deixar que mais uma pessoa conhecida morra por falta de conhecimento.
— Obrigada? — Levy sustentou o olhar de Gajeel, com as bochechas vermelhas. O mesmo deu sua típica risada “gihi” e bagunçou os cabelos da garota a sua frente.
— Quando precisar, baixinha.
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Cuidando para não fazerem barulho, Levy estendeu sua mão direita para Gajeel e subiram as escadas da mesma forma muitas horas atrás. Apesar de achar que, cronologicamente, as coisas estavam indo rápido demais, a azulada sentia que ainda precisaria muito do moreno. Seja lá para qual sentido quisesse.
— Está entregue. — Gajeel dissera ao parar em frente a porta do, que supos ser, o quarto de Levy, soltando a mão da mesma.
— Obrigada por me ajudar. — a azulada lhe dirigira um olhar e sorriso carinhosos, fazendo o moreno corar por uns instantes. Devido a este fato, o mesmo virara o rosto antes que a McGarden visse, porém, tarde demais. Ela já ria baixinho pelo seu embaraço.
— Bem, durma o quanto puder e amanhã após o almoço faremos uma caminhada pelo jardim. Uma caminhada fará bem para você. — o Redfox declarara, sem pedir permissão ou algo do tipo, de braços cruzados.
— Está certo. — Levy balançou-se nos calcanhares e segurou sua maçaneta. Não queria entrar em seu quarto ainda. — Hm, boa noite então, Gajeel.
Sem dar margem para que o mesmo retribuísse, a garota entrara de supetão em seu quarto, fechando a porta atrás de si com seu peso. Torcia para que ele não tivesse a visto corar, mas constatou o contrário ao ouvi-lo rir do outro lado da porta, sussurrando um “boa noite, baixinha” enquanto se afastava.
Aproveitaria a caminhada depois do almoço para pedir que o Redfox parasse de chamá-la de baixinha, aquele apelido estava começando a pegar e irritá-la. Pensando no moreno e em tudo que acontecera naqueles quarenta minutos, Levy foi dormir com um pequeno sorriso nos lábios.
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