Satisfaction

2 Capítulo 1 - Baile dos Pesadelos


Notas iniciais
Ah como eu sentia falta de escrever capítulos grandes~ Então galera, acabei criando personagens originais até demais na minha opinião, but, é isso, vou deixar por isso mesmo até o momento e conforme vou escrevendo vou postando (pretendo deixar um capítulo pronto enquanto escrevo outro para postar). É minha primeira fic GaLe/Gajevy, e espero que gostem ^^

A família aristocrata – quase falida – McGarden fora uma das convidadas para o baile e comitiva em recepção ao Conde Heartphilia e sua família, o que causou certa surpresa na viúva Elevínia, já que após a morte do marido perderam grande parte dos status e credibilidade, graças à fortuna perdida. Literalmente.

Os McGarden que restaram consistiam por Elevínia, a viúva, e Levy, sua única filha. Seu trunfo para voltar a uma vida melhor, para voltar ao luxo, ao conforto e aos status perante a sociedade, que tanto valorizava. A filha era inteligente, devorava livros e era encantada pelas artes cênicas, apesar dos dezessete anos completos, nunca falara sobre casamento com a mãe ou de nenhum rapaz que lhe interessasse.

— Levy! Termine de se arrumar logo, não gostaríamos de deixar os Cheney nos esperando!

A garota ouvira a mãe gritar do corredor. Revirou os olhos brevemente e suspirou, com certa dificuldade já que sua ama apertava-lhe com afinco um espartilho às costas. Após a tarefa feita, calçou meias finas brancas e seus sapatos de festa e vestidos igualmente da cor vinho. O vestido lhe deixava os ombros e braços nus, de saia levemente armada e rendas transparentes sobre a mesma.

Levy, que estava acostumada a usar cores mais alegres, como amarelo, fez questão de se vestir da forma que se sentia para ocasião. Sua mãe não comentara nada, mas sabia que seria vendida. Sabia que a antiga amizade com os Cheney lhe renderia um casamento com o filho mais novo, Rogue, de idade próxima a sua.

Penteou os cabelos de forma desleixada, mantendo sua franja para trás com uma tiara prateada de duas tiras, deixando o cabelo à frente de suas orelhas cobrir-lhe as laterais do rosto. Dispensou de forma quase rude a ama, colocando os brincos de pérola sozinha e a gargantilha da mesma pedra, com um pingente de ametista.

— Oh, como está linda, Levy! — Elevínia aparecera, suspirando atrás da filha, encarando-a pelo espelho da penteadeira. Levy não queria estar linda quando se sentia caminhando na prancha em direção a alto-mar, com uma sorte de tubarões lhe esperando para devorá-la.

Mas é claro, não esperava que os tubarões a devorá-la fossem sua mãe e seu amigo de infância. Sua relação com Rogue esfriara quando fizera quinze anos, ele estava ocupado com uma vida boêmia e fútil, enquanto ela já se dedicava a terceira língua na qual era fluente, russo, e acompanhava diplomatas que resolviam os negócios da família.

— Obrigada, mamãe. — Levy engoliu em seco, forçando o melhor sorriso que conseguia.

A carruagem chegara às oito em ponto, com um xale transparente vinho nos ombros, o trunfo McGarden foi ajudado pelo cocheiro a subir no carro, logo em seguida ajudando a McGarden mais velha.

De sua mansão até a residência de outono do Conde eram cerca de trinta minutos, apesar de chamarem de residência, era um castelo de formato medieval muito apreciado pela riqueza artística dentro dele e decoração arquitetônica.

Ao chegarem ao recinto, repleto de carruagens suntuosas e pessoas da aristocracia e nobreza local muito bem trajados, Elevínia logo foi recebida pelo Barão Cheney, que tinha sua família o acompanhando logo atrás. Levy sentiu seu estômago revirar quando pôs o pé esquerdo para fora da carruagem.

— Elevínia, minha cara amiga! Há quanto tempo esperamos por sua visita e de Levy. — o barão cumprimentou a McGarden mais velha, beijando as costas de sua mão direita, fazendo o mesmo com a mais nova, que estava visivelmente desconfortável.

— Ah, caro Reyward, sabe como são as jovens de hoje em dia, apenas querem saber de ler trancafiadas numa biblioteca o dia todo. — Elevínia sorriu, porém Levy notara o desdém em sua voz. Seu hábito de leitura nunca fora incentivado por sua mãe.

— Quanto a isso eu e meu marido não temos que nos preocupar, nossa Wendy faz aula de etiqueta desde os nove anos e é uma menina muito prendada! É nosso maior orgulho. — Jenna, esposa do Barão Cheney e Baronesa Cheney, se pronunciou, estando enganchada no braço do marido o tempo todo.

Elevínia e o casal eram conhecidos desde que Levy e Rogue tinham dois anos de idade, portanto ficaram jogando conversa fora durante um bom tempo enquanto subiam as escadas para adentrarem o castelo. Levy seguia tensa atrás de sua mãe, retribuindo os sorrisos de conhecidos, mesmo que falsamente, temia que Rogue chegasse perto falar consigo.

Empregados impecavelmente vestidos e educados guiavam os convidados para a parte superior do castelo, aonde ficava o salão principal de festas. A azulada podia ouvir já a música tocada de forma abafada. Isso elevara um pouco seu astral, já que ouvia uma doce melodia tocada por violoncelos, um de seus instrumentos preferidos. Permitindo-se sorrir, ergueu disfarçadamente suas saias para subir a escadaria de forma mais rápida.

Porém, chegando à porta do salão – um espaço com tom de marfim extremamente bem iluminado por belíssimos candelabros e ornado com tapeçarias e cortinas de veludo – foi logo recebida por quem temia chegar perto de si aquela noite.

— Rogue. — engoliu a parca saliva que lhe restara em sua boca, fitava-o como quem vira um fantasma.

— Minha doce Levy. — o rapaz de cabelos pretos lhe cumprimentou galanteador, curvando-se delicadamente e beijando as costas da mão direita da pequena McGarden, encarando-a nos olhos e fazendo-a corar com o ato.

— Bem, eu procurarei por minha mãe por agora, nos vemos mais tarde Rog-

— Pois sua mãe e você estão na mesma mesa que nós, Levy! — o jovem Cheney sorriu de orelha a orelha. Sua máscara era de um jovem inocente e apaixonado, mas estava ciente do que estava fazendo. Sabia que Levy o queria evitar desde o começo.

— O-oh, entendo… Sendo assim… — a McGarden gaguejou brevemente, recolhendo a mão com rapidez. — Leve-nos até eles! — forçou o melhor sorriso que tinha. Levy gostava de sorrir e era uma garota consideravelmente alegre e feliz, mas quando se é tratada como mercadoria, não há quem se sinta bem nestas condições.

O jovem Cheney assentiu, estendendo o braço direito para a amiga de infância, que, sem opções, enganchou no mesmo e seguiram para a extensa mesa que abrigava todos os Cheney, conhecidos, nobres e o que sobrara dos McGarden.

Levy sentara-se ao lado de sua mãe, que bebia vinho alegremente com os convidados da mesa e conversava sobre os mais diversos assuntos. Apesar de mulher, Elevínia era a sucessora de Dwart Rostfile – um importante diplomata e aristocrata que prestara os mais competentes serviços às famílias mais grandiosas do país, e, além do sangue, possuía o mesmo jeito e capacidade que o pai, gerando respeito e apreço por toda a sociedade.

Aos poucos, a música foi adquirindo um tom mais suave e garçons começaram a servir o jantar aos convidados. Desde a entrada à sobremesa, Levy mal tocou na comida. Sentia seu estômago revirar cada vez que Rogue lhe cruzava o olhar e sua mãe lhe olhava em repreensão de soslaio. Queria apenas sair logo dali.

— E então, Reywards, meu caro amigo. Pensou em minha proposta? — Elevínia disse com um tom sugestivo, conseguindo, assim, a atenção e interesse de todos. Levy sentiu um arrepio percorrer sua espinha e um nó começar a se formar em sua garganta.

— Mas é claro, minha querida Elevínia. — dito isto, o barão Cheney pigarreou e prosseguiu em alto e bom som. — Gostaria de anunciar, a todos os presentes, o anúncio do noivado de meu primogênito, Rogue Cheney, com a jovem menina McGarden, Levy.

Isso não está acontecendo, Levy pensou. Seu corpo todo travara. Ninguém iria lhe perguntar se aceitava a proposta? Parecendo perceber o desespero nos olhos de Levy, Rogue levantou-se.

— Meu pai, com todo respeito, creio que este assunto ainda precise ser madurado para fazer-se um anúncio certo perante pessoas tão importantes. Com todo o carinho que sinto por Levy como minha amiga de infância, não gostaria que ela o aceitasse a força.

O Barão Cheney ficou em silêncio por um tempo, refletindo sobre as palavras do filho. Por fim, pronunciou-se uma vez mais. Elevínia começava a se irritar.

— Pois bem, como veem, meus caros, meu filho é um homem apaixonado. — Reywards disse com ar de deboche, fazendo Rogue revirar os olhos em seu lugar. — Porém, tenho certeza de que é um homem honrado e que, por isso, quer tornar as coisas mais confortáveis à sua futura esposa.

A palavra esposa causou aversão quase que imediata em Levy, que tomou sua taça, até então intocada, de vinho de uma vez, felizmente não atraindo muitos olhares para si.

— Vamos “adiar”, então, por intercessão de meu primogênito, o noivado para a primavera. Está bem assim, pequena Levy? — percebendo que a pergunta era para si, Levy engoliu rapidamente a saliva e sorriu, assentindo.

Estava se sentindo quente pelo efeito do álcool, tomaria mais, com certeza, aquela noite.

— Atenção! — ao ouvirem o barulho de uma colher de café bater na taça de cristal na mesa central, todos os convidados levantaram e dirigiram seu olhar ao Conde Heartphilia, que limpou a garganta antes de prosseguir. — Primeiramente, gostaria de agradecer a todos que responderam ao meu humilde convite e agora podem estar desfrutando de tudo o que tenho de melhor!

Uma pequena salva de palmas pôde ser ouvida, e o Conde prosseguiu:

— Agora que estão todos servidos, sintam-se à vontade para afastar estas mesas vagabundas e dançarem a noite toda ao som de meus músicos! Mocinhas, espero que não tenham calos nos pés, tenho muitos cavalheiros dispostos a tirá-las para dançar! — os convidados riram com o último comentário do Conde e logo uma música mais festiva, porém ainda formal, preencheu o ambiente.

A azulada saíra rapidamente de seu lugar, transitando entre vários pares dançando e bebendo o vinho e o champagne das taças que os garçons carregavam em bandejas de prata. Após sentir seu corpo quente e amortecido o suficiente, sentindo sua capacidade de raciocínio lógico se defasar cada vez mais, decidiu procurar alguém para dançar.

Distraidamente andando pelo salão, esbarrou nas costas de um homem, que quando virara, causara espanto e surpresa na pequena moça. O homem no qual esbarrara era praticamente dois de si em altura e em largura, o cabelo comprido e negro estava preso num rabo de cavalo baixo, porém algumas mechas lhe caíam ao redor do rosto. Outro fato que surpreendera Levy, era o fato de o homem ter “pregos” em seu rosto. Dois nas laterais do nariz, dois abaixo do lábio inferior, e pôde notar cinco em cada orelha.

— Se perdeu da sua mãe, baixinha? — o homem, por fim, perguntou, quebrando o silêncio estranho entre eles. Notando que ele a estava confundindo com uma criança, irritou-se prontamente.

— Não sou nenhuma criança, para sua informação. Além do mais, estava procurando alguém para dançar, então se me dá licença… — Levy se afastaria, se o estranho não tivesse segurado seu braço.

— Se é alguém não há preferência, certo? — o homem sorriu de canto, tinha uma voz áspera e grossa incomum para Levy. Ele a estava provocando, claramente. Provavelmente era o tipo de homem de família nobre ou rica que gostava de gastar o tempo em cassinos, prostitutas e de atormentar moças indefesas.

— Declino a oferta. — falou, simplesmente, encarando-o nos olhos. Notara que no lugar de sobrancelhas, ele tinha três pregos em cada lado, atiçando a curiosidade da menor.

— Como preferir. — ele deu de ombros, seguindo seu caminho, fosse ele qual fosse, surpreendendo Levy pelo fato de não ter insistido, como o estereótipo no qual pensara faria.

Cansada de ficar em pé, se dirigiu às portas de entrada do salão, querendo sentar nas escadas e descansar os pés. Seus planos, porém, foram interrompidos quando Rogue a aborda com mais quatro homens, aparentavam ter a mesma idade então a McGarden supos que eram amigos.

— Aonde pensa que vai, noivinha? — Rogue sorria maldosamente. Estava claramente bêbado.

— Não lhe interessa, e se bem ouviu seu pai, ainda não somos noivos. — mesmo se sentindo bêbada e com a mente enevoada, a fúria dentro de Levy não a deixaria submeter-se por simples efeito da bebida.

— Olha só, ela é bem brava, hein, Rogue. — um dos homens disse, sorrindo malicioso.

Sua mente gritou por alerta, afinal, ser abordada por cinco homens – um deles ser um conhecido interessado em você – no final de uma festa, não era lá um bom sinal. Um dos homens, de cabelos loiros e cicatriz no olho direito, tentou acariciar o rosto de Levy, ganhando uma mordida na lateral de sua mão, puxando instintivamente os cabelos da mesma para trás com força.

— Quem você pensa que é, vadia?

— Com calma aí, Dreyar. Ainda quero ela inteira pra mim hoje. — Rogue se pronunciou mais uma vez, aproveitando da inércia provocada em Levy para acariciar-lhe o corpo.

Quando sentiu as mãos do quase-futuro-noivo chegarem ao limite de seus pequenos seios, a McGarden lhe desferiu um chute no estômago, causando distração no rapaz que se chamava Dreyar, se soltando e correndo o mais rápido que suas pernas lhe permitiam. Agradeceu pelo salão ainda estar cheio, tendo sua movimentação camuflada pela multidão, sendo percebida apenas por uma pessoa.

Enquanto afastava-se daquela confusão, a azulada sentira o rosto quente sendo molhado por lágrimas.