Satisfaction

25 Capítulo 21 - Caça ao Tesouro


Notas iniciais
Olá pessoas, aqui eu de novo ♥ Por muitos dias empaquei nos primeiros 4 parágrafos, scrr, 1 mês pra escrever ;; Agradecimentos especiais à Blonder por ter me aguentado no whats mandando cada parágrafo pra revisão e enchendo o saco pra ela me ajudar a sair do block sz te amo viada Então, creio que já imaginam do que se trata o capítulo pelo título, não? Até as notas finais ♥3

Aquelas setenta e duas horas de viagem estavam mais cansativas do que deveriam ser. Gajeel estava cansado não só fisicamente, sua cabeça estava prestes a explodir de tanta dor. Conhecia Crocus como conhecia a residência Cheney, ou seja, praticamente nada e somente o que lhe interessava. Esforçava-se para relembrar as ruas por onde passavam, durante o caminho ao hotel no qual se hospedaria, mas o estado de seu corpo não colaborava para que seu cérebro guardasse qualquer coisa.

Após longos adicionais quarenta minutos de viagem, finalmente o cocheiro parara em frente a hospedaria na qual o moreno ficaria e o mesmo descera, quase perdendo o equilíbrio ao tocar o solo novamente depois de três dias no trajeto de Magnólia a Crocus. Pegara sua pouca bagagem – constituída por uma mala e uma maleta – e despedira-se do cocheiro, agradecendo-lhe por trazê-lo. Enviaria uma carta a Rogue quando fosse o momento de voltar, e esperava, do fundo de sua alma, que conseguisse partir com antecedência, já que a viagem era longa.

A capital fiorense encontrava-se em pleno fim de tarde, pelo que o Cheney primogênito dissera, a Mikazuchi ainda dançava no Mermaid Heel para sustentar-se, ainda mais após a partida forçada de Rogue. Portanto, Gajeel a procuraria no bordel naquela mesma noite, bastava instalar-se melhor em seus aposentos temporários, tomar um banho e respirar fundo para “encarar a fera”. Apesar de o moreno pensar seriamente que Rogue estava exagerando sobre o temperamento de Kagura.

Feitos seus pré-requisitos para sair em busca de seu alvo, o Redfox procurara vestir-se de forma que passasse o máximo despercebido, optando por cores escuras, exceto pelas calças, que permaneciam brancas – como todo típico cavalheiro crocusiano. Lembrando-se de que conhecia a cidade parcamente e que não fazia ideia de como chegar ao Lamia Scale, pedira informações às camareiras que passavam pelo corredor do hotel, que logo lhe informaram prontamente de forma simples e objetiva. Bastava caminhar duas quadras em linha reta e na segunda, dobrar à esquerda. Mesmo se conhecesse a geografia de Crocus de forma precisa, não acreditava que se hospedaria tão próximo de seu destino.

Enquanto caminhava a pouca distância que o separava do Mermaid Heel, Gajeel observava com olhos atentos as pessoas que ainda caminhavam pela rua no centro naquela noite. O ar da capital, em comparação à Magnólia, era agitado e ostensivo. As mulheres, acompanhadas de seus respectivos maridos ou damas de companhia, trajavam vestidos exuberantes riquíssimos de detalhes em suas estampas, além das joias pesadas de ouro adornando seus pescoços e orelhas. A atmosfera crocusiana lhe despertava interesse e, ao mesmo tempo, desconforto. Estava tão habituado ao clima plácido e pouco movimentado de Magnólia que tal sensação era compreensível.

Quando deu por si, o moreno já estava em frente ao estabelecimento de arquitetura barroca. Duas grandes portas estavam abertas, a do lado esquerdo era referente ao bordel Mermaid Heel e a da direita ao bar Lamia Scale. Por mais bizarro que fosse aos olhos dos transeuntes, a briga entre os antigos donos do bordel e do bar era tão acirrada que o lado esquerdo do edifício era pintado de vermelho-escuro e o lado direito de dourado. Gajeel rira internamente imaginando como foi a divisão dos locais de entretenimento em seu começo, perguntando-se ligeiramente por qual entrada deveria optar, já que, no fim, ambas se dirigiam ao mesmo espaço.

Fazendo uma rápida análise, não foi difícil para o Redfox chegar a uma conclusão precisa. Caso algum conhecido lhe visse entrar pelo bordel, tal fato chegaria, mais cedo ou mais tarde, aos ouvidos de Levy e, mesmo que ela soubesse o motivo, não ficaria bem-visto perante a sociedade. Por outro lado, se adentrasse pelo bar, algo extremamente comum era um advogado bem-sucedido querer desestressar bebendo a melhor cerveja da região. Logo a seguir de sua breve conclusão dissertativa, Gajeel adentrou o local pelo Lamia Scale, sendo surpreendido pela aglomeração ao redor das mesas.

O bar tinha as paredes internas pintadas de azul-claro, as mesas eram redondas, possuindo quatro cadeiras ao seu redor e pequenas toalhas de renda branca em seu centro. Homens de toda estirpe as ocupavam, uns gastavam seu tempo em jogatinas – de apostas ou não – e balançavam os canecos de vidro cheios de cerveja sobre a mesa a cada batida em sua superfície, outros apenas conversavam enquanto bebiam tranquilamente. Um extenso balcão grosso de gesso possuía várias bandejas pré servidas, que eram pegas pelas garçonetes a cada minuto. Sentada em uma banqueta atrás do balcão, estava uma senhora de idade avançada trabalhando numa peça de tricô, como se não houvesse bagunça ao seu redor. Gajeel julgou ser a dona do bar, por mais inconvencional que pudesse ser.

Precipitando-se entre os clientes, sem chamar atenção, o advogado sentou-se numa das banquetas em frente ao balcão de madeira que fazia divisória com o bordel, precisamente de frente para o palco. Sendo servido com um caneco cheio por uma garçonete, Gajeel correu com os olhos sem demorar-se muito num grupo ou pessoa específicos, procurando uma mulher que batesse com a descrição que Rogue fez de Kagura. Tez levemente bronzeada, cabelos compridos e retos castanho-escuros, olhos agressivos da mesma cor, laço – de qualquer cor – amarrado como uma tiara e semblante sério. Todavia, não houve nada próximo a isso.

Cansando de ficar parado num mesmo lugar, o Redfox foi para a parte do bordel e sentou-se folgadamente numa das cadeiras, observando as dançarinas do palco. A cor de cabelos variava de um extremo a outro, de lilás ao louro, mas, pelo que aparentava, Kagura não tinha dado as caras pelo Mermaid Heel naquela noite. Para confirmar sua suposição, levantara de sua cadeira e abordara uma mulher que – por suas vestes, trabalhava no Mermaid Heel— pudesse lhe dar respostas.

— Sinto muito, senhor, mas Kagura Mikazuchi não trabalha hoje nem amanhã. — a mulher de cabelos cacheados e loiros respondera, com certo pesar. — Porém, se o senhor procura um bom serviço…

— Não estou aqui para isto, senhorita. Obrigado mesmo assim. — Gajeel dissera de forma neutra, pagando uma garçonete por seu caneco de cerveja e saindo pela porta do Lamia Scale, recolocando seu chapéu.

Agora que aquela mulher lhe dera ciência de que Kagura não trabalharia ainda no dia seguinte, tinha apenas três dias úteis para abordá-la e convencê-la a conversar consigo. O receio de fracassar apossava seu ser de forma aterrorizante, e pensar que saíra da residência dos Cheney tão confiante…

—x-

A biblioteca acabara se tornando o refúgio dos noivos Levy McGarden e Rogue Cheney. Desde que Gajeel partira um dia e meio atrás, os amigos de infância estavam com o coração quase saindo pela boca de tão ansiosos que estavam. O futuro dos quatro seria decidido pelo desempenho do advogado com a ex-amante do Cheney, e o fato de terem recebido um telegrama dizendo que a Mikazuchi estaria ausente do Mermaid Heel no dia seguinte não deixara Levy nem um pouco otimista.

— Por Deus, Lev, acalme-se! Você está andando de um lado para o outro desde que acordou, mal tocou na comida do café da manhã e tampouco do almoço! Está pálida, fraca pela perda constante de peso e com açúcar em sua urina. — Rogue repreendera a amiga, que o olhara chocada pela última afirmação. Apenas Gajeel atendia e entendia de sua doença, como o rapaz podia saber identificar alteração em sua urina? Percebendo a perplexidade da azulada, Rogue explicou-se brevemente.

— Gajeel fora sucinto para que eu identificasse os sintomas mais sérios, já que… Eu serei responsável por você caso… Ele falhe. — as palavras saíram com dificuldade da boca do Cheney. Não queria aceitar que o fracasso estava tão eminente, recusava-se a aceitar a própria infelicidade e a de Levy.

— Eu… Sinto muito, Rogue. — Levy desculpara-se, reprimindo o choro. — Céus, eu venho sendo tão egoísta! Eu esqueço que tenho isto e agora preocupo a você também! Mal passaram-se quarenta e oito horas e já estou neste estado… Perdoe-me. — a garota desabara sobre a poltrona em que costumava ler nas noites em que era abordada pelo Redfox, cobrindo o rosto com as mãos.

— Se não se importa, preciso aplicar isto em você. — o moreno disse meio sem jeito, de joelhos em frente a McGarden e segurando uma seringa com uma substância transparente em seu interior. O extrato de pâncreas.

— Está certo… Faça como Gajeel lhe instruiu. — Levy respirara fundo e descobrira o rosto, ajeitando-se na poltrona enquanto o amigo erguia parte da saia de seu vestido para alcançar sua coxa esquerda. Para ajudá-lo, segurou a barra de sua saia e encarou a agulha fina da seringa. Nunca tivera fobia de agulhas, mas imaginar que dependia daquilo para ficar bem era atordoante.

— Pode doer um pouco. As vezes em que Gajeel aplicou isto em você foi quando estava num sono profundo, por isso não sentiu nada.

A azulada surpreendera-se com a afirmação de Rogue, o Redfox nunca lhe dissera sobre visitas noturnas para lhe aplicar extrato de pâncreas enquanto dormia. De qualquer forma, sentia-se agradecida pelo amado procurar fazê-lo num momento em que não fosse incômodo para ambos. Fazendo uma pinça com o polegar e o indicador de uma mão, o primogênito Cheney segurara firmemente um pedaço da coxa da amiga e introduzira a agulha lentamente, logo empurrando seu conteúdo para o sangue de Levy, que fizera uma breve careta de dor.

— Espero que isso dê um jeito em você nos próximos dias. — Rogue brincara, levantando-se e limpando os joelhos com as mãos, descartando a seringa na maleta da qual a tirara.

— Obrigada, Rogue. — a garota permitira-se rir por poucos segundos, saindo da poltrona e caminhando em direção a janela com um ar pensativo. — Conte-me mais sobre você e Kagura.

— Hm, bem… Sobre o que gostaria de saber? — o rapaz encostara-se numa prateleira, pondo as mãos nos bolsos do colete. Confessava que sentia-se feliz quando falava da amada, mas aquilo fora tão repentino e num momento tão inusitado que ficara desconcertado.

— Suas aventuras. — Levy respondera com um sorriso travesso.

—x-

Gajeel passara a noite em claro. O único momento no qual saíra de seu quarto foi para o jantar que a hospedaria oferecia, e, ainda assim, comeu pouco e muito rápido, logo voltando aos seus aposentos. Já era meio da tarde e se encontrava ainda seminu, de ceroulas, sentado sobre sua cama. Os olhos escarlates perdiam-se através do vidro da janela, observando carruagens e pessoas transitarem por aquela região de Crocus. O céu estava cinzento, não era um dia agradável e tampouco quente. Provavelmente não tivessem neve neste ano, mas o inverno dava indícios de começar rigoroso.

Com pouca fé em si mesmo e em sua missão, o advogado sentara-se na cadeira em frente a pequena escrivaninha de seu quarto e pusera-se a escrever uma carta para Levy, para ser entregue antes da cerimônia, a qual acreditava que não seria capaz de impedir. Esforçara-se para não bancar o sentimental e chorar enquanto as letras numa caligrafia relaxada eram desenhadas, porém a sensação de não poder salvá-la novamente era arrebatadora o suficiente para despertar os sentimentos mais desesperadores que o Redfox podia sentir. Finalizando sua carta, Gajeel a selara num envelope e a endereçara devidamente, guardando-a no bolso interno do casaco e tomou um banho suficientemente demorado para já ter anoitecido quando vestira-se por completo.

Mesmo tendo conhecimento de que Kagura não trabalharia naquela noite, o moreno pensou que uma volta pelos arredores não faria mal, precisava esfriar a cabeça com o ar gelado da noite na capital. Agasalhando-se o máximo que pôde, Gajeel descera e saíra da hospedaria sendo recepcionado por uma ventania considerável. As coisas estavam dando tão certo que não sabia como podiam melhorar. A ex-quase-noiva problemática de Rogue decide tirar folga dois dias seguidos, justamente quando Gajeel precisava falar com ela o mais breve possível, sua – talvez – futura sogra estava de olho na fortuna dos Cheney e em sua relação com a filha dela, devia uma quantidade de jewels considerável a Gildarts pelo extrato de pâncreas que ele vinha fornecendo para si para tratar do diabetes de Levy, deixara Gray trabalhando só no escritório há mais de uma semana e meia… Nada podia tornar sua vida melhor.

— Ai! Meu chapéu!

O Redfox estava tão perdido em seus pensamentos e na ventania que mal percebeu uma mulher aproximando-se de si, tampouco sentira esbarrar na mesma, apenas voltara à realidade quando a moça gritara por seu chapéu que estava sendo levado pelo vento. Sem pensar duas vezes, Gajeel esticara o corpo e alcançara o adereço da senhorita, voltando-se para entregá-lo a ela.

— Obrigada, senhor. — a jovem mulher agradecera, encaixando o chapéu em sua cabeça e amarrando as fitas abaixo de seu pescoço. Parando para olhá-la com atenção, o advogado mal pôde acreditar em seus olhos.

— Mas você é… Kagura?

Notas finais
Eeee faltam uns quatro ou cinco capítulos para terminarmos a fanfic, MAS vocês ainda vão ter que me aguentar até dezembro, vai ter capítulo especial da Mirajane em seguida e um especial Rogue x Kagura, que tal um hentai? (sugestão de um leitor daqui~) Opinem nos reviews! ;) Bjos e até o próximo ♥