Satisfaction

21 Bônus - Algo Distante


Notas iniciais
Então galera, perdoem-me a demora, mas ta meio complicado atualizar a fanfic aqui e no social (apesar da grande distância de lá pra cá), maaas vou programar os próximos capítulos, não se preocupem ^^ Bônus livre, sem ser hentai, e importantíssimo! Obrigada por lerem, pelos reviews, pela recomendação e até os próximos ^^ Boa leitura~

Duas crianças corriam animadamente pelos corredores da residência, ouvindo os gritos desesperados dos adultos atrás de si. Uns pedindo para tomarem cuidado e outros dizendo que “mocinhas não se portavam daquela forma nem enquanto pestes”. As crianças em questão tratavam-se dos herdeiros de duas grandes famílias aristocratas da sociedade de Magnólia, Rogue Cheney e Levy McGarden.

Ambos possuíam dois anos de diferença entre si, foram criados juntos desde que tinham cinco e três anos de idade. A garotinha, de cabelos curtos rebeldes azuis e olhos grandes de um castanho vivo mal importava-se com a saia de seu delicado vestidinho amarrotando-se enquanto subia correndo as escadas.

— Vem, Ryos! Precisamos descobrir o tesouro! — a pequena gritava, animada.

— Ei, me espere, Lev! — o garotinho parara ao pé da escada para tomar fôlego. Ao contrário da amiga, ele não possuía a mesma vitalidade.

— Anda logo, antes que os piratas inimigos voltem e chamem o monstro do mar!

Aquela singela frase pareceu servir de combustível para o menino de cabelos negros curtos, que logo botou um sorriso desafiador no rosto e subiu correndo as escadas para acompanhar a pequena McGarden. Como uma criança ávida por conhecimento e com uma mente fértil, Levy amava ler histórias com seu pai antes de dormir, então a cada vez que ela e Rogue encontravam-se, o tema de suas brincadeiras era a última história que tivera conhecimento.

Elevínia McGarden ficava para morrer de vergonha com o comportamento nada recatado ou educado de sua filha, porém o casal Cheney logo dizia não se importar, já que crianças precisavam divertir-se e possuíam a sorte de estarem livres das normas de etiqueta – que tanto os assolava desde seus mais antigos antepassados.

Os amigos continuaram com as brincadeiras até a morte do patriarca McGarden, a qual, além de trazer dor e sofrimento para as damas da casa, acabou revelando uma doença perigosa e que comprometia toda a saúde da azulada. O diabetes. Sofrendo com as várias dietas malucas que os melhores médicos de Fiore lhe impunham, perdas significativas de peso e vitalidade, o jovem Cheney fora obrigado a afastar-se da garota, obrigado a conviver com a solidão que lhe acompanhava desde sempre.

Sequer trocavam cartas, mas, ao que ficava sabendo pelas visitas de Jenna e Reywards à Elevínia, Levy estava melhorando e estava recebendo visitas constantes de sua amiga de Crocus, a filha do Conde Jude Heartphilia, Lucy. Tal fato fê-lo sentir certa inveja. Ele vivia rodeado de pessoas, mas sempre estava sozinho, enquanto a azulada estava isolada e ainda assim possuía amigos. Que tipo de pessoa ele era para não merecer a mesma coisa?

— Ei, Jura! Mais uma rodada, por favor.

— Lá vai, sr. Cheney!

Distante da atmosfera um tanto monótona de Magnólia, Rogue achara um lugar para sentir-se em casa na capital do reino, Crocus. Virara cliente do bar Lamia Scale, que era divido pelo bordel Mermaid Heel no mesmo prédio, sem divisórias. Naquele local encontrava-se desde piratas velhos e bêbados aos homens mais ricos e nobres da sociedade crocusiana, e, claro, a melhor cerveja de Fiore. Desde que estivesse constantemente cercado de risadas, piadas e alegria – mesmo que falsos – o moreno sentir-se-ia bem.

— Ei, Rogue. Já conhece a maior beleza do Mermaid Heel? — um homem anão e ruivo, com cabelos médios e de ar galanteador, cochichou ao Cheney, bebericando sua cerveja lentamente, insinuando com a cabeça para o palco.

— Eu venho aqui para beber e me divertir, não para gastar com prostitutas. — o aristocrata rebatera, tentando ignorar seu instinto de olhar para onde Bob insinuara.

— Aí está seu ledo engano, rapaz. Kagura não deixa nenhum homem conhecer seu perfume. — sussurrando a última palavra, o colega de bebedeiras deixara o balcão e dirigia-se a algumas cortesãs que dançavam entre os clientes no salão.

Certificando-se de que Bob não estava olhando para si, Rogue permitiu-se virar-se ao palco e admirar a tal “maior beleza” do Mermaid Heel. Precisava admitir que todas as mulheres que ali dançavam possuíam curvas invejáveis e feições angelicais, além de possuírem certo talento na sedução pelo olhar.

Exceto por uma.

Das quatro moças ali, uma mantinha uma expressão fria e misteriosa. O cabelo era comprido e reto, de cor sóbria – um castanho escuro, talvez – assim como os olhos. Ela não parecia estar importando-se com os constantes assovios, elogios e bajulações que recebia do público masculino ali presente, aliás, ela demonstrava – intrinsecamente – que já esperava tal resultado de sua apresentação.

Finalizada a dança, todas curvaram-se e desceram encontrar-se com seus “amados” espectadores, enquanto a mulher de cabelos negros e expressão seca dirigia-se aos fundos. Sem saber exatamente o que estava fazendo ou para onde estava indo, o primogênito Cheney decidiu segui-la.

—x-

O camarim para as dançarinas do Mermaid Heel não passava de um corredor cheio de espelhos nas paredes e de maquiagem jogados sobre pequenas banquetas, unidos a uma bagunça de perucas, espartilhos, saiotes, saltos, etc. O mesmo encontrava-se praticamente vazio, já que era uma noite de sexta-feira, dia aonde os solteirões – e, diga-se de passagem, alguns infiéis – gastavam todas as economias com as beldades do melhor bordel da capital.

Kagura sempre recusara-se a vender seu corpo, além de não achá-lo necessário para fazer o que gostava de fazer – dançar e se apresentar – sentia repulsa em imaginar as mãos de um homem casado lhe tocando. Não conseguiria viver consigo mesma sabendo que estava ajudando um marido a trair sua esposa, ou quem dirá desonrar a tal mulher desconhecida. Muitas colegas suas diziam que aquela era a graça, afinal, eram experientes, mas aquilo apenas lhe causava asco.

Estava desfazendo-se de seu vestido branco e vermelho espalhafatoso, ficando apenas com os vários saiotes e o espartilho que tanto lhe apertava durante aquela noite. Infelizmente, até mesmo prostitutas e dançarinas de cabaré precisavam cumprir normas de etiqueta. Despir-se-ia completamente, caso não ouvisse um quebrar de maquiagens atrás de si.

Mal esperando para ver de quem se tratava, pegara o punhal preso em sua coxa esquerda e o colocara sobre a garganta de quem quer que fosse às suas costas.

— Ei, eu, calma, garota! — o rapaz de cabelos pretos e olhos vermelhos surpreendera-se. A morena pôde notar uma pequena cicatriz sobre o nariz do mesmo e que seu cabelo cobria um de seus olhos.

— Não sou uma égua para que fale comigo desta forma. — Kagura mantinha a lâmina sobre a pele do pescoço do rapaz.

— Certo, peço desculpas, madame. — Rogue tentara disfarçar o escárnio. Pensou que irritaria mais a bela dançarina a sua frente, mas, na verdade, sua provocação a fizera abaixar o objeto afiado de si.

— Ufa, é só mais um bêbado do Lamia Scale… — a Mikazuchi suspirara em alívio, guardando sua arma novamente de onde a retirara. — Perdeu-se de seus amigos, senhor? Posso ajudá-lo a encontrá-los. — com sorriso e tom amável falsos, a garota mudara completamente sua postura.

— Ei, eu estou sóbrio! Apenas quis te conhecer, algum problema com isto?

— Quando todos os homens “sóbrios” que te procuram querem apenas sexo, quando sou justamente conhecida por não deitar-me com homem nenhum, sim.

— Mas se acha mesmo. — o Cheney zombara novamente, deixando Kagura perplexa. — Não quero deitar-me com você, meu dinheiro é valioso para ser gasto com prostitutas. — a mesma erguera uma sobrancelha com a última frase. Aquele homem estava mostrando-se interessantemente irritante.

— Então o que veio fazer aqui? Está um tanto distante da bebedeira que tanto lhe agrada.

— Como eu disse anteriormente, quero apenas te conhecer.

—x-

O real motivo para o primogênito e herdeiro Cheney ter se mudado para a capital do reino era simples: o pai queria que o filho tivesse uma vida digna e, para tal, precisava de uma excelente formação acadêmica que lhe desse status e dinheiro. Nada melhor do que a universidade de Crocus, na qual estava no segundo ano de Direito, ou melhor, não está mais. Sem o conhecimento de seu progenitor, já abandonara há muito o curso e metia-se cada vez mais na vida boêmia que a capital fiorense oferecia.

Após a noite que o levara a cruzar caminhos com Kagura Mikazuchi, cada vez mais sentia-se apaixonado por aquela garota. Tais sentimentos eram desconhecidos por Rogue, afinal, nunca fora um leitor ávido e tampouco lhe agradava poesia. A única forma – e a mais perfeita, em seu julgamento – de poesia que conhecia, era o modo como seu corpo e da morena uniam-se e amavam-se de forma lasciva e apaixonada.

Sim, isso mesmo.

A dançarina do bordel Mermaid Heel, Kagura Mikazuchi, conhecida por toda a capital como “A Intocada” havia sido tocada – e não só uma vez – por Rogue Cheney. Talvez fossem jovens demais – ambos estavam com dezenove anos, mas estavam mais do que nunca dispostos a firmarem matrimônio e assumirem-se para a sociedade de Crocus, tanto como a de Magnólia – caso necessário fosse.

Porém, quem dera que tudo saísse como o planejado…

— Meu pai descobriu que não estou mais frequentando a faculdade, precisarei regressar a Magnólia logo cedo. — a notícia fora dada “na lata”, sem rodeios, após uma noite de carícias e muita paixão.

— Quando pretendia contar-me isso…? — claramente chateada, Kagura levantara-se e começara a vestir-se, sendo puxada novamente para a cama pelo “noivo”.

— A carta foi entregue somente pela tarde, você não estava em casa. — Rogue justificou-se.

— Poderia ter me contado assim que viemos do Lamia Scale.

— Não poderia partir sem ter tido você em meus braços uma vez mais. — o moreno abraçou a noiva com mais força, sua voz estava embargada.

— Se tivesse me avisado antes, teria feito ser inesquecível. — Kagura rira fracamente, tentando quebrar a tensão que apossava o clima entre o casal.

— As coisas com você sempre são inesquecíveis, minha querida. — o Cheney confessara, num olhar repleto de ternura e ao mesmo tempo timidez. Nunca amara alguém, tampouco como a Mikazuchi.

Finalmente, quando sentia-se completo e vivo, quando acreditava que havia achado seu lugar, tudo seria tirado dele para viver – sabe-se Deus como – em Magnólia. Mal dera tempo de oficializarem seu noivado perante a lei, e tal bomba já lhes caía sobre os ombros.

— Quero que prometa que, mesmo que não possa manter contato, nunca vai esquecer-se de mim. De nós. — a morena segurara o rosto do rapaz com ambas as mãos, segurando as lágrimas.

— Já lhe prometi isto no momento em que você segurou aquele punhal na minha garganta. — Rogue rira, fazendo a mulher ruborizar por ter feito tal coisa ao se conhecerem. — Ei. Vamos estar juntos novamente.

Kagura não pôde mais segurar-se e deixou-se chorar à vontade, enquanto era confortada por aquele que tanto amava. Queria realmente acreditar naquilo, mas estavam numa época em que somente boa vontade e boas intenções não eram suficientes para fazer algo acontecer.

— É uma promessa.

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A despedida fora difícil e a dor, descomunal. Porém, eram as consequências que pescavam o Cheney de volta a sua cidade natal, Magnólia. Nos três dias de viagem de carruagem que se sucederam, Rogue não deixou nenhum detalhe da sua curta vida de um ano e meio em Crocus passar. Havia deixado sua mulher para trás, amigos – que mais lhe eram família. Tinha motivos suficientes para voltar quando surgisse a hora.

Ao chegar à residência Cheney, fora encaminhado diretamente ao gabinete de seu pai, Reywards. Esperava ouvir a maior lição de moral da sua vida, receber o máximo de punições que os dias da semana lhe concediam, mas não. O que recebeu foi algo muito pior.

— Preciso que aja corretamente a partir de agora. — de costas para o filho, o mais velho começara. Perplexo, o rapaz não respondera. — Ainda lembra-se de Levy McGarden, Rogue?

Levy McGarden – o nome que quase esquecera ao longo de sua juventude.

— Sim, minha ex-amiga de infância.

— Espero que algum dia tenha nutrido sentimentos românticos por ela. Vocês irão casar-se brevemente.

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— E desde então estou aqui. — o mais novo suspirara, bagunçando os cabelos com as mãos.

Sentados sob o único banco na ala esquerda do jardim dos fundos, estavam Gajeel Redfox e Rogue Cheney.