– Sakura! — Chamei-a, correndo ao seu encontro. A aula tinha sido muito chata mesmo e eu estava com muita vontade de ir para casa.

– Oi, Ino! — Sakura cumprimentou-me simpática.

– Pareces cansada. — Constatei. Sakura tinha dormido de pé durante todo o dia, até nas aulas! Algo devia estar muito, muito errado.

– Ah, Ino! Não volto ao taijutsu , a não ser que Konoha seja invadida!

– Eh pá, então o Sasuke que vá contigo todas as tardes! Ontem, em minha casa, não falou comigo nem um minuto. A minha mãe perguntou-me se não podia ter arranjado um namorado mais falador.

– Mas, ele também é teu namorado?

Pusemo-nos a discutir sobre quem tinha traído quem, mas, passado um minuto e meio apercebemo-nos de que era um disparate, porque Sasuke tem mais namoradas do que meninas há na escola.

Sakura e eu íamos falando disto enquanto caminhávamos para casa. Éramos como duas grandes amigas com o mesmo problema. Estava tudo a correr tão bem, que não sei porque razão a coisa mudou e voltámos a discutir quem tinha o direito de estudar à tarde com o Sasuke.

A questão era muito clara: nenhuma das duas o queria aturar, mas também não queríamos que ele passasse a tarde com a nossa melhor amiga.

Bem, estávamos a lutar por algo que nenhuma das duas queria, quando de repente, sem aviso prévio, vimos a Hinata com um rapaz a saltar em cima de um banco do parque. Aproximámo-nos. O rapaz era... Sasuke!

Estivemos a observá-los durante um bom bocado, estavam a divertir-se à grande: faziam lançamentos de pastas ao pontapé, empurravam-se para conseguir melhor balanço, e atiravam-se ao chão de muito alto. Sasuke tirou a bandolete de Hinata e desatou a correr. Hinata agarrou-o pelos cabelos e cuspiu-lhe. Ao Sasuke! O rufia da minha turma, da minha escola e de Konoha! Nunca ninguém se tinha atrevido a cuspir no Sasuke, isso podia custar muito caro.

Sakura e eu contivemos as nossas respirações, ela a sua e eu a minha. As batidas dos nossos corações pareciam tambores anunciando uma guerra espantosa. O que se iria passar agora?

Nunca ninguém acreditará no que aconteceu depois, mas foi assim. Sasuke limpou a cuspidela. Sakura disse muito baixinho a tremer:

– Vais ver a tareia que lhe vai dar. Vai-lhe voltar a cara ao contrário.

Mas ela, e eu, e o mundo tínhamo-nos enganado, porque Sasuke disse:

– Olha, desculpa, estava só a brincar. Era uma brincadeira, não era caso para me cuspires assim.

E dito isto, continuaram a brincar, empurrando-se e saltando como loucos. Sakura e eu demos meia volta e fomos embora; primeiro, porque não fazíamos nada ali, e segundo, porque tínhamos medo que nos pedissem para brincarmos com eles.

Agora, sim, era um disparate brigar por causa do Sasuke. Isso não o dissemos, mas para mim pensávamo-lo as duas, e também pensávamos as duas que era um alívio que ele preferisse a Hinata.

Naquela tarde, convidei a Sakura para estudar em minha casa. Estivemos muito bem a comer chocolate e a estudar, as duas, esticadas no sofá.

Algures no meio do estudo, por um momento, pensei na Hinata e no Sasuke, que na melhor das hipóteses continuavam a brincar atirando terra aos olhos um do outro no parque. Eram feitos um para o outro.

Isso deve ser amor.

Notas finais
Oin, eles são tão fofos!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!