Notas iniciais
O fim chegou :(

5 anos depois

Sarah

Passarinhos cantavam no parapeito da janela enquanto eu me espreguiçava e caminhava, de pés descalços, rumo á cozinha da minha nova casa. Depois de 5 anos, eu e Kendall, finalmente, decidimos morar juntos e queríamos algo em um lugar calmo, por isso escolhemos uma casa em um dos muitos condomínios de Long Island, á menos de 45 minutos de Nova York.

A casa era enorme. Tinha 5 quartos, três banheiros, duas salas, uma cozinha, porão, sótão, um quintal enorme, com piscina e várias árvores ao redor. Quando cheguei ao cômodo, fui logo á geladeira, encontrando um bilhete grudado.

“Sarah, eu e Michelle fomos para aquela entrevista de emprego no New York Times. Nós sabíamos que vocês estavam ansiosos para nos acompanhar nesse dia, mas não queríamos acordar vocês, pois teríamos que estar lá ás 7 horas. Enfim, já deixamos o café pronto. Está no micro-ondas. Beijinhos, Danielle.”

Sorri ao terminar de ler e suspirei. Depois que as gêmeas completaram 18 anos, decidiram que queriam sua própria independência, mas acabaram vindo morar conosco assim que descobriram como é a difícil a vida de gente independente. Hoje, elas estudam jornalismo na NYU e, mesmo estando na metade do curso, já estão procurando estágios. Logo depois, fui ao micro-ondas, encontrando bacon e ovos feitos suficientes para mim e o loiro que ainda dormia. Pus para esquentar enquanto preparava o suco, até que ouvi passos da escada e um grunhido.

–- Sarah?

–- Aqui!

Kendall apareceu na porta da cozinha, com o cabelo desgrenhado e um pequeno bico. Parecia um urso branco imenso de tão fofo.

–- Por quê me deixou sozinho?

–- Bom, eu levantei e não quis te acordar, afinal, ontem você chegou bem tarde do trabalho, não é?

–- Sim, mas... Hoje é um dia muito especial pra gente e eu quero estar com você em todos os momentos. – Ele veio até mim e abraçou-me, passando as mãos na minha cintura enquanto eu enrolava meus braços em seu pescoço.

–- Eu sei, mas eu só vim preparar nosso café!

–- Tá bom. O que tem pra gente comer?

–- Bacon e ovos. E suco. Vai querer?

–- Claro!

Nos dirigimos á mesa e eu pus os pratos com a comida e a jarra mais dois copos. Comemos em meio á riso e meia conversa, em parte porque ele estava comendo bem rápido, devido ao fato de nem ter jantado quando chegou do trabalho e ter ido logo para a cama. Quando terminamos, ele insistiu em lavar os pratos (tão cavalheiro) enquanto eu ia me preparar. Subi as escadas e entrei no quarto, já me despindo. Peguei uma toalha no closet e fui para o banheiro. Nosso quarto era o único com banheira, por isso fiz questão de banhar-me nela. Escolhi alguns sais com aromas florais bastante exóticos e pus na água, o que em cinco minutos, começou a gerar bolhas. Entrei e deitei-me, encostando minha cabeça na parede lateral e fechando meus olhos. Nem notei quando Kendall entrou dentro do quarto ou do banheiro, apenas o vi entrando na banheira e levei um leve susto.

–- Pensei que quisesse companhia.

–- De você, sempre. – Falei, puxando seus lábios de encontro aos meus no momento em que se sentou. Continuamos nos beijando mais um pouco, até que ele me puxou para ficar deitada com ele. Minhas costas entravam em contato com seu peito molhado, enquanto seus braços envolviam minha cintura e eu entrelaçava nossas mãos.

–- O que será de nós a partir de hoje, Sarah?

–- Como assim.

–- Daqui á 1 hora, nossa vida vai mudar completamente e... Depois, será uma nova etapa. O que acha que devemos esperar dessa nova etapa?

–- Sinceramente, eu não faço a menor ideia. É tão novo pra mim quanto é pra você. Quer dizer, claro que temos alguns exemplos, como o de Logan e Hayden, mas e se não for como é com eles? E se der errado?

–- É com isso que me preocupo. – Ele continuou, seu queixo repousando sobre meu ombro, o que ocasionava leves cócegas em meu pescoço. – Que dê errado.

–- Mas nunca saberemos se não tentarmos. O pior é temer sem ao menos persistir.

–- Você tem razão. Devemos tentar ou sempre ficaremos com o famoso “e se?” na cabeça.

–- Sim, você está certo. Acho que já devíamos ir, certo?

–- É. Começa daqui á... 45 minutos.

Levantei depressa, levando Kendall comigo, pegamos nossas toalhas e partimos rumo ao quarto. Eu optei por um shorts jeans claro, regata branca de praia, All Star branco e uma bolsa tiracolo de couro marrom. Peguei meus óculos de sol, celular, batom, carteira, e pus tudo dentro da bolsa, pois o loiro já me chamava da sala.

–- Pronta?

–- Acho que sim. – Comentei e ele riu, me dando um beijo na bochecha e trancando a porta atrás de nós. Fomos á garagem e pegamos o carro. Enquanto cruzávamos os imensos portões do condomínio e chegávamos á rodovia, me peguei observando o loiro. Claro que ele não havia mudado muita coisa nesses últimos anos, mas ele estava melhor. Deixou crescer a barba, o que eu amei, e acabou deixando o cabelo curto, com um pequeno topete em cima. Ás vezes, eu sentia falta daquela franja dele, que o deixava perfeito na hora do sexo, mas ele estava mil vezes melhor. Quer dizer, até as roupas melhoraram!

Antigamente, ele não usava nada mais que jeans e camisetas quadriculadas. Agora, ele já começava á ouvir os conselhos de moda de Vanessa e se vestia de um jeito que deixaria qualquer mulher babando. Hoje, por exemplo, ele usava uma camiseta branca com alguns desenhos, jaqueta de couro, jeans escuros e botas. O cabelo estava meio bagunçado por conta do vento e ele assoviava alguma canção do Maroon 5.

Eu não poderia ter encontrado alguém mais perfeito que ele.

–- Chegamos. – Ele anunciou, parando o carro e estacionando. Tiramos o cinto e descemos, já ouvindo o grito de Marcella dentro de casa.

“ELES CHEGARAM!”

Kendall deu a mão para eu segurar e eu peguei. Antes mesmo de chegarmos na porta, Marcella abriu-a e dei seu familiar sorriso aberto.

–- Kendall! Sarah!

–- Oi, Marcella. – Kendall foi o primeiro e abraçou a velha senhora. Eu fui á próxima e já pude ouvir vários passos vindos da casa.

–- Vamos, entrem, todos estavam esperando vocês! – Ela nos conduziu para dentro de casa e fomos rodeados pelas crianças. Conversamos e ficamos com elas por algum tempo, até que Marcella nos chamou em um canto.

–- Eles já estão prontos. Se quiserem subir e vê-los, fiquem á vontade. Vou chamar as crianças para almoçar.

–- Obrigada, Marcella. – Falei, sorrindo.

–- Eu é que tenho que agradecer. – Ela respondeu e saiu. Olhei para Kendall, que assentiu, e subimos as escadas, rumo ao primeiro quarto da direita. Batemos e alguém abriu.

–- Kendall? Sarah?

–- Oi, Jared. – Falei e ele sorriu, correndo e abraçando nossas pernas. De repente, Abbey, a irmãzinha mais nova de Jared, apareceu na porta.

–- Abbey, vem aqui! É o Kendall e a Sarah!

–- Kendall! Sarah! – Abbey girtou e já veio pulando para o meu colo. Kendall levantou Jared do chão e o pôs no colo, levando os dois para dentro do quarto. Jared e Abbey foram deixados aqui quando tinham 3 anos e 6 meses de vida, respectivamente. Hoje, cada um com 10 e 7 anos, moram com Marcella na pensione. Os pais deles eram viciados em drogas e comumente eram vistos vendendo os próprios filhos em troca de pedras. Marcella vivia pedindo para os dois não fazerem isso e entregarem os meninos para ela, mas eles nunca a ouviam. Até que, em um dia chuvoso, Rebecca, a mãe dos dois, apareceu na porta da pensione, com Abbey nos braços e Jared ao seu lado, suplicando para que a mulher ajudasse seus filhos. E, até hoje, Marcella cuida dos dois. Os pais deles morreram depois de 4 anos depois desse dia e eles viraram órfãos, oficialmente. Abbey tinha cabelos castanhos longos e lisos e uma franja que quase chegava a cobrir seus grandes e curiosos olhos castanhos. Por não ter conhecido a mãe, Abbey nunca sentiu saudades dela, mas ás vezes acordava tarde da noite chorando e chamando por uma. Já Jared era outra coisa. Ele era parecido com Abbey, mas seus olhos eram diferentes. Eram de um azul bem claro. Marcella disse que vinha do pai, David. Jared ainda sentia falta da mãe e, por conta disso, era uma criança reclusa e quieta demais. Quando ia brincar, era quando todas as crianças estavam dentro de casa e geralmente conversava sozinho. Doía em meu coração chegar e vê-lo no teto do prédio, sentado em uma cadeira, observando o horizonte. Mas a dor logo se transformava em alegria quando ele me via e abria um sorriso enorme. Eu entendia pelo o que ele estava passando. Sabia que aquela dor ficaria fraca, mas nunca iria passar. Eu entendia. E Jared sabia disso.

–- O que estão fazendo aqui? Hoje nem é sábado! – Abbey falou e Kendall riu.

–- Viemos fazer uma surpresa para alguém. O que estão fazendo?

–- Estávamos terminando de nos arrumar. – Jared respondeu e eu me sentei ao seu lado na pequena cama, que ficava no chão.

–- E para quê estão se arrumando? – Perguntei e Jared corou.

–- Nós vamos ganhar um pai e uma mãe! – Abbey respondeu por Jared e eu fiz cara de surpresa.

–- É sério isso, Jared?

–- É. Um casal disse que quer nos adotar e nós vamos passar uma semana com eles. – O garoto falou.

–- Isso parece ser legal. Sabem quem são eles?

–- Não, eles vão chegar daqui á pouco.

–- Abbey, acho que eles já chegaram. – O loiro falou e os grandes olhos castanhos se iluminaram.

–- Sério? – A garotinha correu para a janela. – É mesmo! Jared, vem ver!

Ficamos de pé enquanto Jared ia até a irmã e vi suas sobrancelhas juntarem-se em sinal de confusão.

–- Mas, aquele é o carro do Kendall. Isso só quer dizer que...

Os dois se viraram e Jared continuou.

–- Vocês vão nos adotar?

–- Sim, vamos.

A próxima coisa que ouvimos foi um grito e Abbey veio correndo para os braços de Kendall. Ela sempre gostou mais dele.

–- Você é o meu novo pai!

–- E você é a minha nova filha!

Sorri com os dois e fui até Jared que ainda continuava na janela.

–- Não gostou da surpresa, Jared?

–- Não, eu amei, é que...

–- O que houve?

–- Você promete pra mim uma coisa?

–- Claro! O que quiser!

–- Promete que não vai nos abandonar.

–- Mas, Jared, eu...

–- Abbey é muito pequena, mas ela está tão radiante com a ideia e eu odiaria vê-la chorar. E eu já sofri demais por conta disso.

–- Nós nunca iremos te abandonar, Jared. Eu prometo.

Ele sorriu e me abraçou forte. Ficamos assim por algum tempo até que Kendall e Abbey nos chamaram para irmos para casa.

*

–- Uau, essa é a casa de vocês? – Jared perguntou assim que pôs os pés no gramado da casa.

–- É sim. – Respondi.

–- É enorme! – Abbey falou. Ela ainda estava no colo de Kendall, ainda.

–- Ok, Abbey, preciso roubar o Kendall um pouco. – Falei, tirando a garotinha de cima dele e envolvendo meu braço com o dele.

–- Ciúmes de uma garota de 7 anos?

–- Eu?! Ciúmes?! Vai sonhando, McField!

Kendall sorriu e entramos na casa. As crianças soltaram mais um “Uau!” e jogaram as coisas no chão da sala.

–- Aquilo é um XBOX?

–- Aquilo é uma casa de bonecas?

–- Ok, venham. Vamos mostrar o quarto de cada um. – Eu chamei e eles já estavam parados na nossa frente.

–- Que rápido! Jared, você vem comigo. Abbey, Sarah vai te levar para o quarto. – Kendall falou e eu e Abbey assentimos. Logo, ele pôs Jared nas costas, que começou á rir, e foram para cima.

–- Meu quarto é lá em cima?

–- Sim. E, é o mais legal da casa, sabia?

–- Sério? – Alguém me diz como faz para não derreter com esses olhos?

–- Sim. Eu soube que você gostava das princesas.

–- Eu amo as princesas! – Ela exclamou, já sorrindo. Peguei a pequena bolsa e a conduzi rumo ás escadas.

–- E eu soube que a sua preferida é a Jasmine, do Alladin. – Ela assentiu. – Por quê?

–- Bom, ela é linda, fala com os animais, pode andar em um tapete mágico... Oh, e tem um tigre!

–- É, ela realmente tem um tigre. O Rajah.

–- Sim... Podemos ter um tigre? Por favor, Sarah?

–- Bom, temos que falar com Kendall... Mas, antes... – Chegamos ao quarto e eu abri a porta. – Bem vinda!

–- U-A-U! UM TIGREEEE! – Ela gritou, correndo até a cama e pegando o enorme tigre com os braços.

–- Gostou? – Falei, sentando-me na cama e ela pulou em cima de mim.

–- Eu amei! Obrigada, mãe!

Eu parei na mesma hora. Meu coração disparou na mesma hora.

–- Você me chamou de mãe?

–-É, chamei. Você é a minha mãe agora.

–-É, eu sou. – Falei e ela sorriu, vindo me abraçar.

–- Você é a melhor mãe do mundo! – Ela falou e algumas lágrimas escaparam, enquanto eu a apertava mais. Quando nos soltamos, ela secou minhas lágrimas com as mãozinhas e me deu um beijo no rosto.

*

–- Quem está preparado para sair?

–- EU! – Abbey e Jared gritaram.

–- Nós vamos á casa de Carlos e Vanessa. Logan e Hayden vão pra lá também. Com a Cherry.

–- A Cherry vai estar lá? – Abbey perguntou e eu assenti. Kendall e eu já havíamos levado a ruivinha para o orfanato algumas vezes e ela já havia se encantado com todos, principalmente Abbey.

–- Você vai poder encontrar o Sebástian, Jared. Ele disse que tem que mostrar á você a coleção de carros da Hot Wheels que ele tem. – Kendall falou.

–- Que legal! Vou mostrar o novo boneco do Homem Aranha que eu ganhei! – Olhei, com olhos semicerrados, á Kendall e ele deu de ombros. Já começou a corromper a criança...

–- Ótimo. Vamos logo! – Falei e eles correram para o carro.

–- Ah, não!

–- Está chovendo! – Abbey falou.

Kendall olhou pra mim e eu sabia que ele estava pensando no mesmo que eu. O primeiro dia que nos encontramos. O guarda-chuva. O início de tudo.

–- É. Não é lindo? – Kendall falou e eu dei um beijo na bochecha dele.

Fomos para o carro e partimos.

***

FIM.

Notas finais
Espero mesmo que tenham gostado. Muito obrigada por esse - quase! - um ano de histórias. Lembrem-se : Para sempre, vocês serão minhas wonderholics
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!