Sarah

1 Capítulo Único


Uma simples e normal cidade de interior. Onde todos se

conheciam. Era inicio do ano letivo. Toda a cidade se movia em torno

do único colégio da cidade. O colégio admitia alunos até o ensino

médio. Por não haver faculdade na cidade, muitos tinham que estudar

fora.

Todos os alunos se encontravam no colégio. Todos se

conheciam. Mas isso não fazia deles unidos. Como todo colégio,

havia rivalidade entre alunos, e também havia os alunos excluídos. Na

turma da sala 407 não era diferente.

A sala 407 estava cheia. Todos os alunos esperavam o professor,

enquanto conversavam. Era uma turma do 3° ano do ensino médio. O

professor estava atrasado. Não era normal. Deferia ser um professor

novo, era o que os alunos pensavam. A turma estava dividida. Atrás,

os populares. Na lateral direita, junto à janela, estavam os nerd. Na

frente, estava um grupo de excluídos. E, também na frente, mas não

junto deste grupo, estava uma menina. Uma única menina.

O professor chegou, com um cigarro na boca. Entrou na sala,

apagou o cigarro. Pegou um pedaço de giz e escreveu seu nome e a

matéria que lecionava. Marcus Andrade, professor de física. Depois

ele sentou em sua cadeira, colocou os pés na mesa. E falou:

- Oi. Eu sou novo no colégio, então se apresentem: meu nome é

Marcus Andrade, tenho 30 anos. Agora são vocês.

Começou a apresentação pelo lado direito.

- Meu nome é Douglas Coulter. Tenho 16 anos.

- Meu nome é Lucas Bittencourt. Tenho 18 anos.

- Meu nome é Karen Sampaio. Tenho 18 anos.

Quando o outro garoto ia se apresentar. A diretora bateu na

porta. Logo, o professor se levantou assustado. A diretora entrou,

olhou para a turma e logo depois uma garota entrou na sala. Ela era

diferente de todos que estavam na sala. Principalmente das meninas.

Ela estava com os cabelos negros soltos e cobrindo boa parte de seu

rosto. Usava uma blusa preta, bermuda xadrez, com suspensórios

caídos. Nos pés, tênis de cano longo.

- Esta é Emily Sullivan. Ela tem 18 anos. Ela vem da capital para

cuidar de umas propriedades da família, espero que vocês a tratem

muito bem.

Emily esperou a diretora sair para escolher um local para

sentar. Desde que entrou na sala, ela tinha reparado na garota

isolada. Seus pés estavam a guiando para seu lado, mas um garoto lá

do fundo da sala falou com ela:

- Hei, Emily, Venha para cá. Sente-se conosco.

Ela obedeceu. E empurrou suas pernas na direção do menino.

As apresentações continuaram. E o professor enrolou até o final

da aula, deixando o inicio da matéria para o próximo dia.

No intervalo, todos estavam perto daquele ser novo e diferente

que estava na sala. Os populares estavam bastante interessados na

garota. Mas ela não parecia retribuir o interesse. No final da aula,

todos saíram da sala. Emily acompanhou-os. Mas uma garota ainda

estava na sala. Uma única garota.

No segundo dia de aula. Emily chegou cedo na sala 407, mas

já tinha alguém na sala. Uma garota, como ela imagina, era a garota

isolada. Estava sentada no mesmo lugar de ontem. Quando Emily

entrou, ela olhou para seu rosto, mas logo se voltou para seu livro.

Emily estava indo para o mesmo local que tinha sentado no dia

anterior, mas resolveu voltar, e se sentou ao lado da outra menina.

- Oi. Meu nome é Emily. Qual é o seu?

- Meu nome é Sarah Valverde.

- Muito prazer em conhecê-la. – Emily olhou Sarah dos pés a

cabeça. Ela vestia um vestido com uma aparência antiga. – Você

sempre estudou aqui?

- Sim. Sempre.

- Eu não lembro de você...

- Não lembra? Você já estudou aqui?

- Eu? Não, claro que não.

- Então, como você iria lembrar...

- Que tal a gente matar aula para se conhecer melhor. Você

podia me apresentar à cidade. Que Tal?

- M-matar aula? Não, eu não posso. Se minha mãe descobrir,

ela me mata.

- Como ela iria descobrir?

- Isso é uma cidade pequena. Todos se conhecem.

- É melhor matar aula hoje do que outro dia. Os professores nem

começaram a dar matéria ainda.

- Desculpe, mas eu não posso fazer isso.

Mas Emily não ouviu. Puxou o braço de Sarah e correu pelo

corredor do colégio.

- É melhor a gente correr, o sinal já vai bater.

Ao chegarem na praça, na frente do colégio, puderam ouvir o

sinal do colégio tocando.

- Eu não acredito que você esta me fazendo matar aula. Eu

nem te conheço.

- Como não? Será que eu esqueci de me apresentar. Não seja

por isso. Meu nome é Emily Sullivan. Tenho...

- Não estou falando sobre isso. Nós nos conhecemos a menos

de meia hora. Você nem é minha amiga.

- Seu eu não sou sua amiga, quem é então? Sou eu que estou

com você agora. Sou eu que cheguei no colégio mas cedo só para

falar com você. Se você continua achando que eu não sou sua

amiga, então volte para o colégio. Volte para seus verdadeiros

amigos.

Emily foi andando em direção oposta ao colégio. Sarah estava

parada, pensando mas palavras da menina. Era verdade, ela não

tinha amigas, nem dentro nem fora daquele colégio. Ela tinha que

arriscar. Correu na direção de Emily até alcançá-la.

Emily olhou para o rosto dela. Sarah estava corada e aflita,

sabia que sua mãe ia descobrir. Mas já era tarde de mais. Então Emily

voltou a olhar para frente e falou com sua nova amiga:

- Então, nós vamos aonde?

“Sempre da certo, mesmo que tenha sido meio cruel. Ai, como

eu sou uma boa atriz.”.

a duas novas amigas caminhavam, enquanto o colégio ia se

afastando cada vez mais.

Na sala 407. um aluno chegou atrasado. Um aluno que não

tinha ido ao primeiro dia de aula.

- Seja bem vindo de volta, Joel Maltez.

- Olá pessoal. Como foi o primeiro dia de aula.

Uma garota que estava ao seu lado, lhe respondeu

imediatamente, como se estivesse prevendo a pergunta.

- Temos uma aluna nova. Seu nome é Emily Sullivan. Ela é meio

estranha, mas eu sinto que conheço o rosto dela.

- A Luiza esta cismada com isso. Mas ela é só uma garota nova

que veio da capital para tomar conta das propriedades da família.

- Deve ser pro isso que você a conhece. Ela deve ser dona da

fazenda Sullivan. Que é perto da sua casa. Ela deve ter passado

algumas férias lá.

– É, deve ser isso...

– Luiza concordou, mas ainda não parecia conformada.

Do outro lado da cidade, Sarah mostrava para Emily seu lugar

favorito. Era como um Jardim Botânico, não como os das grandes

cidades, era algo mais simples, mas Sarah adorava aquele local. Era

onde o pai dela trabalhava. Mas isso ela ainda não iria falar para

Emily. Não havia necessidade.

Sarah, pela primeira vez, estava a vontade com Emily, mostrava

isso conversando.

- Percebesse o quanto você gosta daqui.

- É. Aqui é um lugar muito especial para mim. Talvez você tenha

percebido que as pessoas dessa cidade não vão muito com a minha

cara.

Emily se manteve calada. Não tinha o que falar. Todos os alunos

da sala a excluíam.

- Sempre foi assim, pelo menos comigo. Minha mãe... ela...

- Não precisa me contar. A gente nem se conhece direito.

Vamos, eu estou ficando com fome podemos comer alguma coisa

antes de terminar a aula.

- Certo.

As duas saíram do jardim. Emily, percebendo que Sarah estava

meio abalada, colocou seu braço sobre o pescoço dela. Lembrou do

seu pai. Ele fazia isso com ela. Uma lágrima caiu de seus olhos e

pingou na roupa de Sarah. Ela não percebeu.

- Esta é a sua casa?

- Sim. Sempre morei nela. Você mora na fazenda, certo?

- Fazenda?

- É, você não veio cuidar das propriedades da família. A

fazenda Sullivan.

- Ah, esta fazenda. Não, eu não estou morando lá. Mas como

você sabe que aquela fazenda é minha?

- Cidade pequena. A fazenda tem o seu sobrenome.

- É verdade. Quando eu for a verdadeira dona da fazenda

mudarei o nome dela.

- E qual nome pretende dar a ela?

- Não sei. Que tal Fazenda Valverde. Ai, todas as pessoas

acharam que a fazenda é sua e você saberá o tanto que estou

sofrendo.

- Que sofrimento...

- Por acaso a senhorita Valverde esta me suando.

- Eu, imagina.

- Sei.

- Agora eu tenho que entrar. Tenho muita coisa para fazer.

- Tá. Até amanhã. E vê se amanhã não mata aula, hein?

- Claro, não irei.

Emily se virou e começou a andar.

- Emily! – Ela olhou em direção da voz. – Obrigada por hoje.

- Eu que tenho que agradecer. Você é uma excelente guia.

Após isso, cada uma seguiu o seu rumo. E Sarah voltou para a

realidade. Sua mãe ia descobrir sobre a falta. E ela sabia como a

mãe ia reagir.

Novo dia. E Emily estava sozinha na sala 407. Sarah não tinha

chegado ainda. Foi quando alguém entrou na sala. Ela olhou

empolgada. Mas não era Sarah.

- Olá. Você é Emily, certo? Meu nome é Lucas Bittencourt.

- Bittencourt... Eu conheço o seu rosto.

- Ah, eu sou irmão da Luiza. Do pessoal de trás.

- Claro. O sobrenome. Vocês se parecem muito.

- Somos gêmeos.

- Uau. Isso foi uma grande surpresa pra mim.

- É, as pessoas normalmente não acreditam. Mas que cara é

essa?

- Eu estou preocupada com a Sarah. Ela não chegou ainda.

- É, normalmente ela chega cedo. Mas ontem ela também não

veio, deve estar doente. Hoje vou passar na casa dela, quer ir

comigo, é aqui perto?

- Não. Não passe na casa dela. E nem pense em dizer para a

mãe ou pai dela que ela não veio ontem.

- Ela não tem pai. Ele morreu há 12 anos.

Emily sentiu um aperto no coração. Sabia o sofrimento que

Sarah deve sentir. Também perdeu seu pai muito nova.

- Desculpe perguntar, mas por que você sabe tanto da vida

dela? Vocês são amigos?

- Ela é minha prima.

- Ahhh...

- Você também não veio ontem. Joel quer te conhecer.

- Joel, quem é Joel?

- O garoto mais popular do colégio. Minha irmã ficou ontem

falando que ele queria te conhecer e tal.

- Joel... Qual é o sobrenome dele?

- Maltez.

Emily não podia acreditar. Ela o conhecia. Joel Maltez. Ela o

odiava até o fundo de sua alma. Mas e se ele a reconhecer. Se estar

interessado talvez já sabia quem eu sou.

- O que aconteceu? Você esta pálida.

- Você não me convidou para passar na casa da Sarah?

- Sim, depois da aula...

- A mãe dela esta lá agora?

- Não esta trabalhando, por que?

- Você é legal. Passa lá depois da aula.

Emily saiu correndo para porta, até que Lucas a chamou:

- Para onde você vai?

- Pega este numero. – Ela entregou um papel para ele. – Se a

Sarah aparecer, peça para ela me ligar urgentemente.

- Tá.

Emily correu mais do que da ultima vez. Não queria encontrar

mais ninguém daquele colégio, e estava preocupada com a Sarah.

Ao chegar na casa de Sarah, Emily hesitou. “E se tiver alguém

em casa?”. Não podia tocar a campainha, tinha que entrar de uma

forma menos ortodoxa. “Janelas, como elas são úteis”.

Ao entrar na casa, percebeu que não eram só os vestidos de

Sarah que pareciam antigos. A decoração da casa estava uma

década atrasada, no mínimo. Ela subiu as escadas. Tinha 4 portas.

Uma provavelmente era o banheiro, outra a do quarto dela, outra da

mãe e a última deveria ser um quarto de hospede. O cuidado tinha

que ser absoluto. Se abrisse a porta errada poderia ser o fim. Tentou

uma. Era o banheiro. Tentou a segunda. Ufa. Parecia ser o quarto de

Sarah, mas estava vazio. Mesmo assim ela entrou. Também tinha a

aparência antiga, mas algo a chamava atenção. Não sabia

explicar. Era um quarto simples. Tinha um balcão emendado a

parede, que servia como escrivaninha. Nele tinha alguns livros e um

notebook. Na frente do balcão, tinha um armário, e no meio uma

cama. No quarto também tinha uma estante cheia de livros. Sarah

deve gostar muito de ler, pensou Emily. E voltou a andar e entrou mais

no quarto. Tinha uma janela no quarto. Emily andou na direção dela.

Depois se sentou na cama de Sarah, e logo deixou. Ficou olhando

para o teto, tentando imaginar como seria a vida de Sarah, seria pior

do que a dela? Neste momento ela ouviu passos.

“Merda. Quem será? Tenho que me esconder, mas aonde?”

Correu e se escondeu embaixo da cama. No segundo posterior

alguém entrou no quarto. Emily reconheceu o tênis. E depois a voz:

- Ai, eu to muito atrasada. Não vai dar para assistir a primeira

aula.

- Que coisa feia menina, matando aula de novo.

Sarah pulou da cama. Seu coração estava na boca. Tinha

alguém no seu quarto, mas quem?

Emily então saiu de seu esconderijo e se levantou para falar

com Sarah.

- O que aconteceu para você se atrasar tanto?

- O que você esta fazendo aqui? Como você entrou? Por que

não esta no colégio?

- Calma, uma pergunta de cada vez.

- Tá. – Sarah respirou fundo, ainda assustada, e continuou. –

Como você entrou aqui?

- Bom dia para você também. Entrei pela janela.

- Pela janela? Mas por que você veio?

- Fiquei preocupada, você não apareceu. Como você esta?

- Bem, só dormi demais.

Emily se aproximou para abraçá-la, Sarah tentou desviar, mas

foi em vão.

- Você esta fervendo, não posso deixar que saia assim. Deite e

descanse, eu vou preparar um chá para você.

- Não precisa, estou bem. Vamos para o colégio.

- Não. Você esta doente. Eu não vou sair daqui, e nem você.

- Por que você se preocupa tanto comigo?

- Por que nós somos amigas e eu nunca vou te abandonar.

As duas pararam. Uma olhando no olho da outra. Então Emily

continuou.

- Por favor descanse. Meu pai morreu por que foi trabalhar com

febre. Ele tinha uma doente rara. Não quero ver outra pessoa que

gosto morrendo.

O silêncio tomou conta do quarto. Sarah cedeu e deitou em

sua cama. Emily perguntou onde tinha um termômetro, Sarah

apontou para o balcão. Estava lá em cima. Emily colocou o

termômetro na amiga e desceu para a cozinha.

A cozinha era grande. Emily se sentiu perdida, não sabia onde

procurar as coisas. Mas conseguiu se virar.

Sarah se sentia estranha. Ninguém nunca tinha se preocupado

tanto com ela, talvez o seu pai. Mas ela quase não o conheceu.

Quando ele morreu, ela era muito nova. Sua mãe não gostava de

falar sobre ele. Neste momento ela pensou em Emily. Como será a

família dela? Onde será que ela esta morando? Neste momento ela

entrou com uma bandeja na mão.

- Seu chá. Espero que goste.

- Emily, onde você esta morando?

- Por que esta pergunta?

- Curiosidade.

- Eu estou morando no hotel, enquanto minha mãe não vem.

- Você esta morando sozinha?

- É.

- Sua mãe deixa?

- Eu já praticamente moro sozinha a 1 ano. Perto da mamãe,

mas sozinha.

Por enquanto era só isso que ela podia dizer. Na verdade ela

não morava sozinha. Mas isso ela ainda não estava preparada para

dizer.

- Uau. Minha mãe nunca vai deixar eu morar sozinha. Talvez

quando eu casar. Se ela deixar eu casar.

- Sua mãe parece ser bem protetora.

- É.

- Posso fazer uma pergunta?

- Faça.

- Você que escolhe suas roupas?

- Por que?

- Por nada. Curiosidade.

- Às vezes.

Emily colocou a abandeja ao lado de Sarah e foi para o

balcão. Ligou o notebook.

- O que você tem de musica aqui?

- Quase nada. Tem umas musicas da igreja...

- Ahhh...

- Calma aí. Pegue este cd.

- Ok.

Emily pegou o cd e colocou no notebook.

A primeira música começou a tomar.

- Olha só o que você tem escondido. Evanescence.

- Minha mãe não me deixa ouvir esse tipo de música.

- E também não deixa você se vestir de maneira diferente.

Sarah ficou em silêncio. Era verdade.

- Imagino o que ela irá achar de mim quando me conhecer.

Sarah não tinha pensado nisso ainda. Se sua mãe chegasse e

encontrasse Emily lá iria expulsá-la, com certeza. Emily usava bermuda

e roupas escuras. Tirando o jeito despojado dela agir. Isso não podia

acontecer. Emily não podia conhecer sua mãe. De jeito nenhum. Sua

mãe podia proibir a amizade delas.

Emily percebeu que Sarah ficou em silêncio após o que disse.

Talvez a mãe dela você muito rígida mesmo. Emily se olhou no

espelho. Não parecia o tipo de amiga que a mãe gostaria para sua

filha. Ás vezes ela parecia até um garoto. Percebendo o clima, Emily

mudou de assunto:

- O que você pretende fazer? Na faculdade?

- Não sei ainda. Minha mãe quer que eu seja professora.

- Eu vou fazer cinema. Ou pelos menos gostaria. – disse virando

o rosto, antes que Sarah perguntasse algo, ela teve uma idéia — Que

tal a gente assistir um filme?

- Pode ser.

- Que tipo de filme você gosta?

- Ah, não sei. Não costumo assistir filmes.

- Você tem cara de quem gosta de filmes épicos, meio fantasia.

Tipo Harry Potter. Acertei?

- Gostar de Harry Potter, eu gosto. Li os livros. Mas...

- Entendo. Mas sua mãe não está em casa. Calma aí. Eu tenho

uma idéia de filme muito bom, também baseado em livro. Eu vou

passar em casa para buscá-lo. Não saia desta cama.

E então saiu correndo pelo corredor, até que voltou para o

quarto.

- Tem uma bicicleta para me emprestar?

Emily pegou a bicicleta nos fundos e começou a pedalar. Fazia

muito tempo que ela não andava de bicicleta. Mas, como todo

mundo diz, ninguém esquece como se anda de bicicleta. Ela sentia

falta daquela sensação, mas em seu mundo ela sempre estava

ocupada com algo. Mas agora ela estava livre, pelo menos por

enquanto. Sua casa não era muito longe da casa de Sarah, mas ela

resolveu pelar o caminho mas longo. Ao chegar em casa pegou uns

dvds e colocou na mochila. Bebeu um pouco de água e voltou a

pedalar, mas agora pegou um caminho mais curto.

Ao chegar no quarto, Sarah estava estudando.

- Hei, o que você pensa que esta fazendo?

- Estudando. Eu não fui para o colégio ontem nem hoje. Tenho

que estudar.

- Depois você estuda, agora você esta doente. Vamos assistir

ao filme.

- Tá bom.

As duas deitaram na cama. O filme começou.

Elas acabaram assistindo outro. E o dia ia passando. Começou

a escurecer.

O segundo filme era mais pesado. Era sobre uma garota meio

nerd que acaba se envolvendo com uma menina rebelde que a leva

para um mau caminho (ler-se “Aos Treze”).

Emily estava concentrava vendo o filme pela 50° vez. Era seu

filme favorito. Sarah se pegou olhando para Emily. Ela era diferente,

não só por fora, mas também por dentro. Não podia evitar, ficou ali

parada olhando fixamente para aquela nova garota. Neste

momento, Emily se virou para Sarah. Simplesmente sorriu. Ela ficou sem

entender. Mas retribuiu. Depois disso, elas ficaram se olhando. Não por

muito tempo. Sua mãe entrou em seu quarto. E conheceu Emily da

pior forma que podia.

- Quem é essa garota? Sarah! Explique-se! Você deveria esta

estudando.

- Mãe esta é Emily. Ela é minha amiga, da escola. A gente ia

estudar agora.

- Estudar? Não é isso que estou vendo. Então por que a

televisão esta ligada se vocês iam estudar?

- Mãe!

- Garota, saia...

- Emily. Meu nome é Emily.

- Emily. Saia da cama da minha filha, pegue suas coisas e saia

desta casa agora!

- Sarah, até amanhã.

- Não haverá um amanhã.

Depois que Emily saiu, pensou como deveria ser a vida de Sarah

com a mãe. Há muito tempo ela não tinha uma relação com sua

mãe. Mas conseguia entender o sentimento da mãe de Sarah.

Proteção. Só quem é mãe compreende este sentimento.

No dia seguinte, quando Emily chegou no colégio, encontrou

com Sarah no corredor. Ela correu para perto da menina e

perguntou:

- Sarah, como foi ontem com a sua mãe?

- Eu prefiro não falar sobre isso. E já vou indo. Estou atrasada.

- Mas Sarah...

- Eu tenho que ir!

Sarah virou as costas para Emily e entrou na sala. Emily

entendeu. Ela não estava atrasada. Elas não se viram durante o dia.

Emily não apareceu na sala 407.

Três semanas se passaram e no final de cada aula, somente

uma garota ficava na sala. Novamente sozinha.

- Lucas, você sabe da Emily?

- Não. Faz um tempo que ela não aparece, não é?

- É!

Sarah voltou para casa. Mas algo estava estranho. A casa não

estava vazia. A luz da cozinha estava acesa. Ela abriu a porta e

correu para a cozinha.

-Mãe...

Ela estava no chão. Sem sangue. Sem ferimentos. Sem respirar.

Na noite posterior houve o enterro. A noite estava chuvosa. O

enterro estava vazio. Apenas Sarah e a família de Lucas. No meio da

chuva, Sarah viu um vulto. Ela a conhecia tão bem que pode

reconhecê-la apesar das circunstâncias.

- Meus pêsames.

Emily estava pálida. Sarah logo percebeu, mas preferiu não

comentar.

- Onde você estava Emily?

- Pensando...

após o enterro, as duas não foram para a casa de Sarah. Foram

para um lugar novo. Uma nova casa, onde Sarah nunca tinha pisado.

Emily já não estava mas num hotel.

- Esta é minha casa. Não repara na bagunça.

- Sua casa é bem legal.

- Valeu. Se quiser pode ficar aqui, por enquanto.

- Obrigada. Eu vou precisar. Mas mudando de assunto, onde

você estava este tempo todo? Por que não foi para o colégio? Você

perdeu prova.

- Isso não é importante. Mas eu não queria falar sobre isso, Ok?

- Tudo bem. Mas eu queria lhe pedir desculpa. A última vez que

a gente se falou , eu fui bastante grosseira, mas minha mãe...

- Tudo bem, eu entendo. Na realidade, eu a entendo.

Sarah foi morar com Emily. E começou a se descobrir. Começou

a se vestir como queria, sem sua mãe reclamando. Começou

também a falar com pessoas novas. E se interessar por outras.

Joel estudava com ela há 7 anos e desde então ela sentiu algo

estranho por ele, algo novo.

Depois de certo tempo, ela começou a andar com os

populares, e a sair com eles, ficando cada vez mais perto do seu

amado. Mas toda turma tinha que ter um rejeitado. A sala 407, no

final das aulas, tinha uma nova pessoa sozinha. Uma menina com

uma tristeza enorme no olhar. Sua vida estava como uma montanha

russa nos últimos dias. Coisas boas e ruins aconteciam sem parar.

Felicidade mesclada com tristeza formavam seu novo modo de ser. E

em qualquer momento sua real vida podia voltar. A coisa mais

importante estava para voltar para seus braços.

- Será que deveria contar a verdade a Sarah? E acabar com a

sua felicidade?

Na noite do dia posterior, Emily estava sozinha. Sarah não tinha

passado em casa.

Sarah estava com Joel. Emily não sabia, mas ele tinha pedido

ela em namoro. Ela sempre amou ele, e aceitou na mesma hora.

Deitada no sofá ela começa a sentir tudo voltando de uma só

vez. Sua temperatura começou a aumentar. Começou a ficar sonsa.

Seus pensamentos estavam confusos. Nada mais fazia sentido. O

mundo novo tinha caído dando lugar à realidade. Sua doença tinha

acordado. E talvez nunca mais dormisse.

Sarah chegou em casa, abriu a porta e foi direto para seu

quarto. Estava muito cansada para reparar alguma coisa.

Dez horas depois, Sarah acordou. Estava atrasada para a aula.

Levantou e andou até a sala. Tentou abrir os olhos, mas estava com

muito sono. Abriu a geladeira, pegou o leite e colocou um pouco

num copo qualquer. Quando ia andando em direção ao banheiro,

seus olhos abriram involuntariamente, em direção ao sofá.

- Emily! – O leite caiu de sua mão e ela correu ate a Emily – O

que aconteceu? Você esta pálida.

Mas ela não respondia.

- Você esta fervendo. Vou ligar para um médico.

Quando Sarah pegou o telefone para ligar para o medico, a

consciência de Emily retornou para seu corpo.

- Não! Não ligue.

- Mas você esta muito mal.

- Não ligue. Isso é normal.

- Normal? Quando eu te conheci, você não estava assim. A

única vez que te vi assim foi...

A mão de Sarah levou o telefone para seu lugar. Neste

momento ela queria ser uma avestruz e enterrar sua cabeça na terra.

- A culpa é minha, certo?

- A realidade voltou.

- Eu não acredito que fiz isso com você.

- Ela acordou, quando a alegria dormiu. Este é o fim.

- Eu não consigo entender o que você diz. Como isso tudo fosse

um sonho.

- E é. Este é um sonho que para mim acabou. Mas você ainda

pode continuar nele.

- Não! Eu não posso te abandonar de novo. Quero acordar

com você. – Uma gota caiu dos olhos de Sarah e molhou Emily. – Eu

quero voltar para a realidade.

Nesse momento as duas estavam abraçadas. E o sonho deu

lugar a triste realidade.

No dia seguinte, a doença de Emily estava pior. Sarah tinha ido

para o colégio. Emily não deixou que ela faltasse. Sarah também

estava mal. Agora ela sentia falta da sua mãe.

No outro dia, Sarah não foi para o colégio. Joel a ligou, mas não

conversaram por muito tempo. Toda a atenção de Sarah era para

sua querida amiga.

Emily podia sentir o dia em que sua família ia chegar se

aproximando. Faltava menos de uma semana. Sarah ia descobrir a

verdade. Era melhor contar logo.

- Sarah.

- Sim, Emily. O que foi?

Um silêncio dominou a casa. Sarah esperava atenta no que

Emily ia dizer. Mas um barulho de companhia quebrou o silencio antes

que Emily pudesse continuar.

- Quem será?

- Não sei. Vou abrir a porta.

Sarah foi até a porta e abriu. Uma criança. Devia ter uns 4 anos.

Ela lembrava alguém. Mas Sarah não conseguia pensar em quem.

- Mãe!!! – gritou a menina, enquanto entrava na casa. Ela parou

no meio da sala e olhou para todos os lados. Ate olhar para o sofá –

Mãe!

Emily estava de braços abertos. A garota se jogou em cima de

sua mãe.

Sarah não podia entender. Mãe? Como a Emily, que era só um

ano mais velha que ela, podia ser mãe?

- Sarah, esta é a minha filha, Julie.

Sarah não saia o que dizer.

- Oi Sarah. Meu nome é Julie, eu tenho 4 anos.

- Olá, Julie.

- Filha vai colocar suas coisas no quarto, por favor.

A menina foi correndo para a porta, onde tinha deixado sua

mala, e correu para um quarto qualquer.

- Por que você não me disse que tinha uma filha?

- Desculpe, eu ia te contar. Não era para ela chegar hoje.

- Onde ela estava?

- Com minha mãe. Eu estava arrumando tudo aqui. E

tentando... e tentando viver. Mas não deu muito certo.

Neste momento a menina voltou e se sentou ao lado da mãe.

- Onde esta a sua avó?

- Ela ainda tá viajando. Resolvendo uns problemas.

- Quem te deixou aqui?

- O tio Thomas. Ele tava de passagem. Ele voltou para a capital.

- Por que ele não passou aqui?

- Não sei. Eu acho que ele estava com pressa. Mas ele disse que

quando terminar tudo, ele passa aqui.

- Ok. Agora por que você não vai brincar com a tia Sarah. Ai

vocês podem se conhecer melhor. Ela mora comigo.

A menina correu até o quarto onde tinha colocado sua mala e

voltou com uns brinquedos na mão. Ela jogou no chão e Sarah se

aproximou. Ainda confusa.

As duas ficaram brincando por um tempo. Estavam se dando

bem. Emily começou a sorrir. Sarah seria uma boa mãe.

- O que aconteceu com a mamãe, ela esta doente?

- Sim.

- Mas a vovó disse que ela estava melhor desde que chegou

aqui. Como ela ficou assim?

- Eu não sei.

As três estavam sempre unidas. Sarah às vezes tentava

esconder algo mais de Julie, mas não era necessário, por causa da

doença da mãe, a garota era forte e entendia tudo.

Quatro dias depois da chegada inesperada de Julie, Sarah a

levou para seu novo colégio. Era perto da casa. Emily queria ter

levado a filha, mas Sarah insistiu que não era necessário, e Julie

concordou.

A cada dia que se passava, Julie se apegava mais à Sarah. E

Sarah a Julie. E a cada dia que se passava, Emily piorava. Mas um

pequeno sorriso começava a surgir em sua face, sua missão estava

para ser cumprida e, pela primeira vez, poderia relaxar.

Uma semana depois, Emily deve que ser levada para um

hospital. Sarah voltou a se encontrar com seu namorado, que ligava

para ela todo dia. No hospital, Emily estava sem poder agir, mas sabia

que tinha feito o máximo que pode. Agora o que ela podia fazer era

lembrar de sua vida. De como tudo aconteceu. Neste momento,

Sarah estava ao seu lado. Julie estava no colégio. Sarah também

pensava em sua vida, como tudo tinha mudado depois do seu

encontro com Emily. Devia sua vida aquela garota. Mas agora estava

seu poder agir, o máximo que podia fazer era ficar ao seu lado e

cuidar de sua filha.

- Emily.

- O que foi?

- Você nunca me contou como a Julie nasceu?

Emily virou o rosto. Ela temia por este dia. Talvez fosse

necessário. Sarah tinha que saber.

- Então terei que lhe contar toda a verdade.

Sarah ficou meio espantada. “Toda a verdade? O que Emily

queria disser com isso?”. Mas continuou ali, imóvel, a espera de uma

historia.

Antes que Emily começasse a contar. Joel chegou. Ele não

entrou no quarto. Ficou esperando Sarah sair. Junto com ele, chegou

Julie. Era a primeira vez que Joel via a filha de Emily. Sarah não tinha

lhe contado este detalhe.

- Oi, você é amigo da minha mãe?

- Mãe? A Emily é sua mãe?

- Sim. Qual é o seu nome?

- Joel Maltez. E o seu?

- Julie Marie Valverde. Eu tenho quatro anos.

Joel gelou. Ele conhecia este nome. E logo percebeu que o

rosto da pequena menina lhe era familiar.

No quarto, Emily começou a falar:

- Minha vida começou quando eu fui adotada. Eu não sou uma

verdadeira herdeira da família Sullivan. Eu fui adotada com 4 anos.

Morei nesta cidade até os 14 anos. Quando engravidei da Julie.

- Você morava aqui, por isso se perguntou naquele dia por que

não me conhecia. Você não me conhecia por que devia estudar de

tarde. Eu sempre estudei de manhã.

- Mas eu te conhecia. Mesmo que eu não soubesse.

Continuando, sim, eu estudava de tarde, mas a minha turma era a

mesma que é hoje. Com exceção do Lucas e mais de uma ou duas

pessoas. Eu costumava andar com a Luiza. Até que comecei a

namorar. Com um menino do colégio. Só que eu nunca quis transar

com ele, mesmo ele pedindo sempre. Até que um dia ele cansou de

pedir. E me forçou a transar com ele. Foi uma única vez. Depois disso,

eu sai do colégio e da cidade. Foi quando eu fui morar na capital.

Também foi quando meu pai adotivo morreu.

- Eu conheço o pai da Julie?

- Sim. Mas antes de disser o nome dele, é melhor eu disser o meu

verdadeiro nome.

- O seu verdadeiro nome?

- Por isso que ninguém do colégio me reconheceu. Eu mudei a

aparência e meu nome. Meu verdadeiro nome é Julie Marie

Valverde.

- Valverde?

- Sim. Eu não me lembro do meu passado antes de ser adotada.

Mas eu descobrir que eu era filha do seu pai. James Valverde.

- Você é minha irmã?

- Parece que sim.

- Eu não posso acreditar.

- Agora o nome do pai da minha filha: Joel Maltez.

Sarah parou de repente. Era o seu namorado. O garoto que ela

amava violentou sua irmã. Isso não podia ser possível. Mas era a

verdade.

- Eu tenho que ir. Julie deve ter chegado e deve querer falar

com você.

- Desculpe por não ter falado nada antes.

- Não precisa se desculpar mana.

Sarah saiu e encontrou Joel conversando com Julie.

- Julie, sua mãe esta te esperando.

- Tá. Tchau tio Joel.

- Tchau, Julie.

Ela se aproximou dele e falou:

- Você conhece uma Julie Marie Valverde?

- É o nome da garotinha.

- É o nome da mãe dela.

Ele lembrou. Julie, sua namorada na época do colégio. Há mais

ou menos quatro anos eles tinham terminado. Quatro anos. Era a

idade da menina.

- Ela é minha filha.

- É. Você estuprou minha irmã.

- Não foi bem assim. Nós éramos namorados. Mas você disse

irmã?

- Isso não tem importância. Mas temos que terminar. Eu só não

faço algo pior com você por causa dela, mas...

- Eu sei que eu errei, eu era jovem e inconseqüente. Talvez eu

ainda seja, mas eu te amo. Eu nunca senti isso por outra garota.

Desde a primeira vez que te vi, eu te amei, só não tinha coragem de

falar com você, pois éramos diferentes. Eu sei que também estava

errado, mas eu tinha medo. Só que agora eu aprendi, eu te amo.

- Se você me ama, pode esperar. Mas por enquanto é melhor a

gente terminar.

- Entendo. Então eu já vou.

- Tchau.

Ele saiu do local meio abalado. Sarah não sabia como agir. Ela

amava Joel, mas o que ele fez era imperdoável.

No mesmo momento Emily conversava com sua filha.

- Você já conheceu o tio Joel, certo?

- Sim. Ele é muito legal. Ele me disse que é namorado da tia

Sarah.

- Aham. Mas antes dele namorar a tia Sarah, ele me namorou,

sabia?

- Jura? Que disser que o tio Joel é meu pai?

- Exatamente.

- Mas ele parecia ser tão legal. Como ele me enganou?

- Não filha. Eu sinceramente acho que ele mudou. Quando eu o

revi pela primeira vez, eu senti uma grande raiva dele. Mas depois,

não sei, ele pareceu ser uma outra pessoa.

- Você acha que ele gosta mesmo da titia?

- Sim, eu acho.

- Julie, você sabe quando a vovó vai chegar?

- Não, por que?

- Eu sinto que talvez não de tempo...

- Não diga isso mamãe. Ela vai chegar a tempo de vê-la.

- Tomara. Eu sinto muita saudade dela.

Julie abraçou sua mãe. Não muito forte pois Emily estava muito

mal, mas o mais forte que pode.

- Outra coisa que eu queria te falar.

- Sim, mamãe, pode falar.

- Na realidade é uma pergunta. Quando eu tiver que ir, você

gostaria de morar com a Sarah?

- Claro. Ela é muito legal. Mas será que ela iria querer cuidar de

mim?

- Acho que sim. Quando eu morrer ela vai ficar sozinha. Ela não

tem família. Eu acho que ela vai gostar da sua companhia, claro se

você prometer ser boazinha com ela.

- Claro que serei, mas mãe, por favor, não fale mas de morte.

Vamos aproveitar esses dias sem pensar nisso.

- Claro, desculpe filha. Você pode chamar a Sarah, já esta na

hora de você ir para casa.

- Já? Eu pensei que ia ficar a tarde toda com você.

- Pensou errado. Você tem muito que fazer. Tem que estudar.

Julie saiu do quarto para chamar Sarah que estava sentada no

local onde antes Joel estava sentado. Pensando. Voltou logo em

seguida, com Sarah do lado.

- Sarah, por favor leve a Julie para casa.

- Claro. Mais tarde eu volto.

- Ok.

As duas saíram. O que não sabiam era que era a ultima vez que

pisariam naquela sala.

No mesmo dia, um pouco mais tarde, Joel voltou para o

hospital. Tinha que falar com Emily. Tinha que pedir desculpa. Quando

entrou no quarto dela, ela estava o esperando olhando atentamente

para a porta.

- Oi Emily.

- Olá Joel. Quanto tempo.

- Eu quero lhe pedir desculpa pelo que eu fiz. Eu era imaturo e ...

- Você conheceu sua filha?

- Sim, ela parece muito com você.

- Ela é a sua cara. E não só fisicamente. Você gosta mesmo da

Sarah, certo?

- Sim. A amo como nunca amei ninguém na minha vida.

- Então espere por ela. Agora ela esta confusa mas ela te ama

também.

- Eu irei esperar.

- Então é isso. Diga para a minha filha que eu a amo muito. E

diga a Sarah que ela foi a melhor amiga que já tive na vida. E Joel,

você esta perdoado.

Neste momento seu coração parou de bater. Ela morreu. Joel

não sabia o que fazer. Os médicos chegaram na sala e ele estava

parado olhando para a mãe de sua filha. Ela morreu na sua frente. Ela

o tinha perdoado.

No dia seguinte, a mãe de Emily chegou na cidade. Chegou na

hora do enterro. Ele não estava muito cheio. tinha algumas pessoas

do colégio e só. Sarah, Julie, Joel, Lucas, Luiza e a mãe de Emily

estavam na primeira fileira. Todos estavam muito tristes com a perca,

mas ninguém estava mais triste do que Sarah. Alem de perder a

melhor pessoa que tinha passado em sua vida, ela se sentia culpada.

Após o enterro, a mãe de Emily foi falar com Sarah. Pela

primeira vez.

- Oi. Prazer, meu nome é Ângela. Você é a irmã da Emily, certo?

- Sim, meu nome é Sarah. A sua filha era um anjo. Foi a melhor

coisa que aconteceu na minha vida.

- O ultimo pedido dela para a Julie foi para ela ficar com você,

claro se você quiser.

Sarah não sabia o que falar. Criar uma criança era muita

responsabilidade para ela. Mas era sua sobrinha. Era a filha da Emily.

- Eu adoraria. Mas será que a Julie irá querer ficar comigo?

- Claro. ela te adora. Eu acho que assim será melhor. Eu não

tenho muito tempo mesmo. E você é a família que sobrou para ela.

Sem mais nenhuma palavra ela se afastou de Sarah, falou com Julie e

foi embora. Nunca mais tornaria a vê-la.

Julie, após falar com a avó, correu para os braços de Sarah. As

duas ficaram abraçadas por muito tempo. Depois ela foi falar com o

pai voltou para Sarah e foram embora. Todos tinham ido embora.

Logo Emily pode descansar em paz, pela primeira vez na vida.

12 anos depois...

- Tia, o papai chegou. Vamos logo.

Sarah estava se arrumando para fazer sua visita a sua amiga.

Ela, Joel e Julie iam visitar Emily sempre que possível. Hoje é aniversário

de 12 anos da morte dela.

- Pai!

- E aí menina, como você tá?

Joel morava na capital para se terminar a graduação. Era

médico.

- Estou bem, e você?

Julie está com 16 anos e herdou da avó a fazenda Sullivan.

- Estou ótimo. Cadê a Sarah?

- Estou aqui.

Sarah seguiu a carreira da irmã. Tornou-se cineasta.

- Certo, vamos logo que a mamãe tá esperando.

Joel ainda esperava Sarah. Ela já o tinha perdoado, mas ainda

sentia receio para voltar para ele. Claro isso ia demorar pouco.

Ao chegar no cemitério, Julie correu até o túmulo da mãe.

Conversou um pouco com ela, enquanto Joel e Sarah estavam para

trás. Eles conversaram e foram ate o túmulo de mãos dadas.

- Olha só mãe, eles estão juntos de novo. O papai tá

namorando a tia.

Eles ficaram um tempo lá e quando começou a escurecer

retornaram para casa. Emily, ou Julie, voltou a ficar sozinha. E em sua

lápide estava escrito:

“Emily Sullivan. Amiga. Irmã. Filha. Mãe. Anjo.”


Uma pequena historia escrita por:

Anna Marie Raven

GJE project

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