Sara P. E aventuras

4 Quedas, surpresas, castigo


Depois que Clara me brigou por enfeitiça-la a falar a verdade sobre onde Sam estava. Eu a implorei que subisse na bicicleta ali mesmo no quintal de Sam.
–Por favor Clara, eu só estava curiosa! Me desculpa
–Sara, você só devia ter insistido! Ou me forçado a subir na sua bicicleta vermelha voadora e subir! Mas você...
–Eu pedi, você disse que não! Então eu...
Ela resmungou e logo subiu na bicicleta.
–Sobe logo, não temos tempo a perder, são três e sete da manha e amanhã temos aula.
Ela tinha razão, tínhamos aula amanhã, eu havia esquecido, mas acho que não seria problema, dentro de duas horas teríamos de estar em nossas camas... Eu rapidamente montei a frente e levantamos voo na bicicleta vermelha. Já havia um caminho planejado na minha cabeça, só faltava saber onde aterrissar.

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Quando sobrevoamos a auto-estrada é um pouco à frente (ou em baixo) a linha de trem eu gritei para Clara que estava se agarrando as minhas costas
"Atenção senhora passageira, estamos sobrevoando o bosque e acho que vamos pousar... Alí!"
Antes que pudesse visualizar a pequena área sem árvores a bicicleta começou a perder altitude rapidamente, eu estava sem ideias, até lembrar que a bicicleta usava a telecinese para se manter no ar. Eu enfiei minha mão no bolso da calça para pegar meu talismã, e notei que não estava lá, como devia estar. Então piorar a bicicleta caiu mais rapidamente e Clara gritava em meu ouvido da forma mais aguda que conseguia.
Quando chegamos próximas às árvores as enfeiticei para que as copas crescessem e nos segurassem -pelo menos para que não quebrassem um braço, perna, pescoço...- bem elas cresceram mas não ao ponto que eu queria mas pelo menos quando caímos a bicicleta se espatifou no chão, e se desintegrou em segundos. Eu e Clara começamos a escorregar pelos galhos, até chegar no chão... Clara meio que ficou presa em um e eu tive que tirá-la.
Quando estávamos sãs e salvas da bicicleta eu tive que procurar pelo Sam, mas antes tive que escutar de Clara
–Sara, que porra foi essa!? Quase morremos por causa da sua bicicleta assassina!
–Clara não foi bem isso, é que... Eu estou sem meu talismã, sem nenhuma magia forte, castigo, longa história. Agora por favor, vamos procurar pelo Sam!
–Como vamos procurar pelo Sam se nem sabemos em que parte desse bosque ele está!?
Eu olhei para Clara e ela olhou para Mim.
–Me empresta seu celular?
–Pra?
–Só me empresta!
Ela me deu seu celular. Eu disquei o número da minha casa umas duas ou três vezes até que minha mãe me atendeu, ela estava cansada.
–Sara, que porra é essa!? Onde você está! O que está fazendo fora e casa a essa hora!
–Mãe longa história, amanhã você pode me dar aqueles sermões e castigos de uma semana, mas agora eu queria algo para procurar pessoas!
–Sara quando você chegar aqui você vai ter uma conversa sobre respeito comigo. Quanto a isso é só pronunciar "umina , ostende mihi" e o nome da pessoa, não esqueça de fazer uma chama de fogo antes de pronunciar!
–Valeu mãe!
Eu desliguei o celular e entreguei para Clara.
Estendi minha mão e criei uma chama de fogo, e pronunciei "lumina , ostende mihi Sam" de primeira esperei um minuto até que aquela chama andasse meio quilômetro para frente, a começasse a ir devagar a minha frente a partir dos passos que dava. Clara me seguia ela deveria estar pensando em como aquilo funcionava, aliás ela queria saber como essas pronúncias faziam essas coisas, mas eu não sabia então também não podia respondê-la.

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Depois de uma caminhada, uma longa caminhada meus pés estavam doendo, Clara xingava alto no meio daquelas árvores, e a cada metro que ela contava -pelo menos acho que é isso- ela pergunta "já chegamos Sara?" ou "Estamos perto Sara?"
E eu estava de saco cheio e seguir aquele foguinho inútil que parecia estar me levando a lugar nenhum...bem ele parou a minha frente e mesmo que eu andasse para frente ou para traz ela ficava parada, na frente de uma árvore e alguns arbustos. Bem quando cheguei perto ele se apagou. Eu fiquei pensando "Só isso?! Cadê o Sam?!"
Eu olhei para frente e para os lados mas só enxergava uma fogueira apagada, que parecia estar quente e ao lado um lobo, de pêlos marrons naquele tom marrom de folhas de outono. Bem ele estava deitado, ao lado uma carcaça de... Não sei estavam apenas os ossos daquilo, e eu meio que quase vomitei no vomito de Clara -sim ela vomitou, no meu tênis- mas em fim, parecia ainda estar fresca, e o sangue na boca daquele lobo ainda estava húmido... Bem eu fiquei puta com aquele feitiço idiota, ainda estava quebrado. Eram seis da manhã e eu e Clara perdemos a noite inteira fazendo nada mas foi divertido declarou Clara. E acabamos de abraçando e meio que ela se desculpou por ter sido uma idiota.
Quando agente ia voltar para casa com eu escutei um gemido, e outro seguido muito alto, eu puxei Clara e corri para aquele arbusto. Bem aquele lobo estava virando gente, gente como a gente, ele começou a voltar ao normal, e começou a grunhir dolorosamente até que estivesse completamente como um humano. Eu e Clara vimos tudo e ficamos pasmas ao ver aquela pessoa, era um homem, se levantando do chão. Ele levantou a cabeça e eu ví com meus olhos, Clara estava de testemunha, que era Sam, se levantando todo sujo e ensanguentado do chão, escondendo a carcaça com folhas e se vestindo com as roupas que estavam estendidas em um galho da árvore.
Clara quase gritou e eu quase bati nela para que calasse a boca.

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Quando deixei Clara em casa voltei voando com a bicicleta vermelha -eu a refiz- bem eu ainda temia minha mãe mas acho que ela ficaria mais impressionada ao saber que Sam era um lobisomem e eu descobri ontem à noite... De qualquer forma tive que infelizmente apagar a memória de Clara sobre aquela noite, é meio que regra não deixar humanos saberem sobre coisas assim.
Quando abri a porta de casa minha mãe estava sentada no sofá com o café preto e o jornal de sexta.
–Então Clara, como foi a noite? Dormiu bem?
Minha espinha gelou e eu quase derreti ali mesmo no carpete.
–O, oi mãe, bom, bom dia! -Sorri-
–Está de castigo, até o final do mês sem seu talismã!
–Mas mãe
–Nada de mas Sara Pouissance, agora suba e se arrume para a escola em uma hora! Já!
Eu subi para o banheiro, achei melhor não retrucar minha mãe, aliás não precisava do talismã para ser alguém forte. Mas sobre Sam, acho que esse segredo só vai ficar entre mim e ele.