Sapatão nojenta
1 Eu escolhi
Notas iniciais
A história é baseada em algo que aconteceu comigo hoje mesmo, eu estava morrendo de chorar, enchi todos meus amigos, estava me sentindo um lixo, e devo dizer que esse sentimento não passou, mas escrever isso já ajudou a dar uma boa aliviada.
Está pequeno, mas espero ter conseguido passar a mensagem que eu queria.
Nojenta. Doente. Criminosa. Retardada mental.
Uma pessoa me chamou de todos esses nomes hoje, e sabe o motivo? Eu ter escolhido ser lésbica. Preste bastante atenção na palavra “escolhido”, porque foi exatamente o que ela usou.
Eu teria rido na cara da pessoa e mostrado o dedo do meio. Mas isso se fosse outra pessoa, mas não, foi a pessoa que meu deu a vida. Minha querida mamãe. Eu realmente nunca tive um relacionamento muito bom com ela, moro com meu pai desde os sete anos porque ela me espancava e me deixava sem comer por dias.
Eu não a culpo totalmente, pois ela é esquizofrênica, e várias coisas que ela fazia comigo eram as vozes que mandavam. Mas mesmo quando ela estava sob controle dos tratamentos, ela continuava, acho que ela adquiriu um certo prazer com isso através do tempo.
Depois que eu vim morar com meu pai ela começou a lutar com unhas e garras na justiça para ter minha guarda de volta, e eu não posso dizer que não queria. No começo. Eu era uma criança inocente que só queria o amor da mãe...
Depois de um tempo — e algumas pancadas — eu desisti dela. Pedi pra ela seguir o rumo da vida dela, e eu seguiria o meu. Mas ela não ouviu isso, criou hipóteses mirabolantes, acusou injustamente meu pai de estuprador — que fique bem claro que meu pai nunca tocou em nenhuma pessoa que não permitiu o toque —, e a briga na justiça rola até hoje.
Desde isso ela vem me fazendo visitas surpresas no portão da casa do meu pai (que também é minha casa). Eu falo com ela, e depois volto pro aconchego do meu quarto, mas dessa vez foi diferente.
Ela começou com um discurso homofóbico, que não era a primeira vez que eu havia o ouvido, e eu não me aguentei, disse para ela que eu era lésbica, e foi ai que ela começou a me ofender.
“Isso é uma doença!”
“Todos homossexuais são criminosos!”
“Isso é nojento!”
“Você não é lésbica!”
“Homossexualismo é uma escolha, é escolher ser um retardado mental!”
Claro, uma escolha, como não.
Eu escolhi gostar do meu primeiro beijo ter sido roubado por uma garota.
Eu escolhi me sentir no paraíso quando uma amiga me abraçou.
Eu escolhi cair no inferno quando essa mesma amiga me largou para abraçar o namorado dela.
Eu escolhi ter gostado daquele beijo que eu dei “só por curiosidade” naquela bi.
Eu escolhi ter chorado tanto porque eu queria lutar contra isso. Porque eu não queria aceitar quem eu era.
Eu escolhi ter sentido tanto nojo do beijo que eu dei em um garoto, por causa de verdade ou desafio.
Eu escolhi ver tanta gente se afastando de mim, apenas porque eu disse o que eu realmente sou.
Eu escolhi ter um segredo tão grande que eu preciso esconder da minha família.
Eu escolhi chorar no travesseiro toda noite por esconder isso.
Eu escolhi ouvir pessoas falando que eu só “não encontrei o homem certo”.
Eu escolhi ouvir essas coisas nojentas da minha própria mãe.
Se eu escolhi tudo isso mesmo, ela deve estar certa, eu devo ser uma retardada mental. Mas sabe o quê?
Eu não sou uma retardada mental. Porque eu não escolhi. Eu nasci assim.
E se tem algo errado com isso, então deveriam culpar a minha mãe, pois foi ela que me “fabricou”.
Mãe, eu não estou doente, eu nunca cometi um crime, eu sou tão nojenta quanto você — temos o mesmo sangue afinal —, eu sou lésbica e principalmente...
EU NÃO ESCOLHI!
Notas finais
Se verem algum erro, por favor avisem, eu revisei mas não tenho certeza se corrigi todos os erros.
Espero ver vocês nos comentários (e até nas MP's), comentando o que gostaram e o que não gostaram.
Obrigada por lerem.
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