Santuário Dos Condenados

4 Capítulo 4 FOGO & GELO...


Notas iniciais
Esse capítulo é dedicado à Ritsu que desejou e eu, humildemente, me rendi aos desejos dela e estou postando mais um capítulo. Amadinha, espero que gostes!!! Bjs supercarinhosos para as minhas amadas: Hannah Kiss, Aghata Marie, Angelique, Lucy Yuki, Mizue, DiteMask, Hinatailove, Misha Phalke, dddkcarolina e as lindinhas que favoritaram tb. Ah, obrigada a Boys Love por ter me mandado uma MP perguntando se podia divulgar a fic em outro fórum!

A rotina de trabalho na ala B continuava sem maiores mudanças. A vinda de um prisioneiro da ala da elite movimentava os assuntos nos corredores. Dégel ajudava na lavanderia, na limpeza e na cozinha. Acostumado a tarefas intelectuais, usava do mesmo método para realizar as quem eram braçais e isto tornava o serviço mais lento, mas não menos eficiente.

– Ei, Dégel! Tire as roupas da máquina e leve para passar! – gritou um homem atarracado e com cabelos grisalhos.

O médico tentou apressar-se, mas acabou tropeçando e derrubando a caixa cheia de roupas limpas. Havia muitas máquinas a desocupar e ele se sentia um tanto pressionado, já que demorava mais que os outros.

– Mais cuidado, doutorzinho. – disse uma voz fanhosa que foi acompanhada por um coro de risadas.

– Vai ver era o macho dele quem lavava as cuecas que ele usa e... o resto! – falou outro se aproximando e fazendo o gesto obsceno de tocar os genitais.

Dégel sentiu que as piadas eram somente um pano de fundo para o que viria a seguir. Continuou juntando as roupas, tentando não demonstrar a tensão em seu corpo. Mostrar medo seria pior. Como diziam os documentários, demonstrar medo na selva era ser presa fácil dos predadores!

– Quer uma ajudinha, aí? – perguntou um homem negro de cabeça raspada.

– Não, obrigado. – respondeu Dégel.

O homem deu de ombros e se afastou do grupo que continuava provocando. Eram homens que integravam a facção dos Demônios e que desde a deposição de seu chefe, agiam como hienas, ligando-se aqui e ali, sem grupo definido. Rondavam os que não tinham proteção com a intenção de intimidar e tirar algum proveito.

Kardia estava verificando a distribuição de drogas e percebeu de longe o que estava acontecendo. Franziu o cenho e bufou, mas logo o italiano se aproximou com um pacote discreto e lacrado.

– Parece que o seu companheiro nerd está tendo problemas. – provocou Máscara da Morte.

– Ele não é meu companheiro. Maldita hora em que colocaram ele na minha cela. – rosnou Kardia.

Máscara riu e entregou uma cápsula ao grego. Fazia parte do esquema ter uma amostra dos produtos a serem distribuídos e passá-los por um controle de qualidade.

– Essa é da boa... – disse o italiano.

Kardia encarou-o, depois abriu a cápsula e aproximou uma das metades do nariz. Inspirou e, em seguida, apertou as narinas para acentuar o efeito da droga. Sorriu, em seguida, ao sentir a excitação imediata de poder e bem-estar.

– Tu é foda italiano. Essa é da boa mesmo! – disse com as pupilas dilatadas.

Máscara da Morte sorriu e focou em Afrodite que conversava, amigavelmente, com Aldebaran. Passou a língua nos lábios ao lembrar a noite passada, quando o loiro dormia de bruços, evidenciando as nádegas arredondadas e as costas lisas... Desejava-o, mas o loiro mantinha-se distante e frio, impondo uma barreira que ele ainda não conseguira, sequer, abrir uma brecha.

Enquanto isso, as provocações direcionadas ao médico foram evoluindo para o constrangimento. O fanhoso colocou-se a frente de Dégel impedindo-o de passar. O cheiro de cigarro barato no hálito do homem, assim como o do suor ocre que se insinuava nas manchas presentes no uniforme chegando forte às narinas do médico.

– Com licença. – disse o médico, educadamente.

O coro de risadas se ampliou e um deles se aproximou das costas de Dégel, analisando a sua bunda.

– Não é tão redondinha quanto a do Misty, mas dá pro gasto! Um cu virgem prá variar... – murmurou o mais baixo do grupo.

– Quem sabe a gente curte esse momento, doutorzinho e aproveita prá se conhecer melhor?

Dégel gelou. Eram seis homens a sua volta com a explícita intenção de violentá-lo. Não era bem quisto por ali, todos tinham raiva e aversão aos que pertenciam à ala A. Sua mente pensava em um modo de reverter a situação, mas nada parecia satisfatório. Foi então que a voz grave do grego rompeu o ar interrompendo os seus pensamentos.

– Ei, vocês aí! Vão cuidar das suas vidas e deixem o cara em paz.

Os homens olharam para Kardia que exibia o torso musculoso sob a camiseta azul. Sabiam que agora ele era um dos chefões ali, mas como pertenciam ao grupo de Marte, sentiam certa aversão pelo homem que humilhara seu chefe.

– Qual é grego? Vai dizer que se importa com o doutorzinho... Esses nerds que vem da Cúpula do trovão precisam saber quem manda por aqui. Vamos só foder com ele um pouquinho. – disse o fanhoso se aproximando do médico e apertando-lhe a bunda, fazendo-o pular e recuar com um olhar raivoso.

Aproveitando a onda, os outros começaram a cercar Dégel, puxando-o pelo cabelo para cheirar-lhe os fios, as mãos bobas tentando agarrá-lo... O médico retesou o corpo, as mãos apertando com força a caixa que começava a balançar e deixando cair algumas peças de roupa.

Kardia se aproximou, abrindo o círculo feito ao redor de Dégel e ficando frente a frente com fanhoso, encarando-o bem dentro dos olhos e, em seguida, correndo a vista por cada um da roda.

– Sabe... Eu frequentei pouco a escola. Na verdade, quase nada! Aprendi a ler mal e parcamente! Eu queria ter aprendido a desenhar. Mas, já que eu não sei desenhar, tenho que mostrar, na prática prá gente burra que nem você! – disse Kardia pegando o homem pelo colarinho.

– Ei! Que tá fazendo?! – gritou o homem.

O grego posicionou a mão na nuca do fanhoso e empurrou-o até que batesse de cara na parede fria. O som surdo da testa se chocando com o concreto, junto com o sangue que espirrou do nariz causou um alvoroço no grupo. De imediato, Aldebaran e Máscara da Morte se juntaram à Kardia, mostrando que estavam do lado do grego e que não era prá ninguém se meter na conversa.

Kardia continuou pressionando a cabeça do homem com força, enquanto fanhoso gemia entre o sangue que jorrava do nariz e a saliva que escapava da boca. Em seguida, o grego aproximou-se do ouvido do outro e perguntou gritando:

– Entendeu agora o que eu mandei fazer, ou vou ter que continuar demonstrando?

– E-Entendi! E-Entendi! P-Por f-favor, m-me s-solte! – gritou o homem com a face amassada e o sangue escorrendo pelo nariz e lábios.

Dégel aproximou-se de Kardia, pedindo para que deixasse o homem em paz e encontrando um olhar agressivo sobre si.

– Por favor, ele já teve o suficiente. – disse o médico.

O grego bufou, deixando o fanhoso escorregar por entre suas mãos, até encolher-se no chão e, ofegante, levar a mão ao nariz e boca lacerados.

Vaza! – disse Kardia ao homem que saiu tropeçando no próprio sangue que pingava formando desenhos arredondados no piso.

Atordoado, Dégel olhou para a cesta de roupas. Kardia era um homem violento e controverso. Uns o idolatravam, outros odiavam. O fanhoso, certamente engrossaria a lista dos que o desejavam morto e ele, agora, tinha uma dívida de gratidão por ter sido livrado de um estupro coletivo. Sem saber o que dizer, olhou para o grego, notando que ele parecia furioso.

– Eu... Agradeço a sua intervenção, mas entenda que... como médico eu sou contra a violência. – disse sem desviar os olhos.

Kardia tinha vontade de mandar aquele nerd à puta que o pariu. Não bastasse ter que dividir a cela com ele e livrar-lhe o rabo, ainda tinha que vê-lo sentir piedade de um escroto que nem o fanhoso. E, prá completar o cenário, ouvir um discurso de merda contra a violência!

– To pouco me lixando prá sua opinião, doutor! Fica esperto e cuida desse seu rabo nerd, porque aqui não tem anjinho cantarolando a favor da vida e da paz! E a próxima vez que alguém te livrar de ser estuprado, fica calado! Demonstrar piedade por aqui é passar atestado de otário e ser fodido à rodo!– vociferou o grego tocando o ombro de Dégel com o dedo indicador e dando as costas, logo em seguida.

Dégel sentiu a agressividade de Kardia, mas não baixou a cabeça ou desviou o olhar. Aquele grego mal-educado não havia entendido que ele estava grato, porém não gostava de ver alguém ser espancado daquela maneira, mesmo que merecesse. Pensou em falar algo, mas desistiu. Pegou a cesta de roupas e retomou seu caminho até o setor onde prensas de vapor deixariam as roupas passadas e esticadas.

– Maldita hora em que trouxeram você pra cá! – disse Misty interrompendo a passagem de Dégel.

– Não pedi para vir, somos todos prisioneiros. – disse o médico com toda a serenidade que conseguia demonstrar.

– Você se acha superior, isso sim! É bem do seu tipinho achar que todo mundo aqui é um animal selvagem, enquanto você é um exemplo de dignidade... Acorda, Alice, você não tá mais no seu país das maravilhas e agradeça por Kardia ter salvado essa sua bunda sem graça! Aliás, nem sei por que ele se deu ao trabalho.

– Com licença, por favor. – falou Dégel sem retrucar a fala de Misty.

Hunf! – bufou o loiro. Depois, olhou com desdém para o médico e retomou seu caminho.

Há alguns metros dali, Aldebaran se aproximou do grego e falou algo baixo, fazendo-o suspirar e retomar os negócios. Máscara se despediu dos dois e olhou para Misty que vinha rebolando daquele jeito.

– Quer dar uma viajada, loiro? – perguntou o italiano.

– Depende... o que tem prá mim? – falou Misty mordendo o indicador e olhando Máscara de cima a baixo. Esse é outro que deve ter um pau que valha a pena conferir... Pensou, enquanto analisava o físico do cliente em potencial.

– Tenho isso e... mais isso. – respondeu Máscara mostrando uma pílula de ecstasy e descendo o olhar para o seu membro.

Misty sorriu e moveu os cílios de modo sugestivo.

– Vem comigo... – murmurou ele e logo os dois sumiram em direção ao armário onde eram guardados os produtos de limpeza e ainda sobrava um espaço especial para realizar os negócios.

Afrodite conversava com Flégias, quando percebeu a movimentação de Misty e Máscara da Morte. Fez cara de desinteresse e voltou sua atenção para o guarda que sorria como um bobo, enquanto ele falava.

Dono de um encanto próprio, Afrodite manipulava quem queria a seu bel-prazer. Havia sido preso sob a acusação de prostituição e assassinato, mas a verdade é que nunca vendera o corpo. Seu crime? Ser um falsificador e dos melhores. Seu erro? Envolver-se com a pessoa errada, alguém com poder suficiente para escapar das consequências de um golpe grandioso e ainda incriminá-lo pela morte do investigador por quem se apaixonara e decidira, tarde demais, deixar a vida de crimes. As falsas acusações foram tão perfeitamente engendradas que ele acabou ali, em uma prisão de segurança máxima. No entanto, assim como possuía habilidade para falsificar, também sabia seduzir, fosse com seu corpo ou com sua inteligência. E ali, essa capacidade era o seu passaporte para a sobrevivência.

– E então? Posso ir vê-lo esta noite? – perguntou o guarda, esperançoso.

– Essa mudança de cela... ainda estou tendo que me adaptar, você sabe como é... – disse Afrodite arrumando a gola do uniforme de Flégias.

– Sim, eu sei. Foram ordens de cima. Mas, eu espero que logo tudo volte ao normal.

– Assim espero... Não vejo a hora de estarmos juntos. – sussurrou o loiro.

Flégias ficou vermelho e excitado mas, logo em seguida, outro guarda chamou a sua atenção aos berros:

Briga no pátio!

O guarda revirou os olhos e dirigiu-se para o local. Ao chegar, viu dois homens se engalfinhando em meio a um pequeno grupo e logo, um deles caiu segurando o ventre.

A guarda que ficava nas torres de observação posicionou as armas de forma ostensiva, o som agudo da sirene cortou o ar e o restante dos presos, de imediato caiu de joelhos colocando as mãos na cabeça. Um só movimento podia ser fatal e todos sabiam disso.

– Lock down! Todo mundo quieto no chão e daqui prá cela! – gritaram os guardas empunhando fuzis que mais pareciam armamento de guerra.

O agressor jogou fora, o objeto que usara, um chuço, objeto perfurante feito de forma artesanal, e elevou os braços para depois encostá-los na nuca. No chão, o agredido tinha o rosto crispado pela dor e logo sua camiseta tingiu-se de sangue vivo.

– Tirem ele daqui! – gritou Flégias e notou que Caronte o observava atentamente, como se estivesse testando-o.

Com um sorriso de escárnio nos lábios, o agressor viu o homem ser carregado em uma maca e logo foi encaminhado para a sala de meditação, o apelido carinhoso dado à solitária que fora concebida para dar ao infrator a chance de reavaliar seus atos.

A solitária consistia em um ambiente totalmente branco, sem janelas ou qualquer outro orifício aparente. O preso ficava nu, com temperatura ambiente fria e em jejum por 72 horas.

Quando a porta de fechava, o cubículo branco era invadido por uma luz intensa e permanente junto com uma música instrumental monótona, que mais parecia o som de asas de inseto vinda de pequenas caixas de som embutidas em lugares estratégicos. Ali, sob o branco, a luz e o som constante, não havia chance de descanso ou sono e perdia-se o senso da hora ou do dia, tornando a permanência ali insuportável e quase enlouquecedora. Muitos gritavam e imploravam por castigos físicos, até. Era essa a ideia, mostrar que, havia coisa pior que a violência física.

– Levante-se! – disse Flégias para o agressor e logo Caronte se aproximou dos dois.

– Eu levo ele. – disse Caronte.

Marte encarou-o bem dentro dos olhos, com a expressão insana e predatória que o caracterizava e depois, obedeceu. Quando Flégias perguntou ao outro guarda sobre o preso ferido e recebeu, como resposta, uma negativa feita com a cabeça, o ex-líder dos Demônios sorriu, novamente e disse baixinho:

– Menos um otário! Todos aqueles que me traíram, terão a sua vez e, depois, vai ser a vez daquele grego maldito...

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Já era metade da tarde e Hasgard estava na penumbra do galpão cheio de mercadorias. Repassou todos os passos da entrega num tom severo. Aspros e Defteros haviam sido chamados a atenção algumas vezes e agora ouviam com atenção, embora mantivessem a expressão zombeteira nos rostos jovens.

– Não pode haver erro. Kardia não está aqui, mas temos de agir como se ele estivesse! Fui claro?

Um coro de “sim!” ecoou pelo galpão e Hasgard recostou-se na parede fria, pensando em como estaria o grego. Somente ele sabia do problema que Kardia enfrentava e guardava para si, como um segredo inviolável. Respirou fundo e rezou para que ele ficasse forte e bem na prisão. De sua parte, ele cuidaria da Cozinha do Inferno, não importando se fossem negócios ou, até mesmo das pessoas. Kardia fizera questão de deixá-lo livre para isso e ele honraria a confiança do chefe e amigo.

–Mais alguma coisa, depois da entrega? – perguntou Aspros.

– Não. Podem ir festejar, mas com moderação. – disse Hasgard.

– Falou, Red Bull! – disse o jovem e, virando-se para o irmão que estava ao seu lado, o beijou na boca. Não era um beijo tímido ou um selinho de boa sorte... Aspros beijou Defteros profundamente, invadindo-lhe os lábios e forçando a boca com a língua.

– Ei! Façam isso no privado! Não quero ver homem se comendo na minha frente. – falou Hasgard.

Aspros riu e Defteros também. Os dois partiram junto com a carga e logo o galpão mergulhou na escuridão e silêncio total. Hasgard olhou para o céu claro e, apesar de saber-se inserido em uma vida criminosa, pediu a Deus que se, não pudesse ajudá-lo, ao menos permitisse que pudesse continuar a manter tudo em ordem por ali.

Na delegacia, a informação da entrega de contrabando havia chegado tarde demais, deixando Aioros furioso. Desde que prendera o grego, os informantes que tinha ao seu dispor não lhe traziam nada que pudesse usar para desbaratar o grupo que agora, estava sob os cuidados do tal Red Bull. Parecia que, mesmo preso e bem longe, Kardia conseguia manter a unidade de sua gangue tão bem como se continuasse presente.

Porra! Já é a segunda vez que recebo informações desencontradas! – gritou o inspetor. – O destacamento de ontem não encontrou nada! Foi somente perda de tempo!

– Calma, Chefe, a gente chega lá. – falou Kanon puxando um maço de cigarros.

Aioros bebeu mais uma xícara de café forte e olhou para o investigador. Kanon era seu cunhado e amigo de longa data. Com ele podia extravasar a frustração que se acumulava em torno do caso. Entretanto, havia mais um fator que o estava incomodando e se referia à Camus, parceiro e amigo que também passava por um momento difícil.

– Camus chega daqui a pouco. Eu nem sei como ele está depois de tudo que aconteceu no momento em que ele estava fora e envolvido em um caso que o impediu de estar ao lado de seu irmão. – falou Aioros com um suspiro profundo e cansado.

– O francês é duro na queda. Ele vai vir aqui com aquela expressão que nós já conhecemos e vai tratar do assunto de forma profissional, afinal nada podia ser feito. Ele foi promovido e logo alocado para aquele caso na Rússia, não tinha como ele largar a missão em andamento e ele sabia disso.

– Você se engana com ele, Kanon. Camus é racional, é frio, mas em se tratando da família, não é bem assim. Dégel era um exemplo. Apesar de os dois serem irmãos de criação, Camus sempre admirou o irmão caçula.

– Até agora eu não entendi o porquê de Dégel ter sido levado para uma prisão de segurança máxima. – disse Kanon acendendo um cigarro.

– Alguém mexeu os pauzinhos para isso. Dizem que o diretor de lá é um pesquisador e faz questão de ter esse tipo de prisioneiro sob o seu teto. Ainda mais com a sentença que Dégel pegou.

– Vinte e oito anos por ter desligado uns aparelhos de uma mulher que já tava semimorta! Puta que pariu! Essa sentença também foi foda. Tem neguinho por aí cometendo crime hediondo e saindo em dez ou quinze anos, no máximo.

– A justiça nem sempre enxerga com clareza. – disse Aioros quando avistou um ruivo adentrar a delegacia em um traje elegante e em nada se parecendo com um policial.

Camus havia desembarcado há algumas horas e fora direto para a delegacia. Saber da prisão de seu irmão, enquanto estava fora havia sido um choque, porém nada mais podia ser feito no momento e ele absorveu o impacto para tratar do assunto mais tarde. Entretanto, mesmo longe buscou inteirar-se do caso e agora queria mais detalhes, apesar do cansaço que a mudança de fuso horário causava em seu organismo.

– Camus! – disse Aioros se levantando para apertar-lhe a mão.

– Aioros, Kanon. – falou o ruivo de forma educada e contida, retirando os óculos escuros.

– Não me diga que desembarcou no aeroporto e veio direto! Você deve estar no bagaço, homem! Deseja um café?

– Obrigado, Aioros, eu estou bem. O que eu desejo é ser inteirado de todos os pormenores do caso que envolve Dégel. Quem foi o juiz que julgou o caso?

Aioros ficou alguns segundos um tanto pasmo, enquanto Kanon mantinha uma expressão de “eu não disse?” no belo rosto.

– Foi Radamanthys, o homem das penas máximas. Eu guardei uma pasta para você com todos os detalhes do caso. Aqui está.

Camus franziu o cenho, depois pegou a pasta preta das mãos do inspetor e sentou-se na poltrona ao lado de Kanon. Leu com atenção cada documento e, ao término de tudo, olhou para Aioros e suspirou, apertando o canto interno dos olhos, o único sinal de cansaço que demonstrou.

– Prisão Federal Experimental na Ilha de Hornos. O que mais sabemos sobre esse lugar que não consta nestes documentos?

– Nada muito além. Esse projeto é algo recente e fica no fim do mundo. – respondeu Aioros.

– Chefe! Dohko soube que Camus chegou e enviou isso aqui. – disse Seiya com um brilho nos olhos escuros.

– O que é isso? – perguntou Aioros.

– Não sei, ele apenas me mandou trazer! Disse que era importante.

– E porque essa cara de quem sabe de algo que eu não sei?

Um sorriso cúmplice formou-se nos lábios do jovem policial.

– Sem querer... querendo, eu ouvi um pouco de uma conversa entre Dohko e dois agentes da Interpol. Parece que eles estão investigando o fato de vários médicos e cientistas estarem sendo mandados prá essa nova prisão que vocês comentavam.

Aioros pegou a pasta e logo, Kanon e Camus se juntaram a ele. O conteúdo mostrava fotos, arquivos de sentenças e algumas curiosidades sobre as inovações do sistema prisional. Após alguns minutos de análise, os três discutiam algumas considerações sobre o documento quando Dohko surgiu na porta.

– Vi que já estão inteirados do material que eu enviei.

– Sim, estamos. Existe mais alguma coisa que precisamos saber? – perguntou Aioros.

– A Interpol está investigando junto com a comissão de Direitos humanos uma denúncia inusitada do uso do ambiente prisional para testar medicamentos e mais alguns pequenos horrores.

– Isso se parece com um filme que eu vi... – murmurou Kanon.

Dohko olhou para o policial que parecia fazer um esforço para lembrar-se de algo importante.

– Pois bem, filmes à parte, Kanon, a questão é que, estamos lidando com a possibilidade de algo bem real estar acontecendo com quem enviamos para esta prisão. E já alerto que me parece ser algo bem sério.

– O Jardineiro Fiel! É esse o filme! – falou Kanon entusiasmado sob o olhar sério e grave de Camus.

– Para este assunto chegar até nós, é óbvio que eles buscam uma colaboração. – disse Camus.

– Sim, a Interpol, diferente da CIA e do FBI prefere se utilizar de outros colaboradores que não sejam, somente, agentes usados em casos de espionagem. Eles souberam dos nossos esforços para desbaratar as gangues na Cozinha do Inferno e propuseram que enviemos dois dos nossos como infiltrados.

– E quem seriam eles? – perguntou Aioros.

– Um deles eu já selecionei, é um policial com experiência em infiltração, acostumado à linguagem e ambiente das ruas. Sem falar na sua habilidade de lidar com o inusitado e nunca recuar frente ao perigo. O outro está aqui mesmo. – disse Dohko tocando o ombro de Kanon.

– Eu? – perguntou o loiro.

– Sim, você. Seus antecedentes como universitário oportunizaram criar um perfil condizente para um criminoso da alta roda. Ainda guarda seu diploma de Biólogo Marinho no módulo EAD?

– Claro!

– Ótimo.

– E o meu companheiro, quem vai ser? — perguntou Kanon entusiasmado.

– O policial Milo.

– Beleza! Eu e Milo já resolvemos muitas paradas juntos.

Ao ouvir aquele nome, Camus empalideceu e, ao contrário do esperado, manifestou-se num ímpeto um tanto inusitado.

– Não creio que Milo seja uma escolha adequada, nesse momento. Ele acabou de passar por um momento delicado, não acho que esteja apto a vivenciar uma situação de risco como essa. – disse o ruivo.

Antes que Dohko respondesse, um homem loiro adentrou a sala e sua voz firme se fez ouvir.

– Creio que quem deve dizer se eu estou apto ou não, sou eu e não você, francês.

O olhar do ruivo conectou-se de imediato com o do loiro em uma medição de forças que deixou um rastro invisível de tensão eletrificada no ar. Milo se mostrava agressivo e irredutível, Camus sabia e não podia culpá-lo por isso. Havia uma situação mal- resolvida entre eles e ali, não seria o fórum apropriado para discuti-la. No entanto, a despeito do temperamento forte de ambos, foi Camus quem recuou.

– Você está certo, Milo. Estou cansado, peço que me perdoem. Amanhã cedo estarei de volta. – disse o ruivo deixando a sala.

Kanon, Aioros e Dohko pigarrearam sem entender direito o que se passava ali. Ignorando a saída de Camus e os olhares interrogativos, Milo voltou-se para os três com uma expressão maliciosa nos olhos azuis e perguntou:

– Então, quando começamos a jogar?

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A noite chegou à Ilha de Hornos com uma brisa fria. Após a briga que terminara em morte, a ala B continuava em regime de lock down. As refeições estavam sendo feitas nas celas e havia um murmúrio correndo pelos corredores vazios.

Kardia estava sério e andava pela cela como um animal enjaulado. De vez em quando, ele olhava através das grades para ver se Flégias estava nas redondezas. Dali alguns minutos o guarda surgiu anunciando que as luzes seriam apagadas quando a sirene soasse. Vaias e gritos de “Oh, não!” reverberaram pelos corredores e a guarda ordenou que todos fizessem silêncio ou iriam ficar trancados na cela por mais tempo.

– Aquele filho da puta aprontou comigo. Ele já foi prá solitária? – perguntou Kardia quando Flégias passou em frente a sua cela.

–Sim, agora ele só sai após 72 horas. – falou o guarda em tom baixo.

– Beleza. – disse Kardia.

O grego estreitou os olhos e sorriu. Ah, eu queria mesmo ter aprendido a desenhar... Mas, confesso que demonstrar é bem mais divertido.

Dégel que até então permanecera na parte de cima do beliche com seus livros e anotações, resolveu arriscar e iniciar uma conversa.

– O homem que morreu, era alguém das suas relações? – perguntou o médico.

Kardia franziu o cenho.

– Tá falando comigo?

– Bem, só estamos nós dois aqui. – disse Dégel olhando para os lados.

– O Rato não era das minhas relações pessoais. Ele era meu avião. – respondeu Kardia de má vontade.

Dégel estreitou os olhos e ajeitou os óculos. Avião? Isso deve ser gíria ou um código...

Antes que o médico perguntasse, o grego continuou:

– Ele era meu intermediador com o lance das drogas. Agora vou ter que achar outro com o mesmo poder de infiltração que ele e não vai ser muito fácil.

– Ah. – disse Dégel e, de repente, não soube mais como conduzir aquela conversa.

– Marte fez o serviço, mas não vai ficar assim! – disse Kardia colocando as mãos nas grades.

A fala de Kardia fez Dégel relembrar o caso com o fanhoso. Ainda estava nítida em sua retina a imagem do homem sendo levado, violentamente, de encontro à parede de concreto e a explosão em sangue, suor e saliva.

– Você não está pensando em...

– Pensando? E desde quando eu perco tempo pensando? Prá mim, bateu, levou! Vou fazer daquele pau no cu um exemplo. Se ele ou os que andam com ele acham que eu vou deixar barato, vão saber na base da demonstração que, mexeu com um dos meus, mexeu comigo.

– Me parece que nada que eu diga vai demovê-lo dessa ideia absurda, não é mesmo? Sei que estamos em uma prisão, mas tratar da violência com mais violência é caminhar direto para a destruição. Veja bem...

Kardia fez um gesto de: não to nem aí e olhou bem dentro dos olhos de Dégel, depois tirou a camiseta, revelando um torso musculoso, com uma tatuagem tribal no braço direito e outra nas costas que consistia em um grande escorpião negro que começava na altura das omoplatas e terminava junto a uma cicatriz na linha dorsal, herança de uma briga com facas. Lentamente, ele foi tirando a calça e ficando apenas de cueca, evidenciando as coxas torneadas e o volume entre as pernas.

Em silêncio e sob o olhar constrangido do médico, ele deitou na cama de baixo, colocou o braço sobre o rosto e falou com a voz rouca, causando uma sensação estranha em Dégel:

– Nunca pensei que diria isso, mas... que falta me faz o Misty! Me faz um favor, doutor nerd, fica de boca calada e não diz merda! Quando vai perceber que aqui não é a Disney e que ninguém vem prá cá para se divertir? Fala sério!

A estranha sensação deu passagem para a ofensa e Dégel ficou incomodado, mas preferiu, mais uma vez, ficar calado. Não havia nenhuma possibilidade de diálogo com aquele homem.

Paciência, eu tenho os meus livros e posso muito bem conviver com a solidão. Pensou ele, enquanto ignorava o grego e voltava a ler mais uma obra sobre nanotecnologia aplicada à cura do câncer linfático.

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Camus chegou ao apartamento, encontrando tudo em ordem como ele deixara. A janela que mostrava uma bela vista estava aberta e havia um bilhete sobre a estante.

“Sr. Camus, deixei a janela aberta para arejar um pouco. Tem comida congelada na geladeira, uma garrafa de vinho e duas cervejas. Bom retorno.” Jane.

A senhora Jane, que cuidava da limpeza semanal, era uma mulher na faixa dos 56 anos, bem disposta e com ar maternal. Ela sempre se ocupava de tudo na sua ausência.

Ele leu o bilhete e dirigiu-se para o banheiro. Precisava de um banho e também recuperar-se da enxurrada de informações que tivera acesso. Sentia-se culpado por não ter estado ao lado do irmão e agora pensava no que poderia ser feito. No entanto, a notícia recente de usar policiais infiltrados tomava a maior parte da sua atenção e preocupação. O motivo: Milo.

Entrou embaixo do chuveiro, a ducha forte de água fria castigou sua pele alva, traçando caminhos tortuosos pelos ombros, músculos e costas, até deslizar pelas nádegas e então terminar nos pés. Esfregou-se até sentir o cansaço esvair-se com a água espiralando pelo ralo. Quando terminou, sentiu a reação do corpo ao banho frio, sua pele esquentou e o fato o deixou mais atento e descansado para continuar a ler os documentos que Aioros lhe entregara.

Enxugou os cabelos, agora curtos, vestiu um roupão e foi até a cozinha, encontrando o vinho e uma taça sobre o balcão de granito com mais um bilhete.

“Sr. Camus, sei que o senhor prefere vinho tinto, mas meu marido disse que este vinho branco Pinot Blanc Réserve 2013 é excelente para o senhor que costuma gostar de comidas frias. Deixei uma sopa com picles e cogumelos para que jante desfrutando de um bom vinho.”

Jane.

Camus se permitiu sorrir ao ler o segundo bilhete. A senhora Jane sabia como tratá-lo e tinha o costume de espalhar bilhetes por tudo. Ao pegar a garrafa de vinho, havia, ainda, um terceiro bilhete:

O senhor Milo ligou duas vezes enquanto o senhor esteve fora. Eu atendi as duas vezes, mas a única informação que eu tinha é que o senhor tinha viajado. Ele me pareceu bastante decepcionado. Eu disse que daria o recado e estou dando. Por favor, ligue para ele.”

Jane.

O sorriso morreu em seus lábios ao ler aquelas palavras. Lembrou-se do olhar furioso de Milo caindo sobre si como um raio, horas atrás e com razão. Não agira bem com o grego e fizera por merecer a recepção que ele lhe dera. Ah, Milo... Se você soubesse o quanto eu sinto.

Abriu a garrafa de vinho, colocou-o na taça e sorveu um longo gole. O sabor frutuoso espalhou-se por sua boca e ele fechou os olhos lembrando a última noite antes de embarcar naquela missão...

Milo havia retornado de uma missão bem-sucedida. O cartel de drogas formado pelos chineses e coreanos havia sido dissolvido com a prisão de Li Kung, um dos braços fortes da Tríade e Te Je Kwon, filho mais velho de um general da Coréia do Norte e responsável pelas armas vendidas ao cartel.

Tudo saíra como o planejado, menos o fato de Milo ter vivenciado o uso de drogas pesadas durante o disfarce. O vício em heroína, ópio e anfetamina transformou a vida do grego em um inferno depois que ele voltara e ingressara num programa de desintoxicação. A síndrome de abstinência fazia com que ele sentisse dores atrozes e vê-lo naquele estado deixara Camus arrasado, embora não demonstrasse e continuasse ao lado do amigo, apoiando-o e ficando com ele todas as vezes que ele implorava por mais uma picada, dose ou pílula.

Ainda estava vívido em sua memória a noite em que Milo estava em desespero e para sanar-lhe a dor, ele cedera ao desejo e o levara para a cama, buscando no sexo uma forma de dizer ao grego que ia ficar tudo bem. Depois daquela noite, ele o deixara e embarcara para voltar, somente agora. Palavras não ditas e a sua ausência haviam criado um clima tenso entre ele e Milo. Acima de tudo, eram amigos e admitir que o amava estava sendo um árduo desafio.

O vinho era bom mesmo, mas ainda assim, Camus continuava inquieto. Nunca fora covarde e ter agido dessa forma com Milo lhe era mais doloroso que, talvez descobrir jamais ter uma chance de um relacionamento profundo com o grego. Tinha que tentar, tinha que saber... Bebeu o último gole da taça e rumou para o quarto.

Chega de palavras não ditas. Hoje, essa situação se resolve ou acaba de vez! Pensou ele, enquanto buscava uma roupa para vestir.

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Era de madrugada e Dégel não conseguia dormir. Muitas emoções haviam sido vivenciadas durante o dia e ele se perguntava como sobreviver a tudo e ainda manter a sanidade e os seus ideais. Fechou os olhos e, de repente, ouviu um grunhido rouco na cama de baixo. Pensou em não olhar, pois talvez fosse algo que não quisesse presenciar. Vá que o grego estivesse fazendo “aquilo”.

No entanto, notou que Kardia parecia estar, cada vez mais ofegante como quem está com dificuldade para respirar... Então, se deixou levar pela curiosidade e o viu com os olhos arregalados e uma expressão de quem estava se engasgando. Pulou, rapidamente, do beliche e aproximou-se do grego, tentando ver a expressão dele na fraca luminosidade que vinha do final do corredor.

– Você tem asma ou algo do gênero? – perguntou vendo que Kardia ofegava.

– N-Não!... M-Me d-deixe... – disse o grego com dificuldade.

Foi então que Dégel percebeu que não era nenhum bronco espasmo. Ele franziu o cenho, reconhecendo os sintomas de problema cardíaco e aproximou-se mesmo contra a vontade do grego, tocando-lhe o peito.

– Deite-se! – ordenou ele e Kardia, talvez por estar se sentindo mal, obedeceu.

Em seguida, Dégel pegou o pulso do grego e ficou sério, fazendo uma contagem mental e sentindo a pulsação. Mais de 120 batidas por minuto...

– Você está tendo uma arritmia. Respire fundo e devagar. – ordenou ele.

– N-Não... c-consigo... – gemeu Kardia.

– Olhe prá mim e foque nos meus olhos. Sinta a minha mão em seu peito e tente soltar o ar, devagarinho, o mais que puder. Você precisa relaxar ou daqui a pouco começará a hiperventilar e vai desmaiar.

Kardia olhou nos olhos do médico, embora não conseguisse visualizar nada muito bem. Seu coração estava disparado e aquela opressão, sua velha conhecida parecia esmagar seu peito, impedindo-o de respirar.

– Vamos... sinta a minha mão e agora respire devagar. Eu vou contar um... dois... três... Solte o ar, agora. De novo, um... dois... três... solte o ar e inspire, bem devagar, centrando na minha mão em seu peito e tornando sua respiração mais e mais profunda.

A mão de Dégel era fria e sua voz firme e calma. Kardia sentia-se quente, quase em chamas como se estivesse com febre, mas ao fixar-se na pressão da mão do médico, ele foi relaxando e, aos poucos, foi normalizando sua respiração e a frequência cardíaca foi voltando ao normal, embora ele ainda se mostrasse alterado. No entanto, o pior já tinha passado.

O médico permaneceu com a mão no peito nu, o calor da pele do grego se espalhando entre seus dedos e palma da mão... Por um momento, ele analisou aquele rosto belo e agressivo e experimentando um poder inusitado, junto de um sentimento terno e esquisito...

– Sente-se melhor? – perguntou ele, ainda com a mão sobre o peito de Kardia.

– Sim... Eu...

– Você sente isso com frequência?

– Muito raramente. – mentiu Kardia.

Dégel encarou-o com um olhar de “você pensa que me engana”, depois retirou a mão. Kardia sentiu um estranho desconforto quando ele o fez e, sem pensar, pegou a mão do médico, trazendo-a, novamente para o seu peito.

– Sua mão é fria, mas me faz bem. – disse ele.

– Creio que o Misty pode me substituir nessa tarefa, afinal, não era dele que você estava sentindo falta? Creio que agora estamos quites, grego. – devolveu Dégel, sentindo um prazer inédito em dizer aquilo e uma estranheza ao sentir-se aliviado por ter tido a coragem de dizê-lo.

Pela primeira vez, Kardia sorriu para o médico de forma franca e desarmada.

– Misty colocaria a mão em outra parte do meu corpo e você tem razão, estamos quites.

Com o rosto corado, Dégel não respondeu, apenas voltou para a sua cama e fechou os olhos. Ainda sentia o calor do corpo do grego na palma da mão e também o pulsar do coração dele, como se as duas coisas estivessem impregnadas em seu corpo e o fizessem acessar a um tipo de emoção desconhecida e intensa que ele jamais vivenciara em seus 24 anos.

Embaixo dele, Kardia suspirou e, deu-se conta que o toque da mão do médico lhe trouxera um bem-estar que ele não vivenciava há muito tempo...

Merda, era só o que me faltava! Murmurou para si mesmo, enquanto as lembranças de um tempo bom invadiam sua mente, junto com a escuridão do sono...

Vô, Vó... Eu ainda vou me encontrar com vocês, mas não agora... Ainda tenho umas coisinhas prá fazer nessa vida fodida.

Notas finais
***Agradecimentos especiais a todos que leem, comentam, favoritam, recomendam, silenciam, enfim todo o carinho é bem-vindo!
*** Minha resposta aos reviews está atrasada, mas eu responderei,certo?
*** Próximo capítulo:
A relação entre Kardia e Dégel toma outros rumos,
e o restante do povo começa a se "acertar também", se é que vocês me entendem... * risos
Bjs a todos!!! XD