Santa's On His Way

1 01 | Léone + Serena ☆ Problemas com cozinheiros.


Notas iniciais
BOYA!

Meu Deus, eu não tinha percebido que tava com tanta saudade da SRK até agora, SÉRIO BICHO. É um projeto antigo meu que é muito querido e ARRRRRR....... Enfim. Caso você seja novo por aqui e nunca tenha ouvido sobre Regne, fico muitíssimo feliz em te explicar qualquer coisa que queria saber. E, inclusive, oi! Seja bem vindo! o/

Anyways, essa one aqui eu dedico pra Rapha. Raphita, eu te amo muito ♥ Você é uma amiga maravilhosa que merece o mundo todinho. É isso. Beijos, beijos. Espero que goste sz

Eventualmente, um ano chega ao fim, o que significa a chegada de dezembro. E dezembro também traz um significado único e grande para qualquer pessoa em todo planeta: com dezembro, inevitalmente há a chegada do natal. Se você perguntar para qualquer alma viva na Terra qual a primeira coisa que ela associa a dezembro, provavelmente será o clima natalino e tudo que está intriscamente relacionado ao grandioso e tão bondoso Papai Noel. Para Léone, dezembro significava enlouquecer com os preparativos do baile de gala da Beneventti Enterprise — o que, querendo ou não, meio que conta na segunda opção de coisas instriscamente relacionadas ao tão grandioso e bondoso Papai Noel.

O baile de gala ocorria anualmente, no Castello Ruspoli, uma semana antes do dia 25 de Dezembro. Os convidados, normalmente, eram figuras públicas, políticos, empresários e a imprensa — todo um nicho importante da elite italiana. O objetivo principal do baile era arrecadar fundos para distribuir brinquedos em diversos orfanatos na Itália, além de, obviamente, trazer um pouco de atenção para a Beneventti Enterprise.

Este ano, pela primeira vez, Léone era a responsável única pela organização da festa. Nos anos anteriores, a Beneventti prestava um pequeno auxílio para o pai, que de fato era o planejador. Em geral, Léone preocupava-se com pequenos detalhes, como um olhar substancial na lista de convidados, na ordem de músicas tocadas pela orquestra ou nos nomes dos principais orfanatos que receberiam as doações filantropas.

Agora, a Beneventti não tinha apenas os principais detalhes para organizar — os mínimos detalhes também estavam em sua mão. Seu pai tinha lhe dado aquele voto de confiança, entregando todo um evento em suas mãos italianas bem delicadas — e, bem, seu pai não estava tão errado assim. Era provavelmente um passo grande demais — aliás, a imprensa sempre espera qualquer erro mínimo para te jogar aos tubarões famintos -, mas Léone — e seu pai — sabiam que ela era mais do que capaz de realizar esse feito. Se houvesse alguém na família Beneventi que poderia fazer esse baile ser, positivamente, um dos melhores eventos natalinos em toda Itália, era Léone.

Bem, as coisas seriam mais fáceis se o problema isolado fosse a capacidade de Léone. Mas não era e estava longe de ser.

Maioria das coisas já estavam organizadas desde outubro. Léone era uma pessoa muitíssimo responsável, que tinha conhecimento de sua agenda e desconhecia a palavra procrastinar; o evento com um porte do baile de gala Beneventi não era uma brincadeira de quintal e todo e qualquer detalhe deveria estar pronto com antecedência, evitando erros drásticos que não poderiam ser resolvidos em cima da hora. Também, Léone devia se preocupar com suas notas e mantê-las estáveis — o que significa o mais altas possíveis — se quisesse uma vaga em Yale no próximo ano; acumular ocupações em sua mente só resultaria em um caos absoluto que afetaria e muito seu futuro. Nah, Léone é melhor que isso.

Portanto, em dezembro, Léone precisaria, somente, reforçar e fazer uma vista grossa superficial nos preparativos para a festa. Touché. Simples, prático e, basicamente, um plano perfeito.

Todavia, por mais que se esforce e tente traçar um plano perfeito, aparentemente o destino adora colocar um pé na sua frente para que você possa cair da forma mais estrondosa e chamativa em um chão coberto por poeira e pedrinhas. E para a má sorte de Léone, o destino é imprevisível o suficiente para fazê-la enlouquecer exatamente no dia 10 de Dezembro, pouco antes do baile de gala, às 23 horas da noite, e com uma bela reunião do clube de debate no dia seguinte, com foco em debater as estratégias do clube no próximo duelo com Rosenberg, um tipo de colégio rival antigo do Regne — aquele tipo de rival bom no que faz, que te deixa morrendo de vontade de estrangulá-lo até a morte por se pensar no direito de ter alguma chance de te empurrar do primeiro lugar.

E qual o bendito nome desse pézinho do destino? Bem. Covid-19. (O que, em verdade, constava como um puta pé grande do destino, mas ok. Tudo bem.)

A equipe do buffet contratada por Léone, que constava desde os chefs de cozinha até os garçons e já trabalhava para seu pai por anos e anos, estavam em uma quarentena obrigatória, tendo em vista que um funcionário, que esteve em contato com o resto da equipe, testou positivo para a Covid-19 quando foi basicamente internado a força no Hospital após uma crise de febre alta. Era um antivacina, que se negou a receber as doses da vacina contra a Covid — acabou por pegar a doença, em pleno 2021, depois de algumas noitadas. Infectou boa parte dos colegas de trabalho, o que levou a toda equipe entrar de quarentena — isto é, não estavam disponíveis para o dia do baile... E essa bomba caiu nos braços de Léone hoje.

Léone estava quase indo dormir quando recebeu a notícia e seu ódio — não pela equipe; eles não tinham culpa. O antivacina sim tinha toda culpa — não lhe permitiu ignorar a nova informação, voltar a dormir e lidar com o problema no dia seguinte. Pelos anos de confiança nessa equipe em específico, Léone não havia preparado um plano B efetivo para o cardápio e a cozinha do evento e, agora, a italiana via seu erro com tamanha grandiosidade que sentia o ódio voltar para si mesma por tamanha ingenuidade.

A Beneventi estava, agora, na mesinha de estudos do seu quarto, ocupada com um notebook e um amontoado de folhas e intensamente preocupada com a nova crise que teria que solucionar em poucos dias, além dos novos afazeres urgentes para realizar. Teria que pesquisar um bom chef que já tivesse contato com algum evento grande que movimentasse a elite italiana; depois, teria que rezar para que esse chef, milagrosamente, tivesse espaço na agenda; ainda teria que pensar em um cardápio com base nas especialidades do chef e implorar para que Antonella a liberasse para que viajasse até a Itália, experimentar todas as opções do cardápio e modificar o que não estivesse bom o suficiente para o baile. Por fim, teria que rezar para que tudo saísse bem o suficiente, mesmo improvisado, para que a imprensa não lhe comesse viva e seu pai não fosse intensamente criticado em uma página de fofocas.

A Beneventi sentia raiva o suficiente para amaldiçoar até a décima quinta geração de todos antivacinas em todo globo quando sua porta repentinamente abriu, sem o menor cuidado para evitar o barulho da maçaneta batendo na parede. Uma luz forte e amarelada, vinda do corredor, atingiu os olhos de Léone, acostumada com o abajur de sua mesa, quando esta virou a cadeira de rodinhas para a porta. No feixe de luz, uma sombra disforme e gigantesca carregava uma bolsa, tão disforme quanto.

Puta merda, — a silhueta sussurrou-gritou e Léone imediatamente reconheceu o ser supostamente desconhecido. Serena Barzán. — não queria que fizesse tanto barulho, porra. Era só pra te assustar um pouco. — A loira continuou a sussurrar de forma não tão silenciosa, empurrando a porta com o pé para ser fechada. Após um segundo estrondo, Serena ligou a luz, cegando Léone pela segunda vez consecutiva em um curto espaço de tempo. — Caralho, que merda. Espero que ninguém tenha acordado.

— Sera, você provavelmente acordou o prédio inteiro. — A morena resmungou, esfregando os olhos e acostumando-se a luz do quarto.

Serena fez uma careta, mesmo sustentando um sorriso de orelha a orelha. Estava com os fios loiros presos em um cabelo bagunçado, o rosto limpo de qualquer sinal de maquiagem e um de seus pijamas que Léone sabia que era o favorito de Sera — uma calça de flanela xadrez e uma blusa larga com estampas de abelhas. Serena parecia absurdamente fofa para alguém tão desleixada. (Não que Léone fosse admitir em voz alta.)

— Bem, foda-se. Que tipo de adolescente de merda dorme tão cedo? — Antes que Léone pudesse resmugar de volta, dizendo "um responsável, que tem aula amanhã pela manhã", Serena balançou o braço com uma ecobag amarelada, animada como um cachorrinho que espera o dono chegar em casa. — Adivinha o que tem aqui?! Vamos lá, te darei 3 chances. Sem dicas ou vai ficar fácil 'pra você e eu meio que 'tô cansada de perder pra você nos joguinhos de adivinhe.

Léone balançou a cabeça suavemente, pronta para dizer que Serena sempre trouxe adivinhações óbvias, sempre lhe dava as respostas de bandeja e Léone era inteligente o suficiente para descobrir as coisas mais rápido que aquele cérebro de minhoca que Serena tinha... Mas Léone lembrou-se do problema em sua mesa, da dor de cabeça que teria por longas semanas e das consequências que procrastinar essa merda toda lhe renderia — e uma discussão boba com Serena não era a solução para isso.

A morena, então, virou novamente sua cadeira para a mesa, encaixando-a novamente no lugar e voltando sua atenção para a lista de chefs italianos que poderiam ter alguma experiência ideal para a Beneventi. Ainda focada na tela do notebook, dirigiu sua voz mais mecânica e desinteressada para a loira; sempre funcionava para afastar suas exes.

— Não tenho tempo agora, Serena, eu estou ocupada.

— Com o que? — a voz curiosa da loira preencheu os ouvidos de Léone.

— Não é do seu interesse.

— Se eu estou perguntando é porque estou interessada, duh.

— O que é completamente diferente de ser do seu interesse

— Não vejo diferença.

— Não é porque você não vê, que não exista.

— Sim, como as sereias, as fadas, os elfos, as bru-

Léone virou sua cadeira rapidamente, raspando as rodas, levemente, no porcelanato. Parou de frente para Serena, que estava sentada confortavelmente e meio jogada na poltrona de couro perto da cama bagunçada da Beneventi. Serena sorria como o gato de Alice no País das Maravilhas o que conseguiu aumentar a raiva de Léone — se é que era possível.

— Você poderia, por favor, parar?! Estou realmente ocupada, com problemas sérios, Serena. Eu realmente não tenho tempo para você agora. Vá para o seu quarto e me deixe em paz.

Lentamente, o sorriso de Serena sumiu. A loira consertou a postura, pulando da poltrona e aproximando-se lentamente de Léone.

— Porra, a coisa é séria.

— Sim, — Léone ficou feliz em ver a seriedade tomar conta do tom de voz de Serena. (Possivelmente, pela primeira vez em toda vida.) — então, por gentileza, vá embora. Preciso me concentrar.

— Não, obrigada. — Serena ajoelhou-se perto de Léone. A loira tinha adotado aquela voz estranhamente preocupada, não tão típica dela. — Você ainda não me contou qual é a porra do problema que 'tá te atormentando.

Léone bufou, encostando a cabeça no encosto e deixando-se relaxar na cadeira. Por alguns segundos, esqueceu-se como Serena é curiosa e, principalmente, persistente — o que, quase sempre, significava que Serena era um pé no saco até conseguir o que queria. Normalmente, Léone não era facilmente rendida — também era persistente e curiosa em suas próprias maneiras. Serena, todavia, parecia ter uma maneira ainda mais única de irritar até a última barra de paciência de qualquer um, especialmente a Beneventi. Isso, com toda certeza, significava que a loira ficaria ali, ao seu lado, atormentando Léone o suficiente para que a Beneventi não rendesse em nada na busca por soluções para seu problema, até que falasse as razões do súbito estresse que acarretou no mau humor da morena

Dios mio. Antes que pudesse pensar demais em todas as decisões que tomou em vida, a italiana re-organizou a própria postura, olhando seriamente para Serena. A loira, percebendo que conseguiu o que deseja, se animou e sorriu, estufando o peito e piscando para Léone — a atenção da franco-espanhola estava, então, totalmente voltada para a Beneventi.

— Não é nada tão grande, Serena, é apenas uma grande bagunça que terei que organizar em poucos dias. — Léone começou, cruzando as pernas e mexendo as mãos enquanto falava. — Você sabe do baile de gala da empresa de meu pai, certo? Como também sabe, sou a responsável pela organização esse ano. De última hora, o buffet cancelou, visto que a equipe toda está em quarentena obrigatória. Um funcionário foi testado com Covid, e seguiu o teste positivo de alguns outros. Eles não vão estar livres no dia do baile, então preciso encontrar outra equipe tão eficiente quanto e de preferência com uma boa experiência culinária, já que são muitos convidados com um paladar bem refinado. Sem contar a imprensa e todos críticos especializados, que são- Espere, por que você está sorrindo?

Ainda ajoelhada, Serena tampava a boca com a mão, soltando risadas anasaladas abafadas. Os olhos azulados de Serena brihavam com lágrimas não escorridas. Com a pergunta decididamente não retórica de Léone, Serena aparentemente não conseguiu mais se segurar e começou a rir alto, sentando-se no chão e enxugando os olhos. Léone piscou, em choque, sem muito a dizer enquanto Serena se recompunha (ou algo assim ou o que raios estava acontecendo com a loira).

Tsc. Não compreendo o que é tão engraçado para você.

— Então, Srta. Beneventi, — Serena começou, um tanto que trêmula e ecos de risada ainda ocupando a mente da italiana. — você está me dizendo que seu problema é encontrar um buffett e um chefe de cozinha competente o suficiente para lidar com todos os ricaços de merda que são amigos do seu pai?

— Sim?!

Bem, esse era o centro do problema, sim. Nem todos aqueles ricaços de merda eram amigos do seu pai, mas tudo bem, Léone poderia deixar essa passar.

— E que, também, você pretendia simplesmente deixar passar que eu, Serena Barzán, sou filha de um puta chefe de cozinha, competente o suficiente para lidar com todos os ricaços de merda que são amigos do seu pai e que, principalmente, têm experiência com isso?

Léone piscou. Oh. É mesmo, Serena tinha um pai— às vezes, esse fato poderia ser facilmente esquecível com uma mãe tão onipotente quanto Antonella Barzán.

— Seu pai é francês, Serena. Eu gostaria que fosse um chefe-

— Italiano, é. Bem, papai meio que foi aprendiz ou sei lá o que de um chefe italiano, então cozinha italiana para gente rica também está dentro das suas habilidades, sabia?!

Léone piscou, novamente. Bem, esse era um fato conhecível. O Heroux era até mesmo amigo do pai de Léone. A italiana também tinha a leve impressão que foi aprendiz, na linguagem de Serena, significava algum mestrado ou doutorado, mas deixaria isso para outra hora.

— Bem, eu acho que ele é um convidado, Sera... Convidados não costumam se tornar contratados de um dia para o outro.

Serena riu, baixinho, mexendo a cabeça da esquerda para direita em negação.

— Não sei se você sabe, mas meu pai também tem algo que costumamos chamar de amigos na Itália, do mesmo ramo profissional, que tenho absoluta certeza que parariam o mundo para cozinharem em um evento da Beneventi Enterprise. Meu pai também ficaria muito feliz com isso, sério. Ele não veria problema de ir de convidado para funcionário; ele ama cozinhar e cozinharia para um evento desse, mesmo que de última hora, sem pensar duas vezes.

Oh.

— Bem... — Léone começou, tentando pensar em como raios aquilo tudo não tinha aparecido em sua mente tão facilmente. Parecia uma solução mil vezes mais prática agora que Serena falava. Talvez fosse o sono consumindo o cérebro da italiana, ou o desespero ou ainda possivelmente as mil e uma outras preocupações.

Céus. Estava meio envergonhada agora.

— Bem nada, porra. Shhh. Amanhã a gente liga pro meu pai e organiza isso, agora o velho deve estar no quinto sono. — Serena levantou-se do chão, ficando em pé em poucos segundos e estendendo a mão para Léone. — Agora vem comigo, vamos relaxar porque, garota, você merece um pouco de paz; estresse não leva ninguém a nada a não ser um ataque cardíaco ou sei lá o que e blá blá blá. Bom, você meio que estragou o jogo das adivinhações, mas vou te perdoar por isso. O que tem naquela bolsinha ali é algo mágico, meu bem. Mágico! Rufem os tambores, tururururum! É comida de cinema!

Léone arqueou as sobrancelhas, movendo o olhar da mão de Serena para o rosto da loira — ela sustentava um sorriso e um olhar tão animado que era um tanto que contagiante.

— Comida de cinema?

— Sim! Comida de cinema!

— Comida. De. Cinema?!

— Jesus, sim! Você falou que nunca tinha visto Grinch alguns dias atrás, Léo, quando a gente 'tava conversando sobre tradições de natal. E puta merda, Grinch é um clássico. Nolan ficou desacreditado quando eu disse isso pra ele, sério. "É impossível alguém que não tenha visto Grinch", ele ficou dizendo no meu ouvido e, puta merda, até eu tava assim! Então, eu trouxe algumas porcarias naquela mochila, que são comidas de cinema, porque você vai pegar esse seu notebook, entrar na Netflix e vamos ver Grinch para que você não tenha que viver um futuro vergonhoso que seja obrigada a admitir em voz alta que nunca viu Grinch.

Serena Barzán era, de fato, persistente e curiosa em suas próprias maneiras, o que normalmente significava que a franco-espanhola era um pé no saco. Mas, para além disso, Serena também tinha algumas qualidades louváveis — às vezes, Serena aparecia como uma salvadora para Léone, às vezes simplesmente como uma pessoa. Uma pessoa que se importava o suficiente com a Beneventi para tentar, com a curiosidade e persistência, impedir que a italiana se afundasse em ciclos confusos de desespero causados pelos pés maldosos do destino.

Léone sentiu um sorriso começar a se formar em seus lábios e entrelaçou seus dedos com os de Serena.

Notas finais
QUE SAUDADE DESSAS SÁFICASSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS POR DEUS