Santana.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Marcos Santana. Ou simplesmente Santana.
"Sinto que infelizmente meu nome vai ser uma das poucas coisas de que as pessoas vão lembrar de mim. Mas não importa. Essa é a minha vida."
Essa foi o primeiro sentimento quando me vi a beira da morte.
Descobri que tenho algo chamado Linfoma de Hodgkin. Pelo que me explicaram é um câncer que se inicia no sistema linfático. Mas isso basicamente foi grego pra mim.
Tô nem aí.
Me falaram que ele já estava em estado avançado e que eu precisaria fazer quimioterapia.
Mas do que adianta um homem de 50 anos que não tem vida tentar viver? Isso não tem sentido nenhum. Minha mulher morreu, meus filhos me abandonaram, meu trabalho é um saco, e tudo que gosto perde a graça. Vou deixar esse câncer me salvar!
Sair desse mundo podre, pobre, cheio de morte e tristeza é o que eu quero. Não aguento mais nada aqui.
Sinto que o cheiro do mundo se impregnou em mim. Parece cheiro de cigarro que não sai da roupa e da pele. Tento tomar banho, passar desodorantes e nada.
Sem resultado. A podridão, isso que chamam de realidade, me escraviza. O medo deixou de ser um viajante e virou um dependente de mim. Ou eu dele.
Não conheço ninguém, e nem desejo conhecer. Tentativas e mais tentativas que não deram certo já me tiraram as esperanças.
Tantas letras e palavras e frases que não fazem sentido vêm até mim.
Sem você eu sou ninguém.
Há tanta burrice nisso que fico com raiva. Como pode ser? Como alguém pode fazer tão mal a outro? Como pode existir tanta crueldade? Quando isso irá acabar? Sempre foi assim e sempre será?
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