Notas iniciais
Very well, digamos que eu quebrei um pouco a cabeça pra escrever a fanfic, embora tenha terminado antes da primeira semana do prazo (eita).
Eu sei que você curte umas p0t4r14s, só que eu escrevendo essas coisas sou uma lástima, então dei o meu melhor pra compensar no enredo ♥
Espero que goste, tanto você, Beatriz, quanto a galera que se aventurar a ler HAUHAU

boa leitura :D

Ele mal tinha deixado seu livro sobre a mesa quando ouviu o barulho lá fora. Coçou os cabelos brancos e bem aparados de sua nuca e massageou a extensão do pescoço, se perguntando se o velho Sarutobi tinha deixado outro dos adorados vasos de porcelana chinesa voar pela janela.

Seu neto, Konohamaru, era um furacão.

Kakashi ainda se lembrava da dor de cabeça que teve quando o moleque, correndo de Asuma, pulou a cerca e entrou pela porta da sua cozinha, atirando os copos na parede. Ele ainda sentia um ou outro caco de vidro machucar seus pés quando andava por ali. Mantinha as portas trancadas e usava copos de plástico desde então.

Não adiantou muita coisa. Konohamaru quebrou a janela do banheiro com uma bola de golfe três semanas depois.

A campainha tocou, quebrando o silêncio, o despertando dos pensamentos. Deixou para lá. Asuma que resolvesse seus próprios problemas desta vez.

Era preciso trocar o vidro. Nevava há três dias e tomar banho com a janela aberta era, no mínimo, incômodo demais.

Deram três batidas fracas na porta.

O natal estava chegando, e a única coisa pior do que pensar na trupe de boas pessoas cristãs cantando músicas natalinas em sua porta era saber que a programação, já tão desinteressante dos canais de televisão, tendia a piorar.

Ele se levantou da poltrona e abriu a porta depois de girar a chave três vezes.

Olhos grandes e verdes piscavam, meio assustados, para si. Lágrimas grossas rolavam pelas bochechas rosadas e um bico franzido se formava na boca, como quem ameaçava fazer um escândalo. Ela deveria ter uns dez anos, a julgar pelo tamanho, e estava toda vestida de rosa. Seu cachecol, entretanto, era branco. Kakashi a deixou entrar e cuidou do galo vermelho que se formava em sua testa. Não o surpreendeu descobrir que foi causado por um vaso chinês.

Só então Hatake percebeu de onde conhecia a garota de cabelo rosa pálido que xingava, aos urros, o problema ambulante de Asuma. O moleque, agora de dezenove anos, atirara outro vaso pela janela. Algumas coisas não mudaram com o tempo, ainda que fizesse pouco mais dez anos desde o encontro com a garotinha – a primeira vítima do neto problemático do falecido Sarutobi.

É claro que os ataques de birra do menino demoravam cada vez mais e, depois de um ano, ele atirava um ou outro vaso que comprava só para esse fim por pura diversão. Asuma comentou, certa vez, que o sobrinho fazia isso para não sentia a falta do avô. Hatake pensava, na verdade, que Konohamaru fizera uma troca justa: A birra e os vasos quebrados por garotas. Muitas garotas.

Kakashi não fechou a janela ao se afastar, rumando para a cozinha. A chaleira apitava, lembrando-o do chá que faria para sua dor de cabeça. Rin costumava o medicar com um sempre que se sentia mal, e por não saber qual era o gosto, ele passou a comprar todos os tipos. Mesmo depois de tanto tempo não se sentia inteiramente capaz de diferenciar os sabores.

A gritaria continuava na casa ao lado enquanto ele despejava a água fervida em sua caneca cinza de porcelana. Rin nunca tinha lhe gritado metade das atrocidades que Sakura proferia com tanta facilidade, mesmo quando os dois estavam na cama.

Ele soltou uma risada curta, nasalada, enquanto levava a caneca aos lábios. Não se importaria que ela tivesse feito enquanto ainda estavam juntos. Não se importaria se ela o fizesse mesmo agora, por telefone.

Talvez não. Rin o apagara de sua vida como quem passa a mão num texto de giz no quadro-negro. Parte era culpa sua, mas isso não o impedia de se amargurar mais e mais, a cada gole de seu chá.

Era relativamente difícil se desfazer de maus hábitos. Talvez fosse por isso que Konohamaru continuasse a atirar vasos pela janela, mesmo que não fossem os de seu avô.

Concordou com seu paladar, finalmente alcançando o pote de açúcar na prateleira acima da janela, quando Asuma irrompe pela porta.

Ele precisava voltar a trancar a porta dos fundos.

A garota estava ao lado do amigo, os cabelos revoltos e a face corada de raiva. Bufava vez ou outra, as mãos finas formadas em punhos.

— Kakashi, preciso que cuide do ferimento de Sakura. Tenho que dar uma lição naquele imbecil. — O homem, de barba e jaqueta, com um palito entre os lábios, resmungou, indicando que ela se sentasse antes de sair e bater a porta.

Asuma, que serviu ao exército brevemente por problemas físicos, nunca perdeu sua postura rígida. Kakashi não podia criticá-lo, no entanto. Já havia algum tempo que deixou a sala de aula para trabalhar na coordenação da escola do bairro, mas continuava com a indiferença de sempre com badernas.

Um dia, muito entretido em seu novo livro, não percebeu quando botaram fogo na lixeira. Ou quando colaram um estudante na cadeira. Ou ainda quando qualquer aluna pré-adolescente vinha a sua mesa, mascando chiclete de menta e aumentando o decote da blusa.

Ele voltou a encarar a menina, Sakura, se recordando que, há alguns anos, se apresentou a ele aos prantos. Daquela vez, ao menos, a menina não segurara o choro e procurou ajuda do vizinho esquisito. Um bom sinal. Seria um problema para a garota se ela não aprendesse a se defender.

Isso, é claro, levando em consideração que ela ainda era uma adolescente boba. Lá estava a menina de novo, entrando na casa de um desconhecido. E ela ainda queria puxar briga com um moleque que podia muito bem atirar-lhe outro vaso para fazê-la se calar. Franzindo o cenho e voltando a encarar sua caneca de chá, Kakashi considerou que talvez, se fosse ele no lugar de Konohamaru, realmente atirasse.

Talvez o comportamento de Sakura não fosse um bom sinal, no fim das contas.

— Quer chá? — Ele ofereceu dando as costas à garota, já abrindo o armário em sua parede.

— Eu preciso de um curativo. — Sakura sibilou, e a forma como sua voz chegou aos ouvidos de Hatake soou acabrunhada.

— Konohamaru acertou sua cabeça de novo? — Perguntou com certo humor, pescando uma caixa de sachês de morango.

— Ele não chegou a me acertar. — Ela, agora, soava vaga. — Uh… O senhor teria um kit de primeiros socorros?

Kakashi a olhou de soslaio enquanto despejava água numa xícara de louça – a única que tinha, de um conjunto que Rin deixou ao se mudar. Os cabelos desbotados cobriam boa parte do rosto abaixado, mas suas bochechas e seu nariz afilado estavam tão corados quanto sua camiseta vermelha.

— Quantas colheres de açúcar? — Inqueriu, já adicionando três.

— Você tem um telefone que eu possa usar? — Sakura se levantou. — Ou a senha do Wi-Fi?

Ele estalou a língua no céu da boca, entregando a xícara à ela.

— O telefone está cortado. — Anunciou em voz branda. — E eu não uso internet.

Embora fosse desnecessário o último comentário, forçou-se a fazê-lo para ter uma desculpa de encarar os olhos de Sakura por tanto tempo. Apanhou sua própria caneca com a mão direita, a fim de evitar tirar as mechas cor-de-rosa do rosto da garota, e se aproximou novamente.

— Se Konohamaru não te acertou, por que você está ferida?

Foi interessante ver os olhos desviarem dos seus, seguirem pelo chão e então pela parede, cheia de pregos que um dia seguravam os quadros de Rin – antes eram deles, mas agora eram só dela – no lugar. Ela mordeu os lábios pequenos e mostrou a palma da mão esquerda, que agora estava banhada em sangue.

— Eu peguei um dos cacos do vaso para ameaçar ele. — Ela confessou, tão baixo que Kakashi custou a entender.

Não fez comentário algum. Só a guiou para o banheiro e indicou que se sentasse no vaso sanitário enquanto pegava a caixinha em cima do espelho, ele ponderou:

— Curioso. Konohamaru não costuma atirar nada do térreo. Ele prefere escutar a pequena pausa que há do primeiro andar até o vaso se estilhaçar no chão.

— Ah, mas ele atirou do primeiro andar. — Sakura explicou, já visivelmente mais confortável com a situação.

Kakashi, que esticava a mão para checar o corte dela, parou onde estava e ergueu as sobrancelhas.

— O sobrinho de Asuma estava no primeiro andar e você se cortou porque o ameaçou com um caco de vidro?

— Justamente. — Ela maneou a cabeça, aparentemente muito orgulhosa do feito.

Ele se esquecia com facilidade que todos os adolescentes eram um tanto burros, e que seu vizinho não era um caso a ser estudado. Por algum motivo, mantinha a ideia de que Sakura era mais madura que os outros.

Hatake deixou a caixa no colo da garota, abrindo-a com uma mão e encontrando o soro fisiológico. Esticou o braço delicado e pálido demais para a época do ano, e limpou o corte, que ele descobriu ser superficial.

— Você tem quantos anos, menina? — Indagou logo que escutou um gemido incômodo passar pelos lábios da mais nova.

Precisava parar de prestar tanta atenção nela.

— Dezessete. — Sakura respondeu com a voz mais alta que o normal, endireitando a postura quase que imediatamente. Ele prendeu o riso.

— E sua mãe nunca te disse para não pegar em cacos de vidro? — Ele caçoou, enxugando a palma da mão pequena com cuidado.

— Eu não sou uma criança.

— Está vendo este corte? Parece feito por uma criança para mim. — Ele enrolava a gaze em volta de sua mão.

— Eu não sou uma criança! — Ela ralhou, se levantando de repente e levando ao chão o kit de primeiros socorros. — Que droga, Kakashi! — Um soluço quebrou sua fala, confundindo-o. — É a terceira vez que eu venho pra essa cidade no fim do mundo para enterrar alguém e eu encontro você. Eu cresci! Só você não percebe que eu não sou mais a menininha chorona com um galo no meio da testa. Pare de me tratar assim!

Ele quis contestar, já que Sakura continuava chorando de forma quase inconsolável. Entretanto, seria estúpido continuar insistindo na diferença de idade para se lembrar de que não podia flertar com uma menininha. Puxou-a com suavidade pelo pulso e a abraçou, sentindo os braços finos contornarem sua cintura e o cheiro do chá de morango que ela tomara. Mesmo com todo o drama, não gostava de vê-la chorar.

Se lembrava de quando Rin chorava.

Ela inalou o que pôde do cheiro amadeirado de Kakashi, sentindo a quentura de sua pele em sua bochecha.

— Lembra que eu te chamei de santa aquele dia? — Ela perguntou baixinho.

Sakura lembrava sua ex-namorada, de certas formas. Como a forma estúpida de se defender, ou o brilho dos olhos quando se sentia orgulhosa.

— Era diferente, Sakura. Não havia nada além de gentileza.

Ela não é Rin.

— Mas eu continuo querendo estar perto de você da mesma forma.

Rin não pode ser substituída por uma criança.

— Você era uma criança. — Kakashi se afastou, segurando-a pelos cotovelos.

Por quanto tempo você vai ficar com a Rin, quando ela não está com você?

— Eu não sou mais uma criança.

Hatake não viu a movimentação hesitante dela, fingiu não ver. Fingiu não notar o tremor de seus dedos antes de agarrar seus cabelos e as batidas rápidas de seu coração quando prensou o tronco ao seu. Ele não pôde ignorar, contudo, os lábios dela atiçando seu desejo, ou a língua massageando a sua.

— Você ainda é nova, Sakura. — Kakashi argumentou com a boca contra a sua. Ela se afastou, pronta para retrucar.— Uns dois anos depois de terminar o ensino médio, você volta.

Aquilo parecia ser o suficiente para tirar de si mesmo os fantasmas de quem aprendeu a amar, e, então, daria uma oportunidade à estúpida adolescente chorona.

Mas que belos olhos a adolescente chorona tinha.

— Vou fazer você e arrepender de esperar, Santa.

— Teremos essa conversa daqui há um tempo, criança. E até lá não passe na frente da casa de Asuma.

Sakura saía pela porta da frente e Kakashi sabia que ela movia os quadris com mais balanço para provocá-lo. Ele a chamou quando ela girava a chave da porta.

— E, Sakura: Você não precisa inventar história alguma para me visitar. Então pare de se meter com Konohamaru e de falar de enterros, certo?

— Mas eu fui mesmo a um…

— A cidade é pequena, eu saberia se seus avós estivessem mortos.

Ela tinha o rosto e as orelhas vermelhas quando saiu pela porta. Não tentou sustentar a mentira e parecia envergonhada o suficiente para não voltar mais.

Algo dizia a Kakashi que ela não voltaria. Como Rin.

Bem, ele estava errado.

* * *

Ela ainda era capaz de escutar o próprio coração bater em seus ouvidos quando Kakashi afastou sua franja para verificar o machucado. Podia se lembrar da ansiedade contida, dos pés calçados em botas cor-de-rosa balançando na poltrona que cheirava a cravo. Se lembrava dos olhos cinzentos e da fina cicatriz na pálpebra esquerda. Se lembrava de chamá-lo de papai noel pelo cabelo naturalmente grisalho, a camiseta vermelha e a calça de flanela branca.

Ela se tocou a primeira vez sonhando em tirar aquela camiseta, de tão encantada com todas as bugigangas que Hatake guardava dentro de casa e dentro da própria cabeça.

Sakura passou mais tempo idelizando Kakashi que passou com qualquer namorado. Também, quem dera, seu primeiro namoro aconteceu em sua segunda viagem à casa dos avós. Casa muito empoeirada, cheia de cortinas e que cheirava a eucalipto.

Com treze anos, ela via Kakashi sorrir de forma gentil para uma garota de cabelos marrons e entrelaçar sua mão na dela. Algumas horas depois, ela beijava Konohamaru em cima da cerca entre as duas casas.

Então ela pintou o cabelo de rosa. E houve Sasuke. Lindo demais para os olhos e macio demais para o toque. E era perfeito. Mas os músculos pré-definidos não eram os mesmos que a abraçaram na véspera de Natal, enquanto passeava com a avó.

E houve Shisui. E houve Itachi. Igualmente inteligentes, absurdamente bonitos e tudo… o que ela não queria.

Ela queria sentir os toques sutis e íntimos de Kakashi na namorada aquela tarde. Queria o cheiro da poltrona e os filtros dos sonhos espalhados pela casa. Queria os livros velhos e as estantes tortas e o ladrilho estranho da cozinha. Queria até os copos de plástico.

Mas desde sua última visita, os sorrisos que ele lhe dava e o cheiro de cravo não eram suficientes. Sakura agora queria o chá de morango na xícara de porcelana, o kit de primeiros socorros em cima do espelho e a banheira rachada do lado de fora. Queria mais do beijo de Kakashi e queria seus beijos por todo seu corpo.

Ela, antes de terminar o Ensino Médio, namorou Hidan. Era bonito, tinha o cabelo e a idade do Hatake.

Não era um terço do homem que o vizinho de Konohamaru era.

Quando finalmente voltou para lá, a tal cidadezinha entediante como a morte, não se hospedou na casa dos avós. Andou em seus saltos altos pretos em direção à porta da frente, com o cabelo tingido de rosa acima de sua cintura e o batom mais vermelho que tinha.

Tocou a campainha com suavidade, lembrando a si mesma de que Kakashi não procurava uma nova Rin. Kakashi procurava ela.

E assim que ele abriu a porta, com o cabelo maior que antes e a barba por fazer, o sorriso dançando desimpedido em seu rosto, ela teve certeza.

Teria tudo o que queria e mais.

* * *

— Feliz Natal, Santa! — A voz doce cantarolou por cima de seu pescoço, e mãos macias acarinhavam seu cabelo.

Kakashi abriu os olhos e rolou na cama, o mau humor matinal dando lugar à surpresa, ao ver Sakura exibir seu peito nu de frente a janela aberta.

O filho de Konohamaru e Hanabi, menina que foi sua aluna, mal entrou na creche e já sabia atirar bolas de golfe em janelas, e Sakura ainda tinha a marca roxa em seu ombro do '‘ataque’' da criança. É claro que também havia arranhões e pequenos avermelhados espalhados por seu corpo, mas não passava do resultado de uma ótima véspera de natal. Os seios firmes pediam por seu toque, como todo resto de seu corpo. Como, principalmente, seus olhos.

Ele se sentou antes que a Haruno montasse em seu colo com ar sensual.

— Precisamos trocar o vidro dessa janela. — Ele lembrou enquanto apertava sua cintura. — Ou, pelo menos, fechar a cortina.

— Vamos deixar isso para depois. Tenho outra coisa em mente com essa janela aberta. — Ela sorriu arteira e mordiscou seu queixo. — Vamos lembrar ao sargento Asuma porque você é tão mais sortudo que ele.

Notas finais
E chegamos ao fim! Ole ole olá
Beatriz, espero que tenha gostado, e você, colega pimpão que resolveu ler, também!
Aguardo a opnião de vocês :D

Beijos, C.P.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!