Notas iniciais
Atenção... Atenção! Nesse capítulo pela primeira vez, teremos um momento narrado pelo Pedro, mas como não quero escrever tudo em espanhol e não posso (por causa das regras do site) eu irei escrever tudo em português mas usarei (...) parênteses para indicar que está em outra língua, mas já traduzido... espero que entendam o que quero dizer! Ps.: Essa ilustração me pertence! Bem, boa leitura a todos e até o próximo! ^-^

Sephiron...

—“Para quieta criaturinha... olha que vou te amarrar, pergunta pro Ian se eu não sou bom nisso!” Ameacei a pequena pestinha que não estava me deixando vesti-la. Ela ficava paradinha com o pé estendido pra cima na minha direção, ela sabia que eu queria lhe colocar uma meia, mas toda vez que eu aproximava a meia do pé dela, ela mexia o pé em todas as direções para me atrapalhar e então caia na gargalhada ao me ver frustrado com isso.

—“Seph! Para de ameaçar ela desse jeito!” Ian me olhou zangado.

—“Então vem cá você colocar roupa nela... você sabe que ela é uma peste!” Fiz uma careta pra ela e ela riu de mim.

—“Quem será que ela puxou?” Ian cochichou fraquinho, mas eu podia ouvir muito bem com minha audição de vampiro.

—“Como é que é?” O desafiei pra ver se ele teria a audácia de falar isso em voz alta na minha cara.

—“Eu disse que estou ocupado! Não está vendo que estou ajudando o Pedro?” Ele desconversou o que disse e se virou para o Pedro. Ian estava alimentando-o com uma sopa, o humano ainda estava bem fraco e isso estava me irritando, já estávamos há uma semana nessa caverna, eu queria ir para o conforto de minha casa de campo e logo, mas não podia por culpa dele!

A criaturinha chutou a minha mão e resmungou, ela estava brava porque eu estava olhando pensativo para o Ian e acabei me esquecendo das minhas fracas tentativas de lhe colocar a meia.

—“Sabe, eu ainda posso te jogar pra fora da caverna criaturinha!... Você ainda não tem muitos pontos comigo pra ganhar o seu lugar no grupo! Abre o olho!” Eu ameacei a criaturinha e ela me ameaçou de volta fazendo beicinho pra mim. Ela estava ameaçando cair no berreiro, ela era muito espertinha mesmo, ela sabia que se chorasse, eu ia ouvir bronca do Ian, essa era a melhor arma dela contra mim!

Suspirei e voltei a tentar colocar a meia nela, novamente ela mexeu o pé... PESTINHA! Eu vou mesmo amarrá-la a qualquer hora dessas!

—“Então fica sem meia!... Seu pé vai congelar e ficar roxo, vai ser bem feito pra você!” Falei isso pra ela bem sério e ela arregalou os olhos pra mim e congelou no lugar, ficando quietinha... tá ai uma psicologia que vou usar muito com ela, o medo!

Finalmente consegui vestir a meia nela. Mas quando eu estava colocando uma blusa nela eu acabei esbarrando naquele resto de cordão umbilical que agora estava negro e seco, ele simplesmente descolou do umbigo dela e caiu......... PUTA MERDA!... Que foi que eu fiz?... Era pra isso acontecer? Devo esconder isso do Ian e ficar na minha? O que eu faço?

Comecei a pensar em uma forma de dar um sumiço nas provas do meu erro... mas desse jeito eu ia ter me livrar da criaturinha também, já que ela era uma prova do meu descuido!

—“Que foi Seph?... Você parece apavorado!” Ian me pegou, droga!

—“Isso aqui já estava assim quando eu vi! Não fui eu!” Falei tentando colar aquilo de volta no umbigo dela com um pouco de cuspe.

—“Ohh... finalmente isso ai caiu, já estava ficando angustiado com esse negócio preso nela! Será que a gente deve guardar de recordação? Tem gente que guarda!” Ian ficou entusiasmado com o negócio, ele havia acabado de alimentar Pedro e veio se sentar ao meu lado no colchão.

Ian se recuperou muito bem, agora ele esta novinho em folha, nem parecia que ele havia acabado de passar por uma gestação e um parto difícil!

A criaturinha era outra que estava se recuperando bem, ela estava ganhando bastante peso e se alimentava de duas em duas horas, o que era um problema para James que tinha que ir à cidade comprar mais sangue humano e mais fralda pra ela.

Dei o pedaço de cordão umbilical para o Ian e segui vestindo a criaturinha, ela estava quietinha agora! Minha psicologia do medo deu certo!

Em uma semana a criaturinha se desenvolveu bastante, ela não tinha mais aquela mania de se grudar em uma presa, pois ela acabou descobrindo que bastava ela cair no berreiro, que ela acabava ganhando o queria! E isso não era lá uma coisa muito boa, pois agora ela berrava a toda hora! Desse jeito eu vou ter que discipliná-la pra fazê-la perder essa mania de berrar para que os outros façam as suas vontades!

Terminei de vesti-la e a deixei em cima do colchão, ela ergueu as mãozinha pra mim, abrindo e fechando-as num claro pedido de colo, eu a ignorei. Ela fez barulhos de bebê me chamando, fingi não vê-la, ela fez beicinho, nossa como era bom judiar dela, ela não tem como se defender!

—“Pobrezinha Seph... ela quer seu colo!” Ian me lançou um olhar tristonho, ele não suportava me ver maltrata-la, mas esse era o meu novo passatempo no momento.

—“Dane-se ela... eu quero é pegar você no colo agora!” Abracei o Ian e o puxei para o meu colo, a criaturinha esperneou no lugar ao nos ver juntos sem ela, mas eu a ignorei. Ela então deu um gritinho me chamando e se retorceu no colchão tentando chegar perto da gente, ela queria fazer parte disso também.

—“Não, você vai ficar ai sozinha! Eu e Ian vamos brincar sem você!” Falei isso me esfregando em Ian que lutava pra sair de meu abraço.

—“Para Seph... me deixa!” Ele resmungou.

A criaturinha abriu o berreiro, ela queria mesmo um colo e Ian queria pegá-la, mas mantive-os separado, fazia tempo que não tenho o Ian só pra mim e eu queria aproveitar esse momento para começar a disciplinar a criaturinha, ela só ia ganhar colo agora, quando parasse de berrar!

—“A gente podia esperar o James chegar e então ir um pouquinho pro meio do mato... esticar as pernas e quem sabe alongar um musculo que está em repouso faz um tempinho!” Flertei com Ian.

—“Para Seph... a gente deveria se abster de sexo até eu descobrir como faço para impedir que você me engravide de novo!” Ian me lançou um olhar irritado e eu bufei.

—“Não me importo de te engravidar de novo!” Falei enfiando as mãos por debaixo do moletom dele e acariciei a pele lisinha de sua barriga, ele voltara à forma de antes da gravidez e isso era ótimo!

—“COMO É QUE É?” Ian esperneou no meu colo.

—“Agora que sei que sabemos fazer obras de artes e que para completar, nossos genes fazem criaturinhas fodas, inteligentes e claramente poderosos... eu quero um pequeno exercito pra exibir meu poder por ai!” Ri imaginado eu e um bando de pestinhas trucidado os Condes filhos da puta por ai... vou começar pelo Conde Leon, com certeza!

—“Pequeno exercito?” Ian arregalou os olhos pra mim.

—“Uns dez já tá bom!” Acho que com dez criaturinhas eu consigo lidar.

—“Estou fora! PEDRO SOCORRO!” Ian estendeu a mão para o coitado do doente implorando por uma ajuda.

—“Estoy enfermo! No me atrevo a molestar al malvado vampiro!” Pedro respondeu que estava doente e que não queria irritar o vampiro malvado, ele era esperto, é bom mesmo ficar fora do meu caminho, principalmente quando estou querendo meter!

A criaturinha estava tendo um acesso de raiva por estar sendo ignorada, ela estava se debatendo muito e berrando alto, agora ele estava até trocando de cor e ficando vermelha pelo esforço de gritar dessa forma.

—“Tadinha Seph... ela quer atenção... me deixe pegá-la!” Ian se debateu em meu braços de novo e fez uma expressão triste pra mim quando não deixei ele chegar perto dela.

—“Não, Ian!... Ela tem que aprender que nem sempre vai ter o que quer na hora que quer e também tem que aprender que berrar não adianta! Deixa ela se acalmar!” Respondi para Ian e me mantive calmo diante do desespero de ambos por se aproximar.

—“Ah, mas eu não consigo ver ela assim... por favor, Seph!” Ian estendeu os braços na direção dela, mas mal podia toca-la.

Ela se debateu mais forte e gritou mais alto, céus, acho que ela vai arranhar a garganta berrando assim, mas eu não vou ceder! Acho bom ela aprender a perder quando resolver me desafiar.

—“Porque você é tão mau com ela? Ela é sua filhinha!” Ian exclamou isso como se isso fosse motivo o suficiente para eu criar uma princesinha mimada! Pois se depender de mim, isso não vai rolar, não! Ela vai ser uma menina inteligente e educada e não uma peste metida a dona do mundo, odeio crianças assim!

—“Isso se chama disciplina, Ian!” Respondi sem dar atenção aos berros e chiliques dela que estavam cada vez mais alto.

Ela por fim parou de berrar e começou a chorar... percebi a mudança do berreiro por controle e raiva para o choro de tristeza e possivelmente dor, agora até lágrimas rolavam por seu rostinho.

Esse choro era estranho, me dava uma sensação ruim de que algo estava errado e despertava em mim um extinto protetor, acho que esse era o choro de alerta que diz claramente Papai preciso de você, estou com problemas! Até Ian parecia afetado por esse choro.

Soltei Ian e ambos nos aproximamos dela, assim que eu a peguei, ela se encolheu em meus braços e começou a cafungar em minha camiseta, esfregando o rosto manchado de lágrimas na camiseta, ela gostava do meu cheiro e do cheiro do Ian também, isso geralmente a acalmava quando ela tinha pesadelos e acordava chorando.

—“Ela é mesmo muito esperta, apelou para o nosso instinto de proteção... Que garota danadinha!” Fiz uma careta pra ela, parece que ela havia ganhando essa, mas espere só pra ver, eu vou dar um bom castigo pra ela depois.

Ian estendeu os braços pedindo por ela e eu a passei imediatamente, quando ela foi para os braços dele, ela imediatamente ficou agitada, ela sabia que tinha o Ian na palma de sua mão e ela fazia gato e sapato dele.

Ela estendeu a mão para o rosto de Ian, o coitado suspirou e baixou a cabeça pra ela, ele sabia que ela queria brincar com seu cabelo prateado, ela ficava hipnotizada com a cor do cabelo de Ian. Ela fechou as mãozinhas no cabelo dele e puxou.

—“Ai... Sophia, não puxa assim, faz dodói!” Ian fez beicinho pra ela, mas ela seguiu puxando com um sorriso safado... CARACA, ela puxou mesmo a mim, ela gosta de maltratar o Ian também!

Mas ela assim como eu, também ama muito o Ian, dá pra notar isso quando ela está irritada, com sono ou com medo, ela exige por ele, ela recorrer a ele sempre que está manhosa, porque os dois tem uma ligação. Ian sabe ninar ela de um jeito que a acalma e ela gosta de fazer carinho nele ao se aconchegar em seus braços, às vezes eu fico observando e morrendo de ciúmes, os dois ficam em um momento super zen cheio de afagos e cafungas.

Já comigo ela é uma pestinha de primeira, ela só recorre a mim quando está querendo aprontar das suas, eu já percebi que ela gosta de me irritar. Mas eu também já percebi que ela gosta de mim também, ela só dorme à noite, se estiver agarrada ao meu dedo, quando não estou por perto ela chora e não para até eu voltar, por esse motivo é James quem tem saído pra caçar e etc.

Ela também ama muito James, mas ela passa dos limites com ele! Ela sabe que ele gosta de mima-la e que ele é capaz de fazer de tudo por ela, então ela se aproveita dele ao extremo. Ela já o fez ficar o dia inteiro com ela no colo passeando do lado de fora caverna e sempre que ele tentava voltar ela rosnava pra ele e ele tinha que dar mais uma volta com ela no campo verde na frente de nossa caverna.

Ela também gostava muito do Pedro, mas no início o relacionamento dos dois foi difícil, pois o cheiro dele despertava um lado selvagem dela. Eu aposto que se ela tivesse dentes, ela já teria arrancado um pedaço do Pedro há tempos! Ela se agarrava forte nele e ficava mordendo ele com força e quando tentamos separa-los, ela rosnava e ficava furiosa, mas atualmente ela já aprendeu que ele não é comida e em geral ela se comporta quando está com ele agora! No entanto ela já percebeu que Pedro é outro que gosta de mima-la como James, então ela se aproveita disso e faz o pobre coitado ficar brincado e cantando pra ela, mesmo o pobre coitado estando com a garganta dolorida.

A criaturinha continuava a puxar os cabelos de Ian que aturava isso de forma pacienciosa, foi ai que James voltou correndo e entrou na caverna apavorado e respirando fundo, seu braço esquerdo estava ferido e ele o segurava contra o peito com a outra mão.

—“James? O que foi?” Fiquei de pé imediatamente e corri para examinar seu ferimento, seu braço estava queimado.

—“Junta arf... arf... as coisas rápido... temos que parti!” James falava entre arfadas, ele parecia em pânico total.

—“O que aconteceu?” Perguntei assustado.

—“O exercito invadiu a cidade aqui perto... mas os cidadãos revidaram e se opuseram as medidas restritivas deles... então o exercito recebeu ordens de queimar a cidade inteira e seus cidadãos juntos!” James olhou para o braço que estava demorando a se curar, justamente porque era uma queimadura, fogo é algo muito perigoso para um vampiro, nós podemos morrer facilmente se tivermos partes de nossos corpos queimados, é difícil se regenerar com as células em cinzas.

—“Calma James... nós estamos seguros, estamos afastados da cidade e em uma caverna, eles não vão nos achar aqui!” Respondi isso e me tranquilizei, eu sabia que o exercito não subiria aqui para investigar nada.

—“Não... não é isso! O fogo tá fora de controle... e o vento está na nossa direção... o fogo está vindo pra cá... arf... arf” James apontou pra fora da caverna, eu via algumas cinzas caindo como neve lá fora e um clarão ao longe iluminava a noite escura.

Corri pra fora da caverna e olhei na direção da cidade e como James havia dito, o fogo estava mesmo se alastrando pra fora da cidade, queimando a floresta e o campo com uma rapidez incrível, acho que em poucos minutos o fogo nos trancaria dentro da caverna... merda!

—“Vamos juntar as coisas e partir, RÁPIDO!” Ordenei e James rapidamente voltou pra dentro agitado.

Começamos a agir imediatamente, Ian ajudou Pedro a se levantar e passou Sophia para os braços dele.

—“Cuida dela, por favor, eu vou ajudar a carregar as coisas, eu já tenho condições de carregar peso!” Ian disse isso ao Pedro com urgência, o humano concordou com a cabeça.

Rapidamente começamos a guardar tudo nas bolsas, James ajudou mesmo estando ferido, mas antes ele envolveu Pedro e Sophia com um coberto.

Nos movemos rápido, mas a essa altura o fogo já estava perto e a fumaça negra começou a invadir a caverna, Pedro começou a tossir alto, ele já estava com problemas respiratórios, então foi o primeiro a sofrer com a fumaça.

—“Pedro vá lá pra fora, procure ar puro!” James ordenou enquanto passava várias alças de bolsas pelo ombro.

Pedro obedeceu e correu pra fora com Sophia nos braços, em poucos segundos havíamos pego tudo, mas quando saímos da caverna o caos se instaurou, havia chamas para todos os lados, árvores e galhos caiam a todo o momento e em todas as direções, tudo que eu conseguia ver era as chamas e a vegetação pegando fogo, a fumaça e o calor eram sufocantes.

—“Cadê o Pedro e a Sophia?” Ian entrou em pânico ao meu lado, eu não conseguia ver eles em lugar nenhum, entrei em pânico também.

—“PEDROOO” James chamou, mas não havia resposta, o único som era os da chama e da vegetação estalando.

Peguei na mão de Ian para mantê-lo ao meu lado, do jeito que ele estava era bem capaz dele correr para dentro das chamas em desespero para procurar por eles.

Ian lutou justamente para fazer isso.

—“Me solta Seph... minha filhinha precisa de mim... ME SOLTA!” Ian lutou contra a minha mão, mas não soltei.

—“Ian, mantenha a calma, Pedro saiu antes das chamas, ele deve estar em um lugar seguro, vamos procura-los assim que sairmos dessas chamas!” Falei isso tentando manter a calma, mas estava em pânico também, só conseguia pensar na criaturinha, admito que já me apeguei a ela. Ela é perfeita do jeitinho que é, eu não mudaria nada nela, nem mesmo seu sexo que antes me desapontou, mas agora era o meu orgulho, pois eu sempre imaginei que as meninas eram fracas e inferiores, mas ela em apenas uma semana mudou esse meu pensamento e me provou que mesmo sendo delicada, ela é mais forte que muitos por ai! Eu acho que... eu amo ela, mesmo quando ela me irrita, pensar em não ter ela me perturbando toda manhã para levantar e alimentá-la... era horrível, fazia o meu peito doer de uma forma terrível!

Ian estava tossindo alto agora, a fumaça estava sufocando ele, o fiz se agachar comigo e andamos abaixados, James nos seguia, mas não desistia de chamar por Pedro, a angustia em sua voz, aumentava a minha também.

...

Pedro...

(James pediu pra eu sair da caverna, fiquei do lado de fora esperando por eles, mas então uma forte lufada de vento alastrou o fogo até onde eu estava, tentei gritar pra eles sair de lá, mas eu ainda estava tão doente que nada saiu de meus lábios, então tentei correr para dentro da caverna para tira-los de lá, mas em questão de segundos o fogo me cercou e eu não tinha para onde ir!)

(A fumaça estava me sufocando, meus pulmões mal tinham forças por causa de minha doença e agora com essa fumaça eu me sentia pior, minha cabeça começou a latejar, mas eu não queria abandonar James e os outros... eu não podia deixá-los desse jeito!)

(Foi ai que a pequena Sophia começou a se debater em meus braços, ela tentou chorar, mas quando puxou uma lufada de ar pra berrar, ela se engasgou com a fumaça e começou a tossir, eu não podia continuar ali, ela ia sofrer desse jeito!)

(Corri pra longe das chamas, mas eu já estava cercado por elas, eu teria de passar por entre elas para escapar, me enrolei melhor no cobertor e cobri totalmente Sophia, para que ela não tivesse contato com as chamas, então corri e atravessei as labaredas de jogo, senti meu corpo queimar rapidamente, mas logo eu estava em uma clareira sem fogo, não pude relaxar, o vento seguia sobrando o fogo na minha direção e a fumaça me banhou, eu não estava mais no meio das chamas, mas ainda sentia o forte calor que me queimava, Sophia parou de se debater e tossir e meu coração parou junto!)

(Oh Deus, por favor, que ela não tenha sufocado, por favor, que ela esteja bem! Por favor! Não tive tempo de examina-la, eu tive que continuar a me mover, mas eu estava começando a ficar cego, eu não conseguia abrir os olhos, a fumaça os fazia arder, fiquei lagrimejando e andando sem rumo, rezando para sair do rastro da fumaça e encontrar um lugar seguro para cuidar de Sophia até encontrar os outros.)

(Pisei em algo afiado e senti minha pele cortar, não pude ver direito, mas acho tem um galho seco atravessando meu pé direito, a dor me fez fraquejar. Por um momento achei que não ia conseguir sair do lugar, a dor era intensa, mas lembrei do anjinho em meus braços e comecei a me mover, mesmo sentido uma dor terrível toda vez que firmava o pé no chão, o sangue vazava do meu pé, eu sabia que estava perdendo muito sangue e deixando um rastro, mas isso era bom, talvez assim os outros poderiam me rastrear depois!)

(Sai andando a esmo e rezando para estar indo para o lado certo, me cobri melhor com o coberto e segui em frente sem nunca parar, a dor estava piorando e eu estava ficando mesmo sem ar, já fazia uns dias eu tinha parado de tossir sangue graças aos medicamentos que James comprou pra mim, mas agora eu tinha certeza que eu ia voltar a tossir litros de sangue desse jeito.)

(De repente eu senti que pisei em falso e do nado o chão saiu de baixo dos meus pés, eu cai barranco a baixo, mas em um esforço inútil de não ferir Sophia eu usei meu corpo para protege-la, senti pedras cravando em minhas costelas, me cortando, me furando, senti galhos com espinhos me arranhando e arrancando alguns fios de cabelo, quando por fim me choquei contra o chão plano, eu estava mesmo muito ferido, Sophia começou a chorar alto agora... suspirei aliviado, isso era sinal de que ela estava viva, mas ela podia estar chorando porque se machucou na queda também.)

(Pelo menos essa queda me tirou do rastro da fumaça e agora eu estava em um ar puro e limpo, mas do céu caia um pouco de brasa e fuligem, o que significava que o fogo estava perto!)

(Eu estava meio cego por causa da ardência nos olhos pela fumaça, mas finalmente eu conseguia ver um pouco, destapei Sophia e a examinei, ela estava muito arranhada, sua pele fininha de bebê havia se ferido nos espinhos, ainda havia um ou outro espinho nela... que judiaria!)

—“Shhhh... Sophia, estas tudo bien! Shhhh, shhhh...” (Tentei acalma-la e tirar os espinhos dela, mas estava com medo de lhe ferir mais, então deixei como estava!)

(Havia um corte profundo no meu braço, coloquei o corte sobre seus lábios e a deixei beber, só torcia para que ela não ficasse doente com o que eu tinha!)

—“Buena chica!” (Sorri pra ela que bebeu e esqueceu o choro, mas eu não podia ficar muito tempo parado lhe dando sangue, eu tinha que me mover ou logo estaria no meio da fumaça de novo!)

(Tentei me localizar pelas estrelas e segui para o norte, espero que eles também tenham a mesma ideia que eu, afinal o combinado se nos perdêssemos, era seguir para o norte.)

(Quando me movi percebi que eu estava bem mais ferido do que imaginei, acho que quebrei algumas costelas na queda, a dor no meu peito era terrível, meu pé já ferido com o galho está bem pior! Mas não vou deixar isso me impedir de seguir em frente, Sophia precisa dos pais dela e eu preciso do James, quero apenas ir pros braços de James e chorar um pouquinho, estou com medo, dolorido e sozinho num mundo cruel com um bebê pequeno que necessita de mim, se eu morrer agora, as chances dela também morrer... são grandes!)

(Andei tanto que nem sabia mais quanto tempo se passou, mas finalmente eu estava longe das chamas, eu via o clarão do fogo ao longe, agora que eu estava a salvo comecei a entrar em pânico por eles... e se eles não conseguiram escapar? E se agora eu estou sozinho com a Sophia no mundo? Não, não, não... por favor, desse jeito logo serei recapturado por algum vampiro, serei forçado a fazer coisas horríveis com monstros nojentos e nem sei o que eles faram com a Sophia!)

—“JAAAAAAAAAAAAAAAAAAMES... IAAAAAAAAAN... SEEEEEEEEEEEEEEEEEEPH... COF... COF” (Merda minha tosse voltou e agora com minhas costelas quebradas cada tosse é uma facada no meu peito, só espero que um dos ossos quebrados não perfurem os meus pulmões... se não eu já era!)

(Comecei a rezar baixinho por um milagre.)

...

Sephiron...

—“Calma, nós vamos encontrar eles, calma Ian!” Eu me abraçava em Ian tentando o impedir de voltar ao fogo, ele estava desesperado e queria voltar para procurar por Pedro e Sophia, mas se eles não saíram de lá até agora... não, não, eu não posso pensar nisso, eu tenho que pensar que eles conseguiram!

James andava de um lado pro outro com as mãos na cabeça, eu via o desespero dele, eu queria me desesperar junto, mas alguém tinha que manter a cabeça fria e no lugar, ou acabaríamos fazendo alguma loucura desse jeito.

—“James pensa um pouco, você conhece o Pedro muito bem, o que você acha que ele faria em um momento desses?” Perguntei a James tentando buscar algo pra fazer.

—“Eu não sei... ele... eu acho que... eu acho que ele seguiria para o norte, porque sabe que queremos ir pra lá!” James respondeu com a voz chorosa.

—“Então é pra lá que iremos!” Peguei as seis bolsas pesadas que estava carregando e os outros me imitaram pegando suas bolsas, partimos para o norte, mas Ian a todo momento olhava pra trás com um olhar tristonho, ele queria voltar, eu sabia que queria, então segurei a sua mão firme para impedi-lo de sumir.

Andamos por um tempo até que senti cheiro de sangue, era recente, estava fresco, James paralisou ao meu lado.

—“É cheiro do sangue dele... eu reconheço!” Ele farejou o ar e começou a ir em direção da trilha mais recente, o chão tinha gotas de sangue, essa era uma prova de ele havia passado por aqui, Ian parou de olhar pra trás e apertou o passo, começamos a ganhar terreno em nossa caminhada.

—“PEDROOOO” James chamou e todos ficaram em silêncio para ouvir.

O silêncio era total, a gente não ouviu nada além dá queimada ao longe, seguimos andando e James seguiu chamando, então pouco tempo depois ouvimos muito ao longe a resposta, era Pedro, ele estava nos chamando, corremos na direção do chamado feito loucos.

—“Pedro... ah, Pedro!” James foi o primeiro a entrar na clareira onde ele estava, Pedro estava sentado no chão encostado em uma árvore e enrolado no cobertor chamuscado, James correu para abraça-lo.

—“Aiii... duele!” Pedro gemeu ao ser abraçado por James e nesse instante ouvimos o choro da criaturinha, ela estava escondida embaixo do coberto nos braços de Pedro. Corri para pega-la, Pedro me passou ela sem pestanejar e então se deixou ser pego por James que queria lhe examinar melhor.

Eu e Ian cercamos a criaturinha e começamos a examina-la, ela estava com espinhos cravados nos braços e pernas e chorava pra valer, a passei para Ian que a abraçou e a beijou desesperado.

—“Traté de protegerla, pero ella se lastimou un poco! Lo siento mucho!” Pedro disse que tentou protege-la, mas ela se machucou um pouco e ele sentia muito por isso.

Eu já dizer que ele não tinha feito um bom trabalho em protegê-la, quando olhei melhor pra ele, o coitado estava um trapo, tinha cortes por todo o corpo, seu rosto estava inchado e vermelho, acho que era por causa de alguma alergia à fumaça, ele também tinha um galho atravessado no peito do pé direito. Ele tossiu e se encolheu de dor, acho que ele estava com ossos quebrados também... céus, ele passou por maus bocados pelo visto.

James o pegou no colo e aninhou em seus braços, Pedro se abraçou a ele e ficou quieto, ele pelo visto estava mal.

—“Seph... temos que tirar esses espinhos dela!” Ian me olhou tristonho.

—“Segura ela firme!” Ordenei e puxei o primeiro espinho que estava em seu antebraço esquerdo, ela gritou e esperneou de dor, mas consegui tirar.

—“Oh... shhhh, desculpa minha pequena, mas é para o seu bem!” Ian tentou acalma-la, mas ela seguia chorando de dor. Seu ferimento fechou e ela se acalmou um pouco, mas ainda havia muitos outros espinhos para se retirar.

No seu braço esquerdo havia mais três, segurei seu braço com força e comecei a puxar o outro espinho, novamente ela gritou e esperneou, ela tentou puxar o braço pra longe de mim, mas não soltei e arranquei mais um espinho, seu choro ficou estridente e sofrido. Pedro também gemeu alto, James estava fazendo o mesmo processo nele, me choquei ao ver que o infeliz mais parecia um porco-espinho do que um humano de tantos espinhos que tinha em suas costas.

A criaturinha me lançou um olhar traído, era como se ela me perguntasse por que eu estava machucando ela desse jeito.

—“Desculpa... seja uma menina forte e aguente isso, logo vai passar e você vai se sentir melhor, eu prometo!” Eu lhe fiz um carinho em sua cabeça e ela fechou os olhos e fez uma careta de dor pra mim, como se esperasse que meu toque fosse lhe causar dor, não suportei isso! Eu gosto de causar dor nos outros, por exemplo... no Ian, às vezes era divertido ver ele gemer e gritar de dor, mas nela não... eu não gosto de vê-la assim, eu não gosto de ser o responsável por sua dor!

Concentrando o máximo que pude de enzimas anestésicas na minha saliva eu lambi em volto do próximo espinho que estava em sua pele e o puxei, dessa vez ela não esperneou e nem berrou.

—“Boa ideia, Seph!” Ian suspirou para mim, repeti o processo no próximo espinho e ela não reclamou de dor, James começou a fazer o mesmo em Pedro, em questão de um minuto eu já havia retirado todos os espinhos dela e deixei Ian lhe alimentar e lhe trocar, então fui ajudar o James a retirar os espinho de Pedro.

Juntos nós tiramos mais de oitenta espinhos do corpo de Pedro e começamos a debater sobre o que fazer com o galho enfiado no pé de Pedro, não sabíamos se era bom tirar, poderia iniciar um sangramento forte se o galho tivesse perfurando uma veia importante, mas se deixássemos muito tempo ia infeccionar e logo.

Tomamos a decisão de retirar o galho e enrolamos uns trapos em seu pé, por sorte James tinha salvado todos os remédios que comprara pra Pedro e entre eles havia antibióticos, não sabíamos se estávamos fazendo certo, mas pelo menos nos demos o nosso melhor para salvar Pedro e aliviar a sua dor. Ele merecia, afinal ele não passava de um simples humano, mas fora forte e cuidara direito da criaturinha por nós, ele estava mudando o meu conceito sobre os humanos, eu até me sentia mal pelos duzentos humanos escravos que tive e sacrifiquei sem dó.

—“O que faremos agora?” Ian perguntou ninando a criaturinha que estava quase dormindo agora.

—“Vamos seguir para o norte, acho que estamos perto de outra cidade, se Pedro precisar de um novo atendimento médico, é lá que ele vai conseguir e eu não quero ficar muito tempo aqui, nunca se sabe se o vento não vai mudar de direção e trazer as chamar pra cá!” Respondi sério e todos concordaram.

Dividimos as mochilas entre nós e Ian levou a criaturinha, enquanto James levou Pedro nos braços, desse jeito eu acabei levando uma quantidade maior de bolsas do que eles, mas não reclamei, no momento eu não estava podendo impor minhas vontades, tínhamos que seguir em frente, manter a calma e rezar para chegar em algum lugar seguro e logo!

Notas finais
Eles escaparam desse perigo com vida, mas seus problemas não acabaram, a saúde de Pedro está cada vez pior e eles não sabem o que fazer! O que irá acontecer agora? Não percam no próximo capítulo!