Sangue quente.
26 Arriscar ou não arriscar?
Notas iniciais
Sephiron...
Acordei-me no meio do dia, a criaturinha estava com fome e me chamava produzindo um som que lembrava a um miado de gato. Ela sabia que não devia fazer barulho.
Segurei-a no colo ainda sonolento e fiz um corte em meu pulso com os dentes, ela rapidamente se agarrou a minha mão e começou a sugar com vontade, suspirei pra ela e olhei para Ian que dormia tranquilo, que maravilha! Ele deixa todo o trabalho pesado pra mim e dorme como um bebê.
A criaturinha sugou até estar satisfeita, depois disso ela largou meu pulso, mas segurou meu dedo. Ela só dormia assim, se segurasse o meu dedo, eu não podia negar que eu gostava disso, eu adorava quando ela me procurava para lhe passar essa sensação de segurança ao dormi, eu me sentia muito poderoso.
Ela logo caiu no sono e eu a coloquei na cama entre Ian e eu. No quarto ao lado, James e Pedro dormiam também. Pedro estava lutando bravamente pela vida, mesmo sem os remédios que ele necessitava, ele ainda persistia. Mas a cada dia as coisas se complicavam mais, estávamos quase sem provisões também.
Já fazia três dias que estamos nessa casa, a criaturinha quis investigar cada cômodo e cada objeto dessa casa. Quando ela descobriu a Televisão foi um inferno, primeiro ela queria ficar apertando o botão liga e desliga, despois ela queria entrar na tela, mas o que mais irritou Ian... ou melhor, o que mais chocou e magoou Ian, foi o fato dela ter ligado a TV em um canal de rinha de mestiço e ter gostado do que assistiu, ela bateu palmas e gargalhou quando um mestiço matou o outro com uma mordida no pescoço, eu nunca vi o Ian tão magoado com ela do que naquele dia, a rinha ainda era um assunto pesado para ele, eu aposto que ele ainda tinha pesadelos com isso e lembrava do outro bebê.
Tive que ter uma conversa séria com a criaturinha naquele dia, ela pareceu entender que a rinha era algo errando e cruel e quando contei a ela que Ian lutou na rinha uma vez, ela pareceu ficar chocada e envergonhada na frente de Ian. Por sorte eu acho que Ian a perdoou em algum momento, porque logo, o vi ninando ela como sempre fazia.
Tentei voltar a dormi, mas não consegui, ainda faltavam duas horas para anoitecer e eu não aguentava mais dormir, olhei para Ian ao meu lado, ele dormia tão tranquilamente que dava pena de acorda-lo... mas eu ia acordá-lo de qualquer jeito mesmo.
Eu aproveitei que Ian estava deitado de bruços, passei por cima da criaturinha, destapei o corpo nu de Ian e lambi de seu traseiro até sua nuca bem lentamente, os pelinhos de Ian se arrepiaram, mas ele não acordou. Mordisquei sua nuca suavemente e subi lentamente para sua orelha, lá eu enfiei minha língua em seu ouvido e cochichei.
—“Ian... acorda, ou vou te comer enquanto você dorme.” Mordiquei a orelha dele, mas ele não acordou, simplesmente suspirou e se remexeu levemente.
—“Então bons sonhos Ian... eu vou me divertir com esse seu traseiro desprotegido.” Cochichei novamente em seu ouvido e fui descendo por sua coluna, deixando marcas de chupões em suas costas bicolores.
Quando cheguei a sua deliciosa bunda, dei uma mordida em uma de suas nádegas redondas. Ian resmungou, mas não acordou. Então separei as bandas de sua bunda e dei uma lambida no meu lugar favorito de Ian, meu almejado objetivo nesse momento.
Como Ian ainda não acordou, eu aproveitei para fazer coisas inusitadas, como enfiar a minha língua nele, Ian estremeceu, mas não despertou. Acho que esta na hora de liberar o sádico que há em mim, ele está louco para sair dessa jaula onde o tranquei. Como um tigre enjaulado, ele está impaciente e faminto.
Enfiei dois dedos em Ian de uma vez, nem esperei muito e já inseri um terceiro dedo, logo um quarto, o arregacei com gosto. Dessa vez Ian tentou se mexer e fugir de mim, eu não sabia dizer se ele tinha finalmente acordado, ou, se isso foi apenas um reflexo, mas continuei sem dó.
Retirei meus dedos e me deitei sobre ele, prensando meu membro entre suas nádegas, novamente mordisquei sua nuca e cochichei em seu ouvido.
—“Agora eu vou comer esse seu rabo delicioso... não tem nada a dizer? Ótimo!” Sorri ao posicionar meu membro no local correto e dar uma estocada funda e forte, não esperei nem um segundo e retrocedi dentro dele para então me afunda novamente, ele estava relaxado então deslizava fácil, também pudera, ele estava dormindo e no dia anterior eu o arregacei de várias formas.
Ian gemeu de leve e começou a despertar, a essa altura eu já havia encontrado um ritmo gostoso. Mas quando Ian acordou pra valer, ele se contraiu e me espremeu dentro dele, tornando os meus movimentos difíceis.
—“AI... O QUE ESTÁ ACONTECEND” Tapei a boca dele.
—“Shhh... fica quieto... você não quer acordar a criaturinha agora, quer? Se não vamos ter uma conversa sobre sexo com ela antes do esperado.” Cochichei isso no ouvido dele e indiquei com a cabeça a criaturinha, que dormia ao nosso lado.
Ian olhou para ela e ficou vermelho rubro em instantes.
Destapei sua boca e voltei a meter com vontade, agora havia certa resistência da parte dele, bastou um olhar em sua face envergonhada para provar que ele não estava se divertido com a possibilidade de sermos pegos pela criaturinha.
Ele não estava conseguindo relaxar e por sua vez, estava se mantendo rígido e isso com certeza lhe causava dor, sua expressão retorcida era a prova definitiva disso.
—“Relaxe Ian... ela não vai acordar.” Cochichei em seu ouvido.
—“Não... eu não quero Seph... pare.” Ian me lançou um olhar zangado.
Revirei os olhos para a frescura dele, a criaturinha não acordaria, eu havia acabado de alimenta-la, ela ia dormir por mais umas duas horas, antes de sentir fome de novo. Mas Ian não ia relaxar com isso, eu sei que não ia.
Sai de dentro dele e o peguei no colo.
—“O que? O que você está fazendo?” Ian tentou espernear e sair do meu colo, mas eu era mais forte que ele.
Levei-o para a sala e o coloquei sentado no sofá, abrir suas pernas e me deparei com seu membro adormecido... Ah, assim não dá, quero ele em posição de sentido pra mim, como o bom soldado que é, ele nunca foge de uma guerra.
Ignorando minhas convicções, me abaixei entre as pernas de Ian e lambi seu membro, Ian agarrou meus cabelos com força.
—“Para Seph... o que você pensa que está fazendo?” Ian puxou meus cabelos até me tirar de cima de seu membro quase acordado agora.
—“Me atrapalhe de novo e eu juro que vou mordê-lo nesse lugar.” Mostrei minhas presas pra ele e tive o prazer de ver sua expressão assustada. Ataquei seu membro novamente e tive mesmo que reprimir meu desejo de morder, minhas presas latejavam, eu estava com fome, mas não podia enfraquecer Ian agora.
Suguei com força e Ian gemeu alto, por um minuto lembrei que a sala ficava bem perto do quarto de James... aposto que estou atrapalhando o sono de beleza dele e o deixando desejoso, afinal, o parceiro dele está indisponível no momento... coitado do James.
Ian se retorceu todo e tentou se agarrar em tudo que estava ao seu redor, então eu tive a certeza de que ia fazê-lo gozar e logo. Parei de chupa-lo e voltei a meter nele com uma estocada brusca, ele jogou a cabeça pra trás e meio que gritou e gemeu ao mesmo tempo.
Mantive-me ajoelhando no chão e puxei Ian mais para a beirada do acento, desse jeito ele ficava quase deitado no acento do sofá e sua cabaça ficava erguida pelo encosto do mesmo. Dessa forma ele tinha uma visão privilegiada do que eu estava fazendo em seu traseiro, o vi espiar e ficar mais vermelho.
—“Gosta do que vê? Meu pau sumindo assim dentro de você... não é uma bela visão?” Perguntei com um sorriso tarado.
—“Cala a boca Seph... hmmmm” Ian voltou a olhar pra baixo e acabou ficando mais duro... sério mesmo que ele estava ficando excitado por estar conseguindo ver o que está acontecendo ali? Hmm... que novidade interessante.
Fiquei quieto como ele pediu, mas não desgrudei meus olhos de sua face rubra, seus olhos seguiam fixos em meu membro que sumia e reaparecia entre nós, ele mordeu o lábio e sua mão foi ao seu membro onde ele se tocou imitando os meus movimentos.
Dei uma acelerada e ele gemeu alto antes de acelerar os movimentos com sua mão também, eu podia sentir que ele estava perto de gozar e pra falar a verdade, eu também estava, pois afinal de contas, no dia anterior, nós fizemos seis vezes, para a alegria de James que ficava de babá da criaturinha durante esse tempo, ele amava ter mais tempo com ela... mas graças a isso, eu estava morto de cansaço agora.
Acabamos chegando ao ápice juntos. Enfiei-me mais fundo nele e Ian apertou seu membro em sua mão e gemeu alto quando o líquido esbranquiçado jorrou até seu queixo.
Arfei por uns minutos sobre Ian, tentando me recuperar do delicioso orgasmo e quando dei por mim, eu estava lambendo o esperma de Ian, limpando seu peito e queixo sujos.
Ian arfava e me olhava cansado, logo ele relaxou e desabou no sofá. Retirei-me de dentro dele e o levei para o quarto, talvez agora eu conseguisse dormir mais um pouco.
Quando me acordei umas duas horas depois, estava me sentido revigorado e Ian parecia detonado, me levantei com um sorriso tarado para Ian. Ele por pouco não me mostrou o dedo do meio, acho que ele teria me mostrado se não fosse pela criaturinha acordada e totalmente atenta a ele. Ri mais alto e fui para a sala após me vestir.
James estava sentado no sofá com um rádio em mãos, ele havia comprado isso no dia anterior, porque ouviu dizer que havia um sinal pirata de rádio que passava as verdadeiras notícias dessas revolução/guerra.
—“Conseguiu pegar o sinal?” Perguntei para ele, enquanto Ian ia visitar Pedro no quarto dele com a criaturinha.
—“Sim... a coisa não tá boa!” Disse James.
Ian se juntou a nós, ele deixou a criaturinha com Pedro, pude ouvir ele cantarola baixinho para ela em sua língua, a criaturinha adorava ouvi-lo cantar.
—“O sinal pirata do rádio diz que desde que o governo se tornou império, a coisa anda muito feia, as pessoas estão sendo executadas por coisas aleatórias, sem explicação e às vezes sem motivo algum.” James fez uma careta ao nos contar isso.
Ian e eu nos entreolhamos.
—“Dizem que quatro cidades já foram totalmente devastadas, o imperador mandou queimar três e a última foi bombardeada, tudo com a desculpa de que os cidadãos das cidades em questão eram terroristas.” James continuou nos contando o que ouviu enquanto procurava o sinal pirata novamente.
—“O rádio diz algo sobre o meu pai?” Ian perguntou nervoso.
—“Diz que ele está escondido em algum lugar e não está fazendo nada para impedir isso, tem pessoas que acham que ele já teria poder e apoio o suficiente para derrubar o império, mas ele não toma nenhuma providência.” James suspirou e olhou consternado para Ian.
Ian ficou estranho quando ouviu isso, o vi ficar com uma expressão preocupada e assustada, ele me deixou sozinho com James e foi para o nosso quarto pensativo.
James estava tentando pegar o sinal novamente, só havia estática no rádio.
—“Quanto de comida ainda temos?” Perguntei baixinho, não queria que Ian se preocupasse com isso agora.
—“O suficiente para só mais um dia.” James fez uma expressão cansada e abatida ao dizer isso.
—“Droga... vamos pensar em algo, eu sei que vamos passar por essa.” Eu disse com convicção.
—“Eu estive pensando em... bem, na verdade eu ouvi dizer que existe um lugar clandestino que está vendendo comida e remédios para humanos... é tipo um mercado negro, eu estava pensando em ir lá ver o que é.” James se animou e me olhou com expectativa.
—“Nem pensar... isso está com cara de armadilha do império... não faça nenhuma loucura James, já temos problemas o suficiente sem termos que ir te resgatar da morte.” Cruzei os braços decidido.
—“Mas essa pode ser a nossa única chance de salvar Pedro.” James argumentou isso com a voz um tanto embargada.
—“Eu sei... mas... eu duvido que Pedro queira que você se arrisque assim por algo que pode ser uma armadilha.” Suspirei cansado, eu sabia que estava acabando com as esperanças de James, mas eu não ia deixa-lo se arriscar dessa forma.
—“Mas...” James tentou insistir.
—“Eu sei... eu sei, mas nós vamos pensar em algo James... eu te garanto. Talvez a gente consiga comida na floresta. E quanto aos remédios... bem, vamos pensar nisso com calma, só me prometa que não vai fazer nenhuma loucura.” Olhei sério para James, ele tinha a cara de alguém desesperado e preste a fazer uma besteira, então intensifiquei meu olhar sério.
—“Prometo.” Disse James baixando a cabeça.
Eu ia insistir mais um pouco com ele, mas sua cara amuada provava que ele não estava pra conversas no momento, então resolvi ir me juntar ao Ian no quarto, mas fiquei de ouvidos atentos caso James tentasse fugir. Quando entrei no quarto me deparei com Ian que estava com um semblante preocupado e olhava pro nada pensativo.
—“Hey, está preocupado com seu pai? Não fique com medo, aposto que ele não está ferido, tenho certeza de que ele está bolando um plano ou coisa do tipo.” Tentei acalma-lo.
—“Não é sobre isso que estou com medo.” Disse Ian parecendo desanimado.
—“O que é então?” Sentei-me na cama e dei palmadinhas no lugar ao meu lado, convidando Ian para sentar, mas ele seguiu de pé, andando de lado pro outro.
—“O mundo está acabando e... eu acho que isso faz parte do plano dele.” Ian falou isso andando mais rápido de um lado pro outro.
—“Plano de quem?” Perguntei zonzo com esse jeito afoito dele se movimentar.
—“Do meu pai!” Ian exclamou quase em agonia.
—“Porque diz isso?” Perguntei chocado.
—“Ele dizia coisas estranhas às vezes...” Ian parou e sua expressão se tornou mais abatida.
—“Como assim?” Me levantei e o abracei.
—“Coisas... ruins como extermínio... sei lá” Ian baixou a cabeça.
—“Como assim? Explique melhor Ian.” Puxei seu queixo com uma mão e o fiz olhar em meus olhos.
—“Meu pai não é um Santo, Seph... eu sei que ele é capaz de fazer coisas ruins para conseguir chegar em seus objetivos.” Ian estremeceu em meus braços ao pensar em algo quando disse isso.
—“Eu já ouvi ele dizer coisas como... o mundo só vai melhorar, se todos as raças atuais perecerem... e uma nova raça surgir, e com essa nova raça eu vou...” Ian parou no meio da frase e virou o rosto, afastando seu olhar do meu.
“Ele me assustava quando dizia essas coisas fascistas.” Ian suspirou e se aconchegou em mim, como se estivesse com medo.
—“Tenho certeza que ele não estava dizendo essas coisas nesse sentido.” Tentei buscar uma desculpa para tais palavras... mas não sabia o dizer, eu não estava na mente do pai do Ian para entender o porque dele pensar assim, mas eu tinha certeza que ele era um ser evoluído e devia saber mais que nós.
—“Eu não sei... eu acho que ele quer fazer o império massacrar cidades cheias de inocentes de proposito... eu acho que ele quer na melhor das hipóteses, diminuir a população vampírica.” Ian me olhou apavorado.
—“Mas isso é uma coisa boa, não acha Ian? Existem muitos vampiros para pouco alimento, se a população diminuir, talvez os humanos e mestiços possam...” Eu estava falando isso calmamente, mas Ian me interrompeu e se afastou de mim, se desvencilhando do meu abraço.
—“Você também pensa dessa forma? Não vê que isso é errado? Porque gente inocente deve morrer para o mundo melhorar? Eu acho que isso está errado e que isso não é a solução para esse problema em que vivemos.” Ian me lançou um olhar chocado.
—“Só estou dizendo que séria melhor se a população vampírica fosse menor, afinal a gente não morre de doenças ou velhice, ou seja, a cada dia nascem mais, mas ninguém nunca morre... eu acho que talvez então devêssemos controlar a natalidade ou coisa do tipo.” Tentei explicar melhor o meu ponto de vista.
—“Não sei... só sei que meu pai pretende fazer algo ruim.” Ian cruzou os braços e olhou para os próprios pés.
—“Porque você acha isso? Seu pai sempre te tratou bem... ele me salvou, um vampiro assim não deve ser alguém ruim.” Pra mim esse argumento era o definitivo, não existia a possibilidade de alguém como o pai do Ian ser um vampiro com pensamentos tão fechados.
—“Eu... era uma experiência para meu pai!” Ian virou-se de costas ao me dizer isso.
—“O que?” Arregalei os olhos pra ele. Ian nunca comentou algo do tipo antes.
—“Ele não me teve com a minha mãe porque amava enlouquecidamente ela... apesar dos dois terem sim um relacionamento...” Ian começou a falar devagar, mas evitou se virar para me olhar nos olhos.
—“Do que é que você está falando?” Tentei faze-lo se virar para mim e me olhar, mas ele seguia tentando se esconder de meu olhar, talvez estivesse com vergonha ou medo de minha reação.
—“Ele fez experiências comigo ainda dentro do ventre de minha mãe... mas algo deu errado e eu não nasci exatamente como ele queria... é por isso que sou meio albino... o experimento dele deu errado!” Ian parecia envergonhando, até humilhado de estar me contando isso, ele até se encolheu assustado... Será que ele esperava que eu fosse gostar menos dele, por ele ser uma experiência fracassada?
—“Puta que pariu... do que é que você tá falando Ian?” Eu finalmente consegui fazer ele se virar pra mim, mas ele seguia olhando para o chão.
—“Só estou dizendo... que meu pai é capaz de fazer coisas assustadoras, para chegar em algum objetivo destorcido ao qual almeja.” Ian falou isso em voz baixa, quase como um sussurro.
—“...” Eu não sabia o que dizer.
—“Você não acha que se ele quisesse mesmo acabar com essa guerra... ele já não teria acabado?” Ian me perguntou tristonho.
—“Acho que você está exagerando, ele deve ter algum plano para acabar com essa loucura, mas talvez ele ainda não tenha o necessário para fazer isso.” Argumentei em defesa dele novamente.
—“Eu quero acreditar nisso também... mas eu tenho medo de pensar que meu pai pode ser uma pessoa com um pensamento tão...” Os olhos de Ian encheram de lágrimas.
—“Calma Ian, eu duvido que ele seja esse tipo de pessoa, ele deve estar planejando algo grande... sei lá. Acredite em mim, se ele fosse desse jeito que você disse... ele não teria perdido tempo me salvando, não teria te criado com amor depois de fracassar no experimento... não teria começado uma rebelião pelo bem da criaturinha.” Tudo isso eram provas incontestáveis de que o pai do Ian não era o que ele estava pensando que era.
—“...” Ian me olhou mais esperançoso, mas manteve a expressão insegura.
—“E se ele fez mesmo experimentos em você, aposto que foi para te proteger... talvez ele quisesse te passar algum poder ou coisa do tipo. Aposto que ele queria que você fosse forte para conseguir enfrentar esse mundo sozinho... para que você não ficasse a mercê nas mãos de vampiros. Eu tenho certeza que ele fez isso com algum objetivo bom, ele te amava ao ponto de ter ficando depressivo na cadeia quando achou que você estava morto.” Eu disse isso com toda a minha convicção.
—“Você tem razão... eu não sei o que me deu... eu acho que só estou frustrado por não saber o que ele está fazendo, como ele está, se está bem e essas coisas.” Ian finalmente relaxou e sorriu de leve.
—“Eu sei... eu também estaria assim se o James saísse para enfrentar um bando de vampiros do mal.” Estremeci ao imaginar James fugindo e indo de atrás desse tal mercado negro, ele ia ser capturado, eu tinha certeza.
Abracei Ian forte e ele suspirou, acho que ele estava estressado e com medo... assim como eu.
De repente me veio um pensamento... e se a criaturinha fosse poderosa e diferente desse jeito, graças as experiências que Ian sofreu?... Bem, não vou pensar nisso agora, talvez quando a gente encontra o Sr. Shadowy novamente, a gente possa perguntar direito sobre isso.
Mais um dia se passou, acordei naquela noite cedo, Ian dormia tranquilo, a criaturinha já estava acordada há um tempo e estava tentando engatinhar até Ian, parei para observa-la, acho que eu estava testemunhando uma evolução dela, algo como ver os primeiros passos dela.
Ela estava fazendo um grande esforço, mas não desistia. Ela não conseguia se apoiar nos braços e pernas fracos e bambos, então ela começou a se arrastar sobre os lençóis. Não demorou muito e ela conseguiu se arrastar até Ian e então ela começou a tentar roer o ombro dele, ela estava com fome e escolheu que hoje Ian seria a sua refeição, mas eu não sei se devo deixa-la ataca-lo, ele não tem mais comida, então logo ficará fraco. Optei por alimenta-la então.
A peguei nos braços e rapidamente cortei meu pulso e o levei a sua boca, mas ela não bebeu, ela apenas pois a boca no meu corte e ficou tentando roer o local. Achei estranho esse seu comportamento, ela nunca fez isso, geralmente ela bebe vorazmente sem pestanejar.
—“Beba criaturinha.” Ordenei a ela, mas ela não o fez, ela seguiu roendo, me fazendo cosquinhas com suas gengivas, percebi que ela estava ficando brava e ao mesmo tempo angustiada.
—“Hey... Ian, acorda. Tem algo errado com ela.” Cutuquei Ian quando ela começou a choramingar e fazer caretas de dor.
Ian acordou em um pulo.
—“O que foi?” Ele olhou para os lados assustado.
—“Não sei... ela está agindo estranho, ela não quis comer.” Mostrei meu pulso e por fim ela começou a chorar.
Ian a pegou nos braços com uma expressão assustada.
—“O que foi querida?” Ian a abraçou e logo sua expressão ficou mais assustada, ele me olhou desesperado.
—“Seph... ela está quente.” Ian me falou angustiado.
Toquei na testa dela e realmente percebi que sua temperatura estava anormal. O choro dela começou a ficar mais forte.
—“Shh... shh...” Ian a ninou, mas ela finalmente começou a berrar com direito a lágrimas.
—“O que está acontecendo? Eu ouvi a conversa de vocês do meu quarto.” James entrou no quarto assustado.
—“Não sei... ela acordou assim, será que está doente? Se está... que doença é? Bebês vampiros não tem o costume de ficar doentes... e bebês mestiços?” Perguntei a Ian.
—“Não me lembro de ter ficando doente quando criança... pelo que eu saiba minha espécie só fica doente quando está sem comer.” Ian a examinava com cuidado enquanto falava.
—“Mas ela tem se alimentado todos os dias.” Eu estou cuidando pessoalmente da alimentação dela.
—“Me deixa ver ela.” Pediu James, Ian a passou para ele imediatamente.
James abriu a boca dela e examinou dentro.
—“Já sei qual é o problema... as presas estão nascendo, ela está com irritação na gengiva... ter febre é normal em bebês humanos, acho que finalmente temos o lado humano dela se manifestando.” James sorriu aliviado.
—“Como sabe dessas coisas?” Ian se admirou.
—“Eu li um livro sobres bebês humanos quando descobri sobre sua gravidez... eu não sabia se o bebê teria características vampíricas ou humanas.” James se explicou ninando a criaturinha que seguia chorando.
—“O que a gente faz?” Ian se desesperou ao vê-la ter um ataque de choro mais forte.
James enfiou o dedo na boca dela e o deslizou por sua gengiva várias vezes, fazendo uma massagem no local dolorido, a criaturinha parou de chorar e ficou quietinha.
—“Eu acho que comprei um mordedor junto com as roupinhas dela aquela vez... talvez esteja na sacola, é bom dar isso pra ela, ela vai querer morder muito a partir de agora.” James apontou com a cabaça a sacola onde guardávamos as coisas dela e Ian foi procurar.
—“E quanto a febre?” Perguntei preocupado.
—“Não sei se podemos fazer algo sobre isso, automedicação não é uma boa ideia e não podemos leva-la a um médico... sem falar que eu acho que os médicos não saberiam ajuda-la.” James ficou pensativo ao dizer isso.
—“...” Não sabia direito o que fazer em momento desses.
—“Talvez... eu realmente tenha que ir ao tal mercado negro procurar remédios.” Disse James se enchendo de esperanças.
—“Não, nem pensar.” Fiquei de pé instantaneamente.
—“Mercado negro? O que é que vocês estão falando?” Ian perguntou olhando de um para o outro.
—“Nada Ian, já disse que isso está fora de cogitação.” Olhei para James sério.
—“Mas...” James tentou argumentar.
—“Então diga para Pedro o que você pretende fazer, se ele disser que você pode ir, então eu não te impedirei.” Falei isso com uma expressão dura para James.
—“Sabe que ele dirá não.” James devolveu a expressão dura para mim.
—“Exatamente.” Sorri pra ele, convicto de minha vitória.
—“Seph...” James quase choramingou.
—“Eu já disse não.” Falei zangado e a criaturinha voltou a chorar.
—“Eu vou falar com Pedro então.” James suspirou e me passou a criaturinha que começou a tentar a me morde, Ian me passou um negocio que parecia de silicone, tinha a forma de um grande circulo, dei isso para a criaturinha morde e ela pareceu aliviada em colocar aquilo na boca e roer feito um ratinho, mas ela seguia quente.
James tinha ido falar com Pedro, passei a criaturinha a Ian e fui até a porta do quarto deles, eu podia ver e ouvir tudo por uma fresta.
—“No...” Disse Pedro angustiado.
—“Mas Pedro.” James rebateu com uma voz chorosa.
—“No quiero que se lastimes por mí.” Pedro disse que não quer que ele se machuque por ele.
—“Pedro... me escuta, por favor.” James sentou ao lado de Pedro na cama.
—“No, yo no quiero isso. Por favor, quédate aquí conmigo COF... COF...” Pedro disse que não queria isso e que queria que ele ficasse ali com ele, mas uma forte tosse quase não deixou ele falar.
—“Pedro, por favor, é para o seu bem.” James quase chorava pra valer agora, ao ver Pedro quase desmaiar sem ar, entre tosses violentas.
—“NO!” Pedro se agarrou como pode em James, mesmo estando fraco, o garoto não ia desistir de lutar para manter James ao seu lado.
James suspirou e abraçou Pedro, eu podia ouvir seus soluços, ele estava sofrendo muito por sua impotência em ajudar seu amado. Eu sentiria o mesmo... eu acho.
Eu tinha que pensar em algo para ajudá-los... eu tinha que fazer algo, mas o que? Eu deveria deixá-lo tentar? Deveria deixá-lo se arriscar e ir de atrás desse tal mercado negro? Pedro estava muito doente mesmo e agora a criaturinha estava com febre... e se a febre dela não baixar? E se o problema dela não for só os dentes nascendo?... Será que isso é o certo?... Será que é melhor... eu deixar James ir?
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