Que destempero! Quem fez essa sopa de cogumelos? O imperador vai detestar! — A voz ecoa, firme, mordaz.


— Açafrão, pimenta do rei e... Gorgonzola — a voz de Lirien ressoa, baixa, contida, sem tirar os olhos da cristaleira que estava polindo com veemência.


A velha pressiona o punho na cintura, lábios curvados deixando o sinal em cima dos lábios mais protuberante.


— Que absurdo está falando, Lirien? Quer envenenar o imperador e os convidados?


— Açafrão vai dar um sabor levemente adocicado à sopa, pimenta do rei vai equilibrar a doçura com os temperos fortes do frango e gorgonzola... Eu... apenas gosto


A velha rangeu os dentes, o estalo seco ecoando pela cozinha, a colher de pau contra a mesa de mármore.


A mãe de Lirien deu um passo a frente.


— A criança ainda é jovem, às vezes, ainda não sabe a hora de se calar. Foi minha culpa por não a ter educado bem, Rosaura


Rosaura revira os olhos com força, lábios tensionados.


— Pois ela já é tão criança assim, vai fazer vinte e um anos daqui 6 meses. Deveria ao menos estar noiva


— Não está na hora de minha filha desposar —respondeu a mãe, olhar firme, lábios curvados.


A velha cozinheira estufa o peito, joga os braços no ar.


— Não está na hora Rillety, é impressionante... No caso da sua filha, nunca parece o momento certo


Lirien estreita os olhos, suspira, os dedos movendo-se furtivamente sobre o tecido do uniforme, inclinou a cabeça


— Ao invés de discutirem minha situação amorosa, por que não focamos no baile da princesa perdida?


— A princesa perdida, isso é mesmo tão importante? — Uma voz masculina ecoa, relaxada, pratos tilintando entre si, a pia repleta de espuma enquanto o rapaz esfregava os talheres apressadamente — Quais as chances da princesa Mirannae estar viva, afinal?


— Eu acho que deveria aceitar a sugestão de Lirien em relação à sopa, Rosaura — Uma voz doce ressoa, cabelos castanhos claros numa touca cinza bordada.


A velha bateu o pé.


— COMO É, NIRELLYS?


Nirellys erguendo olhar, curvou os lábios ao ver o líquido verde no caldeirão, pressionou os dedos contra os lábios fortemente.


— A aparência não parece apetitosa de todo modo, a sugestão de Lirien não pode piorar algo que já parece intragável


— VOCÊ! — Os lábios da cozinheira vacilam — ARGH! VOCÊS VENCERAM! — Rosaura apontou para Lirien antes de concluir — Mas, se isso der errado Lirien Vaelith, eu juro que não vai ser minha cabeça que vai rolar


O olhar de Lirien não vacilou, mãos juntas, postura impecável como sempre.


— Aceitarei as consequências, chefe real, pode ter certeza


Nirellys estendeu o polegar discretamente, Lirien inclina a cabeça, franzindo brevemente a testa, por pouco não ri.


A luz do pôr do sol emanava pelas frestas da janela.




Um Relinchar potente ecoa em frente à porta principal.


Uma carruagem negra, dedilhados de chamas roxas, um símbolo de fênix com chamas circulares numa cápsula no topo dela.


Seguida por frotas de carruagem com o mesmo símbolo.

Os passos firmes contra o chão pedregulhoso ao sair da carruagem negra.


Kaien permanece com olhos estreitos, estendeu a mão, a irmã segurou, finalmente descendo da carruagem.


Meiyu estava com semblante sério. Porém, os olhos tinham certa inquietude, correndo pela fachada de diamantes do palácio.


— Está quieto...


— Quieto demais


— Bem, ainda não é hora do baile. Certamente...


Uma risada ríspida escapa dos lábios de Kaien, Meiyu arregala os olhos.


Ele sorri de canto.


— Silêncio demais nunca é bom


— Você é contra o silêncio, irmão?


— Nunca se sabe o que pode sair do silêncio, Meiyu


Os guardas fazem reverência.


— Saudações ao tenente e a aspirante à oficial Kenshira


Kaien os cumprimenta com um movimento rápido de cabeça, Meiyu fecha os olhos e faz o movimento de cabeça mais lentamente.